RENASCIMENTO E REFORMAS RELIGIOSAS

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Transcrição:

CAPÍTULO 10 RENASCIMENTO E REFORMAS RELIGIOSAS

Renascimento n Movimento cultural, científico e artístico iniciado, durante a Baixa Idade Média, no norte da Península Itálica. Região de tradição comercial. n No mesmo período, houve as seguintes transformações sociais e econômicas na Europa Ocidental: Crescimento das cidades. Expansão comercial. Aperfeiçoamento técnico. Enriquecimento e fortalecimento da burguesia. n Transformação da relação do ser humano com a natureza. n Desenvolvimento técnico-científico. n Emergência de novos valores e formas de pensamento. Humanismo

Características do humanismo n Os humanistas: valorizavam o espírito crítico; acreditavam na capacidade humana de conduzir o próprio destino; desejavam superar o pensamento medieval retomando a cultura da Antiguidade clássica. Desenvolvimento dos tipos móveis e da prensa: ampliação dos impressos = difusão do pensamento humanista pela Europa Ocidental.

Características do Renascimento Antropocentrismo Posicionamento do humano no centro do universo. Hedonismo Valorização do corpo, dos prazeres terrenos e espirituais, e culto à beleza e à perfeição. Renascimento Classicismo Retomada dos valores da Antiguidade clássica. Naturalismo Interesse em retratar o ser humano, os animais e a natureza de maneira realista, por meio de estudos de anatomia. Racionalismo Busca da verdade pela pesquisa científica.

Desenvolvimento científico n O humanismo repercutiu na astronomia, na matemática, na física e na medicina. n Na astronomia, o grande avanço foi a formulação da teoria heliocêntrica pelo astrônomo e matemático Nicolau Copérnico. Tal teoria foi aperfeiçoada pelo alemão Johannes Kepler, que comprovou que os planetas giravam em torno do Sol em órbita elíptica. n O alquimista e médico Paracelso elaborou o primeiro manual de cirurgia, descrevendo o papel da química na medicina. LEONARDO DA VINCI GALERIA DA ACADEMIA, VENEZA O desenho Homem vitruviano (1492), de Leonardo da Vinci, é baseado nos estudos do arquiteto romano Vitrúvio (I a.c.), e expressa os valores do classicismo e do antropocentrismo defendidos pelos humanistas.

Reformas religiosas n Ao longo da Baixa Idade Média, a Igreja Católica sofreu muitas críticas, motivadas, principalmente, pelas seguintes práticas: venda dos cargos eclesiásticos; despreparo dos clérigos para a vida religiosa; vida luxuosa do clero. n No mesmo período ocorreram movimentos considerados heréticos, que misturavam crítica religiosa e social. n Nos séculos XIV e XV, intelectuais como John Wycliffe e Jan Huss criticavam a Igreja. Eles são considerados precursores da Reforma. n A formação das monarquias nacionais, o movimento renascentista e o fortalecimento da burguesia ajudaram a enfraquecer o poder do papa.

Doutrinas protestantes Luteranismo Idealizador: monge alemão Martinho Lutero (1483-1546). Local de origem: Sacro Império Romano- -Germânico. Contexto: Lutero se revoltou contra a venda de indulgências por parte da Igreja Católica e publicou suas 95 teses. Principais pontos: salvação pela fé; livre interpretação da Bíblia; sacramentos do batismo e da eucaristia. Calvinismo Idealizador: teólogo francês João Calvino (1509-1564). Local de origem: Suíça. Contexto: Calvino elaborou uma teologia que justificava a atuação da burguesia, associando a prosperidade econômica à salvação. Principais pontos: salvação pela fé; princípio da predestinação; eleição divina associada à prosperidade econômica; valorização do trabalho, do lucro e do acúmulo de riquezas. Anglicanismo Idealizador: rei inglês Henrique VIII. Local de origem: Inglaterra. Contexto: após submeter a Igreja ao Estado, na Inglaterra, e divorciar-se de sua esposa para se casar novamente, Henrique VIII foi excomungado. Diante disso, fundou a Igreja Anglicana e tornou-se seu chefe. Principais pontos: manutenção da estrutura hierárquica da Igreja Católica (padres, bispos e arcebispos); rejeição da figura do papa e estabelecimento do rei como chefe da Igreja na Inglaterra.

Contrarreforma: a Reforma Católica n A Igreja Católica reagiu aos movimentos protestantes estabelecendo uma série de medidas com o objetivo de se fortalecer. Reorganizou o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), instituição criada durante a Idade Média para combater as heresias. No século XV, voltou- -se aos cristãos-novos, acusados de realizar práticas judaizantes e, no século XVI, aos adeptos das igrejas reformadas. Realizou o Concílio de Trento (1545-1563), em que se reafirmaram os dogmas católicos e os sacramentos e se confirmaram a transubstanciação, a hierarquia do clero e o celibato clerical. Nele foram também fixadas normas para coibir os abusos do clero e foi criado o Index Librorum Prohibitorum, índice de livros proibidos pela Igreja. Estruturou a Companhia de Jesus (1540), ordem religiosa criada por Inácio de Loyola e estudantes cristãos voltada à difusão do cristianismo, com atuação de destaque na evangelização dos ameríndios.

Resultado das reformas religiosas n As reformas religiosas provocaram as seguintes mudanças: ruptura na cristandade na Europa Ocidental; substituição do latim pelas línguas locais nos cultos; aceitação da livre interpretação da Bíblia pelos fiéis; liberdade de culto. A liberdade de culto não se traduziu em liberdade religiosa a princípio, pois, em muitos locais, os protestantes também perseguiram seus opositores. 40º N Religiões na Europa no século XVI PORTUGAL 300 km OCEANO ATLÂNTICO ESPANHA 0 ESCÓCIA FRANÇA MAR NORUEGA SUÉCIA MAR DO NORTE MAR IRLANDA DINAMARCA BÁLTICO INGLATERRA PRÚSSIA MERIDIANO DE GREENWICH SACRO IMPÉRIO ROMANO-GERMÂNICO MEDITERRÂNEO ESTADOS DA IGREJA REINO DE NÁPOLES POLÔNIA IMPÉRIO TURCO-OTOMANO Luteranos Calvinistas Anglicanos Católicos Ortodoxos Difusão islâmica Difusão Luterana e/ou Calvinista Minorias calvinistas Minorias luteranas Minorias católicas Fonte: PARKER, Geoffrey (Coord.). Atlas da história do mundo. 4. ed. São Paulo: Folha de S.Paulo/Times Books, 1993. p. 179. ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL