Capítulo II Imagem Digital



Documentos relacionados
REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM DIGITAL

Aula 2 Aquisição de Imagens

Processamento de Imagem. Prof. MSc. André Yoshimi Kusumoto

Informática Aplicada a Radiologia

Fotografia digital. Aspectos técnicos

Manual Processamento de Imagem. João L. Vilaça

Universidade Federal de Alagoas Instituto de Matemática. Imagem. Prof. Thales Vieira

Coerência temporal: Uma característica importante

Operações Pontuais. Guillermo Cámara-Chávez

Luz e Cor. Sistemas Gráficos/ Computação Gráfica e Interfaces FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Fundamentos de Imagens Digitais. Aquisição e Digitalização de Imagens. Aquisição e Digitalização de Imagens. Aquisição e Digitalização de Imagens

Principais parâmetros na definição de qualidade numa imagem digitalizada

Codificação/Compressão de Vídeo. Tópico: Vídeo (Codificação + Compressão)

Fundamentos de Processamento de Imagens SCC0251/5830 Processamento de Imagens

Prof. Walmor Cardoso Godoi, M.Sc.

ALCANCE DINÂMICO CCD CMOS

NASCE A ERA DA COMUNICAÇÃO ELÉCTROMAGNÉTICA

Visão humana. Guillermo Cámara-Chávez

Imagem digital. Unidade 3

Prof. Daniel Hasse. Multimídia e Hipermídia

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS CENTRO DE ENGENHARIA E COMPUTAÇÃO

Processamento de Imagem. Prof. MSc. André Yoshimi Kusumoto

Capítulo I Processamento de Sinal

Módulo 3 Amostragem de Imagens Sistema Multimédia Ana Tomé José Vieira

Cores em Computação Gráfica

PROCESSAMENTO DE IMAGEM LRGB DO PLANETA JUPITER

Introdução ao Sensoriamento Remoto

1 Problemas de transmissão

Características do vídeo. Aquisição, síntese, edição e reprodução de vídeo. Características do vídeo analógico. Características do vídeo analógico

A CÂMARA DIGITAL A CAPTURA DE UMA IMAGEM NUMA CÂMARA DIGITAL ENVOLVE OS SEGUINTES PROCESSOS:

AULA 01 INTRODUÇÃO. Eduardo Camargo de Siqueira PROCESSAMENTO DE IMAGENS Engenharia de Computação

Thales Trigo. Formatos de arquivos digitais

Sistema de Cores. Guillermo Cámara-Chávez

Sistemas e Conteúdos Multimédia Imagem. Nuno Miguel Gil Fonseca nuno.fonseca@estgoh.ipc.pt

Redes de Computadores sem Fio

Sensoriamento Remoto. Características das Imagens Orbitais

Atividade: matrizes e imagens digitais

Espectro da Voz e Conversão A/D

Introdução ao Processamento de Imagens Digitais Aula 01

FORTALECENDO SABERES CONTEÚDO E HABILIDADES APRENDER A APRENDER DINÂMICA LOCAL INTERATIVA CIÊNCIAS. Conteúdo: - Ótica

PROCESSAMENTO DE IMAGEM #01 TÓPICOS DESENVOLVIDOS NESTE MÓDULO

Conversores D/A e A/D

Biofísica da visão II. Ondas eletromagnéticas, o olho humano, Funcionamento da visão, Defeitos da visão.

Curso de Instalação e Gestão de Redes Informáticas

Fundamentos sobre. Universidade Federal do Rio de Janeiro - IM/DCC & NCE. Antonio G. Thomé Sala AEP/1033. Processamento de Imagens

Processamento Digital de Imagens. Cor

2 Classificação de Imagens de Sensoriamento Remoto

Departamento de Zoologia da Universidade de Coimbra

Fotografia Digital Obtenção da Imagem e Impressão

Imagens Digitais Tratamento de Imagens

Imagem digital - 1. A natureza da imagem fotográfica. A natureza da imagem fotográfica

SEL-0339 Introdução à Visão Computacional. Aula 3 Processamento de Imagens Coloridas

UFGD FCA PROF. OMAR DANIEL BLOCO 4 PROCESSAMENTO DE IMAGENS

Processamento digital de imagens. introdução

Introdução. Criar um sistema capaz de interagir com o ambiente. Um transdutor é um componente que transforma um tipo de energia em outro.

Desenho e Apresentação de Imagens por Computador

Elementos de linguagem: A cor

Universidade Federal de Goiás Instituto de Informática Processamento Digital de Imagens

É um agente físico capaz de sensibilizar os nossos órgãos visuais.

FOTOGRAMETRIA I Prof Felipe: Aulas 1 e Câmaras Fotogramétricas

SENSORES REMOTOS. Daniel C. Zanotta 28/03/2015

Redes de Computadores (RCOMP 2014/2015)

Luz, olho humano e óculos Capítulo 12 (pág. 219)

Conversão Analógica Digital

Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica

Utilização do Sistema Multimédia. 2. Formatos de ficheiros 2.1. Compressão 2.2. Formatos mais comuns 2.3 Captura de imagens. 2. Formatos de ficheiros

Processamento de imagem a cores

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

COMPUTAÇÃO GRÁFICA CORES. Curso: Tecnológico em Análise e Desenvolvimento de Sistemas Disciplina: COMPUTAÇÃO GRÁFICA 4º Semestre Prof.

INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL 1. INTRODUÇÃO / DEFINIÇÕES

Scanners Manual Básico. Um guia prático e rápido para conhecer o melhor tipo de equipamento para seus trabalhos.

Imagem e Gráficos. vetorial ou raster?

RUÍDOS EM IMAGENS FILTRAGEM DE RUÍDOS. o Flutuações aleatórias ou imprecisões em dados de entrada, precisão numérica, arredondamentos etc...

29/08/2011. Radiologia Digital. Princípios Físicos da Imagem Digital. Unidade de Aprendizagem Radiológica. Professor Paulo Christakis

SMCB: METODOLOGIA PARA A QUANTIZAÇÃO DE CORES EM IMAGENS FACIAIS

Oficina de Multimédia B. ESEQ 12º i 2009/2010

Frederico Damasceno Bortoloti. Adaptado de: Claudio Esperança Paulo Roma Cavalcanti

Cores. Judith Kelner Eduardo Albuquerque Vários colaboradores

EXTERNATO MATER DOMUS

Sinal analógico x sinal digital. Sinal analógico. Exemplos de variações nas grandezas básicas. Grandezas básicas em sinais periódicos

Monitores. Introdução

Detecção e Rastreamento de Objetos coloridos em vídeo utilizando o OpenCV

Cor e frequência. Frequência ( ) Comprimento de onda ( )

Tecnologias EOS 550D. Sensor CMOS Canon

Comunicações a longas distâncias

Professora Bruna FÍSICA B. Aula 17 Seus Óculos. Página 232

ESCOLA SECUNDÁRIA DE CASQUILHOS

Ficha Formativa Energia do Sol para a Terra

Trabalho 2 Fundamentos de computação Gráfica

Teoria da Cor TI. Elisa Maria Pivetta

Escola Superior de Tecnologia e Gestão Instituto Politécnico de Bragança Março de 2006

Imagens de Satélite (características):

Capítulo 4 Conversores AD e DA

Introdução à Redes de Computadores

Todo o conjunto que compõe a visão humana é chamado globo ocular.

SISTEMAS DE UNIDADES DO COMPUTADOR

Transcrição:

Capítulo II Imagem Digital Proc. Sinal e Imagem Mestrado em Informática Médica Miguel Tavares Coimbra

Resumo 1. Formação de uma imagem 2. Representação digital de uma imagem 3. Cor 4. Histogramas 5. Ruído

1. Formação de uma imagem 1. Formação de uma imagem a. Sistema visual humano b. Sistemas de captura de imagem c. Sensores digitais 2. Representação digital de uma imagem 3. Cor 4. Histogramas 5. Ruído

Sistema visual humano Como é que um ser humano vê? Sistema óptico (olho) Processamento e reconhecimento (cérebro) A grande complexidade do nosso sistema de visão reside aqui! Gonzalez & Woods

Formação de uma imagem O nosso sistema óptico possui: Focagem flexível Adaptação à luminosidade Reconstrução mental Ilusões ópticas! Podemos ver coisas que não existem! Gonzalez & Woods

Luz e cor A nossa retina possui: Cones Medem a frequência da luz (cor) 6 a 7 milhões Grande definição (nervo único) Alta luminosidade Bastonetes Medem a intensidade da luz (luminosidade) 75 a 150 milhões Baixa definição (vários para um nervo) Baixa luminosidade Gonzalez & Woods Apenas vemos cor no centro do nosso campo de visão!

Luz visível A luz é uma radiação electromagnética Pode conter várias frequências de luz. Luz visível Um prisma decompõe a luz nas suas várias frequências (cor!) A gama de frequências às quais o sistema óptico humano é sensível. Comprimentos de onda: 400 700nm.

Outros tipos de luz Raios X, ultravioletas, infravermelhos, etc.

Imagem médica Não usa necessariamente luz visível. Luz visível Endoscopia, etc. Luz invisível Radiografia, Tomografia, etc. Permite ver zonas sem visibilidade externa. Melhoria impressionante da capacidade diagnóstica da medicina!

Sistema de captura de imagem Luz Luz Luz Imagem a capturar Luz Responsável por concentrar os raios de luz sobre a matriz de sensores Sistema óptico Sensor Converte o sinal luminoso num sinal eléctrico

Sensor digital Como vê uma câmara digital? Sistema óptico Sensores digitais CCD CMOS Imagem digital Gonzalez & Woods Obtida através da projecção da luz através do sistema óptico, para uma matriz 2D de sensores digitais

Captura da cor Sensores digitais Apenas sentem intensidade da luz. Sistema óptico divide a luz em 3 componentes: Verde Vermelho Azul Mais sensores verdes do que vermelhos e azuis.

Matriz de sensores Os sensores formam uma matriz 2D de pontos. Cada sensor regista um valor (pixel). Quanto mais pequenos os sensores: Melhor a resolução da imagem. Maior o ruído capturado. Várias formas de capturar a cor. O sistema visual humano é mais sensível ao verde do que ao vermelho e ao azul

2. Representação digital de uma imagem 1. Formação de uma imagem 2. Representação digital de uma imagem a. Resolução espacial b. Quantização 3. Cor 4. Histogramas 5. Ruído

Imagem digital Imagem analógica Contínua no tempo e na amplitude. Melhor qualidade. Sensível ao ruído. Imagem digital Discreta no tempo e na amplitude. Perda inicial: quantização e amostragem. Robustez ao ruído. Pode ser processada por um computador! Conversão Analógica- Digital (AD)

Representação matemática Cada ponto é um pixel com amplitude: f(x,y) Uma imagem é uma matriz M x N: M = [(0,0) (0,1) [(1,0) (1,1) (M-1,0) (0,0) (0,N-1) Pixel

Resolução espacial Resolução espacial: M x N A amostragem define o número de pixeis da nossa imagem. Mais resolução implica maior qualidade mas também maior espaço de armazenamento! Alterar a resolução de uma imagem pode envolver a interpolação de novos pixeis Ruído!

Quantização de uma imagem O valor de cada pixel pode ser guardado por um número variável de bits. N valores = 2 nbits Maior número de bits: Maior qualidade Maior espaço de armazenamento

Espaço de frequências Como outro sinal qualquer, podemos converter uma imagem para o espaço de frequências. Altas frequências implicam grandes variações de gradiente.

Frequências horizontais e verticais Frequências: Horizontais correspondem a gradientes horizontais. Verticais correspondem a gradientes verticais. Frequências puras Correspondem a gradientes com amplitudes sinusoidais.

Exemplo: Frequências baixas Se eliminar as frequências altas a imagem fica borratada Porquê?

3. Cor 1. Formação de uma imagem 2. Representação digital de uma imagem 3. Cor a. Definição de cor b. Espectro visível c. Espaços de cor 4. Histogramas 5. Ruído

O que é a cor? Cor pura Frequência única no espectro visível da radiação electromagnética Cor composta Espectro de frequências contém mais do que um valor Lâmpada de Incandescência Luz do Sol

Como vemos nós a cor? Cones O ser humano possui três tipos de cones na retina com sensibilidades diferentes Vermelho Verde Azul Torna-se natural modelar as imagens digitais usando três planos de cor!

O modelo RGB Modelo aditivo que usa 3 cores: Red, Green, Blue. Define-se por um cubo, em que cada cor é um eixo. Adequado às tecnologias de projecção de imagem.

O modelo HSV Divide a cor em: Hue, Saturation, Value. Mais adequado para descrever uma cor. Divide a luminosidade (V) da cor (H,S). Adequado para processamento de imagem!

Exemplo de vários espaços de cor RGB R G B HSV H S V

RGB para HSI G B G B H 360 1/ 2 2 2 1 1 ) )( ( ) ( ) ( ) ( cos B G B R G R B R G R ),, min( ) ( 3 1 B G R B G R S ) ( 3 1 B G R I Hue: Saturation Intensity

HSI para RGB Depende do sector de H 0 <= H < 120 B I(1 S) R I 1 S cosh cos(60º H ) G 3I ( R B) 120 <= H < 240 240 <= H < 360 H R G B H G B R H I(1 120º S) I 1 S cosh cos(60º H ) 3I ( R B) H 240º I(1 S) I 1 S cosh cos(60º H ) 3I ( R B)

4. Histogramas 1. Formação de uma imagem 2. Representação digital de uma imagem 3. Cor 4. Histogramas a. Tipos de histograma b. Utilidade 5. Ruído

Definição matemática Um histograma é uma representação da distribuição de frequências de um conjunto de medições. Tipicamente representa-se em forma de um gráfico de barras: Cada contentor começa com o valor zero. Cada valor medido é atribuído a um contentor (bin). O valor deste contentor aumenta em uma unidade.

Histograma de uma imagem Distribuição acumulativa da cor e/ou luminosidade de uma imagem. Tipicamente: Número reduzido de bins. Normalização. Caracteriza a distribuição de amplitude do sinal Nenhuma informação acerca da sua distribuição espacial!

Histograma de uma imagem a cores Neste caso teremos tantos histogramas como eixos no espaço de cores. Ex: Espaço RBG: - Hist. Cor Azul - Hist. Cor Verde - Hist. Cor Vemelha Vermelho Verde Azul

Outros histogramas Veremos mais tarde que histogramas são úteis para representar vários tipos de informação. Reconhecimento de padrões! Posso representar: Cores Textura Linhas Etc...

Exemplo: Equalização de histograma Tenta melhorar a eficiência de utilização do espaço de amplitudes Histograma plano Sinal digital: Histograma quase plano Melhora contraste Pode criar cores irrealistas! f ( a) 255. P( a)

Equalização de histograma - Exemplo

5. Ruído 1. Formação de uma imagem 2. Representação digital de uma imagem 3. Cor 4. Histogramas 5. Ruído a. Ruído em imagem b. Tipos e modelos

Ruído em imagem As imagens são tipicamente degradadas por ruído. Percepção visual determina a importância deste! Vários processos contribuem para este ruído: Captura Transmissão Processamento O ruído em imagem tipicamente considera-se aditivo

Fontes de ruído em imagem Fontes de ruído universais : Térmico, quantização/amostragem, medição. Concretizando para imagens digitais: O número de fotões que atinge cada sensor é governado por leis quânticas: Photon Noise. Ruído gerado pelos vários componentes electrónicos dos sensores: On-Chip Noise, KTC Noise, Amplifier Noise, etc.

Ruído Branco Espectro plano Possui a mesma energia em todas as frequências. Artifício matemático Potência infinita. Aproximação pobre da realidade.

Ruído Gaussiano Densidade de probabilidade Gaussiana. Boa aproximação da realidade. Modela a soma de várias pequenas fontes de ruído, o que acontece na realidade.

Ruído Sal e Pimenta Consiste em considerar que um valor pode aleatoriamente mudar para 0 ou para o máximo. Acontece na realidade devido à avaria ou mau funcionamento de alguns dos sensores digitais da grelha de imagem.

Resumo Sistemas de captura de imagem. Digitalização de uma imagem. Imagens no espaço de frequências. Representação da cor. Histogramas de cor. Fontes de ruído em imagem.