Tarefa 4 - Cenário de Aprendizagem Ana Paula Ferreira, José Martins e José Soares Tendências Relevantes - Novas formas de motivar os alunos, recorrendo a metodologias ativas e ferramentas a que estejam habituados no dia a dia e que sejam do seu agrado; - A partilha, o trabalho colaborativo e a aprendizagem em rede permitem uma aprendizagem mais rica e motivadora, contribuindo para melhorar as competências técnicas no sentido das competências para o século XXI; - A utilização dos tablets e smartphones pode ser uma forma de possibilitar pesquisas, em qualquer local, e ir ao encontro de ferramentas de agrado dos alunos, possibilitando ainda uma aprendizagem mais eficaz; - As aplicações WEB 2.0 surgem, neste processo, como aplicações simples e motivadoras que podem ser utilizadas nos equipamentos táteis, possibilitando a partilha e a produção de documentos multimédia de forma fácil e com algum controlo por parte do professor. Nível maturidade De: Nível atual de Maturidade da Sala de Aula do Futuro Alunos - nível dois Professores - nível dois Capacidade de inovação - nível dois Objetivos - nível um Ferramentas e recursos - nível dois Para: Nível desejado de Maturidade da Sala de Aula do Futuro Alunos - nível três Professores - nível três Capacidade de inovação - nível três Objetivos - nível dois Ferramentas e recursos - nível três
Objetivos de avaliação e de aprendizagem As competências exigidas a um cidadão no séc. XXI são transversais, pelo que este cenário tem em conta diferentes tipos de aprendizagem, que se prendem com: 1. Competências técnicas (correto uso dos recursos informáticos e aplicações / ferramentas); 2. Cidadania (reflexão em torno de atitudes e comportamentos seguros na utilização da internet); 3. Literacia dos média (utilização correta da informação veiculada em diferentes média, ferramentas digitais e ambientes sociais, associada a uma atitude ética e responsável, na utilização dos média e da comunicação online); 4. Literacia da informação (seleção e uso eficiente da informação, o que implica gerir, avaliar ou aproveitar de forma estratégica e ética a informação disponível); 5. Formação pessoal e social (iniciativa e criatividade na resolução de problemas, solidariedade e respeito pela diferença). Os alunos são os verdadeiros mentores do projeto, intitulado Ética no uso dos media: digam não ao cyberbullying, pelo que os objetivos serão definidos de forma colaborativa, entre todos os parceiros do projeto (alunos, professores, especialistas envolvidos), o que facilitará uma avaliação pelos alunos da consecução ou não dos objetivos delineados e, consequentemente, do sucesso das ações implementadas. Uma avaliação progressiva e efetuada de forma sistemática, não só individualmente pelos alunos, mas também pelos pares, permitirá delinear novas estratégias, pelo que os alunos serão levados a fazer pontos de situação, com vista à reformulação de objetivos e definição de novas estratégia, de forma colaborativa. Os professores acompanharão este processo, dando feedback constante. Papel dos alunos Os alunos serão envolvidos em todo o projeto, desde a fase de planificação à sua avaliação. De facto, como se trata de um problema que atinge diretamente os alunos, será interessante envolvê- los desde logo na planificação do projeto e na criação de parcerias com entidades exteriores à escola. Deverão ser também os alunos, sempre mediados pelos professores, a escolher as ferramentas digitais a utilizar. Os alunos trabalharão de forma autónoma, com recurso à tecnologia, adequando a escolha das ferramentas digitais que vão utilizar aos objetivos específicos do projeto que estão a desenvolver. Os restantes colaboradores (professores, técnicos) farão um acompanhamento do trabalho desenvolvido, levando os alunos a refletirem sobre o percurso efetuado e os resultados obtidos, em cada etapa do projeto. O trabalho colaborativo, em rede, é o suporte deste projeto, pois estão envolvidos alunos de várias turmas, o que implica uma partilha constante da informação, assim como das aprendizagens efetuadas. Desta forma, os alunos tornar- se- ão mais confiantes e competentes, pois são eles os produtores de conhecimento e, consequentemente, dos conteúdos que vão partilhar com a comunidade educativa. De realçar a importância que assume a avaliação contínua de todo o projeto, efetuada pelos próprios alunos, com base nos objetivos definidos para cada etapa.
Papel do Professor O professor surge essencialmente como como coordenador e enquadrador de todas as tarefas. Deve facilitar e orientar a pesquisa, garantir que a segurança informática seja respeitada e introduzir metodologias adequadas às tarefas. Na fase de planificação, cabe aos professores orientarem os alunos na definição de objetivos exequíveis e adequados às aprendizagens que se pretende que os alunos desenvolvam. Posteriormente, os alunos devem ser levados a selecionar estratégias e recursos/ferramentas que permitam a consecução dos objetivos delineados, pelo que o professor deve, caso seja necessário, apresentar um leque variado de opções, para que os alunos possam escolher as que mais se adequam ao projeto. A avaliação contínua do projeto é fundamental, pois só assim os alunos poderão ir adequando as suas estratégias, melhorando o que correu mal e otimizando os aspetos positivos, num percurso autónomo e que permitirá consolidar inúmeras aprendizagens, não só relacionadas com o tema do projeto, mas sobretudo transversais. Capacidade das Escolas no suporte à Inovação Considerando os elementos envolvidos, nomeadamente os professores da disciplina de Oferta Complementar, professores bibliotecários e professores de tecnologia, considera- se necessária uma formação prévia e específica sobre o projeto. A formação deveria ser validada e creditada através do centro de formação e deve incidir sobre: - Ferramentas de organização metodológica do projeto, incluindo análise e questionário de maturidade; - Metodologias de utilização de tecnologia de forma integrada e em rede; - Utilização de ferramentas tecnológicas (tablets e smartphones); - Aplicações ( software ) a serem utilizadas.
Ferramentas e Recursos Parte- se do pressuposto que os alunos já utilizam algumas tecnologias, com pouca opção de escolha, e que os professores partilham algumas aplicações entre si (embora por vezes de forma imposta). Verificando- se que os professores têm algumas competências digitais genéricas, mas de uma forma geral não se sentem muito à vontade com a introdução de novas ferramentas e recursos na sala de aula, a formação deve possibilitar o trabalho em rede, permitir a utilização de tecnologias que resolvam problemas concretos do mundo e estimulem a criatividade. Os alunos devem conseguir, progressivamente, aprender a recolher, de forma correta, a informação e ter competências para criar produtos, de forma colaborativa e os professores deverão adquirir competências que permitam a utilização de novas ferramentas e recursos na sala de aula. Assim, após a formação anteriormente referida, serão colocados ao serviço do projeto os seguintes recursos: - Um conjunto de 10 tablets disponibilizados pela biblioteca; - Smartphones, não obrigatórios, e pertencentes aos alunos; - Material informático genérico disponível na Biblioteca; - Acesso a aplicações que disponibilizem espaço para publicações de forma gratuita( blogue, site, escrita colaborativa; facebook; vídeos.) Pessoas e lugares Locais: Biblioteca, Sala de aula, Espaço exterior à escola, (para a realização de pesquisas, entrevistas ) e espaço virtual para fóruns, publicações de produtos concebidos Intervenientes: - Professores da área da oferta formativa que irão coordenar e promover a integração das TIC em salas de aulas - Professores bibliotecários - Coordenação, Apoio a atividades realizadas na biblioteca e à utilização das ferramentas - Professores de TIC, numa vertente de apoio na produção de documentos e na utilização de ferramentas tecnológicas - Alunos: Diretamente 3 turmas do 9º ano - Especialistas (um psicólogo, agentes da autoridade, especialista em segurança informática, técnicos da autarquia).
Narrativa do Cenário Sala de Aula do Futuro Ética no uso dos media: digam não ao cyberbullying Com o aparecimento e uso das tecnologias, nomeadamente das redes sociais da Internet, apareceu o Cyberbullying. A escola, como ambiente primordial de aprendizagem, deve estar preparada e atenta aos problemas de alunos que são vítimas de bullying através das redes sociais. Alunos, professores, pais, encarregados de educação, direção e outros parceiros (autarquia, associação desportiva, Centro de Formação de Professores, Serviços de Psicologia ) construíram um projeto de sensibilização para alunos do 3º ciclo, intitulado Ética no uso dos media: digam não ao cyberbullying, que visa alertar os jovens para este problema, evitando novos agressores e ajudando as vítimas a ultrapassar os problemas criados. Este projeto procura desenvolver competências exigidas a um cidadão no séc. XXI e que se prendem com competências técnicas no uso correto dos recursos informáticos e aplicações, reflexão em torno de atitudes e comportamentos seguros na utilização da internet, utilização correta da informação veiculada em diferentes média e de ferramentas digitais em ambientes sociais e na utilização e seleção da informação. Os alunos, colaborativamente, serão responsáveis pela planificação do projeto, escolha das ferramentas digitais a utilizar e terão um papel ativo na criação de parcerias com outras entidades. Os professores são encorajados a experimentar novas abordagens de ensino e de aprendizagem e terão um papel de coordenadores das tarefas, prestando apoio na escolha das melhores estratégias e garantindo que a segurança informática seja respeitada. A Escola assegurará que os professores e outros técnicos envolvidos tenham beneficiado de uma formação prévia que valide as competências na utilização das ferramentas tecnológicas envolvidas: tablets; smartphones; software; e outras. As ações do projeto decorrerão essencialmente na Biblioteca Escolar, na sala de aula e no espaço exterior à escola onde se realizarão entrevistas e ações de sensibilização. Será organizada uma sessão pública com a presença de especialistas (técnicos autárquicos, serviços de psicologia, especialistas em segurança informática) para discussão do problema e apresentação dos produtos produzidos pelos alunos. No espaço virtual, serão criados fóruns e publicadas produções dos alunos.
Com este projeto pretende- se que o Cyberbullying deixe de acontecer na organização e que, no final, os alunos se sintam confiantes e capazes de criar produtos digitais de forma colaborativa apoiados na tecnologia e que os professores se sintam confortáveis com a reorganização da sala e introdução de novas ferramentas e tecnologias que apoiem a produção contínua de conhecimentos. A aprendizagem será ativa e baseada na pesquisa, discussão e colaboração assente numa boa articulação entre os objetivos e as atividades de aprendizagem. A avaliação acontecerá com recurso à tecnologia e o aluno terá a oportunidade de usar o feedback e registos da avaliação para melhorar o seu desempenho. Os alunos utilizarão a tecnologia para colaborar, comunicar e contribuir para a resolução de um problema real da organização escola. Este documento é uma tradução livre do modelo de Cenários da Sala de Aula do Futuro (acessível em http://fcl.eun.org/pt_pt/tool3p1) realizada no âmbito do Curso de Formação Laboratórios de aprendizagem: Cenários e Histórias de Aprendizagem (2015).