AMIGDALITE. Graça Rocha Margarida Martins



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Introdução As infecções das vias respiratórias superiores são comuns na procura de cuidados pediátricos. A amigdalite é uma das causas mais comuns de febre em crianças. Responsável por grande absentismo escolar

Definição Amigdalite é a inflamação do tecido linfóide entre os arcos glossopalatino e faringopalatino O tecido linfóide faríngeo é um conjunto de orgãos (amígdalas) constituídos por células linfóides (linfócitos B) e tecido conjuntivo Anel de Waldeyer Amígdalas Faríngeas (Adenóides) Amígdalas Tubárias Amígdalas Palatinas Amígdalas Linguais Granulações linfóides da mucosa

Definição Amígdalas Estrategicamente situadas à entrada dos sistemas respiratório e digestivo. São os primeiros orgãos linfáticos a entrar em contacto com uma variedade de microorganismos do ar inalado e alimentos (imunidade humoral e celular) A actividade imunológica do tecido linfóide do Anel de Waldeyer verifica-se sobretudo entre os 4 e os 10 anos de vida ( puberdade) Amigdalite é mais comum na infância

Etiologia Infecção viral é a causa mais comum de amigdalite ( 40 a 50 %) 20 a 30 % são bacterianas (sobretudo Streptococcus pyogenes) Em cerca de 30% dos casos não é isolado nenhum patogéneo

Etiologia Agentes mais frequentes: Vírus: Adenovírus, Enterovírus (Coxsackie A e B ), Rinovírus, Influenza e Para-influenza, Epstein-Barr, Herpes simplex 1 e 2 Streptococcus β-hemolíticos do grupo A (Streptococcus pyogenes) Outros (muito raros): Streptococcus dos grupos C e G Arcanobacterium haemolyticum Francisella tularensis Neisseria gonorrheae Mycoplasma pneumoniae Chlamydia pneumoniae e trachomatis Corynebacterium diphteriae Fungos (Candida; Actinomycetes)

Epidemiologia Amigdalite Vírica: Corresponde à maioria dos casos de faringite/amigdalite Adenovírus é a causa mais comum em crianças < 3 anos Mais frequente no Inverno e Primavera Propaga-se através de contacto íntimo

Epidemiologia Amigdalite Estreptocócica: É a etiologia bacteriana mais comum Rara antes dos 2-3 anos; normalmente em crianças entre os 5 e os 15 anos Distribuição etária bimodal: 1º pico entre os 5-7 anos e o 2º pico entre os 12-13 anos Ocorre mais frequentemente no Inverno e Primavera Dissemina-se através do contacto directo com as secreções da garganta ou nariz de pessoas infectadas Propaga-se rapidamente em comunidades fechadas: escolas, infantários, família...

Patogénese - Proteína M Antifagocítica Streptococcus pyogenes - Exotoxinas pirogénicas (A, B, C) - Estreptolisina (O e S) - Estreptoquinases - DNAses Lise Celular A colonização por Streptococcus β-hemolíticos pode levar a infecção aguda ou a portador assintomático

Manifestações Clínicas Estreptocócica Sintomas Início súbito Febre elevada (39-40ºC) Odinofagia Cefaleias Sintomas gastrointestinais: - náuseas - vómitos - dores abdominais

Manifestações Clínicas Exame Físico Estreptocócica Eritema faríngeo (geralmente muito intenso) Hipertrofia amigdalina com exsudados purulentos amigdalite eritemato-pultácea (50 a 60% dos casos) Edema e rubor da úvula Petéquias no palato mole Adenopatias cervicais anteriores dolorosas (30 a 60 % dos casos) Escarlatina: palidez peribucal, língua em framboesa, exantema maculopapular áspero ao tacto

Manifestações Clínicas Viral Sintomas Início incidioso Febre Odinofagia moderada Rinorreia Tosse Rouquidão Diarreia

Manifestações Clínicas Exame Físico Viral Ligeira congestão da mucosa faríngea Moderado eritema das amígdalas (amigdalite eritematosa) Podem observar-se exsudados no palato e amígdalas, indistinguíveis dos observados na amigdalite estreptocócica Gânglios cervicais moderadamente aumentados

Manifestações Clínicas ADENOVÍRUS Viral Febre Faringoconjutival - Febre - Amigdalite exsudativa - Conjuntivite - Adenopatia pré-auricular

Manifestações Clínicas Viral COXSACKIEVÍRUS Herpangina (Coxsackie A) - Febre elevada - Mialgias - Acentuada odinofagia - Amigdalite vesiculo-bolhosa: vesículas e úlceras com halo eritematoso (faringe posterior, palato e úvula)

Manifestações Clínicas Viral Doença mão-pé-boca (Coxsackie A-16) - Úlceras na língua e mucosa oral - Erupção papulo-vesicular nas palmas, plantas, áreas interdigitais e glúteos

Manifestações Clínicas Viral VÍRUS EPSTEIN - BARR Mononucleose infecciosa - Idade escolar/adolescente - Febre e mialgias - Amigdalite exsudativa/membranosa: amigdalas hipertrofiadas cobertas de esxudado - Adenopatias cervicais (e axilares) - Hepatoesplenomegália (50%) - Rash maculopapular no tronco e membros (10%)

Manifestações Clínicas Viral VÍRUS HERPES SIMPLEX 1 Gengivoestomatite - Febre elevada - Linfadenite cervical - Amígdalas hipertrofiadas e friáveis - Vesículas e ulcerações brancas nas amígdalas, palato e orofaringe anterior (lábios e em redor da boca) - Halitose e salivação excessiva

Características GAS / Vírica GAS Inicio súbito Odinofagia Febre Escarlatina Cefaleias Nauseas, vómitos e dor abdominal Inflamação da faringe e amigdalas Adenopatias cervicais anteriores dolorosas Idade 5-15 anos Inverno ou Inicio Primavera Vírica Conjuntivite Coriza Tosse Rouquidão Mialgias Diarreia Exantemas característicos Enantemas característicos

Etiologia Achados clínicos Bacteriana Streptococcus Grupo A Grupo C e G Anaeróbios Escarlatina Angina Vincent Neisseria gonorrhoeae Corynebacterium dipththeriae Arcanobacterium haemolyticum Difteria Rash escarlatiniforme Yersinia enterocolitica Yersinia pestis Francisella tularensis Enterocolite Peste Tularémia Clin. Infect. Dis 2002; 35: 113-125

Clin. Infect. Dis 2002; 35: 113-125 Etiologia Viral Rhinovirus Coronavirus Adenovirus Herpes simplex 1 e 2 Vírus parainfluenza Coxsackie A Virus Epstein-Barr Citomegalovirus VIH Influenza A e B Achados clínicos Constipação Constipação Febre faringo conjuntival Gengivoestomatite Constipação ; croup Herpangina; doença pés-mãos e boca Mononucleose infecciosa Sind. mononucleosido Infecção primária Gripe

Etiologia Micoplasma Mycoplasma pneumoniae Clamídia Chlamydophila psittaci Chlamydophila pneumoniae Achados clínicos Doença respiratória aguda; pneumonia Doença respiratória aguda; Pneumonia Pneumonia Clin. Infect. Dis 2002; 35: 113-125

Momonucleose Infecciosa Mononucleose Infecciosa

Vírus Epstein- Barr Crianças: doença assintomática ou ligeira Jovens e adultos: mononucleose infecciosa Doença crónica Doenças linfoproliferativa Linfoma de Burkitt Carcinoma nasofaríngeo

clínica Febre Adenopatias Hepatoesplenomegália Faringite Mal-estar e fadiga Vírus na saliva laboratório Linfócitos atípicos Dias Anticorpos heterófilos 5 10 15 20 Meses 1 2 3 4 5 Anti - EA serologia IgM Anti VCA IgG Anti-EBNA

Clínica Ac. Heterófilos Anticorpos EBV VCA IgM VCA IgG EA EBNA Não imune - - - - - Infecção aguda + + + +- - Infecção crónica - - + + - Infecção antiga - - + - + Reactivação - - + + + Linfoma Burkitt - - + + + Carcinoma da Nasofaringe - - + + +

Diagnóstico Principal desafio diagnóstico: distinção entre amigdalite viral e estreptocócica CLÍNICA Quadros de amigdalite viral e estreptocócica podem ser sobreponíveis A presença de escarlatina é o sinal mais fiável de infecção estreptocócica, mas não há sinais/sintomas patognomónicos (clínica inespecífica) Diagnóstico baseado na clínica é impreciso e falível

Diagnóstico Exames Complementares de diagnóstico Exame cultural do exsudato orofaríngeo Método diagnóstico de referência (gold standard) Resultado em 2 3 dias Elevada especificidade e sensibilidade (95%) Falsos negativos - Amostra colhida incorrectamente - Meios de cultura inapropriados - Leitura antes de 48 h Falsos positivos - Crescimento de Streptococcus dos grupos C - Portadores assintomáticos

Diagnóstico Exames Complementares de diagnóstico Teste rápido de detecção de antigénios EBHGA Resultado em 15 30 min Elevada especificidade (>95%) Sensibilidade 70 a 90 % Positivo Negativo Iniciar AB Fazer Cultura

Complicações ETIOLOGIA VÍRICA ETIOLOGIA ESTREPTOCÓCICA Otite média aguda Adenite mesentérica Complicações supurativas: Abcesso amigdalino ou parafaríngeo Adenite cervical Otite média / mastoidite Sinusite Complicações não supurativas: Febre reumática Glomerulonefrite aguda Bacteriémia Síndrome do choque tóxico

Tratamento Viral Terapêutica de suporte Antipirético/analgésico (paracetamol) Ingestão de alimentos menos consistentes e frescos Ingestão hídrica Estreptocócica Terapêutica de suporte + Antibioterapia

ESTREPTOCÓCICA Tratamento OBJECTIVOS: Melhorar os sintomas clínicos - antibioterapia precoce acelera a recuperação clínica em 12-24h (ao 2º/3º dia há melhoria da febre, odinofagia, cefaleias) Reduzir a transmissão aos contactos mais próximos - após 24h de antibioterapia já não há contágio Prevenir a febre reumática - antibiótico deve ser instituído nos primeiros 9 dias de doença Prevenir complicações supurativas

ESTREPTOCÓCICA Tratamento Indicações para antibioterapia imediata (sem resultados bacteriológicos) Teste rápido de detecção de antigénios SBHGA positivo Diagnóstico clínico de escarlatina Contacto familiar com amigdalite estreptocócica documentada Antecedentes de febre reumática História recente de febre reumática na família

ESTREPTOCÓCICA Tratamento Penicilina Antibiótico de eleição - Susceptibilidade universal do Streptococcus pyogenes - Ausência de efeitos secundários importantes - Baixo custo Penicilina oral não existe em Portugal Penicilina G benzatínica: 50.000 U/KG IM até ao máximo de 1.200.000 (600.000 U abaixo dos 15 Kg e 1.200.000 acima dos 15Kg) Quando não há via oral Se há dúvidas na adesão à terapêutica

ESTREPTOCÓCICA Tratamento Amoxicilina Alternativa à penicilina oral (mesma eficácia e segurança) Dose: 50 mg/kg/dia, 8/8h ou 12/12h, durante 7-10 dias * ou 60 mg/kg/dia,12/12 h, durante 6 dias** (terapêutica curta/simplificada) * Acta Pediátrica Portuguesa ** Saúde Infantil - HPC

ESTREPTOCÓCICA Tratamento Macrólidos Se alergia à penicilina Elevada percentagem (30%) de resistência aos macrólidos Eritromicina: 40 50 mg/kg/dia, 8/8 h 10 dias Claritromicina: 15 mg/kg/dia, 12/12 h 10 dias Azitromicina: 20 mg/kg/dia 24/24 h, 3 dias

ESTREPTOCÓCICA Tratamento Cefalosporinas 1ª geração Se alergia à penicilina, mas não às cefalosporinas (excepto se reacção anafilática grave à penicilina) Eficácia semelhante à penicilina Evitar prescrever por rotina Cefradina: 25 mg/kg/dia, 8/8 h, 7 10 dias Cefadroxil: 30 mg/kg/dia 12/12 h, 7 10 dias

Amigdalites repetição 1. Amigdalites repetição GAS + verdadeiras 2. Amigdalites repetição víricas num portador de GAS Manifestações clínicas ou epidemiológicas sugerem etiologia vírica Fraca resposta à terapêutica antimicrobiana apropriada A cultura ou teste rápido é positivo entre os episódios Não há resposta serológica (ASLO, anti DNase B)

Prevenção Evitar contacto próximo com indivíduos com amigdalite ou garganta inflamada; Tapar a boca quando se tosse ou espirra; Lavar as mãos frequente e convenientemente