Vejam os seguintes exemplos
O mau uso dos possessivos O diretor geral de um banco estava preocupado com um jovem e brilhante diretor que, depois de ter trabalhado durante algum tempo junto dele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meiodia. Então o diretor do banco chamou um detetive particular e disse-lhe: - Siga o diretor Lopes uma semana. O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou: - O diretor Lopes sai normalmente ao meio dia, pega o seu carro, vai à sua casa almoçar, namora a sua mulher, fuma um dos seus excelentes charutos cubanos e regressa ao trabalho. Responde o diretor: - Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso. Logo em seguida, o detetive pergunta. - Desculpe. Posso tratá-lo por tu? - Sim, claro, responde o diretor, surpreendido. - Bom, então vou repetir, disse o diretor. O diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai à tua casa almoçar, namora a tua mulher, fuma um dos teus excelentes charutos cubanos e regressa ao trabalho.
A ambiguidade pode ser entendida como a possibilidade de uma palavra ou grupo de palavras possuírem mais de um significado, podendo, dessa forma, ser compreendida de diversas maneiras por um receptor.
a) Menino vê incêndio do prédio. b) Macaco esquecido no porta-malas é motivo de confusão.
Ambiguidade É a "circunstância de uma comunicação lingüística se prestar a mais de uma interpretação. (CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. Dicionário de lingüística e gramática. Petrópolis: Vozes, 1986). A função da ambiguidade é sugerir significados diversos para uma mesma mensagem. É uma figura de palavra e de construção. A inadequação ou a má colocação de elementos como pronomes, adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo enunciados inteiros podem acarretar em duplo sentido, comprometendo a clareza do texto.
Embora funcione como recurso estilístico, a ambigüidade também pode ser um vício de linguagem, que decorre da má colocação da palavra na frase. Nesse caso, deve ser evitada, pois compromete o significado da oração. Exemplo " (...) os corpos do casal B serão exumados pela segunda vez nesta semana."(folha de S.Paulo) Correção
Tipos de Ambiguidade
Ambiguidade Sintática ou Estrutural Ambiguidade Lexical Ambiguidade Ambiguidade Semântica Ambiguidade de Escopo
Ambiguidade lexical.
Ambiguidade lexical A mesma ocorre sempre que uma palavra admite pelo menos uma dupla interpretação num dado contexto, sendo que a mesma pode ser gerada por dois tipos de fenômeno: a homonímia e a polissemia.
Ambiguidade lexical. 1. A homonímia constitui a ambiguidade lexical as palavras homófonas, isto é, que apresentam a mesma grafia e sentido diferente (homógrafa) e o mesmo som com grafia e sentidos distintos. (homófonas). Ex.: Os ministros devem aterrar a qualquer momento. (aterrar = causar terror / aterrar = aproximar-se do solo).
Ambiguidade lexical 2. Polissemia constitui ambiguidade lexical as palavras polissêmicas, ou seja, que possuem mais de um sentido. Ex.: A rede foi cortada ontem à noite. (rede = rede de deitar, rede elétrica, rede de computadores, etc).
Ambiguidade Sintática
Ambiguidade Sintática. Ocorre quando apresenta problemas de ordem sintática quanto às funções que cada termo exerce nas orações. Na ambiguidade sintática há duplo sentido não em relação ao significado das palavras, mas em relação às funções dos termos.
Ambiguidade Sintática. Ex.: Eu li a notícia sobre a greve na faculdade.
Podemos interpretar esta sentença de duas formas: ou eu li a notícia estando na faculdade, ou a greve acontece na faculdade. Nota-se que a ambiguidade da sentença não é determinada pelo duplo sentido das palavras, mas pela funcionalidade dos termos.
Ambiguidade Semântica.
Ambiguidade Semântica. A ambiguidade é gerada pelo fato de os pronomes poderem ter diversos antecedentes. Por isso é chamada de ambiguidade semântica, pois é uma questão relacionada à correferencialidade.
O ladrão roubou a casa de José com sua própria arma. José falou com seu irmão?
As interpretações possíveis são atribuídas ao tipo de ligação entre os pronomes das sentenças. Na primeira frase, o pronome sua pode estar coindexado em uma ligação tanto com a palavra ladrão, quanto com a palavra José. Temos, então, dois acarretamentos distintos para a sentença: um em que o ladrão usou a própria arma para roubar a casa; e outro em que o ladrão usou a arma de José. Na segunda frase, podemos entender que o falante quer saber se o José falou com o próprio irmão ou com o irmão de quem escuta a pergunta.
Portanto, o mau uso do pronome pessoal ou possessivo pode acarretar na indefinição sobre qual seu real referente. O pronome, como indica a própria palavra, serve para substituir algo que já foi mencionado (anáfora) ou será mencionado (catáfora), seu significado é totalmente dependente do reconhecimento da palavra a qual remete. Os pronomes pessoais oblíquos o e lhe podem causar dúvidas sobre a qual pessoa do discurso eles estão ligados, devido à evolução histórica dos termos no português brasileiro. Atualmente, ambos são utilizados tanto para mencionar a 2ª pessoa quanto a 3ª pessoa. Veja:
Eu o vi. (Eu vi você, Eu vi ele (sic)). Eu lhe falei. (Eu falei para você, Eu falei para ele).
Há casos em que há a certeza do pronome se referir a um elemento de 3ª pessoa, mas o mesmo ser dúbio na frase, como ocorre em Orlando tinha o carro bem preparado; ninguém poderia vencê-lo naquela competição (vencer o carro ou vencer Orlando?). Os pronomes possessivos costumam também ser responsáveis por casos de ambiguidade em um texto, especialmente o pronome seu (e variações). Manuel foi ao cinema com sua mãe. (Mãe de quem? A mãe da pessoa com quem se está falando ou a mãe de Manuel?). Normalmente se evita a confusão utilizando o pronome dele, dela para a terceira pessoa ou de você, do(a) senhor(a) para segunda pessoa.
Ambiguidade semântica: elipse de um verbo. Omitir um termo integrante ou acessório de uma frase pode provocar ambiguidade. Veja exemplos: Conheci-o quando era sargento. (A omissão do sujeito do verbo ser impede que se identifique quem era sargento).
Elipse. A omissão do sujeito também pode causar ambiguidade quando a conjugação verbal não é suficiente, em determinado contexto textual, para identificar quem é o autor da ação. Uma forma verbal como contava pode ser relacionada à 1ª, 2ª (no uso popular, você) ou 3ª pessoa, por exemplo.
Ambiguidade semântica. Palavras parônimas (grafia ou pronúncia apenas parecida, não igual) também podem causar ambiguidade (infligir/infringir), principalmente na linguagem oral.
Ambiguidade de escopo.
Ambiguidade de escopo. Existe um outro tipo de ambiguidade estrutural, a chamada ambiguidade de escopo. Um exemplo dessa ambiguidade é visto abaixo: Os alunos comeram seis sanduíches.
Na frase acima, temos as seguintes interpretações: os alunos todos comeram um total de seis sanduíches, ou cada aluno comeu seis sanduíches. A ambiguidade dessa sentença não decorre de um item lexical ambíguo; também não podemos reorganizar a sentença em duas estruturas sintáticas possíveis. A ambiguidade decorre de uma estrutura, mas não, da estrutura sintática, e, sim, da estrutura semântica da sentença, que gera duas interpretações: é a maneira de organizar a relação de distribuição entre palavras que expressam uma quantificação que gera ambiguidade.
Ambiguidade de escopo. Ou temos uma interpretação coletiva, em que a expressão os alunos tem como alcance, ou ESCOPO, seis sanduíches, como um todo. Ou temos uma interpretação distributiva, em que cada aluno tem seis sanduíches como ESCOPO. OU SEJA, a ambiguidade de escopo sempre envolve ideia de distribuição coletiva ou individual.
Outros exemplos de ambiguidade de escopo. Os alunos dessa sala falam duas línguas.
Ambiguidade de escopo. Nesta frase, podemos interpretar que todos os alunos falam as mesmas duas línguas ou que cada aluno fala duas línguas distintas. Poderíamos ter representações assim: Todos os alunos falam (as mesmas) duas línguas. OU Cada aluno da sala fala duas línguas (diferentes).
Outros exemplos de ambiguidade de escopo. Carlos e Maria são ricos.
Na frase acima, temos que Carlos e Maria, juntos, são ricos, ou que cada um separadamente é rico. Portanto, há as seguintes interpretações: Carlos e Maria (juntos) Cada um são ricos. é rico (separado).
Ambiguidade fonética.
Além das palavras grafadas de modo distinto, mas pronunciadas da mesma forma, há sequências de palavras que levam a identificá-las com outras palavras. Mais perceptível na linguagem oral, sua exploração pelo humor é recorrente:
Estas mulheres, como as concebo, são-me aprazíveis. A expressão como as concebo pode soar como (comoas com sebo).
Ele lutou por cada ponto A expressão por cada pode soar como (porcada).
É bonita essa fada. Em É bonita essa fada temos uma ambiguidade sonora na frase como um todo, pois poderia soar como (bonita e safada).
Não tem nada de errado a cerca dela. Já em Não tem nada de errado a cerca dela pode haver uma ambiguidade fonética na expressão cerca dela que soaria como (ser cadela).
Ambiguidade em texto imagético.
Outras situações que nos permitem múltiplas interpretações são as que se apresentam através das imagens. É possível verificarmos a ambiguidade por meio de fotos, desenhos, gravuras e etc.
A imagem permite que o observador atribua mais de um significado para a imagem, dependendo do enfoque ou da ótica de quem vê. Olhando ligeiramente, tem-se a impressão que se trata de um casal de velhinhos olhando um para o outro, mas ao analisar bem a cena, podemos perceber que são duas pessoas: uma tocando violão e outra segurando um pote na cabeça. Ao longe, percebe-se outra pessoa saindo de uma sala, sendo que o ambiente retratado parece uma espécie de palácio. Neste caso, a ambiguidade permite que vejamos mais de uma cena, retratada na mesma imagem. Como se pode ver, o fenômeno da ambiguidade ocorre em virtude de diversos eventos linguísticos, sendo que não está presente apenas em enunciados, mas também em imagens, piadas, músicas, entre outras situações em que o receptor possa inferir mais de uma interpretação.
Outros exemplos: