QUANTIFICAÇÃO DE RISCOS

Documentos relacionados
Confiabilidade Estrutural

Exemplo de documento de gestão de riscos turismo de aventura

Produção mais Limpa (P+L) Prof. Dr. Aldo R. Ometto

SUMÁRIO DE REVISÕES. Rev. Data DESCRIÇÃO E/OU ITENS REVISADOS 01 25/02/2014 Modificação do Modelo de APP Análise preliminar de Perigo.

Módulo Processo (primeira parte: 5.1 Generalidades, 5.2 Comunicação e consulta, 5.3 Estabelecimento de contexto)

Sistema de Gestão Ambiental

ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO APR

1. OBJETIVO Estabelecer sistemática para levantar e avaliar os aspectos e impactos ambientais decorrentes das atividades realizadas pela CASTILHO.

Análise e Gerenciamento de Risco

SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE OCUPACIONAL

Gestão de Risco de Dispositivos Médicos. Graça Azeredo 20 Outubro 2016

PRODUTIVIDADE E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL MFMEA Analise dos Efeitos e Modos da Falha

Gerenciamento de Riscos Ambientais Aula 3

Porque fazer o gerenciamento de riscos em um projeto é importante?

11º ENTEC Encontro de Tecnologia: 16 de outubro a 30 de novembro de 2017 APLICAÇÃO DA NR-12 EM SERRA PALITEIRA: UM ESTUDO DE CASO

Redução de Riscos HRN. (Hazard Rating Number) João Campos. Joinville outubro de 2014

GERENCIAMENTO DE RISCOS. Mesa redonda: Gerenciamento de Riscos: como eu faço?

Avaliação de riscos em saúde ambiental: caso de acidentes industriais severos

FMEA. FMEA - Failure Mode and Effects Analysis (Análise dos Modos e Efeitos de Falha)

Miolo_Analise_Falhas_2_Edicao_novo_atual:Miolo_Novo.qxd 13/01/ :51 Página 7. Sumário

INVESTIGAÇÃO E ANÁLISE DE ACIDENTES E INCIDENTES NORMA DE SEGURANÇA OBRIGATÓRIA PARA TODAS AS EMPRESAS INSTALADAS NO POLO

ANÁLISE DE RISCO AMBIENTAL

Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais

indústria da fundição e estratégias para atendimento da norma

Exemplo de documento de gestão de riscos no turismo de aventura 2

AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL: Instrumento de Gestão. Ambiental

Toda pessoa está sujeita a três modalidades de risco:

PERIGO E RISCO 29/10/2012

Manutenção Centrada em Confiabilidade (MCC)

Gestão Integrada: Saúde, MA e Segurança

Segurança em Eletricidade

CONFIABILIDADE TURBOMAQUINAS

TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS DE EXPLOSÕES

Inspeção Não Intrusiva Cases UO-AM e UO-RIO

Gestão de Riscos Transporte e Armazenamento de Petróleo, Derivados e Gás Natural

Manutenção Corretiva: Manutenção Preventiva: Manutenção Preditiva: Manutenção Detectiva:

Controle - 3. Realizar o Controle da Qualidade Relatório de Desempenho. Mauricio Lyra, PMP

Planejamento - 8. Análise Qualitativa de Riscos Análise Quantitativa de Riscos Planejamento de Resposta a Risco. Mauricio Lyra, PMP

ABNT NBR SGS MANUAL DO SGS

Análise Preliminar de Riscos Higiene Ocupacional (APR-HO)

GESTÃO AMBIENTAL. Prof. MARCELL M C MACENO

GESTÃO DE PROJETOS. Guia PMBOK

Análise de Riscos Ambientais. Roteiro. Conceitos

INTEGRAÇÃO DE TÉCNICAS DE GERENCIAMENTO DE RISCOS E ANÁLISE MULTI CRITÉRIO À ANÁLISE DE FALHAS

METODOLOGIAS DE ANÁLISE DE RISCO AMBIENTAL

ABNT NBR ISO Sistemas de Gestão da Segurança Manual do SGS

INFORMATIVO 09/2016. NOVAS ALTERAÇÕES NA NR 12 DOU de 02/05/2016

PG 26. Identificação e Avaliação de Aspectos Ambientais 1/ 11

Segurança de Processo e Prevenção de Perdas EQE 592. Júlia Pinto A. Azevedo (Mestranda PEQ COPPE)

Gerenciamento e Interoperabilidade de Redes. Gestão de Segurança da Informação Prof. João Henrique Kleinschmidt

IDENTIFICAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E CONTROLE DE ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS.

PSQ PROCEDIMENTO DO SISTEMA DA QUALIDADE

Planejamento dos Riscos

Simulação Monte Carlo

ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS

ANÁLISE QUANTITATIVA DE RISCO: APLICAÇÃO EM UMA UNIDADE DE HIDROCRAQUEAMENTO CATALÍTICO DE UMA REFINARIA DE PETRÓLEO

FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MANOEL GUEDES Escola Técnica Dr. Gualter Nunes Habilitação Profissional de Técnico em Farmácia. Prevenção e Segurança no Trabalho

ANÁLISE DE RISCO E CRITÉRIOS DE ACEITABILIDADE DO RISCO

Módulo 5. Estudos de sistemas de medição por atributos, Sistemas complexos/não replicáveis

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ UFPR BACHARELADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

ADEQUAÇÃO DE MÁQUINA DE FUNDIÇÃO DE BACIAS SANITÁRIA ÀS NORMAS DE SEGURANÇA. André da Costa Milan (UNIFAE)

Análise Qualitativa no Gerenciamento de Riscos de Projetos

2. Integridade Estrutural e Inspeção Baseada em Risco

O Projeto e seus Elementos

FTA. Prof. César M. Vargas Benítez

ANÁLISE DE ÁRVORE DE FALHAS AAF

4 Análise de Confiabilidade em Sistemas de Potência

O WHAT IF E A ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCO NA SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO: Uma Aplicação no Trabalho em Altura

DESEQUILÍBRIO (DESBALANCEAMENTO) DE TENSÃO Por: Eng Jose Starosta; MSc. Diretor da Ação Engenharia e Instalações e Presidente da ABESCO

Transcrição:

.0 QUANTIFICAÇÃO DE RISCO Como o risco é constituído por dois fatores, a Probabilidade de Ocorrência e a Amplitude da Conseqüência, para que se avalie o Nível do Risco é necessário que se efetue uma estimativa desses dois fatores.. Estimativa da Probabilidade da Ocorrência por ano (PO) Para a estimativa da Probabilidade de Ocorrência, pode-se adotar um critério com base na experiência prática ou, em caso de falta, pode-se estimar essa probabilidade em função da Taxa de Falha das operações versus a estimativa do número de vezes que essas operações são efetuadas por ano. Para efeito de estabelecimento da Probabilidade de Ocorrência a partir das Taxas de Falhas de operações, pode-se considerar algumas Taxas de Falhas padrão, a saber: Taxa de Falha Humana (Falha Involuntária) para pessoa não qualificada: 0-2 Taxa de Falha Humana (Falha Involuntária) para pessoa qualificada: 2 0-3 Taxa de Falha Humana (Falha Involuntária) para pessoa altamente qualificada: 0-3 Taxa de Falha Humana com uma redundância independente: 0-2 x 0-2 = 0-4 Taxa de Falha Humana com duas redundâncias independentes: 0-2 x 0-2 x 0-2 = 0-6 = < 0-5 Taxa de Falha de Equipamentos mecânicos (Bombas, motores, etc.): 0-3 Taxa de Falha de Equipamentos de segurança (Válvulas de alívio, alarmes, etc.): 0-4 Taxa de Falha de Equipamentos eletrônicos: > 0-4 Classificação das Probabilidades de Ocorrências CLAS- SE A DENOMI- NAÇÃO Extremamente Remota PROBABILI- DADE DE OCORRÊNCIA / ANO PO < 0-4 DESCRIÇÃO Teoricamente possível, mas de ocorrência improvável ao longo da vida útil da instalação B Remota 0-3 < PO < 0-4 Ocorrência não esperada ao longo da vida útil da instalação C Improvável 0-2 -3 < PO < 0 Baixa probabilidade de ocorrência ao longo da vida útil da instalação D Provável 0 - -2 < PO < 0 Ocorrência provável de ocorrer uma ou outra vez ao longo da vida útil da instalação E Freqüente 0 0 < PO < 0 - Ocorrência esperada de ocorrer uma ou outra vez a cada 0 anos F Muito Freqüente PO < < 0 0 Ocorrência esperada de ocorrer uma ou outra vez em cada ano. G Rotineira PO < < < 0 0 Ocorrência esperada de ocorrer uma ou outra vez em cada mês. / 5

.2 Estimativa da Amplitude da Conseqüência (AC) Deve-se avaliar, em seguida, a Amplitude da Conseqüência, que é o segundo parâmetro para a determinação do Nível de Risco. Existem métodos quantitativos de avaliação da Amplitude dessas Conseqüências, principalmente, técnicas de modelagem matemáticas conhecidas como Análises de Vulnerabilidade. Esses critérios não serão abordados aqui. Para a estimativa qualitativa da Amplitude das Conseqüências (AC) pode-se fazer uso de fatores como: Experiência Registros históricos Localização do empreendimento Grau de periculosidade do processo e dos produtos envolvidos Quantidades envolvidas, etc. No momento de se estimar a Amplitude da Conseqüência, é preciso que se defina o escopo dos riscos que estão sendo considerados, por exemplo: Lesões ao ser humano, incluindo da comunidade e usuários quando usando os produtos; Poluição ambiental (Meio físico, biótico e antrópico); Prejuízos materiais (Máquinas, equipamentos, instalações, materiais); Prejuízos operacionais (Paradas ou atrasos da produção, etc.); Perda da qualidade do produto; Prejuízo a imagem da empresa e / ou ao cliente Classificação da Amplitude das Conseqüências CLASSE I DESPREZÍVEL II MARGINAL CARACTERÍSTICAS Não provoca lesões e nem danos à saúde em funcionários e terceiros (não funcionários e público externo) Não provoca nenhum impacto ambiental ao meio ambiente Não provoca danos ou provoca danos de pequena monta aos equipamentos, materiais e instalações. Não provoca parada de produção ou provoca atrasos insignificantes. Não provoca nenhuma alteração na qualidade do produto Pode provocar insignificante repercussão entre os funcionários e terceiros dentro da propriedade e nenhuma na comunidade. Provoca lesões leves ou perturbações leves à saúde de funcionários ou terceiros quando dentro da propriedade. Nenhum dano à comunidade é notado. Provoca impacto leve e reversível ao meio ambiente, internamente à propriedade. 2 / 5

CLASSE III CRÍTICA IV CATÁSTRÓFICA CARACTERÍSTICAS Provoca danos de pequena monta aos equipamentos, materiais e instalações. Provoca parada de produção de curta duração. Provoca pequena alteração na qualidade do produto detectável ainda no processo ou pelo cliente, porém, sem danos maiores. Pode provocar uma repercussão significativa entre funcionários / terceiros dentro da propriedade e repercussão de pequena pouco significativa na comunidade. Provoca lesões e danos à saúde com certa gravidade em funcionários ou terceiros quando dentro da propriedade, e lesões ou danos à saúde de gravidade leve em membros da comunidade. Não ocorrem mortes, porém, lesões incapacitantes podem ocorrer para pessoas dentro da propriedade. Provoca danos severos ao meio ambiente interno à propriedade, às vezes irreversíveis, e danos de gravidade leve fora da propriedade, às vezes irreversíveis. Provoca danos de grande monta aos equipamentos, materiais e instalações da propriedade, e danos de razoável monta na comunidade. Exige ações corretivas imediatas para evitar seu desdobramento catastrófico. Provoca parada de produção de longa duração. Provoca grandes alterações na qualidade do produto, passível de não ser detectada Quando em processo. Pode provocar repercussão de grande monta entre os funcionários e terceiros dentro da propriedade e repercussão significativa na comunidade. Podem provocar mortes, lesões graves, danos irreversíveis à saúde de funcionários, terceiros e membros da comunidade em geral. Podem provocar danos de grande monta e irreversíveis ao meio ambiente interno ou externo à propriedade Podem provocar destruição total de equipamentos, materiais e instalações, internamente ou externamente à propriedade. Pode provocar parada permanente de produção com destruição da planta ou parte significativa dela. Provoca graves alterações na qualidade do produto, com grande repercussão na opinião pública. Ações indenizatórias coletivas podem ocorrer. Pode provocar repercussão de grande monta e duradoura entre os funcionários e terceiros dentro da propriedade e repercussão de grande monta com razoável duração na comunidade. 3 / 5

.3 Estimativa do Nível de Risco (NR) A avaliação do Nível de Risco a que estão sujeitas as pessoas, o meio ambiente, clientes, enfim, todas as partes interessadas, é uma conjugação dos resultados da Amplitude das Conseqüências com a Probabilidade de Ocorrência. Trata-se de uma estimativa não muito precisa e sujeita a grande variabilidade já que depende de muitos fatores e parâmetros. O gráfico da figura 2.3.a abaixo é um dos critérios que pode ser utilizado para avaliar o Nível de Risco para operações de processamento químico. Dependendo da amplitude de enfoque do risco, esse gráfico poderá ser alterado. Por exemplo, o critério abaixo considera que repetidas ocorrências (PO = G) com Amplitude de Conseqüências desprezíveis (AC = I), representa um Nível de Risco 3 porque o critério está considerando o risco ao produto. Assim, repetidas pequenas nãoconformidades com o produto, gerando pequenas repercussões junto ao mercado, irá refletir, ao longo do tempo, na imagem da empresa e, por isso, não podem ser consideradas aceitáveis. Em outra situação, a relação G X I poderia ser classificada como Nível de Risco 2. Para outros segmentos, esse gráfico poderá ser radicalmente mudado. Nível de Risco AC IV 2 3 4 4 5 5 5 III 2 3 3 4 4 5 II 2 2 3 3 4 I 2 2 3 A B C D E F G PO 2.0 DECISÃO SOBRE A ACEITABILIDADE DO NÍVEL DE RISCO Uma vez estimado o Nível de Risco, é preciso classificá-lo para saber se é um risco aceitável ou não-aceitável. Critério de Aceitabilidade do Risco 4 / 5

ID ID DENOMINAÇÃO DESCRIÇÃO DESPREZÍVEL Aceitável 2 MENOR Aceitável, sujeito à melhoria 3 MODERADO Aceitável, esporadicamente 4 SÉRIO Não aceitável 5 CRÍTICO Absolutamente, não aceitável 5 / 5