Panorama do emprego no turismo Por prof. Wilson Abrahão Rabahy 1 Emprego por Atividade e Região Dentre as atividades do Turismo, as que mais se destacam como geradoras de empregos são Alimentação, que contribui com 62,2% do total, e Alojamento, com 16,7%, acumulando praticamente 80,0% do total. Seguem-se: Transporte de Passageiros (13,1%); Agências de Viagens e outros serviços (4,7%); entre outros (Tabela 1) Convém ressaltar que, do ponto de vista de geração do Produto, Transportes, de um modo geral, constitui-se na principal atividade, respondendo por quase 35,0% do total, seguido por Alimentação (22,6%) e Alojamento (12,9%). As estimativas dadas pela pesquisa da FIPE, Impacto Econômico do Turismo Avaliado pela Conta Satélite do Turismo do Brasil, 2002, indicam a existência de 1,63 milhão de empregos diretamente gerados pelas atividades turísticas no Brasil, os quais, acrescidos dos 750 mil empregos indiretos, totalizam 2,38 milhões de postos de trabalho. Esse montante de empregos no setor corresponde a 3,3% da População Economicamente Ativa Gráfico 1 Principais Ocupações por Região do País no País. 1
Por outro lado, cabe ressaltar que as atividades turísticas apresentam diferentes significados relativos por região do País. Assim, Alojamento, por exemplo, que contribui com 16,7% do emprego no total do País, para as regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte representa as expressivas participações de 25,6%, 24,7% e 23,4%, respectivamente. Da mesma forma, Transporte Rodoviário de Passageiros, que no total corresponde a 13,1%, nas regiões Norte e Nordeste, explica 18,7% e 14,4% do emprego, respectivamente. (Gráfico 1) Tabela 1 Emprego no Turismo, por Atividade e Região - 2001 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Total Alojamento 23,4% 24,7% 12,7% 18,4% 25,6% 16,7% Alimentação 43,8% 55,7% 65,3% 63,0% 55,5% 62,2% Transp. Rod. Passageiros 18,7% 14,4% 13,0% 11,5% 12,7% 13,1% Ag. de Viagens e Outros Serviços 5,5% 3,3% 5,3% 4,2% 3,5% 4,7% Serv. Recreação 1,4% 1,9% 2,6% 2,6% 2,1% 2,4% Outros 7,2% 0,0% 1,1% 0,3% 0,6% 0,9% Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 2 Emprego por Grupo de Ocupação e U.F. A questão do emprego nas atividades turísticas, assim como no geral, carece de informações que permitam maior discriminação de seus resultados e o seu real dimensionamento. Os dados da RAIS Relação Anual de Informações Sociais apresentam como principal restrição o fato de se referirem apenas aos empregos formais, desconsiderando cerca de 50% da população empregada em atividades informais. A PNAD Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar do IBGE, por seu lado, apresenta o inconveniente de catalogar as ocupações declaradas pelos entrevistados, sem discriminar a atividade em que se dá a ocupação, como previsto na CNAE Classificação Nacional das Atividades Econômicas. Tem a vantagem, contudo, de registrar as ocupações informais. Assim sendo, para uma mensuração mais aproximada da realidade e com vistas à análise da evolução do emprego e sua distribuição regional, optou-se pela utilização da fonte PNAD para este particular aspecto do trabalho. Com base nos dados de 2001 desta fonte, foram constituídos alguns agrupamentos de ocupação, em que predominam as atividades turísticas, resultando em 4 conjuntos de Agrupamentos: Meios de Hospedagem ; Restaurantes ; Serviços de Transporte de Passageiros ; e Serviços de Recreação. Em Meios de Hospedagem selecionou-se 3 grupos de ocupações: Administrador de Empresa de Hospedagem ; Proprietário de Estabelecimento de Hospedagem ; e Arrumadeira e Camareiras. Restaurantes foi formado pelos grupos: Funcionários de Bar/Restaurantes ; Garçom ; e Maitre. Por sua vez, em Serviços de Transporte de Passageiros foram considerados 5 grupos: Administrador de Empresas de Transporte ; Comissário de Empresas Aéreas ; Comissário de Empresas Marítimas ; Funcionários de Empresas Aéreas ; e Tomador de Conta de Carro (flanelinhas). Finalmente, Serviços de Recreação foi constituído de: Locador de Serviços e de Equipamentos de Recreação ; e Músicos. 2
2.1 Ocupações nos Meios de Hospedagem Com as restrições apresentadas pelos dados selecionados, tem-se, em apenas cinco Estados, todos pertencentes ao Sudeste ou Sul, a concentração de quase 65% das ocupações selecionadas dos Meios de Hospedagem, os quais, acrescidos de Goiás e Bahia, respondem por 75% do total. Interessante ressaltar que, intra-grupos, as ocupações mais qualificadas, representadas por Administrador de Empresas, registram participações relativas mais expressivas nos grandes centros, como em São Paulo, com 33,7%, contra uma participação média no grupo de 23,5%. De outro Gráfico 2 Meios de Hospedagem, por principais U.F. lado, a categoria de Proprietários de Estabelecimentos de Hospedagem registra relativamente maiores percentuais de participação onde predominam os estabelecimentos familiares, situação típica do Rio Grande do Sul, com 14,6% dos proprietários, contra 8,4% na média das ocupações (Tabela 2 e Gráfico 2). Tabela 2 Meios de Hospedagem, por principais U.F. Administrador Proprietário de de Empresa Arrumadeira / Estabelecimento de de Hospedagem Camareiro Hospedagem Empregador Total SP 33,7% 22,9% 16,4% 23,5% RJ 13,8% 14,0% 14,9% 14,2% PR 9,9% 9,6% 9,2% 9,6% RS 2,3% 7,9% 14,6% 8,4% MG 7,2% 7,1% 8,9% 7,5% GO 3,6% 6,8% 6,2% 6,0% BA 10,5% 4,0% 3,3% 5,2% PE 2,4% 4,1% 2,0% 3,3% CE 5,2% 2,6% 3,0% 3,2% PA 0,9% 1,9% 7,5% 3,0% Outros 10,5% 19,1% 13,8% 16,2% Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 3
2.2 Ocupações nos Restaurantes Os mesmos Estados, pertencentes à região Sudeste ou Sul, - São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, e Rio Grande do Sul -, concentram quase 60% das ocupações selecionadas dos restaurantes. Merecem destaques os Estados do Nordeste, particularmente Bahia, Pernambuco e Ceará, que acrescentam 15 pontos percentuais, acumulando cerca de 75,0% dos empregos deste grupo de ocupações. Da mesma forma que no grupo anterior, ocupações Gráfico 3 Restaurante, por principais U.F. que demandam maior nível de qualificação registram maior participação relativa nos grandes centros e em localidades tipicamente turísticas. São Paulo e Bahia, por exemplo, registram para Maitre participações de, respectivamente, 45,3% e 11,2% contra 25,8% e 6,8% na média das ocupações deste grupo (Tabela 3 e Gráfico 3). Tabela 3 Restaurante, por principais U.F. Funcionário de Bar/ Maitre de Bar/ Restaurante Garçom Restaurante Total SP 28,8% 20,6% 45,3% 25,8% MG 12,6% 7,8% 9,6% 10,8% RJ 9,3% 11,5% 0,0% 10,1% BA 7,3% 6,0% 11,2% 6,9% PR 6,9% 5,7% 25,4% 6,5% RS 4,7% 8,1% 0,0% 5,9% PE 3,3% 5,3% 0,0% 4,0% CE 3,5% 5,5% 0,0% 4,2% Outros 23,7% 29,6% 8,5% 25,8% Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 2.4 Ocupações em Serviços de Recreação Dentre esses grupos de ocupações, Serviços de Recreação é o que apresenta o maior grau de concentração regional. As referidas cinco Unidades da Federação mais desenvolvidas respondem por quase 70% dos empregos deste grupo, que, acrescidas de Santa Catarina e Bahia, acumulam cerca de 80% do total. Em nível intra-grupo, merece destaque a contribuição relativa da ocupação Músicos em localidades Gráfico 5 Restaurante, por principais U.F. tipicamente turísticas e que também se caracterizam pelas diferenciadas atividades de diversões que oferecem, como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará (Tabela 5 e Gráfico 5). São Paulo, além de pertencer à uma área de concentração regional, é reconhecidamente um pólo de serviços, alto intimamente relacionado à demanda apresentada no Gráfico 5. Tabela 5 Serviços de Recreação, por Principais U.F. Locador de Serviços de Recreação Músico Total SP 39,5% 22,5% 35,6% PR 11,1% 6,0% 10,0% RS 9,0% 11,2% 9,5% MG 6,8% 8,4% 7,2% RJ 6,2% 11,1% 7,3% SC 5,0% 4,6% 4,9% BA 3,9% 6,6% 4,5% PE 3,7% 2,8% 3,5% CE 1,6% 4,4% 2,2% Outros 13,2% 22,4% 15,3% Total 100,0% 100,0% 100,0% 4
2.3 Ocupações em Serviços de Transporte de Passageiros Ao acompanhar a mesma tendência, os Estados já referidos das regiões mais desenvolvidas respondem, neste grupo, por 63,0% dos empregos, seguidos de Pernambuco, Pará, Santa Catarina e Espírito Santo, que, no conjunto, acumulam mais de 75% do Total (Tabela 4 e Gráfico 4). As ocupações nas empresas aéreas se concentram em São Paulo e Rio de Janeiro, respondendo por cerca de 70% dos empregos nestas atividades. De outro lado, as ocupações menos qualificadas, representadas pelos Flanelinhas, - também significantes nos grandes centros urbanos em valores absolutos -, registram expressivas participações relativas em centros menos desenvolvidos, como em Pernambuco (6,9% de participação, contra 4,2% da média). Gráfico 4 Tabela 4 Transporte, por principais U.F. Transporte, por principais U.F. Administração Comissários de Funcionário de de Empresa Empresa Empresas Tomador de Transporte de Aviação de Aviação de Conta Total SP 39,5% 58,6% 51,1% 12,3% 32,5% MG 10,1% 0,0% 6,8% 9,8% 8,4% RJ 7,0% 20,6% 7,2% 16,0% 12,2% RS 6,8% 7,1% 0,0% 5,8% 5,6% PR 5,6% 6,7% 4,4% 3,4% 4,8% PE 2,5% 2,4% 2,5% 6,9% 4,2% Outros 28,5% 4,5% 28,0% 45,9% 32,3% Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 3 Evolução do Emprego nos Segmentos Turísticos Com vistas a verificar as tendências na evolução do emprego no Turismo, foram levantados os dados da PNAD do IBGE, nos anos de 1997 a 2001, para os grupos de ocupações selecionados, agregados por grande região do País. De um modo geral, apesar de alguns períodos de crise ao longo desses 5 anos, os dados acumulados registram resultados positivos: todos os grupos apresentam em 2001 valores superiores ao do ano de 1997, época base de comparação, exceto Meios de Hospedagem (Gráfico 6). Gráfico 6 Índice de Evolução do Emprego em Grupos de Ocupação Selecionados, por Segmento da Atividade Turística 1997/2001 (1997=100) 5
3.1 Crescimento do Emprego por Ramo de Atividade e por Região No período em análise, a quase totalidade das atividades turísticas selecionadas, exceto Meios de Hospedagem, registra aceleração de crescimento logo após o início de 1999, época em que se adotou a política de flexibilização cambial. A partir da revalorização do câmbio tem-se uma maior restrição às viagens internacionais, via custos, o que favorece, de outro lado, o seu redirecionamento para o mercado interno, contemplando diretamente as atividades associadas ao Turismo. Esta tendência de aceleração do emprego nas atividades turísticas associada à flexibilização cambial, vê-se evidente em quase todas as regiões e atividades, exceto Meios de Hospedagem, como pode se notar nos gráficos 7 a 10. No que se refere às atividades turísticas, os segmentos que registraram maiores altas no período foram Serviços de Recreação (cerca de 25%) e Restaurantes (aproximadamente 15%). No caso dos Serviços de Recreação, as regiões que revelaram os melhores resultados foram Sul e Nordeste, com mais de 30%, seguidas do Sudeste e Norte, com variação de +20% no período. Em relação aos Restaurantes, nota-se resultados positivos em todos as regiões do País, com destaques para Nordeste e Centro-Oeste. Gráfico 7 Índice de Evolução do Emprego em Grupos de Ocupação Selecionados do Segmento Meios de Hospedagem por Região do País - 1997/2001 (1997=100) Gráfico 8 Índice de Evolução do Emprego em Grupos de Ocupação Selecionados do Segmento Restaurantes por Região do País 1997/2001 (1997=100) Gráfico 9 Índice de Evolução do Emprego em Grupos de Ocupação Selecionados do Segmento Transporte por Região do País 1997/2001 (1997=100) Gráfico 10 Índice de Evolução do Emprego em Grupos de Ocupação Selecionados do Segmento Serviços de Recreação por Região do País - 1997/2001 (1997=100) 6
4 Evolução recente das viagens aéreas no Brasil Esta seção se propõe a analisar a evolução recente das viagens aéreas no Brasil, a partir dos dados disponibilizados pelo DAC - Departamento de Aviação Civil, nos meses de agosto e setembro de 2003, em confronto com dados de anos e meses anteriores. Nesse sistema de dados têm-se informações da oferta do setor, representada pelo número de assentos x Km, e da demanda, dada pelo número de embarques de passageiros x Km, informações estas discriminadas por linhas domésticas e internacionais. No que se refere às viagens internacionais, foram registradas quedas, em termos de oferta de assentos x Km, tanto no mês de agosto/03 (em relação a igual mês do ano anterior de 18,2% e em relação ao mês de julho/2003 de 0,8%), quanto no mês de setembro/03 (respectivamente, -8,7% e 1,7%). O mesmo se verificou, em termos da demanda: nos meses de agosto e setembro foram registradas baixas em suas taxas, exceto especificamente no confronto de setembro em relação a igual mês do ano anterior, quando a demanda sobe 1,5% (Tabela 6 e Gráfico 11). Quanto às taxas de ocupação, o resultado do mês de agosto de 2003 permanece igual a do mês anterior, para as viagens internacionais (79%), portanto nove pontos percentuais acima da média de 70% alcançada de jan/00 a jul/03. No mês de setembro, a taxa de ocupação se reduz para 76%, ainda superior à média. No que tange às viagens domésticas, a situação não é diferente. Pelo contrário, nos modos procedidos de comparação são verificadas taxas negativas, chegando a atingir níveis de 15,7% (setembro) e 18,1% (agosto), quando a comparação é estabelecida com igual mês de ano anterior (Tabela 7 e Gráfico 12). O que vem sendo observado, ao longo desses 3(três) últimos anos, é que as viagens domésticas revelam uma menor capacidade de ajuste da oferta às variações na demanda, ficando no mês de agosto com a taxa de ocupação em 62% e em setembro em 61%, ainda acima da média de 58% registrada entre os meses de jan/00 e jul/03 (Gráfico 13). Os ajustes que vêm sendo procedidos pelo setor resultam em ganhos em relação à média das taxas de Tabela 6 Variações Viagens Internacionais (%) Oferta Demanda Ago/02 Ago/03-18,2-2 Ago/03 Jul/03-0,8-0,5 Set/03 Set/02-8,7 1,5 Set/03 Ago/03-1,7-5,4 Gráfico 11 Oferta e Demanda: Linhas Internacionais (%) Tabela 7 Variações Viagens Nacionais (%) Oferta Demanda Ago/02 Ago/03-18,1-6,3 Ago/03 Jul/03-2,7-10,2 Set/03 Set/02-15,7-4,1 Set/03 Ago/03-3,4-4,7 Gráfico 12 Oferta e Demanda: Linhas Nacionais - Jan/00 a Set/03 7
Gráfico 13 Taxa de Ocupação - Jan/00 a Set/03 4.1 Confronto viagens domésticas e internacionais Desde o final de 2000, o volume de viagens domésticas supera as internacionais, oscilando no patamar dos 53%, em setembro/03 alcança uma participação de 53,3%. (Gráfico 14). Gráfico 14 Participação Relativa das Viagens Aéreas Nacionais e Internacionais - jan/00 a set/03 ocupação de longo prazo, tanto das linhas domésticas, quanto das internacionais. Esse fato confirma que o setor passa por uma fase de adequação às condições de mercado, tendo em vista a crise instaurada e as mudanças nos moldes da competição. 5 Conta Turismo assegura superávit Após quatro meses negativa, no mês de setembro de 2003, a Conta Viagens Internacionais apresenta saldo positivo. Com a receita de US$ 229 milhões e a despesa de US$ 193 milhões, o saldo fica em US$ 36 milhões. Se considerados os resultados de setembro de 2003 ante igual mês do ano anterior, verifica-se uma situação quase estável para o saldo, que tem um pequeno decréscimo da ordem de US$ 1,3 milhões: sendo que a receita registra um acréscimo de arrecadação de US$ 49,6 milhões e a despesa um acréscimo da ordem de US$ 50,9 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, onde se tem 5 meses com saldo positivo e 4 meses com saldo negativo, a Conta Viagens Internacionais registra um saldo positivo de US$ 79,4 milhões. No acumulado de 12 meses (setembro/ 02 a setembro/03) verifica-se um superávit, da ordem de US$ 310,6 milhões. Tabela 8 (*) Set/02 a Set/03 Fonte: Banco Central Saldo das Viagens Internacionais (US$ bilhões) 1998-4,1 1999-1,5 2000-2,1 2001-1,5 2002-0,4 2003* 0,3 Gráfico 15 Saldo das Viagens Internacionais (US$ bilhões) Período - 1998 a 2003 Fonte: Banco Central 8