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Transcrição:

CURSO Delegado de Polícia Civil do Estado do Pará Nº 09 DATA 16/09/2016 DISCIPLINA Direito Constitucional PROFESSOR Renata Abreu MONITORA Marcela Macedo AULA 09 Organização dos Poderes Poder Legislativo Organização dos Poderes Poder Legislativo 1. Poder Legislativo 1.1 Estatuto dos Congressistas: As imunidades concedidas aos congressistas são inerentes ao cargo, e não à pessoa do parlamentar, sendo assim, são irrenunciáveis. Essas imunidades não se estendem aos suplentes, ainda que diplomados. Apenas se ocuparem o cargo do titular. As EC não podem extinguir essas imunidades, sob pena de violação de uma cláusula pétrea. EC podem tratar do assunto, mas não extingui-lo para não violar cláusula pétrea. 1.2 Imunidades Parlamentares: As imunidades dos Deputados e Senadores podem ser Material ou Formal. a) Imunidade Material (inviolabilidade parlamentar) O art. 53 da CF dispõe que os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. A imunidade material ou inviolabilidade parlamentar objetiva neutralizar a responsabilidade penal e civil dos parlamentares federais (deputados e senadores) por suas palavras, opiniões e votos. A doutrina entende que há também a neutralização da responsabilidade político administrativa, para que ele não responda, por exemplo, a uma infração disciplinar. A imunidade material tem uma Eficácia Temporal Absoluta/Perpétua, isso é, mesmo depois de terminado o mandato, o parlamentar não será responsabilizado civilmente ou penalmente pelas denúncias que proferiu. Alcance da imunidade material: se a ofensa foi proferida dentro do ambiente parlamentar, tendo qualquer conteúdo (político ou não), o parlamentar estará acobertado pela imunidade

material. Não é necessário se preocupar com o conteúdo: tendo ou não conteúdo político, tendo ou não relação com o mandato, aquelas ofensas proferidas dentro do ambiente parlamentar (câmara, senado) estarão acobertadas pela imunidade material. Se a ofensa foi proferida fora do ambiente parlamentar será necessário observar o seu conteúdo. Se as ofensas possuem um conteúdo político (relação com o mandato parlamentar) elas estarão acobertadas com a imunidade material. Se as ofensas não tem conteúdo político, não há imunidade material. b) Imunidade Formal b.1) Imunidade Formal em Relação à Prisão Em regra, a imunidade ocorre desde a diplomação, ou seja, diplomado, o parlamentar não poderá ser preso, conforme art. 53, 2º, da CF. Mas a própria CF excepciona essa regra, permitindo a prisão do parlamentar em caso de crime inafiançável. Segundo o STF é necessário o entendimento de que a CF apenas veda a prisão do parlamentar de forma cautelar, pois o STF admite a prisão de parlamentar em virtude de decisão condenatória (ainda que essa hipótese não esteja presente expressamente na CF). Em caso de crime inafiançável praticado por parlamentar, o art. 53, 2 da CF determina que os autos de prisão em flagrante (APFD) serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. A CF prevê apenas que a maioria delibere sobre a questão, assim, doutrina majoritária entende que é exigível maioria absoluta, uma vez que trata-se de relativização de direito fundamental à liberdade (mas não é pacífico). Se a Casa entendeu pela manutenção da prisão, deve-se seguir o trâmite disposto no art. 310 do CPP. Assim, a prisão em flagrante será convertida em prisão preventiva, se presentes os requisitos do diploma legal. b.2) Imunidade Formal em relação ao Processo: É a possibilidade de a casa pedir a suspensão da ação penal e a consequente suspensão da prescrição. O art. 53, 3º da CF prevê que recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado (PP representado na casa toma a iniciativa de provocar a casa para que aprecie a possibilidade de sustar o andamento da ação penal) e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. Ou seja, depende do momento do cometimento da infração, se o parlamentar cometeu o crime antes da diplomação não há que se falar em imunidade formal em relação ao processo. Exemplificando: indivíduo comete crime, inicia processo perante a justiça comum antes da

diplomação. Com a diplomação, o feito será encaminhado para o STF em decorrência do foro por prerrogativa de função, mas não haverá imunidade formal em relação ao processo. Entretanto, se o parlamentar cometeu o crime depois da diplomação haverá imunidade formal em relação ao processo. O indivíduo com foro por prerrogativa de função, responderá perante o STF. O STF recebe a denúncia ou a queixa, e, após recebê-la, comunica à casa respectiva (deputado à Câmara, senador ao Senado). E, um partido político com representação pode provocar a casa respectiva para que aprecie a possibilidade de sustar o andamento da ação penal. A casa tem 45 dias para se manifestar, deliberando pela maioria de seus membros. Decidida pela suspensão da ação penal, a prescrição também estará suspensa enquanto durar o mandato, conforme art. 53 da CF: Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. 1.3 Imunidades dos demais cargos: a) Deputados Estaduais Possuem as imunidades materiais e formais iguais as dos deputados federais. O procedimento da Imunidade Formal, consiste na imunidade contra prisão cautelar, só podendo os Deputados Federais ser presos em virtude de flagrante de crime inafiançável, em que os autos serão enviados dentro de 24horas para a Assembleia Legislativa, para que essa resolva acerca da manutenção da prisão. Em caso de crime praticado após a diplomação, o TJ recebe a denúncia ou a queixa, e dá ciência à assembleia legislativa do respectivo Estado, que, por iniciativa de partido político nela representado, poderá decidir pela suspensão da ação penal e consequente interrupção da prescrição. Os deputados estaduais, como regra, tem prerrogativa de foro funcional no tribunal de justiça, inclusive para crimes dolosos contra a vida. Se um Deputado comete um crime doloso contra a vida, ele será julgado no Tribunal de Justiça e não no Tribunal do Júri. A súmula 702 do STF também será aplicada aos Deputados estaduais, conforme entendimento do da doutrina. Ou seja, se o Deputado Estadual:

praticar um crime do art. 109, ele será processado e julgado no TRF. praticar um crime eleitoral, ele será julgado no TER c) Deputados Distritais: O art. 32, 3º da CF determina que aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplicase o disposto no art. 27 da CF. Ou seja, a CF confere o mesmo tratamento dos Deputados Estaduais aos Deputados Distritais. d) Vereadores: Quanto às imunidades materiais o art. 29, VIII, da CF prevê que haverá inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município, ou seja, a Imunidade material (palavras, votos e opiniões) é restrita aos limites do município. A imunidade formal (prisão e processo) não existe para o vereador, ele não possui imunidade formal em relação à prisão e ao processo. Caso uma CE estipule a imunidade formal para os vereadores, esse dispositivo será inconstitucional. Essas imunidades formais (prisão e processo) não podem estar previstas na CE, pois essa é uma competência processual privativa da União, conforme art. 22, I da CF (competência privativamente da União legislar sobre direito processual). Não há foro por prerrogativa de função para vereador na CF, mas a Constituição Estadual pode estipular foro por prerrogativa de função no TJ. Caso estipulada, aplica-se a súmula vinculante 45 do STF, que dispõe que se o vereador cometer um crime doloso contra a vida, ele será julgado pelo Tribunal do Júri e não pelo TJ. Uma vez que a competência do Júri estipulada na CF, prevalece sobre a competência por prerrogativa de função estabelecida apenas na Constituição Estadual. 1.4 Foro por Prerrogativa de Função (FPPF) Art. 53, 1º, da CF prevê que os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Com o ato da diplomação, a competência passa a ser do STF. Mas, quando terminar o FPPF, o que ocorre com o processo? Para responder a essa pergunta devemos trabalhar com duas ideias: a) Atualidade do mandato: o FPPF extingue com o término do mandato, quando os autos voltarão para a justiça comum. b) Perpetuatio Jurisdictionis : mesmo com término do mandato, os autos continuam no FPPF. A regra no Brasil é a atualidade do mandato. Ou seja, extinto o mandato, os autos voltam para as instâncias ordinárias, extinguindo o FPPF.

Mas, nem sempre foi assim, pois houve tentativas de trazer a Perpetuatio Jurisdictionis: Em 1964 foi editada a súmula 396 STF, que pregava a ideia da perpetuatio jurisdictionis, entretanto, essa súmula foi cancelada no ano de 1999 e trouxe novamente a ideia da atualidade do mandato. A Lei 10.628/2002 resgatava a ideia da perpetuatio jurisdctionis trazida pela súmula 369, porém, essa lei foi julgada inconstitucional. ADIN 2797 de 2005, trazendo novamente a ideia da atualidade do mandato. Conclusão: a regra no Brasil, atualmente, é a Atualidade do Mandato. Entretanto, o STF mitiga essa regra em razão da fraude processual, ou seja, em caso de abuso de direito, quando parlamentar renuncia ao cargo após o término da instrução do processo para manipular o juízo. O STF entendeu que neste caso a regra da atualidade do mandato será mitigada, criando um critério objetivo para classificar o ato como abuso de direito. O STF determinou o critério objetivo para configurar fraude processual: renúncia de parlamentar após o término da instrução. (INFO 759 do SFT) Assim, se parlamentar comete crime, sendo diplomado os autos subirão para o STF. Este instruirá todo o processo. Caso o parlamentar renuncie o mandato após o término da instrução configura-se fraude processual, gerando a mitigação da regra da atualidade do mandato. Nessa situação os autos permanecerão no STF, aplicando a regra da perpetuatio jurisdctionis, de forma excepcional. (AP 396 do STF) 1.5 Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) O art. 58, 3º, da CF dispõe que as comissões parlamentares de inquérito, terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo (legislatura), sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) não julgam, apenas investigam. Em caso de investigações positivas poderão encaminhar as conclusões ao MP. São requisitos cumulativos para a abertura de uma CPI Federal: 1/3 dos membros da Câmara ou 1/3 dos membros do Senado. Se CPMI = 1/3 Câmara + 1/3 Senado. Apuração de fato determinado deve ser narrada no ato de abertura da CPI. Se caso a CPI começa para apurar um fato específico e determinado, mas, no decorrer da investigação, apurarem novos fatos conexos com o fato inicial, o objeto da CPI poderá ser aditado.

Prazo certo. Esse prazo pode ser prorrogado mediante justificativa. O limite ao prazo da CPI é o término da legislatura. Legislatura = período de 4 anos que corresponde ao mandato dos deputados federais. As CPIs não subsistem às legislaturas. Se for o caso, pode encaminhar a investigação ao MP. Os limites ao poder de investigação da CPI se esbarram na chamada de Cláusula de Reserva de Jurisdição, em que a CPI não poderá realizar determinadas atividades que a CF reserva às autoridades judiciais, e, com isso, CPI não poderá determinar, por ato próprio: Busca Domiciliar, Interceptação Telefônica, Prisão (salvo flagrante) e Medidas Cautelares (porque visam assegurar futura condenação). Busca domiciliar - art. 5, XI da CF: a CPI tem que pedir ao juiz a expedição do mandado de busca e apreensão. Determinar interceptação telefônica art. 5, XII, da CF: interceptação da conversa em tempo real, sem que os dois interlocutores tenham conhecimento. Atenção: quebra de sigilo telefônico (regitros), sigilo bancário, sigilo de dados e fiscal, a CPI poderá determinar por ato próprio. Determinar prisões: CPI não pode expedir mandado de prisão temporária, preventiva, etc., exceto flagrante, afinal qualquer do povo pode prender em flagrante. Determinar medidas acautelatórias: sequestro de bens, arresto, penhora, etc., medidas que servem para assegurar determinada condenação penal. Observações: - O direito ao silêncio está garantido na CPI, tanto para o investigado como para a testemunha. Esse direito é um corolário do princípio da não incriminação. - Eventuais irregularidades praticadas por uma CPI federal serão processadas e julgadas no STF. - Existe CPI estadual, distrital e municipal, e, os requisitos são simétricos aos requisitos da CPI federal. CPI estadual exige 1/3 dos Deputados Estaduais, fato determinado que tenha relação com aquele Estado e prazo certo. A CPI distrital requer 1/3 dos Deputados Distritais, fato determinado relacionado com aquele e prazo certo. Por fim, a CPI municipal terá 1/3 dos Vereadores, fato determinado relacionado com o Município e prazo certo.