CURSO DIURNO EXAME DE SELEÇÃO - 2015 DATA: 06/12/2014 DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA CADERNO DE QUESTÕES Nome do candidato: Nº de inscrição: Observações: 1. Duração da prova: 120 minutos. 2. Colocar nome e número de inscrição no caderno de questões e no caderno de respostas. 3. Todo material recebido deve ser devolvido no final da prova. 4. Não é permitido consulta nem empréstimo de material durante a prova. 5. Não é permitido o uso de calculadora, celular, ou qualquer outro aparelho eletrônico, de cálculo ou de comunicação. 6. A permanência mínima do candidato em sala é de 1 (uma) hora. 7. Os examinadores só esclarecerão dúvidas de impressão. A interpretação das questões faz parte da avaliação. 8. A prova tem 20 (vinte) questões objetivas. Confira. 9. Utilize como rascunho o verso das folhas da prova. 10. As questões são de múltipla escolha, assinale a resposta preenchendo a CANETA com um X, no GABARITO, a alternativa que você julgar correta. 11. Não rasure o GABARITO. 12. Boa Prova.
2 O anjo da noite Às dez e meia, o guarda-noturno entra de serviço. Late o cãozinho do portão no primeiro plano; ladra o cão maior no quintal, no segundo plano: de plano em plano, até a floresta, grandes e pequenos cães rosnam, ganem, uivam, na densa escuridão da noite, todos sobressaltados pelo trilar do apito do guardanoturno. Pelo mesmo motivo, faz-se um hiato no jardim, entre os insetos que ciciavam e sussurravam nas frondes: que novo bicho é esse que começa a cantar com uma voz que eles julgam conhecer, que se parece com a sua, mas que se eleva com uma força gigantesca? Passo a passo, o guarda-noturno vai subindo a rua. Já não apita: vai caminhando descansadamente, como quem passeia, como quem pensa, como um poeta numa alameda silenciosa, sob árvore em flor. Assim vai andando o guarda-noturno. Se a noite é bem sossegada, pode-se ouvir sua mão sacudir a caixa de fósforos, e até adivinhar, com bom ouvido, quantos fósforos estão lá dentro. Os cães emudecem. Os insetos recomeçam a ciciar. O guarda-noturno olha para as casas, para os edifícios, para os muros e grades, para as janelas e os portões. Uma pequena luz, lá de cima: há várias noites, aquela vaga claridade na janela; é uma pessoa doente? O guarda-noturno caminha com delicadeza, para não assustar, para não acordar ninguém. Lá vão seus passos vagarosos, cadenciados, cosendo a sua sombra com a pedra da calçada. Vagos rumores de bondes, de ônibus, os últimos veículos, já sonolentos, que vão e voltam quase vazios. O guarda-noturno, que passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o choro de alguma criança, um resto de conversa, alguma risada. Mas vai andando. A noite é serena, a rua está em paz, o luar põe uma névoa azulada nos jardins, nos terraços, nas fachadas: o guarda-noturno para e contempla. À noite, o mundo é bonito, como se não houvesse desacordos, aflições, ameaças. Mesmo os doentes parece que são mais felizes: esperam dormir um pouco à suavidade da sombra e do silêncio. Há muitos sonhos em cada casa. É bom ter uma casa, dormir, sonhar. O gato retardatário que volta apressado, com certo ar de culpa, num pulo exato galga o muro e desaparece: ele também tem o seu cantinho para descansar. O mundo podia ser tranquilo. As criaturas podiam ser amáveis. No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno, traz um bom revólver no bolso, para defender uma rua... E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto parece apontar na esquina, o guardanoturno torna a trilar longamente, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro. E recomeça a andar, passo a passo, firme e cauteloso, dissipando ladrões e fantasmas. É a hora muito profunda em que os insetos do jardim estão completamente extasiados, ao perfume da gardênia e à brancura da lua. E as pessoas adormecidas sentem, dentro de seus sonhos, que o guarda-noturno está tomando conta da noite, a vagar pelas ruas, anjo sem asas, porém armado. (Cecília Meireles Quadrante 2 4ª edição RJ- Editora do autor) 1ª Questão: A comparação do guarda-noturno com um anjo sem asas justifica-se: a) Porque o guarda-noturno traz consigo um bom revólver para enfrentar os bandidos. b) Porque está atento a tudo o que acontece na noite, ou seja, ele toma conta da noite. c) Porque faz com que os cães parem de latir e, com isso, as pessoas possam descansar. d) Porque o guarda-noturno caminha com delicadeza, para não assustar, para não acordar ninguém.
2ª Questão: Por que o guarda-noturno sacode uma caixa de fósforos? a) Porque ele sente muito sono e precisa de um barulho para mantê-lo acordado. b) Porque ele não tem o que fazer e a caixa de fósforos que ele sacode é uma distração. c) Porque a noite está tranquila e ele encontra-se em paz. d) Porque é uma maneira de avisar às pessoas que ele está ali, já que os palitos de fósforos fazem barulho. 3 3ª Questão: Assinale a opção em que há oposições de ideias: a) noite sossegada X sacudir caixa de fósforos. b) noite serena X parar e contemplar. c) guarda-noturno traz um revólver X defender uma rua. d) guarda-noturno é um anjo sem asas X andar armado. 4ª Questão:... que novo bicho é esse, que começa a cantar com uma voz que eles julgam conhecer, que se parece com a sua, mas que se eleva com uma força gigantesca? Esse trecho reproduz uma pergunta feita: a) pelo guarda-noturno. b) pelo narrador. c) pelos insetos. d) pelas pessoas. 5ª Questão: Sabe-se que fato é o que realmente acontece e inferência é uma suposição, isto é, aquilo que se pode concluir de um determinado fato. Assinale a opção que traz uma inferência: a)... é uma pessoa doente? b) Às dez e meia, o guarda-noturno entra de serviço. c) Uma pequena luz, lá em cima.. d) Passo a passo, o guarda-noturno vai subindo a rua. 6ª Questão: O guarda-noturno torna a trilar longamente.... Há, no texto, uma condição para que ele faça isso. Qual é? a) Caso os cães não parem de latir, e o guarda-noturno suspeite de alguma coisa, ele começa a apitar. b) Se as luzes das casas encontram-se acesas até mais tarde, ele trila longamente para que as pessoas saibam que há vigilância na rua. c) Caso suspeite que há ladrões e fantasmas na rua, ele trila a fim de dissipá-los. d) Se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto parece apontar na esquina, ele trila longamente. 7ª Questão: Leia os fragmentos a seguir:... vai caminhando descansadamente como quem passeia.... o guarda-noturno torna a trilar longamente, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro. As palavras destacadas apresentam o sufixo MENTE, que é formador de: a) advérbio b) substantivo c) adjetivo d) pronome 8ª Questão: No fragmento ele também tem seu cantinho para descansar, ele é um pronome que está se referindo: a) ao guarda-noturno. b) ao cãozinho do portão. c) ao anjo da madrugada. d) ao gato.
9ª Questão: Escolha a alternativa em que a palavra entre parênteses não é sinônima da palavra grifada na frase: a) Pelo mesmo motivo, faz-se um hiato no jardim. (movimento) b) Vagos rumores de bondes, de ônibus... (ruídos) c)... os insetos do jardim estão completamente extasiados. ( encantados) d) E recomeça a andar, passo a passo, dissipando ladrões e fantasmas. (espalhando) 4 10ª Questão: Nos fragmentos há várias noites, há muitos sonhos em casa e como se não houvesse desacordos aparece o verbo haver. Se substituirmos o verbo haver pelo verbo existir, a opção correta será: a) Existem várias noites / existem vários sonhos em casa / como se não existissem desacordos. b) Existe várias noites / existe vários sonhos em casa / como se não existisse desacordos. c) Existia várias noites / existia vários sonhos em casa / como se não existissem desacordos. d) Existiam várias noites / existem vários sonhos em casa / como se não existissem desacordos. 11ª Questão: Abaixo há uma palavra que pode ser encaixada em duas regras de acentuação. Assinale-a: a) ônibus b) veículos c) revólver d) até 12ª Questão: Assinale a opção em as palavras estão separadas corretamente: a) si-len-ci-o-sa, veí-cu-los, dis- si- pan-do b) si-len-cio-sa, veí-cu-los, di- ssi- pan-do c) si-len-ci-o-sa, ve-í-cu-los, dis- si- pan-do d) si-len-ci-o-sa, ve-í-cu-los, di- ssi- pan-do 13ª Questão; No fragmento O mundo podia ser tranquilo. As criaturas podiam ser amáveis. No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno, traz um bom revólver no bolso, para defender uma rua., a expressão assinalada indica: a) contradição b) adição c) explicação d) conclusão 14ª Questão: Nos fragmentos a seguir há conotação, exceto: a) Já não apita: vai caminhando descansadamente, como quem passeia, como quem pensa, como um poeta numa alameda silenciosa, sob árvores em flor. b)... que novo bicho é esse, que começa a cantar com uma voz que eles julgam conhecer, que se parece com a sua, mas que se eleva com uma força gigantesca? c)... o guarda-noturno torna a trilar longamente, como quem vai soprando um longo colar de contas de vidro. d) O guarda-noturno olha para as casas, para os edifícios, para os muros e grades, para as janelas e os portões. 15ª Questão: Sabe-se que personificação é a atribuição de características ou ações humanas a seres inanimados. Portanto há uma personificação na alternativa: a) O guarda-noturno, que passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o choro de alguma criança... b) Vagos rumores de ônibus, os últimos veículos, já sonolentos, que vão e voltam quase vazios c) Às dez e meia, o guarda-noturno entra de serviço. d) O guarda-noturno olha para as casas, para os edifícios, para os muros e grades, para as janelas e os portões.
5 16ª Questão: Se passarmos o fragmento Às dez e meia, o guarda-noturno entra de serviço. Late o cãozinho... para o plural, ele ficará: a) Às dez e meia, os guardas-noturnos entram de serviço. Latem os cãezinhos... b) Às dez e meia, os guardas-noturnos entram de serviço. Latem os cãozinhos... c) Às dez e meia, os guarda-noturnos entram de serviço. Latem os cãezinhos... d) Às dez e meia, os guardas-noturno entram de serviço. Latem os cãozinhos... 17ª Questão: O termo destacado em cada trecho abaixo atua como pronome relativo, exceto: a) Pelo mesmo motivo, faz-se um hiato no jardim, entre os insetos que ciciavam e sussurravam nas frondes... b) O guarda-noturno, que passa rente às casas, pode ouvir ainda a música de algum rádio, o choro de alguma criança... c) E as pessoas adormecidas sentem, dentro de seus sonhos, que o guarda-noturno está tomando conta da noite, a vagar pelas ruas, anjo sem asas, porém armado. d) O gato retardatário que volta apressado, com certo ar de culpa, num pulo exato galga o muro e desaparece: ele também tem o seu cantinho para descansar. 18ª Questão: No fragmento Vagos rumores de ônibus, os últimos veículos, já sonolentos, que vão e voltam quase vazios, a palavra grifada poderá ser substituída por: a) indeterminados b) vazios c) desocupados d) confusos 19ª Questão: No trecho Late o cãozinho do portão no primeiro plano; ladra o cão maior no quintal, no segundo plano: de plano em plano, até a floresta, grandes e pequenos cães rosnam, ganem, uivam, na densa escuridão da noite..., o que se entende por plano? a) a posição diferente em que se encontram os cães em relação ao narrador. b) a posição diferente em que se encontram os cães em relação ao guarda-noturno. c) a diferença de tamanho dos cães. d) o modo como a rua é planejada e os cães estão nos portões ajudando o guarda-noturno na vigilância. 20ª Questão: Nos fragmentos a seguir as palavras destacadas são adjetivos, exceto: a) Lá se vão seus passos vagarosos, cadenciados... b) No entanto, ele mesmo, o guarda-noturno, traz um bom revólver no bolso, para defender uma rua. c) E se um pequeno rumor chega ao seu ouvido e um vulto parece apontar na esquina... d) É a hora muito profunda em que os insetos do jardim estão completamente extasiados...