INTRODUÇÃO AO DIREITO AMBIENTAL 1. NOMENCLATURA DA DISCIPLINA JURÍDICA Direito ambiental, direito do meio ambiente, direito do desenvolvimento sustentável, direito verde, direito ecológico, direito de proteção da natureza e Direito do Ambiente, são as expressões utilizadas, sendo a primeira (Direito Ambiental), a mais preferida. 2. CONCEITO 2.1 DIREITO AMBIENTAL 1. O direito ambiental é um dos ramos mais modernos do direito. 2. O direito ambiental busca reger o comportamento humano com o meio ambiente que o rodeia, buscando sempre o equilíbrio nesta relação. 3. O direito ambiental tem como preocupação fundamental organizar a forma pela qual a sociedade se utiliza dos recursos ambientais, estabelecendo métodos, critérios, proibições e permissões, definindo o que pode e o que não pode ser apropriado economicamente. 4. O direito ambiental encontra-se no coração de toda atividade econômica, haja vista que esta se faz sobre a base de uma infra-estrutura que consome recursos naturais, principalmente na forma de energia. 5. Quando tratamos de direito ambiental, não estamos falando de toda e qualquer atividade humana, pois em tese, qualquer ação ou omissão humana está
entrelaçada com o meio ambiente. Preocupa-se tal ramo do direito, daquelas atividades que afetam as águas, a fauna, as florestas, o solo e o ar em especial. 6. O conceito de direito ambiental pode ser retirado dos ensinamentos da doutrina nacional: O Direito Ambiental (no estágio atual de sua evolução no Brasil) é um conjunto de normas e institutos jurídicos pertencentes a vários ramos do direito reunidos por sua função instrumental para a disciplina do comportamento humano em relação ao meio ambiente (Toshio Mukai). O Direito Ambiental é um Direito sistematizador, que faz a articulação da legislação, da doutrina e da jurisprudência concernentes aos elementos que integram o meio ambiente. Procura evitar o isolamento dos temas ambientais e sua abordagem antagônica. Não se trata mais de construir um Direito das águas, um Direito da atmosfera, um Direito do solo, um Direito florestal, um Direito da fauna ou um Direito da biodiversidade. O Direito Ambiental não ignora o que cada matéria tem de específico, mas busca interligar estes temas com a argamassa da identidade de instrumentos jurídicos de prevenção e de reparação, de informação, de monitoramento e de participação (Paulo Affonso Leme Machado, Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Malheiros. 13ª edição. 2005, p. 148-149).
3. DO RAMO DO DIREITO AMBIENTAL Dentro da classificação dicotômica em direito público e privado, o direito ambiental classifica-se como ramo do direito público. Isto porque, envolve questões que afetam a sociedade como um todo e não relações meramente particulares. 4. DAS FONTES a) Constituição Federal; Fonte principal do direito ambiental tem seu fundamento no art. 225. Os artigos 23 e 24 da Constituição Federal estabelecem as competências em matérias ambientais. b) Constituições Estaduais; c) Leis infraconstitucionais (Federais, estaduais e municipais) d) Doutrina; e) Jurisprudência (decisões reiteradas proferidas pelos tribunais); f) Usos e costumes; Exemplo disso é o manejo que os povos da Amazônia fazem com a floresta amazônica. O extrativismo e a pesca ali são praticados desde sempre e são costumes absorvidos pelo direito ambiental g) Direito comparado (direito ambiental praticado em outros países);
Kyoto). h) Tratados internacionais (protocolo de 5. CARACTERÍSTICAS A) IMPERATIVIDADE DE SUAS NORMAS; Implica obediência às normas, porque são imposições que não podem ser desobedecidas ou descumpridas. A desobediência implica em controle estatal e sancionamento. A) A PROTEÇÃO SOCIO-AMBIENTAL. Tal característica visa oferecer à sociedade, um meio ambiente saudável. 6. AUTONOMIA O direito ambiental, em que pese ser um ramo novo do direito, tem autonomia caracterizada por várias vertentes: a) Legislativa configura pela edição de leis federais, estaduais e municipais; b) Jurisprudencial; c) Judicial; e d) Didática é uma disciplina que vem sendo lecionada nos cursos de graduação e pós-graduação, principalmente nos de direito. 7. RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO
7.1.DIREITO CONSTITUCIONAL: No direito constitucional, através da Constituição Federal, é que se trata diversos assuntos referentes ao direito ambiental, como: a) COMPETÊNCIA COMUM DA UNIÃO, ESTADOS E DOS MUNICÍPIOS EM MATÉRIA AMBIENTAL (CF, ART. 23, INCISOS VI E VII); Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (...) VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; b) COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONCORRENTE (CF, ART. 24, INCISOS VI, VII E VIII); Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (...) VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; c) CF, ART. 225 estabelece direitos e obrigações relativas ao meio ambiente; Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações. 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento) II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; (Regulamento) (Regulamento) III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento) IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento) V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; (Regulamento) VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. (Regulamento) 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. econômica e meio ambiente; e) CF, ART. 170, INCISO VI ordem Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) e) CF, ART. 186, INCISO II FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE E UTILIZAÇÃO ADEQUADA DOS RECURSOS NATURAIS DISPONÍVEIS E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; 7.2 DIREITO ADMINISTRATIVO: 1. O direito administrativo estuda as normas e os princípios que regem a organização e o exercício da atividade administrativa estatal, suas entidades, órgãos e agentes públicos. 2. Relaciona-se com o direito ambiental, quando, entre outros:
a) trata da questão do procedimento administrativo ambiental, principalmente o direito ao contraditório e a ampla defesa; b) trata dos bens públicos; c) CF, art. 37 (Da administração pública); d) órgãos ambientais, etc. e) expedição de licenças e autorizações. Realização de fiscalização. 7.3 DIREITO PENAL Ramo do direito que define os crimes e impõe as penas. A Lei nº. 9.605/98 tipifica os crimes ambientais. Toda a teoria geral do direito penal é aplicável aos crimes ambientais. 7.4 DIREITO CIVIL É da parte do Direito Civil que invocamos diversos institutos, como, o da responsabilidade civil (CC, art. 927), o da definição de bens públicos ; o 1º do art. 1.228 do Código Civil (CC), que trata do direito de propriedade, entre outros. 7.5 DIREITO PROCESSUAL AMBIENTAL Referimos aos diversos institutos processuais que são invocados para a tutela do meio ambiente, como a Ação Civil Pública; Ação Popular; Mandado de Segurança em matéria ambiental; legitimados para propor cada ação; competência de jurisdição e foro; Mandado de Injunção; ritos processuais, etc.
7.6 DIREITO AMBIENTAL TRIBUTÁRIO O direito tributário está ligado aos tributos (impostos, taxas, contribuição de melhoria, empréstimo compulsório e contribuições). Ligados ao meio ambiente, temos a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), cujo fato gerador é o exercício regular do poder de polícia conferido ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), para o controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidora e utilizadora de recursos naturais. Temos, ainda, o ICMS ecológico, isenções de tributos municipais (IPTU) e isenção de ITR em alguns casos. 7.7 DIREITO AMBIENTAL INTERNACIONAL É o ramo do direito ambiental que trata das questões envolvendo tratados internacionais, protocolos, acordos, cooperação em relação ao meio ambiente global, etc. 7.8 DIREITO AMBIENTAL ECONÔMICO OU ECONOMIA AMBIENTAL? É o ramo da economia que está se desenvolvendo de forma a, por um lado, proporcionar a valoração dos bens e recursos naturais cabíveis e, por outro lado, construir uma metodologia de inserção dos bens ambientais no planejamento e na economia. Visa tornar o sistema natural parte integrante das economias e do planejamento de uma forma geral.