INFORMATIVO JURÍDICO



Documentos relacionados
INFORMATIVO JURÍDICO

INFORMATIVO JURÍDICO

INFORMATIVO JURÍDICO

PROGRAMA ICMS ANTECIPADO ESPECIAL COM GLOSA DE CRÉDITO. 1. O que é o Programa de ICMS ANTECIPADO GLOSA DE CRÉDITO?

EXEMPLO DE EMISSÃO DA NOTA FISCAL

Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais Superintendência de Tributação Diretoria de Orientação e Legislação Tributária

IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM À LUZ DO CONVÊNIO ICMS Nº 36, DE 26 DE MARÇO DE 2010

DIFERENCIAL DE ALÍQUOTA - Hipóteses de Incidência, Cálculo e Formas de Recolhimento. Matéria elaborada com base na Legislação vigente em:

Redução Juros sobre Multa Punitiva. Redução Multa Punitiva. Parcela Única 60% 60% 75% 75% - N/A

Parecer Consultoria Tributária de Segmentos Transferência de Crédito de ICMS de Fornecedor Optante do Simples Nacional

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ACRE CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO

CIRCULAR Medida Provisória 252/05

Operação Concorrência Leal

Simples Nacional: Saiba mais sobre os benefícios para a advocacia OABRJ

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Crédito diferencial de alíquota no Ativo Imobilizado - SP

CARTILHA PARA CONDOMINIOS DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS DOS CONDOMÍNIOS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA

PREFEITURA MUNICIPAL DE BRUMADO ESTADO DA BAHIA CNPJ/MF Nº / Praça Cel. Zeca Leite, nº 415 Centro CEP: Brumado-BA

Responsabilidade Tributária: dissolução irregular, subsidiariedade, solidariedade e substituição tributária

ESTADO DO ACRE SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DEPARTAMENTO DE GESTÃO DE AÇÃO FISCAL NOTA TÉCNICA

INFORMATIVO JURÍDICO

INFORMATIVO JURÍDICO

PERGUNTAS E RESPOSTAS - EQUALIZAÇÃO DE ALÍQUOTAS DECRETOS nºs 442/2015 E 953/2015 ÍNDICE

PUBLICADO NO ÓRGÃO OFICIAL DO MUNICÍPIO Nº 1750 DO DIA 06/08/2012.

DECRETO N. 134/2010, DE 28 DE OUTUBRO DE 2010.

DECRETO Nº 092, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2009.

Programa Especial de Parcelamento - PEP

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 0020, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2005

DECRETO EXECUTIVO nº. 014/2012 D E C R E T A:

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO MATEUS ESTADO DO ESPÍRITO SANTO GABINETE DO PREFEITO

COMISSÃO MISTA PARA DISCUSSÃO DA LEGISLAÇÃO DA MICRO EMPRESA E EMPRESA DE PEQUUENO PORTE

Tabelas práticas. TABELA DE CFOP E CST è CÓDIGO FISCAL DE OPERAÇÕES E PRESTAÇÕES CFOP

A nova Consolidação das Regras para Compensação de Tributos Federais: In nº 1.300/12

67. As ME e EPP, optantes ou não pelo Simples Nacional, podem emitir que tipo de nota fiscal?

Eletrônica Município do Rio de Janeiro NFS-e - Nota Carioca.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DESONERAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO

Prefeitura Municipal de Ibirataia Estado da Bahia

Prefeitura Municipal de Belém Secretaria Municipal de Finanças

SIMPLES NACIONAL 1. NOÇÕES GERAIS

Decadência e Prescrição em Matéria Tributária

DIFERIMENTO DO ICMS - Recolhimento do Imposto pelo Contribuinte Substituto

Parcelamento de débitos do ICMS Resolução SF nº 81, de

SIMULADO PFN I (Tributário e Processo Tributário) Prof. Mauro Luís Rocha Lopes Dezembro de 2015

1º O acesso ao Sistema deverá ser feito por meio de Senha Web ou certificado digital.

LOCAL DE ENTREGA-ENDEREÇO CÓDIGO LOCAL DE ENTREGA ENDEREÇO CEP CIDADE ESTADO INFORMAÇÕES/EXIGÊNCIAS COMPLEMENTARES

Decreto Nº1601 de 19 de Agosto de 2009 DECRETA:

Palestra. ICMS/SP Substituição Tributária Regime Especial Distribuidor. Apoio: Elaborado por: Giuliano Kessamiguiemon Gioia

001) Quais serão os novos limites de enquadramento como ME ou EPP?

( RIPI/2010, art. 43, VII, art. 190, II, art. 191 e art. 497, e RICMS-SP/ Decreto nº /2000 )

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

I CASOS PRÁTICOS DACON Segue abaixo orientações quanto ao preenchimento prático de informações a serem prestadas em Dacon através de exemplos

ÍNDICE. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 971/2009, (Atualizada em Janeiro/2012)

Opção pelo Simples Nacional /12/2014. Confira abaixo as principais informações sobre o processo de Opção pelo Simples Nacional.

PONTOS POLÊMICOS DO ICMS. José Roberto Rosa

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Emissão do Recibo Pagamento de Autônomo (RPA)

Anexo 4.0 Substituição Tributária. Anexo 4.4. (Revigorado pelo Decreto nº de 26 de fevereiro de 2010).

DE DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE?

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Diferencial de alíquota para produtos com destino industrialização

Código Fiscal De Operações E Prestações CFOP

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA DIRETORIA DE FISCALIZAÇÃO CÉLULA DE PADRONIZAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO

PARCELAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS REFIS DA COPA

PARECER DOS RECURSOS REFERENTES À ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES DE PROVA OU GABARITO PRELIMINAR

RESOLUÇÃO DE ORIENTAÇÃO nº 002/2008. Edição em 01 de maio de 2011.

TRIBUTÁRIO EM FOCO #edição 6

Parecer Consultoria Tributária de Segmentos Retenção do PCC nos Pagamentos por Compensação

PARECER SOBRE A LEI DA SOLIDARIEDADE-RS

INSTRUÇÃO NORMATIVA SMFA Nº 01/2010

CARGA TRIBUTÁRIA ANO 2013

Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe. Clarice Lispector

AQUISIÇÕES INTERESTADUAIS INSTRUTORA: VALÉRIA PERES

Isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS

Orientações sobre Micro Empreendedor Individual

NOTA FISCAL AVULSA - NFA. atualizado em 08/07/2015

MINUTA LEI ANISTIA / LEI Nº

PARECER Nº, DE RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE

empresas constantes de seus anexos, de acordo com o Estado da Federação em que estava localizado o contribuinte.

Pergunte à CPA. Substituição Tributária entre os Estados de SP e MG

ALTERAÇÕES NA LEI GERAL DAS MICROEMPRESAS, EMPRESAS DE PEQUENO PORTE E DO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

TRIBUTAÇÃO DO SETOR IMOBILIÁRIO E DA CONSTRUÇÃO CIVIL. Martelene Carvalhaes

SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA DECRETO ESTADUAL /2008

DECRETO Nº 2.525, DE 4 DE SETEMBRO DE Institui o Programa de Recuperação de Créditos da Fazenda Estadual REFAZ e dá outras providências.

Nova sistemática de cálculo da contribuição previdenciária patronal;

PERGUNTAS FREQUENTES NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA:

Parecer Consultoria Tributária de Segmentos Retenção de Tributos por Entidades Públicas Federais na Intermediação de Viagens

36,6% dos empresários gaúchos julgam que o. 74,4% dos empresários gaúchos consideram que. 66,0% das empresas contempladas pela medida a

VARGAS CONTABILIDADE ORIENTAÇÃO

Direito Tributário. Módulo IV: Obrigação Tributária e Crédito Tributário.

MANUAL DO CONTRIBUINTE SISTEMA RICORD

NOTA FISCAL ELETRÔNICA DE SERVIÇO. Município de São Paulo

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 949, DE 16 DE JUNHO DE 2009 (DOU DE )

ICMS ANTECIPADO ESPECIAL - NÃO OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL

Transcrição:

1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 03, ANO 1I MARÇO DE 2010 1 ACABA EM JUNHO O PRAZO PARA RECUPERAR TRIBUTO INDEVIDO DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS STJ já julgou Lei Complementar 118/05, e o prazo vale para valores recolhidos antes da norma. Confira mais detalhes na página 2. 2 3 SÚMULA AFASTA A RETENÇÃO AO INSS PELAS EMPRESAS DO SIMPLES STJ julga que a retenção é incompatível com a sistemática do Simples. Leia mais na página 2. STJ DECIDE QUE A INCORPORAÇÃO INVERTIDA É ILEGAL Decisão inviabiliza prática comum, que gerava economia fiscal. O artigo completo segue na página 3. 4 SP E ES FAZEM PROPOSTA DE CONVÊNIO PARA REGULARIZAR O ICMS RECOLHIDO COM BENEFÍCIO FISCAL Se aprovada, proposta ao Confaz pode beneficiar empresas paulistas que operam pelo porto de Vitória. Confira íntegra na página 3. 5 FISCO REGULAMENTA INCLUSÃO DE SÓCIOS EM PROCESSOS Portaria dispensa processo administrativo para inclusão de terceiros. Artigo completo na página 4.

2 ACABA EM JUNHO O PRAZO PARA RECUPERAR TRIBUTO INDEVIDO DOS ÚLTIMOS DEZ ANOS Com a edição da Lei Complementar nº 118/05, o prazo prescricional para buscar a restituição de valores indevidamente recolhidos passou a ser de 05 anos. Entretanto, em abril de 2007, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o prazo prescricional para buscar a restituição de valores recolhidos antes da norma continuava a ser de dez anos. Sendo assim, a prescrição dos recolhimentos efetuados entre junho de 2000 e junho de 2005 ocorrerá no dia 08 de junho. SÚMULA AFASTA A RETENÇÃO AO INSS PELAS EMPRESAS ENQUADRADAS NO SIMPLES NACIONAL A retenção da contribuição para a seguridade social pelo tomador do serviço não se aplica às empresas optantes pelo Simples. Esta é a redação da súmula nº 425 aprovada por unanimidade no STJ. A Lei nº 9.711/98 determina que as empresas tomadoras de serviço são responsáveis tributárias, em regime de substituição, pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Entretanto, tal retenção, de acordo com o entendimento do STJ é incompatível com o tratamento diferenciado instituído pela Lei nº 9.317/96, que criou o Simples. Desta forma, o STJ pacificou o entendimento de que com relação às empresas optantes pelo regime especial de tributação do Simples, a contribuição destinada ao INSS já se encontra inserida na Lei das Microempresas e é recolhida na forma de arrecadação simplificada e nos percentuais de 3% a 7% sobre a receita bruta. A súmula não é auto-aplicável. Os interessados em valer da decisão devem ajuizar ação contestando os ditames da Instrução Normativa 971/09 do INSS, que dispõe em contrário.

3 STJ DECIDE QUE A INCORPORAÇÃO INVERTIDA É ILEGAL O Superior Tribunal de Justiça, ao analisar pela 1ª vez um caso de incorporação invertida, julgou que a operação foi ilegal. A chamada incorporação invertida ocorre quando uma empresa com prejuízo fiscal incorpora outra companhia lucrativa. Os ministros entenderam que a operação, mesmo não sendo proibida por lei, foi realizada com o intuito de recolher menos impostos, uma vez que nas operações tradicionais não é possível utilizar o prejuízo fiscal para o abatimento do IR e da CSLL. Esta foi a primeira vez que o STJ se manifestou sobre a matéria. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já proferiu algumas decisões sobre o tema, não havendo ainda entendimento pacífico. SÂO PAULO E ESPIRITO SANTO FAZEM PROPOSTA DE CONVÊNIO PARA REGULARIZAR O ICMS RECOLHIDO COM BENEFÍCIO FISCAL Os Estados de São Paulo e Espírito Santo apresentaram ao CONFAZ uma proposta de convênio, que, caso seja aprovada pelo órgão, irá beneficiar as empresas paulistas que importaram mercadorias através do porto de Vitória/ES. Com a proposta de convênio, os Estados visam regularizar o ICMS recolhido por empresas estabelecidas no Espírito Santo que detinham benefício fiscal e que prejudicavam o Estado de São Paulo. Os Estados já havia celebrado o Protocolo ICMS nº 23/2009, estabelecendo que os contribuintes, quando promoverem operações de importação por conta e ordem de terceiros nas quais o adquirente está localizado no outro Estado, o recolhimento do ICMS incidente deverá ser efetuado pelo estabelecimento importador em nome do adquirente e em favor do Estado onde este último estiver localizado. Já para as operações de importação por encomenda, onde o importador vende as mercadorias ao encomendante em operação subsequente, definiu-se que o Estado competente para exigir o ICMS será aquele onde estiver localizado o importador das mercadorias, desde que estas entrem fisicamente em seu estabelecimento. Ocorre, entretanto, que restou definir o tratamento que seria dado às operações realizadas antes da edição do Protocolo nº 23/2009.

4 Desta forma, estes Estados apresentaram ao CONFAZ uma proposta de convênio, autorizando estes Estados a considerarem válidos os recolhimentos de ICMS decorrentes de importações por conta e ordem contratadas até o dia 20 de março de 2009 e desembaraçadas até 31 de maio de 2009, independentemente do local da operação. Caso seja aprovado, tal convênio significa uma remissão de dívidas, já que os créditos do ICMS oriundos de operações amparadas por beneficio fiscal não autorizado pelo CONFAZ devem ser glosados. Ressaltamos, entretanto, que se trata de proposta de convênio, pendente de aprovação pelo CONFAZ. FISCO REGULAMENTA INCLUSÃO DE SÓCIOS EM PROCESSOS O Fisco federal regulamentou, através da edição de portaria, a inclusão de sócios e terceiros administradores nas Certidões da Dívida Ativa da União (CDAs). Uma vez inscrito na Dívida Ativa por meio da CDA, um débito pode ser executado na Justiça. A responsabilidade dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas pelas dívidas tributárias de empresas já estava prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Entretanto, recentemente, o artigo 135 foi regulamentado através da publicação da Portaria nº 180, no dia 25 de fevereiro de 2010. A referida Portaria esclarece em quais situações o sócio ou o terceiro administrador poderão ser considerados responsáveis pelos débitos tributários e como será feita a sua inclusão na Certidão de Dívida Ativa da União. Nos termos da Portaria, a inclusão do responsável solidário na CDA depende da ocorrência de uma das seguintes situações, após declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil: i) excesso de poderes; ii) infração à lei; iii) infração ao contrato social ou estatuto; iv) dissolução irregular da pessoa jurídica. O artigo 3º da Portaria tem sido alvo de inúmeras críticas ao dispor que o sócio de pessoa jurídica limitada, cujo débito com o INSS seja anterior à MP nº 449/08, será incluído como responsável solidário na CDA, independente da ocorrência de uma das situações elencadas acima. A portaria em si pouco inova em relação ao que já estava previsto no art. 135 do Código Tributário. Outrossim, entendemos que a inclusão do sócio ou terceiro

5 administrador como responsável solidário na CDA somente poderia ocorrer após um processo administrativo em que ficasse comprovado que estes agiram na forma, e não mera declaração fundamentada.