MANEJO DE GADO DE CORTE

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Transcrição:

Universidade Federal de Uberlândia Faculdade de Medicina Veterinária Disciplina: Bovinocultura de Corte MANEJO DE GADO DE CORTE Profa. Isabel Cristina Ferreira MANEJO DE GADO DE CORTE 1.Introdução Para que uma empresa agropecuária, uma fazenda, tenha sucesso na sua atividade pecuária ele deve adotar manejos corretos capazes de aumentar a produtividade da fazenda e diminuir perdas, tais como, índices reprodutivos baixos, número de mortes elevadas, lesões corporais no transporte dos animais, entre outros. Maio 2010 MANEJO DE GADO DE CORTE 1.Introdução para adotar manejos adequados para a criação de bovinos valoriza-se primeiramente: separação dos animais por categorias, isso é, por sexo, idade, tipo e função na propriedade, isso proporciona uma diminuição no estresse dos animais que é dado pela competição pelo alimento no cocho ou no pasto, pela água, pelo sal, Proporciona maior controle do número animais na fazenda e dos índices zootécnicos. 2. As categorias animais mais comuns são: Vacas solteiras; Vacas amojadas (gestantes); Vacas descarte; Vacas com cria; Bezerros(as) mamando; Bezerros(as) desmamados; Novilhas; Novilhas em reprodução; Primíparas (primeiro parto); Garrotes; Touros Rufiões; Animais alejados/doentes MANEJO DE GADO DE CORTE 3. A Identificação Deve ser feita a identificação dos animais com: Marca com ferro quente (a fogo), tatuagem, brincos, correntes, eletronicamente ou outro método qualquer 3. A Identificação Objetivo da identificação para ter controle de repetições de cio, data da prenhez, provável data do parto, observações quando da Inseminação Artificial, ganhos de peso etc., tudo muito bem anotado em fichas. Resultados da identificação as fichas são excelente instrumento de seleção, pois através delas identificamos os animais produtivos e improdutivos. 1

4. Manejo no pré-parto Deixar em pastos ou piquetes maternidade Mais próximos a sede Assistência ao parto, cura do umbigo O estado nutricional da vaca no terço final da gestação é de suma importância, pois desta condição, vai depender um parto de forma sadia e fácil, com bastante leite ao bezerro, e uma rápida recuperação uterina, reduzindo, conseqüentemente o tempo de retorno ao primeiro cio fértil no pós-parto. Figura 1: Relaçãoentre peso fetale dias de gestação em bovinos O crescimento fetal apresenta um comportamento exponencial e 2/3 deste crescimento ocorre no terço final da gestação. 5. Manejo no parto Assim que nasce o bezerro deve-se observar se ele mama o colostro da vaca nas primeiras 6 horas de vida, pois este colostro e essencial para a vida futura do animal, caso isso não ocorra ou pela vaca ter o teto grande ou pelo bezerro ser muito fraco deve-se conter a vaca e ajudar a beber o colostro. Vacas com tetos grandes devem ser descartadas do plantel. 6. Manejo do bezerro Permanecem com as mães até a desmama Vacinações Vermifugações Creep feeding Descorna Castração desmama 7. Tipos de desmama 7.1. Precoce 90 a 120 dias de vida dos bezerros recomendada para períodos de escassez de forragem. finalidade: reduzir o estresse da amamentação e os requerimentos nutricionais da fêmea (principalmente de novilhas), permitindo que estas recuperem seu estado corporal e manifestem o cio. é necessário que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando a reconcepção imediata. Assim sendo, para a estação de monta de novembro a janeiro, ocorreriam duas desmamas: em novembro e em janeiro. 7. Tipos de desmama a desmama precoce pode prejudicar o desenvolvimento da cria e até causar mortes. Para evitar tal problema deve-se fazer: desmama de bezerros com peso superior a 90 Kg; desmama em época adequada (para o Brasil Central: novembro a janeiro); pastos diferenciados (com alto valor nutritivo, pequeno porte e alta densidade); suplementação com ração concentrada até 5-6 meses de idade; uso de "creep-feeding" na fase pré-desmama. 2

Percentagens de cio e prenhez de vacas Devon, cujos bezerros foram desmamados aos três e seis meses de idade Idade a desmama % cio % prenhez 3 meses 94,3 87,3 6 meses 52,3 47,7 Gonçalves et al. (1981) 7. Tipos de desmama 7.2. Desmama temporária ou interrompida (SHANG) a remoção temporária do bezerro é uma técnica de fácil adoção e empregada com o objetivo de melhorar a fertilidade de rebanhos de corte. Consiste em separar o bezerro da vaca, por um período de 48 a 72 horas, a partir de 40 dias após o parto. o efeito da interrupção temporária da amamentação promove o aparecimento do cio, podendo aumentar a taxa de concepção das vacas em até 30%. Entretanto, sua eficácia dependerá da condição corporal da fêmea, por ocasião de sua utilização. Seu maior efeito existe quando a condição corporal é regular, com fêmeas em regime de ganho de peso. Sucção: suprime liberação de LH por inibir descargas de GnRH Ausência de pulsos De LH foliculos anovulatórios Opióides Endógenos Inibe liberação de GnRH Shang associado à progestágeno = Método Shang Aumenta produção de LH Retorna atividade cíclica pós- parto Inibina estradiol Progesterona Remoção do Bezerro Efeito da remoção do bezerro por 48 horas sobre a taxa de prenhez (%) Nº vacas Cobertura Prenhez Controle 52 31 17 Remoção 52 62 44 Adaptado de Smith et al (1979). Efeito da desmama temporária (72 horas) em diferentes anos, Na taxa de prenhez de vacas Nelore Ano No Desmama % prenhez 1 33 Temporária 97 32 Tradicional 72 2 65 Temporária 89* 65 Tradicional 89* * A condição corporal das vacas foi melhor que no ano 1 Dode et al (1989) 3

7.3. Desmama Tradicional Em gado de corte deve ser feito entre 6 e 8 meses. Em ocasiões muito especiais, este pode ser feito mais tardiamente ou antecipado (aconselhável com o uso de suplementação alimentar ao bezerro), sem causar prejuízo ao seu desenvolvimento. A idade de desmama vai depender, portanto, da disponibilidade de forragens e suplementação e da condição corporal da vaca. O início da lactação (onde há maior exigência nutricional) deve coincidir com épocas de pastagens de boa qualidade. A desmama deve acontecer no início do período seco, onde ocorre a redução das exigências nutricionais das vacas. 7.3. Desmama Tradicional Na época do desmame, deve-se fazer uma avaliação das vacas no sentido de descartar aquelas que desmamaram os bezerros mais leves e que estão vazias (ou não), liberando pastagens para outras categorias de animais, mantendo aquelas que possuem maior "habilidade materna", ou seja, desmamam bezerros mais pesados. Deve-se dar preferência ao desmame no final da estação das chuvas, início da estação seca. Desta forma com estação de monta de Outubro/Novembro a Janeiro, a desmama aconteceria entre Janeiro/Fevereiro a Abril/Maio (geralmente início da seca) do ano seguinte. Pode não parecer esta ser a melhor época, mas com a utilização de pastos reservados e/ou suplementação alimentar aos bezerros, pode ocorrer a manutenção de peso e até mesmo algum ganho durante o período seco. 7.3. Desmama Tradicional As fêmeas que perderem seus bezerros por doenças ou mesmo por acidentes devem ser, de preferência, descartadas, para aumentar a resistência genética ao ambiente e suas intempéries. os animais com defeito grave (genéticos ou adquiridos), como despigmentação, baixa repelência a insetos, aprumos, cascos, etc., devem ser avaliados e eliminados do rebanho. 7.3. Desmama Tradicional Os animais devem ser pesados ao desmame após jejum de 12 a 24 horas, considerando para análise da performance a informação do grupo contemporâneo (apenas comparar animais do mesmo sexo e raça, nascidos na mesma época, manejados no mesmo lote/mesmo ambiente e que receberam o mesmo tratamento) e influências paternas e maternas. Podemos estabelecer como meta um peso ajustado ao desmame (205 dias) equivalente pelo menos a 50% do peso adulto da vaca em reprodução para machos e 45% para as fêmeas (ex.: no caso de vaca Nelore com 400 kg a bezerra deveria pesar 180 kg em regime de pasto). 7.4. Mamada controlada Uma ou duas vezes ao dia (manhã e tarde) Resultado depende condição corporal das vacas Mais utilizado para primíparas Quando não há controle: mamada em média 8 vezes durante 24 horas, com duração de 8 a 10 minutos cada mamada 8. Estresse na Desmama independente da forma de desmama, ocorre o estresse. é causado pelo efeito cumulativo dos componentes emocional onde o longo tempo de proteção e afeto estabelecem um vínculo duradouro entre a cria e a mãe, e que a desmama interrompe de forma brusca este convívio, demorando a se ajustar a nova situação) e nutricional (onde é privado do leite, geralmente pouco, mas é a base de sua alimentação sendo de alta digestibilidade), e em seguida, submetido a um pasto normalmente amadurecido, pobre em qualidade e com reduzida digestibilidade. Como conseqüência do estresse de desmama, geralmente ocorre atraso no desenvolvimento, além do animal ficar mais suscetível a doenças e parasitoses. 4

8. Estresse na Desmama A permanência de algumas vacas chamadas "madrinhas" (formando as creches), junto ao lote de bezerros desmamados, é sempre aconselhável como forma de diminuir o estresse. A suplementação alimentar, a utilização de pastos reservados, e o "amadrinhamento" junto a outros animais adultos são medidas indispensáveis para não agravar o quadro. O controle de ecto e endo parasitas assim como vacinações preventivas, devem ser realizadas de forma menos estressante possível. Em criações extensivas, para identificar a idade dos animais é comum a utilização da marca a fogo, da idade dos animais, sendo a cara o local utilizado para o ano (carimbo do ano). Em outras situações a marcação é feita na paleta, onde em cima é marcado o mês e, logo abaixo, o ano de nascimento. 9. Manejo da novilha Peso e idade mínimas para atingir puberdade Puberdade com 65% do peso adulto Parto com 85% do peso adulto Selecionar novilhas que nasceram na primeira metade da EM Bezerra desmamada com 160 kg aos 7 meses Para obter 300 kg aos 14 meses Quanto necessita ganhar em 210 dias? (670 gramas/dia) Devem atingir puberdade um a dois ciclos estral antes da EM Prioridade para pastagem de melhor qualidade (ponta de capim) Teste de conhecimento prévio ESTAÇÃO DE MONTA Você foi contratado como Médico (a) Veterinário (a) para atuar numa fazenda de cria de Gado de Corte com 1.000 matrizes Nelore no Estado de Goiás. A fazenda não realiza estação de monta, usa monta a campo com touros de boa qualidade genética, a fazenda possui somente anotações de peso a desmama médio por sexo, as vacas não tem identificação. Teste de conhecimento prévio Quais serão seus procedimentos para instalar uma estação de monta (EM) -Quanto à: informações gerais, época e duração da EM, categoria animal, touros - quais serão seus argumentos para convencer o proprietário de adotar suas recomendações? ESTAÇÃO DE MONTA Sistema de monta mais primitivo: touro permanece com as vacas durante todo o ano Sistema não é o mais adequado Nascimentos ao longo do ano Dificulta manejo Lotes desuniformes Prejudica desenvolvimento bezerros Prejudica fertilidade das matrizes em função das sazonalidade climática: forrageiras Não identifica paternidade: difícil fazer melhoramento Fertilidade tem variações sem função do clima 5

ESTAÇÃO DE MONTA ESTAÇÃO DE MONTA o estabelecimento de uma estação de monta de curta duração é uma das decisões mais importantes do manejo reprodutivo e de maior impacto na fertilidade do rebanho. Vantagens: sincroniza as demais atividades de manejo permite que o período de maior exigência nutricional coincida com o de maior disponibilidade de forrageiras de melhor qualidade, para eliminar ou reduzir a necessidade de alguma forma de suplementação alimentar. redução da duração da estação de monta melhoria na fertilidade e produtividade do rebanho, fica mais fácil identificar as matrizes de melhor desempenho produtivo. 1. Fatores a considerar para sucesso na EM 1.1.Época A época é determinada em função da melhor época de nascimento para os bezerros e do período de maior exigência nutricional das vacas. No Brasil, a melhor época para o nascimento coincide com o período da seca. Assim, para atender a esse requisito, o período recomendado para a monta deve ser de novembro a janeiro. Neste caso, as parições ocorrerão de agosto a outubro e o terço inicial da lactação, que apresenta as maiores exigências nutricionais, irá coincidir com o de maior oferta de alimentos de melhor qualidade (estação das chuvas). 1.2. Duração A meta ideal para a duração da estação de monta de vacas adultas deve ser de 60 a 90 dias. Para novilhas esse período não deve ultrapassar a 45 dias, e tanto seu início como seu final devem ser antecipados em pelo menos 30 dias em relação ao das vacas. Visando proporcionar às novilhas, por estarem ainda em crescimento e lactação, tempo suficiente para a recuperação do seu estado fisiológico e iniciar o segundo período de monta, junto com as demais categorias de fêmeas. Duração máxima 120 dias: oportunidade de 5,7 cios consecutivos Propriedades que utilizam 45 dias Menor duração : maior pressão de seleção Identifica animais subférteis, inférteis e improdutivos Diagnóstico de gestação ao final da EM Utilizar com rigor o descarte das vacas vazias após diagnóstico de gestação Para obter um bezerro/ano sem superposição de fases:em e EN e PP Duração da EM=duração do ano (duração gestação + período puerperal) EM= 365 (290 + 40) =35 dias 1.2. Duração No primeiro ano de implantação da estação esse período pode se estender de outubro a março (seis meses) e nos anos seguintes ela deve ser ajustada gradativamente, até a obtenção do período ideal. Deve-se tentar obter índices elevados de concepção no primeiro mês de monta, para que as vacas tenham tempo suficiente para recuperar seu estado fisiológico, após a parição, antes da próxima estação de monta. 6

1.3. Fertilidade de touros 1.3. Fertilidade de touros O impacto da fertilidade do touro no desempenho reprodutivo do rebanho é mais importante do que o da vaca, a expectativa é de que cada touro cubra pelo menos 25 vacas. Touros de baixa fertilidade podem causar grandes prejuízos para o produtor, touros contribuem com a metade do material genético de todas as crias Quanto a relação touro:vaca as recomendações gerais são de 25 a 30 vacas para cada touro, dependendo do manejo e do touro relação de 1:40 Principais fatores que influenciam na relação a idade, a capacidade de monta, o libido, o estado sanitário e nutricional dos touros, o tamanho e topografia das pastagens 1.4. Duração da gestação e EM Zebus: duração gestação: 292 dias Européias: duração da gestação: 280 dias Vacas zebus têm que conceber num período menor que européias: 73 vrs 85 dias Ideal vacas conceberam no início da EM Bezerros mais pesados Mais tempo para recuperação EC 1.5 Utilizar e desenvolver o projeto de melhoramento reprodutivo Vacas: Períodos curtos de estação de monta e nascimento; Período de descanso de 60 dias; Condição corporal boa a moderada ao parto; Remoção dos bezerros por 48 horas antes de iniciar a estação de monta; Acompanhamento da condição corporal ao parto e suplementar animais magros; Descarte de vacas vazias. Novilhas: Antecipar o acasalamento das novilhas (13-15 meses) e antecipar 30-45 dias a entrada na E. M.; antecipar a saída da EM das novilhas Peso de 300Kg ao início da estação de monta (60-65% peso vivo adulto). descartar touros que geram bezerros pequenos Teste de prenhez, descarte, suplementação e manejo de pastagem. Touros: Teste de fertilidade antes da estação de monta; Relação touro / vaca Sistemas de acasalamento Monta natural Touros juntos com matrizes durante toda estação de monta Dispensa identificação de cio, locomoção de reprodutores não identifica paternidade dificulta seleção Ideal: pequenos lotes e piquetes, alto custo de cercas 7

Sistemas de acasalamento Monta controlada Touro separado das matrizes Quando detecta cio matriz é conduzida junto ao touro Menor desgaste do touro Aumenta relação touro:vaca e condução dos animais para a monta Maior trabalho na identificação de cio Sistemas de acasalamento Inseminação artificial Mais infra-estrutura na propriedade Rufiões para identificação cio Alto ganho genético Maior controle reprodutivo das matrizes Opção para cruzamento industrial Baixos índices de prenhez Horário de inseminação Tempo de observação de cio Duração cio de zebuínos Bovinos: 18h (12 a 30h) 1.6 Cuidados extras Monta a campo Pastos limpos Árvores/ sombreamento Evitar troca de touros nos lotes: hierarquia social Dominância social Peso, idade, presença e forma dos chifres, raça, Temperamento, experiência de lutas anteriores Avaliação andrológica dos touros (principalmente os dominantes) Invernadas não muito extensas com lotes de 4 a 8 reprodutores 1.7. Efeito do tamanho da vaca sobre reprodução Últimas décadas Rebanhos Elite e Comerciais Seleção para peso e altura ao um ano de idade Critérios utilizados nos catálogos de raças Base do peso e altura Juizes Leva, declínio da Eficiência Reprodutiva Novos critérios para seleção: Análise da Eficiência de Produção aliada a Eficiência Reprodutiva Eficiência da Conversão da Energia Alimentar 1. Condição corporal das vacas Condição corporal (CC), Escore de Condição Corporal (ECC) ou Escore corporal (EC) A avaliação da condição corporal das vacas, avaliação subjetiva, rápida e prática maneira simples de avaliar estado nutricional (quantidade de gordura depositada) ferramenta muito útil no manejo reprodutivo, permite avaliar o estado nutricional do rebanho em determinado período. Faz uma predição da reserva energética dos animais (músculos e gordura) corrige o manejo nutricional a tempo, para que os animais tenham condições mínimas no momento desejado. as fêmeas que tiverem melhor condição corporal no terço final da gestação irão apresentar cio mais cedo. 8

1. Condição corporal das vacas avaliação deve ser realizada na época da desmama (abril/maio), início do período da seca, assim as fêmeas prenhes que estiverem muito magras (escore abaixo de 4) devem receber uma suplementação para que atinjam escore 5 a 6 ao parto. Essa suplementação é importante, pois no terço final da gestação são altas as exigências de proteína e energia para o desenvolvimento do feto. A restrição alimentar nesse período irá causar além de perda de peso uma diminuição nos índices de prenhez, devido ao prolongamento do retorno a atividade reprodutiva pósparto. Treinamento inicial: dividir em 3 lotes Magras Moderadas Gordas Depois refina-se a técnica e distribui valores de 1 a 9 Escala de 1 a 9: americana Ciclo estral se mantém quando CC ao parto é > ou = 4 Meta: manter próximo a 5 Bons índices reprodutivos: parto com CC entre 5 e 7 Primíparas: mínimo CC=6 Uma unidade de CC = 30 kg Pontuação da condição corporal para vaca de corte 1 Estrutura óssea da paleta, costelas, íleos e ísquios salientes e agudos ao toque e facilmente visíveis. Pouca evidencia de musculatura ou depósito de gordura 2 Pouca evidencia de deposição de gordura, mas algumas musculaturas nos quartos traseiros. Os processos da coluna vertebral são agudos ao toque e podem ser vistos facilmente com espaços entre eles 3 Começa a haver cobertura de gordura no lombo, costas e costelas dianteiras. O osso do quadril é ainda bastante visível. Os processos da espinha podem ser identificados individualmente pelo toque e podem ainda estar visíveis. Espaço entre os processos são menos pronunciados Pontuação da condição corporal para vaca de corte 4 Costelas dianteiras não soa aparentes, mas as 12a e 13a são ainda visíveis, especialmente em animais com costela arqueada e espaçada. Os processos transversais podem ser identificados apenas por palpação (com leve pressão) e parecem arredondados. Musculatura reta e cheia nos quartos traseiros 5 As 12a e 13a costelas não são visíveis, a menos que animais estejam em jejum. Os processo transversais da espinha podem apenas ser sentidos, arredondados, sob compressão firme. Áreas dos dois lados da prega caudal são cheias mas não salientes 6 Costelas totalmente cobertas e não visíveis. Quartos traseiros cheios. Espongidade sobre costelas dianteiras e de cada lado da prega caudal. É necessário pressão firme para sentir processos transversos Pontuação da condição corporal para vaca de corte 7 Os finais dos processos espinhosos podem ser sentidos com pressão firme. Espaços entre os processos mal podem ser vistos. Gordura abundante cobre cada lado da dobra caudal, com sinais evidentes de bandas. 8 O animal tem aparência lisa, compacta. A estrutura óssea não é visível. Cobertura de gordura é grossa esponjosa e bandas são comuns. 9 Estrutura óssea não é vista ou sentida. A prega caudal está enterrada em gordura. A mobilidade do animal pode estar comprometida por causa do excesso de gordura. Ponto de referência Pontos para avaliação da CC em vacas de corte Corah et al. 1998 Condição corporal 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Fraqueza física S N N N N N N N N Atrofia muscular S S L N N N N N N Relevo da espinha visível Relevo das costelas visível Gordura na barbela e flancos Relevo do quadril e ossos visível Gordura no úbere e prega caudal S S S L N N N N N T T T 3-5 1-2 0 0 0 0 N N N N N A C C E S S S S S S L N N N N N N N N N L S S= sim, N = não L = leve, T = Todas, A = alguma, C= cheia, E = extrema 9

1.4.1. Pontos a serem observados - Inserção da cauda Anca Processo transverso Dorso - lombo Costela Ponta do peito 3. Método de avaliação de 01 a 09 a) Escore 01 debilitado; animal extremamente magro; sem nenhuma gordura detectável sobre: - os processos vertebrais espinhosos e transversos; - os ossos da bacia e costela; inserção de cauda e costelas bastante proeminentes; b) Escore 02 Pobre; o animal ainda está muito magro; inserção de cauda e as costelas menos projetadas; se nota alguma cobertura de gordura sobre as vértebras; 10

c) Escore 03 Magro; as costelas ainda estão individualmente perceptíveis; apresentam-se não tão agudas ao toque; existe gordura palpável sobre as vértebras e inserção da cauda; alguma cobertura de gordura sobre os ossos da bacia; d) Escore 04 Limite; individualmente as costela não estão tão óbvias; existe pouco de gordura sobre as costelas e bacia; processos espinhosos podem ser identificados com um toque; os mesmos estão mais arredondados; e) Escore 05 Moderado; possui boa aparência geral; à palpação a gordura sobre as costelas parece esponjosa; os lados da inserção da cauda apresentam gordura palpável; 11

f) Escore 06 Moderado bom; é preciso aplicar pressão firme sobre as vértebras para sentir os processos espinhosos; há bastante gordura palpável: - sobre as costelas; - ao redor da inserção da cauda; g) Escore 07 Bom; tem aparência de gorda; claramente carrega grande quantidade de gordura; cobertura de gordura esponjosa: - sobre as costelas; - ao redor da inserção da cauda; começam aparecer cintos de gordura; já nota gordura em torno da vulva e virilha; h) Escore 08 Gordo; o animal está muito gordo; é quase impossível palpar os processos espinhosos; apresenta grandes depósitos de gordura: - sobre as costelas; - na inserção da cauda; - abaixo da vulva; os cintos de gordura estão evidentes; 12

i) Escore 09 Extremamente gordo; está evidentemente obesa, com aparência de bloco; os cintos de gordura estão projetados; a estrutura óssea não está aparente e difícil senti-la; a mobilidade do animal está comprometida; ESCALA DE 1 a 5 Escore 1 ESCALA DE 1 a 5 ESCALA DE 1 a 5 Escore 2 Escore 2,5 13

ESCALA DE 1 a 5 ESCALA DE 1 a 5 Escore 3,0 Escore 4,0 ESCALA DE 1 a 5 Escore 5,0 Percentagem de vacas em cio aos 40, 50 e 60 dias após o parto, de acordo com o estado corporal ao parto. Estado corporal ao parto Percentagem de cio 40 dias 50 dias 60 dias Magra 19 34 46 Moderada 21 45 61 Boa 31 42 91 Fonte: Wiltbank (1994). 14