11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( X) TECNOLOGIA GESTÃO SUSTENTÁVEL DO LIXO ELETRÔNICO LAURINDO, Ricardo Cabral 1 VALENGA, Marcos Vinicius 2 CELINSKI, Tatiana Montes Celinski 3 CERUTTI, Diolete Marcante Lati 4 CELINSKI, Victor George 5 RESUMO O lixo eletrônico é, atualmente, o resíduo sólido que mais cresce em nosso planeta. Trata-se de um resíduo perigoso quando depositado em aterros sanitários. Por outro lado, é valioso porque contém metais preciosos em sua composição. Desta forma, a sua destinação se tornou um desafio para a sociedade. Apesar da complexidade dos processos de reciclagem, os componentes podem ser reaproveitados como matéria-prima e reinseridos nos processos industriais, evitando-se a extração de recursos naturais e trazendo benefícios ao meio ambiente. O Projeto de Extensão Lixo eletrônico: descarte sustentável está ligado ao Programa Museu da Computação da UEPG e visa à realização de práticas relacionadas ao fim sustentável dos resíduos eletrônicos no âmbito da UEPG e da comunidade. As práticas compreendem os aspectos econômicos, ambientais e sociais da sustentabilidade. O presente trabalho trata da realização de um estudo que permitiu a definição de um modelo para a gestão do lixo eletrônico no âmbito da UEPG. Neste estudo, inicialmente foi feito um levantamento para identificar empresas de reciclagem, associações de catadores, órgãos da UEPG, dentre outros, para atuar como parceiros no processo de gestão do lixo eletrônico. A partir dos dados obtidos, definiu-se um modelo de fluxo para o lixo eletrônico, envolvendo a universidade e a comunidade. Colocado em ação, este modelo propiciará uma mudança no comportamento da comunidade envolvida quanto à aquisição e destinação de produtos eletro-eletrônicos. Outra contribuição será a criação de uma cadeia de transformação sustentável do lixo eletrônico a partir da universidade. PALAVRAS CHAVE Sustentabilidade. Reciclagem. Gestão de resíduos. 1 Acadêmico do Curso de Engenharia de Computação/UEPG, Bolsista da Fundação Araucária, laurindorc@hotmail.com. 2 Acadêmico do Curso de Engenharia de Computação/UEPG, Bolsista da Fundação Araucária, valengamarcos@gmail.com. 3 Doutora, Professora Adjunta/UEPG, tmontesc@uepg.br. 4 Doutora, Professora Adjunta/UEPG, diolete@uepg.br. 5 Doutor, Professor Adjunto/UEPG, vgcelinski@uepg.br.
11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 2 Introdução Atualmente, o surgimento de novas tecnologias acontece de forma cada vez mais acelerada, as quais vão sendo rapidamente incorporadas nos diferentes bens de consumo. Desta maneira, computadores e outros aparelhos eletrônicos vêm ficando mais acessíveis à medida que se tornam mais baratos para aquisição pelos consumidores. Essa diminuição de custo se deve principalmente ao constante desenvolvimento de novos produtos com cada vez mais funcionalidades, o que torna seus predecessores obsoletos. A situação em questão cria uma grande rotatividade deste tipo de bem de consumo. De acordo com Greenpeace (2005), a média de tempo de vida útil de computadores em países desenvolvidos diminuiu de seis anos em 1997 para apenas dois anos em 2005. Nos mesmos países, telefones móveis têm um ciclo de vida de menos de dois anos. Com tal substituição de eletrônicos é natural que haja um grande descarte dos mesmos. Dentre os resíduos sólidos, o lixo eletrônico é o que mais cresce (cerca de 4% ao ano). São geradas 40 milhões de toneladas a cada ano, sendo que o Brasil é o maior produtor per capita de resíduos eletrônicos de computadores pessoais entre os países emergentes (0,5 kg/cap.ano). Além disso, o país destaca-se pela falta de dados e estudos sobre produção, reaproveitamento e reciclagem de eletroeletrônicos. (SCHLUEP et al.,2009) Uma questão importante acerca do acúmulo do lixo eletrônico diz respeito à sua disposição inadequada, que é uma séria ameaça ao meio ambiente e aos seres vivos. Quando depositados no lixo comum, as substâncias químicas presentes nos componentes eletrônicos, como mercúrio, cádmio, arsênio, cobre, chumbo e alumínio, entre outras, são liberadas e penetram no solo e nos lençóis freáticos. (SILVA, 2010) Ao mesmo tempo em que o lixo eletrônico é considerado um problema, também pode ser encarado como uma oportunidade, por conter metais preciosos em sua composição. De acordo com Park e Fray (2009), há mais ouro em uma tonelada de computadores do que em 17 toneladas de minério. A preocupação com a logística reversa, ou seja, devolver componentes ao estágio de matéria-prima está presente na Lei Federal nº 12.305/2010 (BRASIL, 2010), que trata da política nacional de resíduos sólidos (incluídos nesta categoria os equipamentos eletrônicos). Em seu art. 33, estabelece que é de responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, a estruturação e implementação de sistemas de logística reversa. No âmbito do estado do Paraná, a Lei nº 15.851/2008 dispõe que as empresas produtoras, distribuidoras e que comercializam equipamentos de informática, instaladas no estado, ficam obrigadas a criar e manter programa de recolhimento, reciclagem ou destruição de equipamentos de informática, sem causar poluição ambiental. (PARANÁ, 2008) A Lei nº 16.953/2011, no estado do Paraná, prevê multa por dano ambiental caracterizado por qualquer ato que implique o depósito de lixo em logradouro público. Compreende-se aqui como lixo qualquer resíduo sólido, orgânico ou inorgânico, de origem doméstica, comercial, industrial, hospitalar ou especial, resultante das atividades diárias do homem em sociedade (PARANÁ, 2011). Com o Decreto Federal nº 7.619/2011, observa-se uma ação normativa capaz de incentivar a gestão de resíduos sólidos. Este decreto regulamenta a concessão de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de resíduos sólidos. (BRASIL, 2011) Desta forma, delineia-se um momento importante para ações voltadas à reintrodução de materiais recicláveis em processos produtivos ao mesmo tempo em que se promove a sustentabilidade pela responsabilidade social e ambiental quanto ao uso e ao descarte de dispositivos eletro-eletrônicos. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa, as discussões acerca do lixo eletrônico têm se dado desde 2011, no âmbito dom Programa de Extensão Museu da Computação da UEPG. Um estudo inicial levantou a questão do lixo eletrônico no município de Ponta Grossa, buscando dimensionar o problema e estabelecer estratégias e ações para a conscientização e para a gestão do lixo eletrônico. (REZENDE, 2011; CELINSKI, 2011) Santos et al. (2012) descrevem os resultados de projeto piloto de coleta e triagem de resíduos eletrônicos no âmbito da universidade. A atividade, que envolveu professores e alunos dos cursos de Engenharia de Computação e Bacharelado em Informática, permitiu a compreensão da cadeia de transformação do lixo eletrônico, ao mesmo tempo em que promoveu a conscientização junto à comunidade universitária quanto ao acúmulo e destino inadequados. Esse projeto piloto criou uma referência para a comunidade universitária, de forma que desde o mutirão realizado, o Departamento de Informática recebe eletro-eletrônicos usados, mesmo sem divulgação. Tal fato demonstra que o mutirão realizado, embora delimitado ao âmbito da
11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 3 universidade, promoveu a conscientização e deu início a um processo embrionário de gestão do lixo eletrônico. A partir desse primeiro mutirão e seus resultados, formalizou-se o Projeto de Extensão Lixo eletrônico: descarte sustentável, com a finalidade de dar continuidade a essas ações. Buscou-se a definição de um modelo de gestão para a UEPG, envolvendo não só a UEPG, mas comunidade como um todo. Desta forma, este artigo apresenta os resultados desse trabalho, que está voltado para conscientização e ações concretas de coleta e descarte sustentável do lixo eletrônico. Objetivos Os objetivos deste trabalho são: Definir um modelo de gestão do lixo eletrônico pela UEPG, envolvendo a comunidade. Promover o descarte sustentável do lixo eletrônico no município de Ponta Grossa. Promover a conscientização da comunidade em relação ao lixo eletrônico, para que conheça os riscos quando não descartado corretamente e reconheça os benefícios de seu descarte sustentável. Realizar mutirões de coleta de lixo eletrônico, a fim de criar oportunidades de descarte para a comunidade. Estabelecer postos de coleta permanente de lixo eletrônico para atender à comunidade. Metodologia A metodologia adotada para a realização do trabalho incluiu as etapas descritas a seguir. Inicialmente, foram realizadas pesquisas sobre modelos de gestão do lixo eletrônico existentes em outras instituições. Também foram realizadas visitas a associações de catadores de recicláveis do município de Ponta Grossa, com o objetivo de verificar os procedimentos usados pelos catadores nos processos de coleta, separação, armazenamento e destinação do lixo eletrônico. Foram, ainda, realizadas visitas a empresas que compram lixo eletrônico, a fim de verificar que tipos de materiais eletro-eletrônicos são recebidos por essas empresas, bem como o valor comercial que possuem. Outra ação importante se deu junto à Comissão de Resíduos Sólidos da UEPG, com o objetivo de compreender os processos de gestão existentes para outros tipos de materiais recicláveis. Também foram analisadas as outras frentes de trabalho realizadas pelo Programa Museu da Computação da UEPG, como a obtenção de peças para a formação do acervo do museu, bem como as oficinas de robótica educativa que utilizam componentes presentes no lixo eletrônico. Resultados Os estudos realizados permitiram a proposição de um fluxograma que representa o ciclo de sustentabilidade do lixo eletrônico a ser realizado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa. Tratase de um modelo de gestão que parte da universidade em direção à comunidade, conforme expressa o fluxograma da Figura 1. O ciclo se inicia com a coleta de materiais eletro-eletrônicos em desuso pela comunidade. A próxima etapa proposta é a triagem dos equipamentos. Peças de interesse histórico serão separadas e catalogadas para compor o acervo do Museu da Computação da UEPG. As peças que não possuírem interesse histórico serão avaliadas a fim de identificar peças que ainda possuem tempo de vida útil. A partir dessas peças, computadores serão montados com essas peças para uso em projetos sociais, objetivando a inclusão digital. Quando não tiverem mais uso para as instituições que os receberam, retornam ao processo de triagem. Quanto às peças que restarem, serão separados componentes, como sensores, motores entre outros, para aproveitamento nas oficinas de robótica educacional. Finalmente, os materiais que não forem aproveitados serão doados às associações de catadores de recicláveis do município de Ponta Grossa.
11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 4 Figura 1 Modelo de gestão do lixo eletrônico pela UEPG Além da definição do ciclo de gestão, definiu-se a necessidade de realizar o segundo mutirão do lixo eletrônico na UEPG, a ser realizado durante o evento CONEX. Posteriormente ao evento, serão definidos postos de coleta permanente para que a comunidade faça o descarte de lixo eletrônico. Conclusões A metodologia adotada para a definição do ciclo de gestão envolvendo a universidade e a comunidade foi adequada e o modelo definido apresenta as condições de ser executado. Os levantamentos realizados junto às associações de catadores de recicláveis contribuíram de forma definitiva para a definição do modelo, além de propiciarem reflexões acerca de outras ações para a continuidade dos trabalhos. As associações de catadores têm necessidades que vão desde a segurança para um manuseio sem riscos para a saúde até a adoção de práticas que agreguem valor às peças obtidas da desmontagem do lixo eletrônico. O envolvimento de alunos dos cursos de graduação na atividade permitiu uma reflexão sobre o uso das tecnologias, dos pontos de vista ético, social e ambiental. Referências
11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 5 BRASIL. Decreto nº 7.619, de 21 de novembro de 2011. Diário Oficial da União, DF, 22 nov. 2011. p. 1. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Diário Oficial da União, DF, 3 ago. 2010. p. 2. CELINSKI, T. M. et al. Perspectivas para reuso e reciclagem do lixo eletrônico. In: Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental, 2., 2011, Londrina. Anais IBEAS, 2011. Disponível em: <http://www.ibeas.org.br/congresso/trabalhos2011/iii-020.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2013. GREENPEACE, Web: http://www.greenpeace.org/international/en/campaigns/toxics/electronics/the-ewaste-problem/. Acesso: 10 abr. 2013. PARANÁ. Lei nº 15.851, de 10 de junho de 2008. Diário Oficial Executivo, Curitiba, 10 jun. 2008. Ed. 7738, p. 3. PARANÁ. Lei nº 16.953, de 29 de novembro de 2011. Diário Oficial Executivo, Curitiba, 29 nov. 2011. Ed. 8598, p. 3. PARK, Y. J.; FRAY, D. J. Recovery of high purity precious metals from printed circuit boards. Journal of Hazardous Materials, v. 164, p. 1152-1158, mai. 2009. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/s0304389408013460>. Acesso: 10 abr. 2013. REZENDE, H. G. et al. Museu da Computação: o resíduo eletrônico e a responsabilidade social e ambiental. In: Encontro Conversando sobre Extensão na UEPG, 9., 2011, Ponta Grossa. Anais CONEX, 2011. Disponível em: <http://www.uepg.br/proex/conex/9/anais/9conex_anais/103.pdf >. Acesso em: 10 abr. 2013. SCHLUEP, M. et al. Recycling from e-waste to resources. StPE study report commissioned by UNEP and UNU. Germany: UNEP, 2009. 90 p. SILVA, J. R. N. da. Lixo eletrônico: um estudo de responsabilidade ambiental no contexto no Instituto de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas IFAM Campus Manaus Centro. In: Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental, 1., 2010, Bauru. Anais IBEAS, 2010. Disponível em: < http://www.ibeas.org.br/congresso/trabalhos2010/iii-009.pdf>. Acesso em: 3 abr. 2013.