Epidemiologia do Risco Biológico

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Transcrição:

Epidemiologia do Risco Biológico Maria Clara Padoveze Este material foi produzido com contribuições de: Amanda Luiz Pires Maciel e Renata Desordi Lobo 2017

Plano de Aula O que é o risco biológico ocupacional? Quais são as principais doenças com risco de transmissão ocupacional para a enfermagem? Como proceder em caso de acidente com risco biológico durante a assistência ao paciente?

Risco biológico Categorias da exposição ocupacional: 1) Exposição derivada de atividade laboral que implique a manipulação direta de material biológico como objeto de trabalho (ex.: laboratório) 2) Exposição derivada de atividade laboral que não tem a intenção de manipulação direta de material biológico (ex.: assistência ao paciente)

Agentes biológicos Microrganismos (bactérias, vírus, fungos) Culturas de células Parasitas Toxinas Príons (estruturas proteicas)

Risco ocupacional Quais são as variáveis que podem interferir? Nível de assistência do serviço (ex. hospital terciário ou posto de saúde). Tipo de atendimento prestado (ex. atendimento exclusivo a moléstias infecto contagiosas ou atendimento geral) Local de trabalho do profissional (ex. laboratório, serviço de endoscopia, lavanderia etc.).

Agentes biológicos Possuem variadas formas de transmissão: Sangue: vírus como HBV, HCV e HIV Via respiratória: 1. Aerossóis - varicela, sarampo ou tuberculose; 2. Gotículas difteria, coqueluche e doença meningocócica; Contato (direto ou indireto): escabiose, conjuntivites e diarréias.

Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) Relevância Os Centers for Diseases Control and Prevention (CDC): ± 385.000 acidentes/ano com materiais perfurocortantes em profissionais de assistência à saúde (PAS) Magnitude: difícil avaliação devido a taxa de subnotificação (50%). Panlilio AL, Orelien JG, Srivastava PU et al. Infection Control Hosp Epidemiol, 25(7), 2004. Doebbeling BN, Vaughn TE, McCoy KD et al. Clin Infect Dis 2003; 37.

Exposição a fluídos (percutânea ou mucosa) Transmissão de mais de 20 diferentes patógenos. Tarantola A, Abiteboul D, Rachline A. American Journal of Infection Control. 2006; 34(6) Em outro estudo identificou-se a transmissão de 60 diferentes patógenos (26 vírus, 18 bactérias ou riquétsias, 13 parasitas e 3 fungos). Panlilio AL, Orelien JG, Srivastava PU et al. Infection Control Hosp Epidemiol, 25(7), 2004. Doebbeling BN, Vaughn TE, McCoy KD et al. Clin Infect. Dis, 37. 2003

Qual categoria profissional mais acometida? Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) Chiodi MB, Marziale MHP, Robazzi MLCC. Rev Latino-am Enfermagem 2007 julho-agosto; 15(4). Rapparini, C, Reinhardt, E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org

Fonte: Categoria profissional mais exposta. Psbio- 2002-2012 Epidemiologia Qual categoria apresenta maior Risco?

Epidemiologia Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) Qual o setor com maior número de notificações Rapparini C, Reinhardt E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org & www.fundacentro.gov.br

Epidemiologia Qual a circunstância do acidente Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) Rapparini, C, Reinhardt, E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org & www.fundacentro.gov.br

Epidemiologia Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) Qual é o dispositivo envolvido no acidente Rapparini, C, Reinhardt, E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org & www.fundacentro.gov.br

Introdução Principais causas atribuídas à ocorrência Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) de AT com materiais perfuro-cortantes são: Descarte em locais inadequados ou em recipientes superlotados, Transporte ou manipulação de agulhas desprotegidas e desconexão da agulha da seringa. Reencape de agulhas (responsável por 15 a 35% dos AT com material perfurocortantes). Brevidelli MM, Cianciarullo TI. Revista Latim-am Enfermagem, 2002

Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) HCV, HBV e HIV são os mais comumente transmitidos ao PAS. Incidência de transmissão pós acidente com material biológico: HBV: 23% 62% HCV: 1,8% (0-7%) HIV: 0,3% (percutânea); 0,09% (mucosa) CDC. MMWR 2008; 57(RR-6)

Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) HEPATITE B Patógenos de transmissão sanguínea 1. Hepatite B O uso de vacina contra HVB ou imunoglobulina específica reduz o risco de aquisição do VHB em 70 a 75% CDC. MMWR 2012; 6(3)

Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) HEPATITE C Patógenos de transmissão sanguínea 2. Hepatite C 1991-1997: redução de 70% dos casos HCV entre trabalhadores da saúde. Possibilidade de complicações na evolução da doença é 4 a 10 vezes maior que para o HBV. 75-85% dos casos de HCV podem evoluir para doença crônica. Yazdanpanah Y et al. Clinical of Infectious Diseases. 2005; 41 Rapparini, C, Reinhardt, E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org

Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) HEPATITE C Patógenos de transmissão sanguínea 2. Hepatite C A ausência de medidas preventivas (vacinas) e a ineficácia do uso de imunoglobulinas agravam o risco em relação à aquisição profissional deste agente etiológico.

Patógenos de transmissão sanguínea Exposição a fluidos (percutânea ou mucosa) HIV 3. HIV O primeiro caso de transmissão ocupacional foi em 1986. Década de 80 a final de 2001: notificação de 57 casos e 140 casos prováveis no CDC. O risco de infecção varia de acordo com: presença de sangue no dispositivo, dispositivo usado em veia ou artéria, lesão profunda. Rapparini, C, Reinhardt, E. 2010. Disponível em www.riscobiologico.org & www.fundacentro.gov.br

Condutas frente ao Acidente com Material Biológico

1. Cuidados locais 2. Notificação Condutas frente ao Acidente com Material Biológico 3. Avaliação do acidente Material biológico envolvido Tipo de acidente: perfuro-cortante, mucosa, pele com solução de continuidade, pele íntegra. 4. Situação sorológica do paciente fonte (coleta imediata pós consentimento do paciente) e informações no prontuário.

Profilaxia Emergência médica! Condutas frente ao Acidente com Material Biológico - HIV Iniciar dentro de 2h e no máximo após 72h Considerar o teste rápido anti-hiv para a fonte. O profissional exposto deve ser submetido à sorologia anti-hiv o mais breve possível para verificar sua condição sorológica basal, que se refere à sua condição prévia ao acidente. Em caso negativo, deve-se repetir após seis e doze semanas e após seis meses. Em caso positivo, deve-se colher a sorologia na data do acidente (até, no máximo, 15 dias depois), aos 45 dias (06 semanas), 90 dias (03 meses) e 180 dias (06 meses) após o mesmo. Ministério da Saúde, 2006

Condutas frente ao Acidente com Material Biológico ALUNOS EEUSP

Condutas frente ao Acidente com Material Biológico ALUNOS EEUSP

Transmissão respiratória - Aerossóis Doenças transmitidas por aerossóis: 1- Tuberculose; 2- Sarampo; 3 Varicela* * Transmissão também associada ao contato

Transmissão respiratória Aerossóis - TUBERCULOSE Aumento do número de casos notificados em todo o mundo; HIV: Alta prevalência; Brasil entre os países que mais registra casos de tuberculose; Elevação dos casos de tuberculose MDR.

No Brasil: Transmissão respiratória Aerossóis - TUBERCULOSE Estudo realizado em três estados entre 1999 e 2000; 4.419 PAS em 4 hospitais; Taxa de PPD + (63,1%) e a conversão (8,7%); Fatores de risco associados à conversão: Exposição nosocomial a paciente com TB pulmonar; Categoria profissional: enfermeiro; Ausência de medidas de biossegurança no hospital. Soares LC, et al. J Pneumol. 2004;30(4):350-7.

Transmissão respiratória Aerossóis - TUBERCULOSE RISCO DE TRANSMISSÃO PARA O PAS Característica da instituição e população atendida; Prevalência local de TB Área de trabalho do profissional da saúde (PS, broncoscopia, inaloterapia, etc.) Efetividade dos programas de controle da tuberculose.

Transmissão respiratória Aerossóis - SARAMPO Epidemiologia: Baixa incidência no país; Casos mais associados a surtos em pessoas não vacinadas; História de viagem em regiões com maior incidência (Ásia e África); Eventos de massa (Copa, Olímpiadas, etc) Esquema vacinal completo confere 97% de proteção! SBIM. Calendário vacinal ocupacional. http://www.sbim.org.br/wpcontent/uploads/2013/06/ocupacional_calendarios-sbim_2013-2014_130610.pdf ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/resp/2014/sarampo14_alerta_retorno_aulas.pdf

Transmissão respiratória Aerossóis - VARICELA Não há dados de incidência não é de notificação compulsória apenas surtos.

Transmissão respiratória Aerossóis - VARICELA Histórico de varicela a ser investigado: 1. Teve varicela? 2. Contato próximo com pessoa com o agravo? 3. Vacinado? VACINAÇÃO!!!

Transmissão respiratória Gotículas Doenças transmitidas por gotículas: Doença meningocócica; Influenza; Coqueluche; Difteria; Meningite por H influenzae; Caxumba.

Transmissão respiratória Gotículas Doença Meningocócica CVE. Prevenção da Doença Meningocócica e Estratégias de Controle um documento especialmente dirigido à profissionais de saúde. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/resp/dmcont_prev.htm Epidemiologia: 2,1 casos/100.000 habitantes (2013); Letalidade: 18,5% (12-50% - faixa etária); Variedade de sorotipos: A, B, C, D, X, Y, Z, 29E e W135; Sorotipo C é mais comum (70%); Vacina disponível para o sorotipo C (Proteção 91-97%). Não há relatos de transmissão ocupacional no Brasil.

Transmissão respiratória Gotículas Doença Meningocócica Transmissão: Contato íntimo de pessoa a pessoa, através de gotículas das secreções da nasofaringe; O principal transmissor é o portador assintomático. Paciente deve ser mantido em precaução por 24h após terapia eficaz; Em caso de exposição deverá ser indicada a quimioproflaxia - Rifampicina 600mg, VO, de 12/12h, por 2 dias. Ministério da Saúde. Doenças Infecciosas e Parasitárias. Brasília: Ministério da Saúde; 2010.

Transmissão respiratória Gotículas Influenza Vários subtipos: Influenza A sazonal e B; H1N1, H7N9, H5N1. Pandemia de Influenza H1N1; Vírus sofre mutação, novos subtipos. Vacina é constituída dos subtipos circulantes (mais prevalentes) no ano anterior. Por isso é importante vacinar-se anualmente para Influenza!!!! Babcock HM. CID 2010; 50(4): 459-464.

Aspectos legais dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) Equipamentos de Proteção Individual (EPI) Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

Aspectos legais NR32- estabelece as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral Programa de prevenção de acidentes com material perfurocortante em serviços de saúde

Como reduzir os riscos? Precaução padrão e específicas segundo modo de transmissão; Múltiplos componentes (Medidas organizacionais - Clima de segurança) Dispositivos de segurança Educação e treinamento. Imunização Suspeita precoce de casos e precauções específicas quando indicado.