FÍSICA PODE SER DIVERTIDA

Documentos relacionados
MATEMÁTICA ATRAENTE: A APLICAÇÃO DE JOGOS COMO INSTRUMENTO DO PIBID NA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA

Objetivo: Apresentar o Caderno V de modo a compreender sua concepção metodológica a partir de oficinas.

UMA VISÃO SOBRE JOGOS LÚDICOS COMO MÉTODO FACILITADOR PARA O ENSINO DE QUÍMICA

A TABELA PERIÓDICA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA PÚBLICA

OFICINAS PEDAGOGICAS: COMO FORMA DE AUXILIO NO APRENDIZADO DOS EDUCANDOS NAS AULAS DE GEOGRAFIA

No entanto, não podemos esquecer que estes são espaços pedagógicos, onde o processo de ensino e aprendizagem é desenvolvido de uma forma mais lúdica,

ATIVIDADES LÚDICAS NO ENSINO DA CITOLOGIA. Palavras-chave: Citologia, jogos didáticos, atividades lúdicas.

UTILIZAÇÃO DE PARÓDIAS COMO METODOLOGIA DE ENSINO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

A IMPORTÂNCIA DO USO DE JOGOS DIDÁTICOS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE QUÍMICA

O USO DO CINEMA COMO RECURSO DIDÁTICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

CUBO MÁGICO: uma estratégia pedagógica utilizada nas aulas de matemática 1

PROJETO ROBÓTICA EDUCACIONAL

Palavras-chave: Ensino de Química; Contextualização; Laboratório de Química; Conceitos Científicos; Experimentação. 1. INTRODUÇÃO

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DIRETORIA DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL

A MATEMÁTICA NO COTIDIANO: UMA ABORDAGEM PRÁTICA NO ESTUDO DOS NÚMEROS INTEIROS

ESCOLA MUNICIPAL PROFESSOR JOÃO DE LIMA PAES PROJETO INTERDISCIPLINAR DE LÍNGUA PORTUGUESA E MATEMÁTICA CONSTRUINDO GRÁFICOS DE SETORES E RECEITAS

UTILIZAÇÃO DE JOGOS DE TABULEIROS COMO MOTIVADOR PARA UM ENSINO EM GRUPO

A TECNOLOGIA COMO PROPULSORA DE APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS. Aline Reis de Camargo Universidade Federal de Pelotas - UFPEL

STOP MOTION: UMA FERRAMENTA LÚDICA NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DO ENSINO DAS LIGAÇÕES QUÍMICAS. Apresentação: Pôster

SEDUC SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO ESCOLA ESTADUAL DOMINGOS BRIANTE ELIANE CALHEIROS

HIDROTABULEIRO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA TRABALHAR A HIDROSTÁTICA

DIFICULDADES RELATADAS POR ALUNOS DO ENSINO MÉDIO NO PROCESSO DE ENSINO DE QUÍMICA: ESTUDO DE CASO DE ESCOLAS ESTADUAIS EM GRAJAÚ, MARANHÃO 1

FORMAÇÃO DE PROFESSORES: IMPORTÂNCIA DA EXPERIMENTAÇÃO NO ENSINO DE QUÍMICA

A contribuição do PIBID na melhoria do ensino de Geografia Verônica Amparo Medeiros

ELETROMAGNETISMO: UMA AULA PRÁTICA COM USO DA EXPERIMENTAÇÃO PARA ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO MÉDIO

JOGOS EDUCATIVOS COMO FACILITADORES DO ENSINO DE CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

APLICAÇÃO DE EQUAÇÃO DO SEGUNDO GRAU COM MATERIAIS MANIPULÁVEIS: JOGO TRILHA DAS EQUAÇÕES

Brincando com Palitos: Aprendendo a Racionar

UMA METODOLOGIA LÚDICA PARA INTRODUÇÃO AO USO DA TABELA PERIÓDICA NO ENSINO MÉDIO. (*) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará.

O BAFÔMETRO COMO RECURSO FACILITADOR DO ENSINO DAS REAÇÕES DE OXI-REDUÇÃO E DA CONCIENTIZAÇÃO DOS DISCENTES

O JOGO E A VIDA: AS RELEVÂNCIAS DOS ELEMENTOS TRABALHADOS, ATRAVÉS DOS JOGOS, PARA O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM E PARA O COTIDIANO INFANTIL

TRILHANDO A CÉLULA EUCARIÓTICA: O LÚDICO NO ENSINO DE CITOLOGIA

CONHECENDO VIDRARIAS: UMA ATIVIDADE LÚDICA PARA ALUNOS DE QUÍMICA KNOWING GLASSWORKS: AN ACTIVITY FOR STUDENTS OF CHEMISTRY

OBSERVAÇÃO DOS EFEITOS DO JOGO BATALHA NAVAL CIRCULAR NO ESTUDO DO CÍRCULO TRIGONOMÉTRICO

BINGO COM PRODUTOS NOTÁVEIS

O PIBID E OS JOGOS LÚDICOS COMO METODOLOGIA ALTERNATIVA DO ENSINO-APRENDIZAGEM DA QUÍMICA NO NÍVEL MÉDIO: JOGO DAS TRÊS PISTAS

A UTILIZAÇÃO DE JOGOS PARA COMPREENSÃO DAS OPERAÇÕES BÁSICAS ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO

PROJETO: OPERAÇÕES COM NÚMEROS DECIMAIS

1- Prof. Me. Dep. Química/UERN; 2- Alunos de Licenciatura em Química, Matemática e Física.

Jogos Educativos. Joceline Mausolff Grübel. Marta Rosecler Bez. Centro Universitário Feevale

LABORATÓRIO DE MATEMÁTICA: UMA FERRAMENTA IMPRESCINDÍVEL PARA A APRENDIZAGEM DA DISCIPLINA

MODELAGEM DE HIDROCARBONETOS: CONSTRUÇÃO DE ESTRUTURAS BIDIMENSIONAIS EM DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA.

PIBID - RECURSOS DE ATIVIDADES LÚDICAS PARA ENSINAR APRENDER HISTÓRIA

GINCANA AMBIENTAL: método de ensino-aprendizagem para o Ensino Fundamental RESUMO

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA ATRAVÉS DA GESTALT NO ENSINO DE FÍSICA

Aluno(a): / / Cidade Polo: CPF: Curso: ATIVIDADE AVALIATIVA ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA

Ações Concretas do PIBID de Matemática no Colégio Nestório Ribeiro. Palavras chaves: Ações concretas. Monitorias/Tutorias. Laboratório de Matemática.

Unidades de Aprendizagem: refletindo sobre experimentação em sala de aula no ensino de Química

A CONTEXTUALIZAÇÃO DA MATEMÁTICA E O USO DAS METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM DIRECIONADAS PARA O PREPARO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO PARA O ENEM

PLANO DE ENSINO. Curso: Pedagogia. Disciplina: Conteúdos e Metodologia de Língua Portuguesa. Carga Horária Semestral: 80 Semestre do Curso: 6º

CIDADANIA NAS ONDAS DO RÁDIO

LABORATÓRIO PROBLEMATIZADOR COMO FERRAMENTA PARA O ENSINO DE FÍSICA: DA ONÇA AO QUILOGRAMA

A ALFABETIZAÇÃO MATEMÁTICA PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL CONGÊNITA E ADQUIRIDA ATRAVÉS DE JOGOS PEDAGÓGICOS.

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO METODOLOGIA DA PESQUISA EM MATEMÁTICA PARA TCC CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM MATEMÁTICA

USO DE ATIVIDADES INVESTIGATIVAS NAS AULAS DE FÍSICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA PARA O ESTUDO DA GRAVITAÇÃO

JOGO MEMORGÂNICO: UMA FERRAMENTA COMPLEMENTAR NO APRENDIZADO DE NOMENCLATURAS DE HIDROCARBONETOS

UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DE DIVISIBILIDADE

Aula 6 Livro físico.

A UTILIZAÇÃO DO JOGO BINGO DOS ELEMENTOS QUÍMICOS COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE QUÍMICA

Título: Viajando pelo Universo da Leitura Justificativa:

O USO DO JOGO LÚDICO COMO UMA ALTERNATIVA DIDÁTICA PARA O ENSINO DA TABELA PERIÓDICA NA ESCOLA ESTADUAL ORLANDO VENÂNCIO DOS SANTOS

A COMPOSTAGEM E A REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA DOS APARELHOS DE AR CONDICIONADO COMO FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÂO AMBIENTAL

Formação de professores do Ensino Médio MATEMÁTICA Caderno V

A APRENDIZAGEM MATEMÁTICA INTERMEDIADA POR JOGOS MATEMÁTICOS

ABORDAGEM LÚDICA NAS AULAS DE FÍSICA: UTILIZAÇÃO DE UM JOGO SOBRE ASTRONOMIA

APRENDENDO E ENSINANDO NO ESTAGIO SUPERVISIONADO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Aluno(a): / / Cidade Polo: CPF: Curso: 1ª AVALIAÇÃO ONLINE METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Eixo Temático 3-Currículo, Ensino, Aprendizagem e Avaliação

o que é? Resgatar um conteúdo trabalhado em sala de aula, por meio de novas aplicações ou exercícios

Água em Foco Introdução

Colégio Valsassina. Modelo pedagógico do jardim de infância

ROBOFREVANDO. Professora: Silveira Munhoz, Rosemeire.

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem. (Mário Quintana).

COMUNICAÇÕES ORAIS - ARTE E ENSINO DE MATEMÁTICA O MISTÉRIO DOS NÚMEROS

JOGOS NA APREENDIZAGEM DA QUÍMICA: VII MICTI ARAQUARI/2014

DOMINÓ E OPERAÇÕES COM FRAÇÕES: UMA COMBINAÇÃO POSSÍVEL. Apresentação: Pôster

CONTRIBUIÇÃO DO LÚDICO NO PROCESO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA: UMA PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE JOGOS DIDÁTICOS

SOCIEDADE E INDIVÍDUO EM DISCUSSÃO

Projeto: Brincando Eu também Aprendo.

ESCOLA NO. Gestão, Inovação e Tecnologia Educacional

EXPERIÊNCIA COMO ORIENTADORA DO PACTO NACIONAL PELA IDADE CERTA EM CATALÃO-GO.

APLICAÇÃO DO JOGO PROBABÍLISTICO NO ÂMBITO DO PIBID

JOGO DIDÁTICO CLASS FISH COMO PROPOSTA PARA O ESTUDO DE PEIXES AGOSTO, 2013 NATAL/RN

E.M.E.F. NOVA ESPERANÇA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA CAMPUS SÃO GABRIEL

UTILIZAÇÃO DE JOGOS COMO RECURSO DIDÁTICO PARA O ENSINO DE BIOLOGIA

EDUCAÇÃO INFANTIL OBJETIVOS GERAIS. Linguagem Oral e Escrita. Matemática OBJETIVOS E CONTEÚDOS

Atividades de orientação em docência: desafios e oportunidades

TABELA PERIÓDICA: OS ALIMENTOS E SUAS COMPOSIÇÕES QUÍMICAS- MITOS E VERDADES

ETNOMATEMÁTICA E LETRAMENTO: UM OLHAR SOBRE O CONHECIMENTO MATEMÁTICO EM UMA FEIRA LIVRE

A CONTRIBUIÇÃO DO PROJETO VIAJANDO E APRENDENDO COM ZÉ DO LIVRO PARA O INCENTIVO DA LEITURA: UMA ANÁLISE NO MUNICÍPIO DE PAULISTA PB

PROJETO: BRINCANDO DE FAZ DE CONTA: VIVÊNCIAS DE HISTÓRIAS INFANTIS NA EDUCAÇÃO FÍSICA

O ENSINO E APRENDIZAGEM COM JOGOS MATEMÁTICOS

O USO DA REDE SOCIAL COMO RECURSO PARA A APRENDIZAGEM NO ENSINO MÉDIO

CONTRIBUIÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE NA SUPERAÇÃO DE DIFICULDADES ESCOLARES REFERENTES A LEITURA E ESCRITA.

JOGO COOPERATIVO COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA: UMA PERSPECTIVA DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA

ISSN: Mylena Carla Almeida Tenório Deise Juliana Francisco

O USO DO MATERIAL MANIPULATIVO NO ENSINO DA ADIÇÃO

Análise e procedimentos da Avaliação de Aprendizagem em Processo por docentes1. Matemática e Língua Portuguesa

Transcrição:

FÍSICA PODE SER DIVERTIDA Elcio Correia de Souza Tavares (1) (1) Atheneu Norteriograndense, elciotavares67@gmail.com RESUMO: O lúdico é um recurso pedagógico importante na aprendizagem da física de alunos do ensino médio. Um dos principais problemas no ensino de física são as aulas explanatórias tradicionais, que causam desinteresse por parte dos alunos e disseminam a impressão que as ciências são abstratas, desvinculadas da realidade e que se limitam à resolução numérica de problemas. Professores e demais profissionais ligados ao ensino de física sabem que essa disciplina é marcadamente experimental. Assim sendo, não deveria ser desenvolvida apenas de forma teórica, mas sempre apoiada em um conjunto de aulas práticas que induzam ou aprimorem os conceitos básicos trabalhados. Porém, por falta de dinheiro, tempo, espaço ou de planejamento adequado, os experimentos ficam relegados a um segundo plano (quando existem) na escola. O ensino e a aprendizagem através de experimentos proporcionam exercício do intelecto das várias áreas de aprendizagem, estimulando a concentração, a curiosidade, a autonomia e a autoconfiança (entre outros fatores) dos discentes. Dessa forma, o aluno é estimulado a pensar, descobrir e, com sua curiosidade, participar através de perguntas, buscando respostas nos experimentos. O objetivo deste trabalho foi despertar o interesse dos alunos, levando-os a participar das atividades, tornando as aulas mais participativas e motivadas para que se pudesse trabalhar na sala de aula com objetos concretos. Assim, diversos experimentos foram empregados para mostrar aos alunos a relação entre a teoria e a prática. Neles pôde-se observar aumento do interesse dos alunos durante a realização dos experimentos e depois, nas aulas teóricas seguintes, o que resultou em melhor aprendizado e maiores notas nas avaliações. A utilização de experimentos possibilita ainda uma maior interação entre o professor e os alunos, uma vez que o processo educativo acontece de uma forma mais prazerosa e significativa. Palavras-chave: Lúdico, Ensino de física, Experimento. INTRODUÇÃO As aulas de física são consideradas por grande parte dos alunos como monótonas e desinteressantes, o que é causado em grande parte pelo rigor matemático, a falta de ligação entre a disciplina e o cotidiano dos alunos e a maneira como os professores desenvolvem suas atividades (LIMA e ANDRADE, KANITZ). A utilização de novas metodologias no ensino da física tem gerado diversas discussões acerca de como os experimentos possibilitam a aquisição dos conceitos teóricos ou a resolução de problemas (GONÇALVES Jr. e BARROSO, A NOTÍCIA). Há muitas dúvidas de como tais

recursos possibilitam e ajudam no processo ensino-aprendizagem, o que permite uma certa ambiguidade por parte de alguns docentes, ou seja, se é pertinente usá-los ou não, ou se ainda, é possível que o lúdico seja uma ferramenta didática importante para o professor ou um modismo passageiro. Em função desses questionamentos, percebe-se uma procura cada vez maior por experimentos como possíveis aliados pedagógicos para formar cidadãos mais capacitados em entender conceitos físicos de forma simples e prazerosa, além de formar pessoas capazes de socializarem muito mais facilmente. Dessa forma, este estudo destina-se a professores de alunos do ensino médio, que estão em uma fase importante de consolidação desses conhecimentos, e a todos os profissionais que, de forma direta ou indireta, lidam com esses jovens. Visa discorrer sobre o lúdico como recurso pedagógico importante na aprendizagem da física enfocando o conceito de inteligências múltiplas criado por GARDNER e desenvolvido por outros (HORT, LOPES), e apresenta alguns exemplos de como utilizar os experimentos nas aulas de física. No processo de ensino-aprendizagem, a participação do professor é de facilitador, desenvolvendo no aluno uma busca pelo conhecimento, no qual deve sempre partir do estudante. O objetivo do professor no trabalho com experimentos deve valorizar seu papel pedagógico, ou seja, o despertar do interesse do aluno é realizado pelo educador, que pode vir através de perguntas problematizadoras, questões interessantes e elementos lúdicos, objetivando assim uma aprendizagem significativa, a fim de que haja sempre um pensar sobre o conhecimento. O experimento é indispensável à prática educativa, pois não serve apenas para que o aluno faça uma atividade, mas contribui para o desenvolvimento intelectual. As experiências, como elemento pedagógico, proporcionam ao professor a possibilidade de administrar estímulos e avaliar a aprendizagem e ao educando novas descobertas que servirão para o enriquecimento de sua experiência. Os experimentos são usados com o intuito de alcançarem uma aprendizagem significativa, ou seja, são projetados para estimularem a construção do conhecimento, despertando No aluno habilidades operatórias (ANTUNES, SERÉ). A utilização dos experimentos deve acontecer através de uma programação e fundamentação lógica, dentro de uma proposta pedagógica que possa despertar no aluno um interesse desafiador, dentro de suas limitações. Os objetivos da aprendizagem com devem ser claros a fim de possibilitar aos condutores e ao mediador um resultado claro dentro da proposta pedagógica apresentada. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN): Em síntese, não é a aprendizagem que deve se ajustar ao ensino, mas sim o ensino que deve potencializar a aprendizagem (BRASIL, 2001, p.39). Assim, para se ter um resultado satisfatório em relação ao experimento, deve-se levar alguns fatores em consideração como: organização, planejamento, avaliação, e a participação de adultos que, sendo sensíveis e informados, possibilitarão o progresso em relação ao processo educativo. Por ser social, porque leva em conta a participação de mais de uma pessoa, esse tipo de prática oportuniza que o aluno possa conhecer o modo e pensar e agir dos outros, como também trocar opiniões, entrar em confronto ou concordar com uma opinião contrária a sua. O professor tem como objetivo valorizar o seu papel pedagógico, ou seja, desencadear através da exploração e/ou aplicação os conceitos físicos e matemáticos, como também criar estratégias de resolução de problemas pelos alunos, levando em consideração a mediação por parte do professor.

Dessa forma, faz-se imprescindível que o educador questione o aluno sobre seus resultados, de modo que a realização da prática torne-se um ambiente de aprendizagem e que os conceitos possam ser (re)criados e não seja feita apenas uma reprodução mecânica conceitual, como acontece com a resolução de uma lista de exercícios. Os processos de análise de possibilidades e tomadas de decisão são aptidões fundamentais para o trabalho com resolução de problema, não somente na escola, mas na sociedade na qual todos nós estamos inseridos. Pensando em um contexto lúdico, o aluno se ver envolvido por ele e o seu pensamento é posto em movimento, possibilitando-o criar estratégias para resolver o problema apresentado. Assim possibilita-se que os conhecimentos físicos sejam adquiridos e/ou aprimorados, pois o aluno desenvolve processos mentais para resolver quaisquer problemas súbitos, possibilitando-o elaborar pensamentos e conhecimentos novos. METODOLOGIA O trabalho foi desenvolvido com alunos da 1ª a 3ª séries do ensino médio, em escola do município de Natal-RN na qual o autor é professor. Foram analisados o envolvimento dos alunos e suas respostas cognitivas antes e depois da aplicação dos experimentos, bem como os que não participaram, em busca de indicações dos benefícios que o trabalho pudesse ter tido para o processo de ensino e aprendizagem de física. Os experimentos foram realizados em horário de aula, sempre após o conteúdo teórico ter sido lecionado de forma convencional. Os alunos eram divididos em grupos com até seis integrantes, escolhidos por eles mesmos, e recebiam um roteiro contendo um breve resumo da teoria e a descrição do experimento, bem como dos materiais utilizados. Antes da cada experiência era dada uma orientação dos procedimentos a serem realizados, bem como quanto à segurança. Durante a realização da prática, o professor os orientava quando percebia alguma forma de aquisição de dados errônea ou quando solicitado. Após a prática cada grupo elaborava um relatório no formato científico, com introdução, desenvolvimento, resultados e discussões. Os relatórios recebidos eram discutidos com cada grupo, para reforço e eventual correção das imperfeições. RESULTADOS E DISCUSSÕES De acordo com os alunos, os experimentos atraem a atenção e tornam a aula mais dinâmica. Além disso, facilita o ensino, pois o estudante adquire uma imagem mais real do assunto e compartilha suas experiências com outros colegas. Figuras 1 a 3 Aquisição de dados pelos alunos durante os experimentos.

Fonte: Autor Todos afirmaram que esse tipo de recurso didático contribui positivamente para as aulas, pois origina uma interação entre os integrantes do grupo que leva a discussões proveitosas sobre o conteúdo visto. Outros afirmaram que esse tipo de aula é mais prazerosa por ser diferente da rotina. Percebeu-se também que o comportamento das turmas envolvidas melhorou, pois passaram a prestar mais atenção e a participar mais ativamente das aulas de matemática e mesmo de outras matérias, segundo observações dos professores. A melhoria no aprendizado foi mensurada pela observação da presença em sala, pela comparação das notas dos alunos das turmas envolvidas no projeto com os de outras turmas que não participaram e futuramente na comparação das notas destes alunos com os que não participaram do projeto. Figura 4 Comparativo das notas obtidas antes e depois dos experimentos. Fonte: Autor Os resultados obtidos mostraram ainda avanços em áreas que normalmente não são contempladas nas aulas tradicionais, como confecção e análise de gráficos. Pode-se ver um exemplo nas figuras 5 e 6 abaixo, que mostram gráficos feitos pelos alunos logo após a prática de pêndulo simples, nos quais as relações entre período e massa e período e comprimento da haste do pêndulo não podem ser obtidas devido à disposição equivocada dos dados. Após discussão, os alunos perceberam que a informação existia nos dados, mas não estava clara nos gráficos, que foram refeitos da forma correta.

Figuras 5 e 6 Gráficos antes das orientações. Fonte: Autor CONCLUSÕES Concluímos que o professor, ao trazer experimentos para a sala que ensina, possibilita interação, espontaneidade e satisfação do aluno com ele mesmo, com os colegas e com o próprio professor, porque havendo interesse e exultação em aprender, o ambiente escolar tornar-se-á propício para que a aprendizagem ocorra integralmente. Este trabalho demonstrou a importância da utilização de atividades práticas no ensino de física como recurso necessário na consolidação de conceitos pelos alunos, além de confirmar que a aquisição do conhecimento acontece de forma prazerosa quando o professor faz uso deles como metodologia pedagógica. É importante ainda lembrar que essa ferramenta é complementar ao conteúdo. Assim, os experimentos foram utilizados de forma que não se tornasse apenas mais uma aula tradicional, ou para encher linguiça, mas como procedimento pedagógico essencial ao entendimento da física. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A NOTÍCIA, Educação ainda ocorre como no século passado, Santa Catarina, 09/09/2003. ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. São Paulo: Vozes, 2002. BRASIL. Ministério da Educação. Secretária da Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Língua Portuguesa. 3.ed. Brasília/DF: MEC, SEF. 2001. GARDNER, H. Estrutura da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Trad. Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2002. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Trad. Maria A. V. Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas. 2000. GONÇALVES Jr., W. P. e BARROSO, M. F., As questões de física e o desempenho dos estudantes no ENEM, Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 36, n. 1, 1402, 2014.

HORT, A. P. F.; HORT, I. C. Inteligências múltiplas: avaliando os alunos a fim de desenvolver suas diferentes habilidades. Disponível em: www.icpg.com.br/hp/revista/download.exec.php. Acesso em 10 ago. 2015. KANITZ, Stephen, Veja, edição 1763, 7 de agosto de 2002. Lima, K. Q. e Andrade, C. S., Buscando alternativas ao ensino tradicional em aulas de física: uma experiência do PIBID em Caicó/RN, VII Congresso Norte Nordeste de pesquisa e Inovação, Palmas-TO, http://propi.ifto.edu.br/ocs/index.php/connepi/vii/paper/view/2636, 2012. LOPES, J. Inteligências múltiplas: como essa nova teoria é aplicada no ensino de Matemática por uma escola paulista. Nova Escola. Ano XII nº 101. Abril. 1997. SÉRÉ, M., O papel da experimentação no ensino da Física, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, vol. 20, no. 1, abril 2003 p.30-42.