Prezados Senhores Energias do Brasil-EDP Atendendo orientação dos procedimentos da Consulta Pública em assunto, estamos encaminhando abaixo as contribuições do Grupo EDP - Energias do Brasil, a propósito das questões formuladas sobre medição eletrônica na Baixa Tensão. Consulta Pública nº 015-09 Medição eletrônica na Baixa Tensão 4. Análise das funcionalidades da medição eletrônica 4.4. Questões associadas 4.a Quais grandezas elétricas deveriam ser medidas pelo equipamento eletrônico no Brasil? Para Faturamento: Energia Ativa kwh, Energia Reativa kvarh, Demanda de Potência kw. Para Qualidade: Potências Instantâneas, Tensão Instantânea, Corrente Instantânea, Freqüência e Ângulos de Fase. 4.b Quais funcionalidades incorporadas ao medidor deveriam ser consideradas minimamente necessárias para a implantação deste novo sistema de medição? Saída de comunicação com protocolo padronizado. Exemplos: Foco em tarifa diferenciada: Relógio interno, parametrização de postos horários. Foco em conectividade: porta de comunicação (a definir) bi-direcional. Foco em perdas não técnicas: sinalização local e/ou remota de violação. Foco em redução de custos operacionais: corte/ religa remoto, AMR. Possibilidade de registro da leitura local do medidor com a falta de energia. 4.c Quais os parâmetros de segurança da informação deveriam ser definidos como obrigatórios para o tráfego de dados entre a distribuidora e a unidade consumidora? O protocolo de comunicação deve ser público ou ficar a critério da distribuidora? O protocolo deve ser aberto e padronizado de modo a possibilitar
intercambio de medidores de modelos e fabricantes diferentes, porém o tráfego de dados deve ser criptografado com as chaves em poder da concessionária. 4.d Como deveria ser garantido que a informação não seja perdida em caso de falta de energia? Por quanto tempo essa informação deveria ficar guardada no medidor? O medidor deve possuir memória não volátil para registro dos dados. Seria desejável que o display retivesse a informação durante faltas, desde que isso não implique em uso de baterias convencionais ou qualquer outro componente que certamente possui vida útil muito inferior a 10 anos. 4.e O mesmo conjunto de funcionalidades mínimas do medidor eletrônico deveria ser disponibilizado a todos os consumidores de baixa tensão ou deveriam existir especificações distintas por classe de consumidores? Especificações distintas por classe de consumo e por situações necessárias a critério da concessionária. 4.f O mesmo sistema de comunicação para tráfego de dados deveria ser exigido para todos os consumidores da área de concessão/permissão ou a forma de coleta das informações disponibilizadas pelo medidor eletrônico deveria ficar a critério da distribuidora? Deve ficar a critério da distribuidora, desde que escolhidos entre padrões pré-definidos, de forma a viabilizar ganhos em escala. 5. Sistemática de análise dos custos e benefícios da medição eletrônica no Brasil 5.6. Questões associadas 5.a Quais estudos e dados poderiam embasar a definição da vida útil do medidor eletrônico, do concentrador e do sistema de comunicação de dados? Estudos e dados referentes à base instalada não garantem previsão de vida futura, pois a tecnologia atual é distinta das anteriores. Deve ser utilizado o MTBF de cada um dos equipamentos, ensaios de envelhecimento, bem como a orientação por critérios internacionais já estabelecidos em países que empregam essa tecnologia, que levem em consideração as especificidades brasileiras: temperatura, umidade, padrões de instalação. maior de com Nota: Como base de incentivo ao uso de medidores eletrônicos em escala, a depreciação para medidores deveria ser implementada imediato com 12 anos, concentrados e para sistemas de comunicação
5 anos, até que os estudos sejam concluídos. 5.b Qual é a destinação e quais as soluções para o descarte dos medidores retirados de campo? Quais são as propostas e projetos para a destinação final dos medidores e seus componentes? O descarte de medidores eletromecânicos é muito menos problemático do que o de eletrônicos, tendo em vista o grande potencial de reciclagem de seus componentes: vidro, metais, etc. No que diz respeito aos medidores eletrônicos o descarte se configura como mais complicado e necessitaria ser normatizado, considerando as normas ambientais existentes, assim como ocorre com pneus, baterias de veículos, etc. Em ambos os casos o descarte deve ser feito através de empresas certificadas ou por intermédio do próprio fabricante do medidor. 5.c Quais são as considerações e sugestões sobre os itens apresentados anteriormente para a sistemática de análise dos custos e benefícios? 1- Considerando que ainda há incertezas sobre o tempo de vida útil do medidor eletrônico, seria aconselhável o desenvolvimento de análise de sensibilidade para diversas estimativas de vida útil, partindo de 12 anos. Esta análise de sensibilidade deve determinar a vida útil através da qual os medidores eletrônicos apresentariam o mesmo resultado dos eletromecânicos (vida útil do break even). 2- Os custos de mão-de-obra para substituição deve fazer parte do investimento, ao contrário do sugerido pelo fluxo apresentado que o classifica como despesa. 3- Seria interessante que a análise fosse dividida em duas: a. uma relativa aos custos e benefícios do medidor eletrônico x medidor eletromecânico, pela qual se avaliariam as diferenças entre investimentos, vida útil, taxa de falha, benefícios para o serviço de leitura, suspensão e religa, perdas técnicas, perdas comerciais e energia reativa, entre outras, de maneira a apontar o ganho real da substituição dos medidores. b. a outra envolvendo o período de substituição, onde se considerariam os custos envolvidos, como custo ocioso dos medidores eletromecânicos retirados, os de substituição e descarte e os benefícios proporcionais diretamente ligados à estratégia de substituição. Deve ser avaliado um cronograma de realizações, bem como estabelecida prioridades para áreas de de substituições, de forma
a estabelecer a adequada substituição entre as regiões do país e segmentos de mercado em cada região. 6. Aspectos relevantes para a execução de projetos pilotos 6.4. Questões associadas 6.a Quais poderiam ser a dimensão e área de abrangência dos projetos pilotos? Em quais regiões do país deveriam ser realizados esses projetos? O projeto piloto deve ser feito em todas as Distribuidoras, cuja dimensão deve ser compatível com as características da região e segmentos de mercado a serem contemplados, além de considerar a tecnologia a ser empregada x tipo de medição. Nota: Para o projeto piloto ser viável, de maneira que a entrada em vigor da regulamentação da medição eletrônica ocorra de maneira otimizada, o protocolo deve ser padronizado, para evitar que ocorram problemas de incompatibilidades atualmente existentes na medição do Grupo A (THS). Preferencialmente deve-se adotar protocolo já padronizado em nível internacional, de forma a garantir a intercambialidade e a disponibilidade dos medidores existentes no mercado. A ANEEL deve direcionar os projetos de acordo com as características de cada região. 6.b Que estrutura tarifária (relação entre a tarifa de ponta e a tarifa fora de ponta, tarifas diferentes nos finais de semana, etc.) poderia ser adotada nos projetos pilotos que ajudasse a estimar as mudanças nos hábitos dos consumidores envolvidos? Utilização de no mínimo quatro postos tarifários. Pré-pagamento com franquia (população de baixa renda). Avaliar a possibilidade da tarifação da demanda de potência. 6.c Os consumidores mudariam seus hábitos se a tarifa no horário de ponta fosse significantemente mais cara? Haveria risco de haver apenas um deslocamento do pico? Sim, porém com risco de deslocamento do pico, que pode ser amenizado com uma estrutura tarifaria adequada utilizando os quatro postos citados no item anterior. 6.d Quais são os resultados mais significativos obtidos nos projetos já implantados no Brasil? Os melhores resultados foram conhecidos nos programas de combate a perdas técnicas, perdas comerciais (Medição Centralizada, Conjunto de Medição externa, suspensão do fornecimento e religa a distância, com reflexos na redução da inadimplência e na mudança de hábito de consumo.
6.e Quais as soluções de comunicação e de integração em sistemas deveriam ser testadas nos projetos-pilotos? PLC, Tecnologia de RF (Redes Mesh, Zegbee) integradas a redes como Wimax, GPRS, TV a cabo, satélite e de integração de sistemas. 7. Aspectos regulatórios relevantes 7.7. Questões associadas 7.a Existe a necessidade da definição regulatória de um plano de substituição em massa no Brasil ou isso seria uma definição de estratégia comercial das distribuidoras? Definidos pela ANEEL os requisitos de padronização do protocolo (padrão de comunicação), funcionalidades mínimas do medidor/sistema e do tempo de depreciação, deve ficar a carga da concessionária a estratégia de substituição do seu parque de medidores. 7.b Caso exista a necessidade de determinação de um plano por parte da ANEEL, e considerando-se o número de medidores a substituir no país (cerca de 62 milhões) e as experiências de outros países, qual seria o prazo adequado para a substituição dos medidores? Após a definição do item 7.a, a ANEEL deve determinar o uso exclusivo de medidores eletrônicos para atender ligações novas, bem como quando da substituição de equipamentos eletro-eletônicos defeituosos. A substituição deve ser segmentada, de maneira que os equipamentos polifásicos contem com um prazo de até 15 anos e os monofásicos até o término da respectiva depreciação reconhecida pela ANEEL, a contar do primeiro lote instalado,. 7.c Todos os consumidores em baixa tensão devem ter seus medidores substituídos, ou apenas aqueles acima de um determinado valor de consumo mensal? As características das unidades consumidoras que devem ter o medidor substituído deve ser definida no Business Plan da concessionária. 7.d Como poderia ser a conscientização da sociedade sobre os benefícios da medição eletrônica? A sociedade de uma maneira geral e os clientes de forma específica, devem ser conscientizados sobre o permanente esforço do setor elétrico na busca de soluções tecnológicas que aperfeiçoem o serviço de distribuição de energia elétrica.
O avanço da eletrônica em outros segmentos demonstra de maneira abrangente as vantagens conquistadas pela sociedade a partir do momento em que começaram a ser empregadas No setor de energia elétrica, são inúmeros os apelos em que a medição eletrônica poderá ser divulgada, notadamente se abordada como um avanço na qualidade dos kwh consumidos. Outra vertente seria a divulgação da ampliação de postos horários com custos diferenciados da energia elétrica, favorecendo a identificação de hábitos e picos de consumo para o desenvolvimento de campanhas orientando o uso racional da energia. A divulgação da insistente busca de novas tecnologias pelo setor elétrico, cuja precisão da medição, além de facilitar o uso mais econômico da eletricidade pelo Consumidor, possibilitará a redução dos níveis de perdas com reflexos diretos na tarifa. A população deve ser orientada mediante uma campanha institucional a nível nacional, patrocinada pelo Ministério de Minas e Energia e ANEEL. Paralelamente, cada concessionária tomaria as medidas locais visando complementar orientações para o mercado à luz dos parâmetros definidos no respectivo Business Plan. Atenciosamente, (Embedded image moved to file: pic14018.jpg) Vanderlei Pereira Consultor - Diretoria de Estratégia Regulatória Rua Bandeira Paulista, 530-11º Andar - Brasil Tel.: 55 11 2185-5424 Fax.: 55 11 2185-5494 Cel.: 55 11 9688-7456 vanderlei.pereira@enbr.com.br www.energiasdobrasil.com.br