IMPORTÂNCIA BANANEIRA Musa spp. Disciplina: Fitopatologia Agrícola DOENÇAS DA BANANEIRA É uma das frutas mais populares no Brasil, sendo a segunda fruta mais consumida Consumo: in natura Cozida Frita ou processada na forma de doces ou passas Gênero Musa spp. IMPORTÂNCIA BANANEIRA Fruta com maior consumo interno no país Cultivares importantes: Gros Michel (Gros Michel, Maçã) Cavendish (Nanica, Nanicão) Prata (Prata, Pacovan) Terra (Terra, D Angola) Produção BRASIL FAO (2009): O Brasil ocupa o 4 lugar 7,0 milhões de toneladas Nordeste: principal região produtora 216 mil há de área colhida (41,8%) Produção de 2,8 milhões de toneladas BA,CE e PE (maiores produtores) Vale do Ribeira SP (Paulista de Jacupiranga, Eldorado, Registro, Cajati, Itariri, Pedro de Toledo, Sete Barras), maior área produtora; Doenças: Fator de perdas; Perdas com doenças 30 a 40% (fases de pré e póscolheita), prejuízos de aproximadamente R$ 700 milhões por ano (IBGE, 2007); Condições edafoclimáticas e baixo nível tecnológico contribui para problemas fitossanitários; 1
Fatores Limitantes A bananeira pode ser afetada durante todo o seu ciclo vegetativo e produtivo por um grande número de doenças FUNGOS VÍRUS BACTÉRIAS Principal Problema FÚNGICAS: DOENÇAS DA BANANEIRA Sigatoka Amarela Mycosphaerella musicola Sigatoka Negra Mycosphaerella fijiensis Mal do Panamá Fusarium oxysporum f. sp. cubense Podridão da Coroa Caphalosporium, Fusarium, Colletotrichum musae, Deightoniella torulosa e Ceratocystis paradoxa. Antracnose Colletotrichum musae BACTERIANAS: Moko Ralstonia solanacearum Podridão mole Erwinia spp. VIRAL: Mosaico da bananeira CMV Estrias da bananeira BSV NEMATOSES Agente causal: Ascomycota: Mycosphaerella musicola (sexuada), Pseudocercospora musae (assexuada); 1902 - Descrita 1ª vez: Ilha de Java Indonésia 1913 - Primeiros prejuízos: Ilhas Fiji, Vale do Rio Sigatoka 1944 - Constatada no Brasil -AM, Posteriormente, todos os estados brasileiros; Os prejuízos da ordem de 50% da produção Em microclimas muito favoráveis, podem atingir os 100%, Sintomas Ocorrem nas folhas jovens da planta, incluindo geralmente a folha 0 (vela), 1, 2 e 3, e excepcionalmente, a 4 (as folhas são contadas das mais novas para as mais velhas Os prejuízos causados pela Sigatoka amarela são resultantes da morte precoce das folhas e do consequente enfraquecimento da planta Diminuição: do nº de pencas; tamanho dos frutos; maturação precoce; perfilhamento lento. Sintomas Infecção inicial : Sintomas Leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda até a quarta folha; Ponto descolorido amplia-se, formando uma estria de coloração amarela; Estrias amarelas crescem, formando manchas necróticas, elípticas, alongadas; Lesão com centro deprimido, de coloração cinza e bordo preto, circundado por um halo amarelo; 2
Sintomas Sintomas Esporodóquios: produzem os esporos assexuados (saem dos estômatos) Epidemiologia: Infecção: Ocorre através dos estômatos, abertos ou não; Componentes fundamentais: Chuva, orvalho e temperatura (desenvolvimento de epidemias); Disseminação: Principalmente, vento Pseudotécios: ascósporos Manejo integrado da Sigatoka-Amarela 1) Controle cultural: Drenagem de qualquer excesso de água no solo Controle de plantas daninhas (favorece microclima) Desfolha, eliminação racional de folhas atacadas diminui o inóculo inicial Nutrição, plantas mal nutridas o lançamento de folhas é lento e consequentemente as lesões serão visualizadas em folhas cada vez mais novas Manejo integrado da Sigatoka-Amarela 2) Controle químico: Fungicidas de contato:à base de mancozeb, clorotalonil; Fungicidas sistêmicos: Grupos dos benzimidazóis e os triazóis 3) Controle genético: Variedades Pioneira, Pacovan Ken, Caipira e Thap Maeo, Mysore, Terra, Terrinha, D angola e Figo 3
, Murcha de Fusarium Agente causal Fusarium oxysporum f. sp. cubense; Doença endêmica por todas as regiões produtoras do mundo; Brasil, 1930, Piracicaba-SP, sobre a cultivar Maçã; De 3-4 anos, dizimados cerca de um milhão de pés de banana; Pode provocar perdas de até 100% na produção (banana maçã); Variedades tipo prata (apresentam um grau de susceptibilidade menor): perdas aproximadamente 20 % na produção; Sobrevivência: Epidemiologia Grande capacidade de sobreviver na ausência do hospedeiro, no solo na forma de clamidósporos; Disseminação: contato sistema radicular sadio com esporos do fungo; uso de material de plantio infectado; água de irrigação; homem, animais e equipamentos Manejo Integrado do Variedades resistentes: nanica, nanicão, grande naine, caipira,terra, terrinha e d Angola, mysore e thap maeo; pacovan ken, prata graúda, fhia 01 e tropical; Média suscetibilidade: prata anã, prata pacovan e pioneira; Cultivo em área sem histórico da doença; Mudas sadias; Análise do solo; evitar solos mal drenados; Controle dos nematóides e da broca-do-rizoma; Inspecionar periodicamente o bananal e erradicar plantas com sintomas; 4
Medidas Preventivas Evitar as áreas com histórico de alta incidência do maldo-panamá; Utilizar mudas comprovadamente sadias e livres de nematóides; Corrigir o ph do solo, com níveis ótimos de cálcio e magnésio, que são condições menos favoráveis ao patógeno; Medidas Preventivas Dar preferência a solos com teores mais elevados de matéria orgânica, isto aumenta a concorrência entre as espécies, dificultando a ação e a sobrevivência de F. oxysporum cubense no solo; Manter as populações de nematóides sob controle, eles podem ser responsáveis pela quebra da resistência ou facilitar a penetração do patógeno, através dos ferimentos; Manter as plantas bem nutridas, guardando sempre uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio. guarda-chuva Agente causal: Ascomycota: Mycosphaerella fijiensis, fase anamórfica Paracercospora fijiensis; Ilhas Fiji (1963): Descrita 1ª vez no distrito de Sigatoka Mais grave doença da bananeira no mundo Presente nas principais regiões produtoras Brasil1998: Amazonas Banana maçã altamente suscetível a sigatoka negra, anana prata é suscetível, banana da terra, nanica e Pacovan são resistentes Foram definidos 6 estádios de desenvolvimento para as lesões de Sigatoka-negra Estádio Discriminação do sintoma 1 Pequena descoloração ou despigmentação, só observada na página inferior da folha. Inclui uma pequena estria de cor café dentro da área descolorida. Não é visível através da luz 2 Pequena estria de cor café, visível nas faces superior e inferior da folha. 3 A estria aumenta em diâmetro e comprimento, mantendo-se de cor café. 4 A estria muda da cor café para preto, sendo considerada como mancha. 5 A mancha está rodeada por um halo amarelo 6 A mancha novamente muda de cor, deprime-se e nas áreas mais claras (cinza claro) observam-se os pseudotécios (pontos negros) Sintomas iniciais da Sigatoka-negra, com estrias de coloração marrom-clara. Estrias de coloração café expandindo-se radial e longitudinalmente, causadas pela Sigatoka-negra. Folha com áreas necróticas e manchas escuras causadas pela Sigatoka-negra. (Fotos: L. Gasparotto). 5
- Infecção nas folhas mais novas; - 1ºs sintomas: face inferior das folhas; - Estrias de cor marrom para estrias negras; - Rápida destruição da área foliar; Planta da cultivar Nanica com as folhas totalmente destruídas pela Sigatoka-negra. Foto: L. Gasparotto). Planta da cultivar Maçã com as folhas totalmente destruídas pela Sigatokanegra. Foto: L. Gasparotto). Epidemiologia Manejo Integrado da Disseminação São fortemente influenciados por fatores ambientais: umidade, temperatura e vento. Controle químico: No Brasil somente dois produtos registrados: Epoxiconazole+pyraclostrobin (Triazol + estrobirulina) Pyraclostrobin (estrobirulina); Controle genético: Variedades recomendadas: Caipira, Thap Maeo, Fhia 18 e Pacovan Ken, Garantida, Caprichosa, Mysore e Figo; Antracnose - Importância em pré-colheita e pós-colheita; - Parte da infecção ocorre em frutos verdes no campo; permanecendo quiescente (latente) até o início da maturação; - Parte aérea: amarelecimento e murcha; - Sintomas: -Lesões escuras e deprimidas; -Alta umidade: frutificações rosadas do fungo; -Condições de temperatura elevada: polpa afetada Antracnose - Etiologia: Colletotrichum musae; - Espécie de grande variabilidade quanto à forma e tamanho de esporos; -Conídios depositados sobre frutos verdes no campo, em presença de um filme de água, germinam e formam apressório dentro de 4 h. -A penetração ocorre 24 72 h -A infecção permanece quiescente até o início da maturação - Tanino presente na casca verde e ausente na madura envolvidos na quiescência do patógeno em frutos verdes; 6
Antracnose- Antracnose- Antracnose Controle - Embalagem e transporte em condição refrigerada; - Eliminação de folhas velhas, brácteas e restos florais; - Cobertura do cacho com polietileno perfurado (antes da abertura das pencas); - Limpeza e desinfestação dos tanques de despencamento e lavagem, após o uso; - Renovação periódica da água dos tanques; - Imersão e pulverização dos frutos com fungicidas a base de tiabendazol; Moko ou Murcha Bacteriana Agente causal: Ralstonia solanacearum raça 2 Amapá 1976: Constatação oficial Problema grave na região Norte (condições de várzea são ideais para sobrevivência e disseminação do patógeno) No Estado de SP ainda não foi constatada Praga quarentenária A2 (presente no Amapá, Amazonas, Pará, Pernambuco, Rondônia, Roraima e Sergipe) Existem 5 estirpes patogênicas à bananeira Moko ou Murcha bacteriana Moko ou Murcha bacteriana Sintomas Internos: Rizoma: Através de um corte transversal, o Moko é visualizado, pela descoloração dos feixes vasculares, pontos escurecidos, coloração variando de pardo ao vermelhotinto Pseudocaule: Descoloração vascular Cacho: Engaço cortado apresenta os feixes vasculares avermelhados Frutos seccionados apresentam podridão seca e escurecimento da polpa 7
Moko ou Murcha bacteriana Moko ou Murcha bacteriana Pseudocaule de bananeira com escurecimento dos feixes vasculares, inclusive os localizados no cilindro central, causado pelo moko. (Foto: L. Gasparotto) Engaço do cacho de banana com escurecimento dos feixes vasculares causado pelo moko. (Foto: L. Gasparotto). Frutos de bananeira afetados pelo moko, apresentando polpa escurecida e podridão seca. (Foto: L. Gasparotto) Frutos exibindo os sintomas de podridão seca, Moko da Bananeira Exsudação de pus bacteriano de coloração pérola-clara, logo após o corte de órgãos infectados 8
Moko ou Murcha bacteriana Epidemiologia Sobrevivência 2 meses na ausência do hospedeiro (Amazonas) na época da seca e 4 meses na época chuvosa (umidade do solo é importante para aumentar longevidade da bactéria Hospedeiros alternativos (ervas daninhas), mudas doentes. Disseminação Uso de ferramentas infectadas; insetos vetores abelhas, vespas, mosca-das-frutas; Transmissão insetos visitadores de inflorescências, tais como as abelhas (Trigona spp.), vespas (Polybia spp.), mosca-das-frutas (Drosophila spp.) Manejo Integrado do Moko ou Murcha bacteriana Erradicação das plantas infectadas; Mosaico da bananeira Agente causal: Cucumber mosaic virus (CMV) Erradicação através da aplicação de glifosate, injetado no pseudocaule na dosagem de 1 ml do produto comercial por planta adulta; Desinfestação das ferramentas; Transmitido por várias espécies de pulgões; Maior ocorrência nas variedades do subgrupo Cavendish. Ocorre também nas variedades dos subgrupos Prata, Terra e outros; Eliminação do coração em cultivares com brácteas caducas, assim que as pencas tiverem emergido; (impedir a transmissão pelos insetos); Plantio de mudas comprovadamente sadias. Mosaico da bananeira Mosaico da bananeira Transmissão: Pulgão: Forma não circulativo Aphis gossypii - Fonte de inóculo:trapoeraba ou maria-mole (Commelina diffusa); 9
Manejo do Mosaico da bananeira - Utilizar mudas livres de vírus; - Evitar a instalação de bananais próxima a plantios de melancia, pepino, abóbora ou jerimum e maxixe (hospedeiras de CMV); - Controlar as plantas daninhas dentro e em volta do bananal; -Erradicar, nos plantios já estabelecidos, as bananeiras com sintomas; -Utilização de cultivares de bananeiras resistentes: Caipira, Thap Maeo, Prata Zulu, Prata (Pacovan) Ken, FHIA 18, FHIA 01, FHIA 02 AM e Pelipita Estrias da bananeira - Agente causal: -Banana streak virus (BSV), -Gênero Badnavirus: DNA, baciliforme -Transmitido pela semente (planta-mãe) -Transmissão: modo semi-persistente -Cochonilha : Plannococus citri Estrias da bananeira Manejo das Estrias da bananeira -Cuidados na introdução de novas variedades, -Evitar a introdução de plantas infectadas; - Usar mudas livres do vírus e -Erradicar plantas jovens com sintomas severos em bananais já estabelecidos. Folha afetada pela estria da bananeira, causada pelo BSV (Banana streak virus). (Foto: L. Gasparotto) Folha velha de bananeira com estrias amarelas e escuras, causada pelo BSV (Banana streak virus). (Foto: L. Gasparotto) - Várias espécies de fitonematóides têm sido encontradas associadas à bananeira; - Nematóide cavernícola: Radopholus similis, - Nematóide espiralados: Helicotylenchus multicinctus, - Nematóides de lesões radiculares: Pratylenchus coffeae e - Nematóides formadores de galhas: Meloidogyne spp; R. similis destaca-se pelos danos, ampla distribuição nas principais regiões produtoras de banana do mundo; R. similis: Sintoma no córtex das raízes e rizomas de bananeiras, Considerado como incitador do parasitismo de patógenos secundários (fungos e bactérias); também do F. oxysporum f. sp. cubense 10
R. similis R. similis Raízes com extensas áreas necróticas de coloração avermelhada - Raízes necrosadas, reduzindo capacidade de absorção e de sustentação; - Tombamento de plantas pela ação do vento ou pelo peso do cacho 100% de danos na produção grupo Cavendish; - Disseminação: material propagativo, implementos agrícolas contaminados, tráfego de trabalhadores e animais, escoamento de água de chuva ou de irrigação; Controle: Impedir a sua introdução na área de cultivo Mudas sadias; local não contaminado; inundação; rotação de culturas; resistência varietal (prata e prata anã); provável tolerância (pacovan e mysore); tratamento químico (organofosforados e carbamatos). 11