Automação Industrial Parte 2



Documentos relacionados
Automação. Industrial. Prof. Alexandre Landim

Controladores Lógicos Programáveis (CLPs)

Automação Industrial. Prof. Ms. Getúlio Teruo Tateoki.

TÍTULO: PROGRAMAÇÃO DE CLP PARA UMA MÁQUINA DE SECÇÃO SEGMENTOS ORGÂNICOS

AUTOMAҪÃO INDUSTRIAL E LINHAS DE PRODUҪÃO FLEXÍVEIS

Até meados da década de 60, todo o controle dos processos fabris, nas indústrias e fabricações em geral, era feito através de lógica de relês.

Fundamentos de Automação. Controladores

TÍTULO: ENVERNIZADORA DE PORTA OBJETOS CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: ENGENHARIAS E TECNOLOGIAS SUBÁREA: ENGENHARIAS INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE JAGUARIÚNA

Parte 02 O Controlador Lógico Programável

Aula 03 Redes Industriais. Informática Industrial II ENG1023 Profª. Letícia Chaves

Princípio de Funcionamento

Rodrigo Baleeiro Silva Engenheiro de Controle e Automação. Introdução à Engenharia de Controle e Automação

1. CAPÍTULO COMPUTADORES

A automação em nossas vidas 25/10/2015. Módulo IV Tecnologia. TECNOLOGIA Conceito e História

Sistemas de Automação

TÍTULO: EMBALADORA DE TABULEIROS DE DAMAS CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: ENGENHARIAS E TECNOLOGIAS SUBÁREA: ENGENHARIAS

4. Controlador Lógico Programável

Permite a coleta de dados em tempo real dos processos de produção, possuindo, também, interfaces para a transferência dos dados para os sistemas

Reparador de Circuitos Eletrônicos

CONTROLADORES LÓGICOS PROGRAMÁVEIS - CLP

PROGRAMAÇÃO EM LINGUAGEM LADDER LINGUAGEM DE RELÉS

3. Arquitetura Básica do Computador

Introdução à Engenharia de Automação

A01 Controle Linguagens: IL e LD

Profª Danielle Casillo

FACULDADE PITÁGORAS DISCIPLINA: ARQUITETURA DE COMPUTADORES

Entrada e Saída. Prof. Leonardo Barreto Campos 1

CLIMATIZAÇÃO. Relação de Entradas e Saídas

INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL - DEFINIÇÕES

Técnico/a de Refrigeração e Climatização

Sistemas Supervisórios

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO CURSO: CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO. Profª Danielle Casillo

José Novais (1997), Método sequencial para automatização electro-pneumática, 3ª Edição, Fundação

A Engenharia de Automação Automação Semestre 01/2015

Profª Danielle Casillo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

Controladores Lógicos Programáveis CLP (parte-3)

Bancada Didática para CLP SIEMENS (LOGO!) - XC123 -

Introdução à Arquitetura de Computadores IFES Campus Serra

Evolução dos Sistemas de Controle

Bibliografia Básica: GEORGINI, M. Automação aplicada: descrição e implementação de sistemas seuqenciais com PLC s. São Paulo. Erica, 2000.

INTRODUÇÃO À AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

Fundamentos de Automação

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA

MANUAL DE INSTRUÇÕES Indicador Microprocessado - IT-IND-2S-LC INFORMAÇÕES DO PRODUTO. Versão: 1.xx / Rev. 03

Programação de CLPs por 1. Diagramas de Contato

SIS17-Arquitetura de Computadores

Lógica Programável Aplicada em Circuito Acionador de Ordens Pirotécnicas

MÓDULO 5: SENSORES E CLP. Prof. André Pedro Fernandes Neto

Versão Manual. Neocontrol Soluções em Automação LTDA

Easy Lab. Manual do usuário Revisão /11/14. DMA Electronics 1

Controle para Motores de Passo usando módulo USB-6008

Série Regulador eletrônico de pressão diferencial

Programação de Robótica: Modo Circuitos Programados - Avançado -

3.1.6 Entradas digitais Quantidade: 8. Tipo: NPN / PNP conforme configuração, dividida em 2 grupos de 4 entradas. Impedância de entrada: 8.8KΩ.

CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMAVEL

Algoritmos: Lógica para desenvolvimento de programação de computadores. Autor: José Augusto Manzano. Capítulo 1 Abordagem Contextual

Manual do instalador Box Input Rev Figura 01 Apresentação do Box Input.

Sistemas Operacionais Introdução. Professora: Michelle Nery

3. CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Gerenciamento de software como ativo de automação industrial

Módulos IP Configuração e Criação de Cenas

Bancada de Testes Hidrostáticos e Pneumáticos

Inversores de Freqüência na Refrigeração Industrial

Catálogo de Produtos - Gestão Gráfica

Ano Letivo 2015/2016 Ciclo de Formação: Nº DO PROJETO: POCH FSE AUTOMAÇÃO E COMANDO,12ºANO PLANIFICAÇÃO ANUAL

Disciplina: Introdução à Informática Profª Érica Barcelos

Guilherme Pina Cardim. Relatório de Sistemas Operacionais I

Manual de funcionamento Esteira transportadora

Meios Físicos de Comunicação

Projetando Controladores Digitais com FPGA César da Costa

Electron do Brasil. Tecnologia ao seu alcance. Tecnologia Digital. Catálogo Monitemp - rev3. Qualidade Comprovada!

CURSO BÁSICO DE INFORMÁTICA

Conceitos Básicos de Automação. Exemplo Motivador

O hardware é a parte física do computador, como o processador, memória, placamãe, entre outras. Figura 2.1 Sistema Computacional Hardware

PROCESSO SELETIVO 001/2011 SENAI-DR-RN/CTGÁS-ER PROVA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS. CARGO: INSTRUTOR DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLOGIAS I Nível O

Placa Acessório Modem Impacta

Organização Básica do Computador

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PARAÍBA TEMA DA AULA PROFESSOR: RONIMACK TRAJANO DE SOUZA

Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial. Curso Superior de Tecnologia em Construção Naval

Gerência de Entrada/Saída

5 Entrada e Saída de Dados:

SENSORES INDUTIVOS E CAPACITIVOS. Instrumentação - Profs. Isaac Silva - Filipi Viana - Felipe Dalla Vecchia 2013

Gerenciamento Inteligente do Sensor na Fabricação de Cerveja

Unidade de Ensino Médio e Técnico - Cetec. Ensino Técnico

INFORMÁTICA - BICT (noturno)

Industrial SOLUÇÕES EM AUTOMAÇÃO

TECNOLOGIA EM MECATRÔNICA INDUSTRIAL CONTROLADORES LÓGICOS PROGRAMÁVEIS

UNIVERSIDADE CEUMA CAMPUS RENASCENÇA CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Professor Leonardo Gonsioroski

Programa Ladder para Esteiras Transportadoras Automação Semestre 01/2015

a dispositivos mecânicos e electromecânicos por forma a realizar as sequências de trabalho pretendidas.

EXPLICITAÇÃO DE FUNCIONALIDADES DO SISTEMA

Aquecimento e arrefecimento. Ventilação. Humidificação e desumidificação

TUTORIAL DE PROGRAMAÇÃO. Configuração do cartão de entrada / saída analógica CP1W-MAD11.

Transcrição:

Automação Industrial Parte 2 Prof. Ms. Getúlio Teruo Tateoki http://www.getulio.eng.br/meusalunos/autind.html

Perspectiva Histórica Os primeiros sistemas de controle foram desenvolvidos durante a Revolução Industrial no final do século XIX. As funções de controle eram implementadas por engenhosos dispositivos mecânicos, os quais atuomatizavam algumas tarefas críticas e repetitivas da linha de montagem da época. Os dispositivos precisavam ser desenvolvidos para cada tarefa e devido a natureza mecânica eles tinham pequena vida útil. -Na década de 1920, os dispositivos mecânicos foram substituídos pelos relés e contadores. -O desenvolvimento da tecnologia dos Circuitos Integrados(Cis) possibilitou uma nova geração de sistemas de controle. -No início de 1970, os primeiros computadores comerciais começaram a ser utilizados como controladores em sistemas de grande porte. - O Programmable Logic Controller (PLC) ou Controlador Lógico Programável (CLP) foi desenvolvido a partir de uma demanda existente na indústria automobilística norte-americana.

Perspectiva Histórica -Suas primeiras aplicações foram na Hydronic Division da General Motors, em 1968, devido à grande dificuldade de mudar a lógica de controle de painéis de comando a cada mudança da linha de montagem. Tais mudanças implicavam em altos gastos de tempo e dinheiro. -Sob a liderança do Eng. Richard Morley foi elaborada uma especificação que refletia as necessidades de muitos circuitos de relés, não só da indústria automobilística, como de toda indústria manufatureira. Para a aplicação industrial era necessário um controlador com as seguintes características: Facilidade de programação e reprogramação, preferivelmente na planta, para ser possível de alterar a sequência de operações na linha de montagem; Possibilidade de manutenção e reparo com blocos de entrada e saída modulares; Confiabilidade para que possa ser utilizado em um ambiente industrial; Redução de tamanho em comparação do sistema tradicional que utilizava relés;

Perspectiva Histórica Ser competitivo em custo com relação a painéis de relés e eletrônicos equivalentes; Possibilitar entradas de 115V e saídas de 115V com capacidade mínima de 2ª para operar com válvulas solenoides e contatores; Possibilitar expansões sem grandes alterações no sistema; Memória programável com mínimo 4kBytes e possibilidade de expansão; Estações de operação com interface mais amigável; Possibilidade de integração de dados de processo do CLP em bancos de dados gerenciais, para tornar disponíveis informações sobre chão de fábrica para os departamentos envolvidos com planejamento de produção. No final da década de 1960, uma companhia americana chamada Bedford Associated lançou um dispositivo de computação denominado MODICON (Modular Digital Controller) que posteriormente se tornou o nome de uma divisão da companhia destinada ao projeto, produção e venda destes computadores de uso específico.

Perspectiva Histórica Evolução dos sistemas de controle desde o final do século XIX.

Controladores Lógicos Programáveis -Pode-se considerar o CLP um computador projetado para trabalhar no ambiente industrial. Os transdutores e os atuadores são conectados a robustos cartões de interface. Um CLP é definido pelo IEC (Internacional Electrotechnical Commission) como: Sistema eletrônico operando digitalmente, projetado para uso em um ambiente industrial, que usa memória programável para armazenagem interna de instruções orientadas para o usuário implementar funções específicas, tais como lógica, sequencial, temporização, contagem e aritmética, para controlar, através de entradas e saídas digitais ou analógicas, vários tipos de máquinas ou processos. O controlador programável e seus periféricos associados são projetados para serem facilmente integráveis em um sistema de controle industrial e facilmente usados em todas suas aplicações previstas.

Controladores Lógicos Programáveis -De acordo com a definição da NEMA (National Electrical Manufacturers Association): Um equipamento eletrônico que funciona digitalmente e que utiliza uma memória programável para o armazenamento interno de instruções para implementar funções específicas, tais como lógica, sequenciamento, registro e controles de tempos, contadores e operações aritméticas para controlar através de módulos de entrada/saída digitais (LIGA/DESLIGA) ou analógicos (1-5Vcc, 4-20mA, etc) vários tipos de máquinas ou processos. -Em outras palavras, controladr lógico programável pode ser visto como um equipamento eletrônico de processamento que possui uma interface amigável com o usuário que tem como função executar controle de vários tipos e níveis de complexidade.

Utilização de CLPs -Toda planta industrial necessita de algum tipo de controlador para garantir uma operação segura e economicamente viável. -Desde o nível mais simples, em que pode ser utilizado para controlar o motor elétrico de um ventilador para regular a temperatura de uma sala, até um grau de complexidade elevado, controlando a planta de um reator nuclear para produção de energia elétrica. -Embora existam tamanhos e complexidades diferentes, todos os sistemas de controle podem ser divididos em três partes com funções bem definidas: Transdutores (sensores) Controladores Atuadores

Utilização de CLPs Sensores/Transdutores -Transdutores são dispositivos que converte uma condição física do elemento sensor em um sinal elétrico para ser utilizado pelo CLP através da conexão às entradas do CLP. Um exemplo típico é um botão de pressão momentânea, em que um sinal elétrico é enviado do botão de pressão ao CLP, indicando sua condição atual (pressionado OU liberado). Atuadores -Sua função é converter o sinal elétrico oriundo do CLP em uma condição física, normalmente ligando ou desligando algum elemento. Os atuadores são conectados às saídas do CLP. Um exemplo típico é fazer o controle do acionamento de um motor através do CLP. Neste caso a saída do CLP vai ligar ou desligar a bobina do contator que o comanda.

Utilização de CLPs Controladores -De acordo com os estados das suas entradas, o controlador utiliza um programa de controle para calcular os estados das suas saídas. Os sinais elétricos das saídas são convertidos no processo através de atuadores. Muitos atuadores geram movimentos, tais como válvulas, motores, bombas; outros utilizam energia elétrica ou pneumática. O operador pode interagir com o controlador por meio dos parâmetros de controle. Alguns controladores podem mostrar o estado do processo em uma tela ou em um display.

Utilização de CLPs Um sistema de controle típico pode ser mostrado na figura:

Utilização de CLPs Etapas de supervisão e controle utilizando CLPs

Utilização de CLPs -Comparação do CLP com outros sistemas de controle: Facilidade e flexibilidade para alterar os programas. O CLP pode ser reprogramado e operar com uma lógica distinta. O programa pode ser armazenado em memória para replicação em um outro sistema ou ser guardado como sistema reserva (backup). No caso de defeito, sinalizadores visuais no CLP informam ao operador a parte do sistema que está defeituosa.

Utilização de CLPs -Os CLPs apresentam as seguintes desvantagens em relação aos relés: Custo mais elevado. Uso de algum tipo de programação ou álgebra booleana no projeto, técnicas que são desconhecidas de uma boa parte dos eletricistas. Sensibilidade à interferência e ruídos elétricos, comuns em instalações industriais. Necessidade de maior qualificação da equipe de manutenção.

- Lógica com relés