RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR



Documentos relacionados
Imagens de Ressonância Magnética

SEQÜÊNCIA DE PULSO. Spin-eco (SE); Inversion-recovery (IR); Gradiente-eco (GRE); Imagens eco - planares (EPI).

3. FORMAÇÃO DA IMAGEM

APLICAÇÕES DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR NA AVALIAÇÃO DE OSTEOPOROSE

Imagem por ressonância magnética

PRINCÍPIOS FÍSICOS DAS IMAGENS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR

Morfologia Matemática em Imagens de Ressonância. Conceitos novos: Granulometria, Morfologia Condicional e com Reconstrução

Ressonância Magnética. Aluno : Bruno Raphael Pereira Morais

Imagem Por Ressonância Magnética Nuclear: Aplicações em Amostras de Carne

CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL CIEP

Introdução à Espectroscopia de Ressonância de Spin Eletrônico. Departamento de Física e Matemática FFCLRP-USP- Ribeirão Preto São Paulo-Brasil

Descobertas do electromagnetismo e a comunicação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE BIOFÍSICA

IRM na Esclerose Múltipla

John Fenn KoichiTanaka Kurt Wûthrich

1 INTRODU Ç Ã O Introdução ao Magnetismo

IBM1018 Física Básica II FFCLRP USP Prof. Antônio Roque Aula 3

APLICAÇÃO DE LASERS NA MEDICINA

Quanto à origem uma onda pode ser classificada em onda mecânica e onda eletromagnética.

Adaptado de Professora: Miwa Yoshida.

Engenharia Biomédica e Física Médica

APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE RMN EM SOLUÇÃO AO ESTUDO DE SISTEMAS QUÍMICOS E BIOLÓGICOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Ressonância Magnética: Imagens

Circuitos CA I. 1 Resumo da aula anterior. Aula 6. 5 de abril de 2011

Ressonância Nuclear Magnética (RNM): É o estudo de imagem de última geração A Se baseia nas propriedades dos Átomos, mais especificamente dos Prótons

SINAIS COMUNICAÇÃO. Numa grande parte das situações, o sinal enviado comporta-se como uma onda.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

grandeza do número de elétrons de condução que atravessam uma seção transversal do fio em segundos na forma, qual o valor de?

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA DEE CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

29/08/2011. Radiologia Digital. Princípios Físicos da Imagem Digital. Unidade de Aprendizagem Radiológica. Professor Paulo Christakis

+ J (+) (sentidos dos spins opostos)

Introdução. Física da RMN. Princípios Físicos da Ressonância Magnética. Alessandro A. Mazzola 1,2

FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS - FUPAC

Laboratório de Física /2012. Propriedades físicas de um filme fino magnético. Centro de Física da Matéria Condensada da UL

Átomos Poli-electrónicos

Propriedades físicas e químicas das substâncias

CONTEÚDOS OBJETIVOS PERÍODO

Linguagem da Termodinâmica

Evolução do Modelo Atómico

Prof. Eduardo Loureiro, DSc.

Imagiologia de raios X planar

Cálculo do Coeficiente de Difusão Aparente (ADC), em Neoplasias Gástricas

Ressonância magnética: princípios de formação da imagem e aplicações em imagem funcional

Introdução. Criar um sistema capaz de interagir com o ambiente. Um transdutor é um componente que transforma um tipo de energia em outro.

Separação de Isótopos de Terras Raras usando Laser. Nicolau A.S.Rodrigues Instituto de Estudos Avançados

PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Comunicação da informação a curta distância. FQA Unidade 2 - FÍSICA

Problemas de Termodinâmica e Estrutura da Matéria

Sensores Ultrasônicos

ENZIMAS E METABOLISMO

MANUTENÇÃO ELÉTRICA INDUSTRIAL * ENROLAMENTOS P/ MOTORES CA *

Aula 9-1 Materiais Magnéticos. Física Geral e Experimental III Prof. Cláudio Graça Capítulo 9

Eletromecânicos de Manutenção Industrial

Transformações físicas de substâncias puras Aula 1

FORTALECENDO SABERES CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA CIÊNCIAS DESAFIO DO DIA. Conteúdo: - O Gerador Elétrico

3.2. ORBITAIS E NÚMEROS QUÂNTICOS 3.3. CONFIGURAÇÕES ELETRÔNICAS. Aline Lamenha

ELECTROMAGNETISMO. Dulce Godinho 1. Nov-09 Dulce Godinho 1. Nov-09 Dulce Godinho 2

2. Duração da Prova: - Escrita: 90 min (+30 minutos de tolerância) - Prática: 90 min (+30 minutos de tolerância)


ANÁLISE DO ESCOAMENTO DE UM FLUIDO REAL: água

Ano: 9º Turma: 91 / 92

FÍSICA DAS RADIAÇÕES

A luz propaga-se em linha recta e radialmente em todas as direcções sempre que a velocidade de propagação for constante.

Laboratório de Conversão Eletromecânica de Energia B

UFABC Bacharelado em Ciência & Tecnologia

AGG0115 GEOFÍSICA I. Prof. Manoel S. D Agrella Filho. Monitores: Daniele Brandt Giovanni Moreira

Informação - Prova de Equivalência à Frequência. Física Código da Prova: º Ano de Escolaridade

CADERNO DE ATIVIDADES

3.2 Equilíbrio de Fases Vapor - Líquida - Sólida numa Substância Pura Consideremos como sistema a água contida no conjunto êmbolo - cilindro abaixo:

CAPITULO 1 INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS TÉRMICAS 1.1 CIÊNCIAS TÉRMICAS

Aluno (a): Professor:

Sumário. Materiais. Algumas propriedades físicas e químicas dos materiais

4.1. DEPENDÊNCIA DO VOLUME NA ESTABILIDADE MAGNÉTICA. Ea = V Ku, (4.1)

A Mecânica Quântica nasceu em 1900, com um trabalho de Planck que procurava descrever o espectro contínuo de um corpo negro.

O Polarímetro na determinação de concentrações de soluções

Lista de Revisão Óptica na UECE e na Unifor Professor Vasco Vasconcelos

A matéria possuem 7 estados físicos...

Próton Nêutron Elétron

São componentes formados por espiras de fio esmaltado numa forma dentro da qual pode ou não existir um núcleo de material ferroso.

C5. Formação e evolução estelar

ESCOLA SECUNDÁRIA DE CASQUILHOS

FUNDAMENTOS DE ONDAS, Prof. Emery Lins Curso Eng. Biomédica

Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Ossos

LOGO FQA. Da Terra à Lua. Leis de Newton. Prof.ª Marília Peres. Adaptado de Serway & Jewett

Eletromagnetismo: imãs, bobinas e campo magnético

Curso de Instrumentista de Sistemas. Fundamentos de Controle. Prof. Msc. Jean Carlos

A busca constantes da qualidade e a preocupação com o atendimento ao cliente estão presentes nas ações do SENAI.

Técnico em Eletrotécnica

LEI DE OHM. Professor João Luiz Cesarino Ferreira. Conceitos fundamentais

Redes de Computadores (RCOMP 2014/2015)

Propriedades físicas e químicas das substâncias

Coerência temporal: Uma característica importante

Eletrodinâmica. Circuito Elétrico

Unidade 1 Energia no quotidiano

TERMODINÂMICA CONCEITOS FUNDAMENTAIS. Sistema termodinâmico: Demarcamos um sistema termodinâmico em. Universidade Santa Cecília Santos / SP

ECOLOGIA GERAL FLUXO DE ENERGIA E MATÉRIA ATRAVÉS DE ECOSSISTEMAS

MOTORES ELÉTRICOS Princípios e fundamentos

Escola Secundária de Forte da Casa

Transcrição:

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR NUCLEAR Constituintes do átomo: electrões e núcleo. Constituintes do núcleo (nucleões): protões e neutrões. Características químicas electrões ; Características físicas núcleo Os nucleões possuem spin ½ e o spin do núcleo é determinado pelo emparelhamento dos protões e neutrões. Em RMN é possível usar qualquer núcleo com spin diferente de zero (possibilidade de fazer espectroscopia de RMN), em imagem, por razões de abundância e de sensibilidade usa-se, em geral, o hidrogénio. MAGNÉTICA Classicamente o spin está relacionado com o campo magnético associado ao movimento de rotação de cargas. Aproximação de um spin a um íman. Na ausência de qualquer campo externo a orientação dos spins é aleatória a magnetização total é zero Spins na ausência de um campo magnético. 1

Na presença de um campo magnético os spins alinham-se paralela ou anti--paralelamente (diferença entre a mecânica newtoniana e a mecânica quântica). Spins num meio onde se estabeleceu um campo magnético B 0. O campo magnético da terra é de 0,00005T (5 x 10-5 T), enquanto que o campo magnético dos equipamentos médicos rondam 1T. A população que se alinha paralelamente ao campo magnético, por corresponder a uma energia mais baixa, é ligeiramente maior do que aquela que se alinha anti-paralelamente magnetização total diferente de zero. RESSONÂNCIA Classicamente assume-se que os spins precessam em torno do campo magnético externo e não estão perfeitamente alinhados segundo o campo magnético (a magnetização total é que possui a direcção do campo) Spins a precessarem em torno de um campo magnético. Magnetização total. 2

A frequência com que os núcleos precessam é a de Larmor e cumpre: f B 0 frequência de Larmor constante giromagnética campo magnético externo f corresponde à gama das radio-frequências: radiação não-ionizante à qual o corpo é transparente. A aplicação de um campo de radio-frequências tem como consequências: colocar os spins em fase aumentar a população correspondente aos spins anti-paralelos Vector Magnetização Consequências da aplicação de um campo de radio frequência na magnetização total. Ao sujeitar o corpo a impulsos de 90º (ou outros) a magnetização total passa a ter uma componente transversal e é esta que é medida através de bobinas transversais. O sinal medido corresponde à componente transversal da magnetização. 3

PARÂMETROS DAS IMAGENS DE RMN Repare-se que a magnetização inicial é proporcional a densidade protónica. Magnetização total Como há desfasagem dos spins, o sinal medido nas bobinas vai decaindo (FID Free Induction Decay). Desfasagem dos spins Magnetização transversal Sinal medido (FID) Tempo Decaimento em T 2 * Sinal relativo a um spin Saída Tempo 4

Esta desfasagem está relacionada com o facto de cada núcleo estar sujeito a um campo magnético diferente, devido às heterogeneidades do campo. De modo que a constante de tempo associada a este decaimento (T 2* ) dá uma medida dessas mesmas heterogeneidades, as quais não dependem do doente. Uma noção importante na técnica de imagem de RMN é a de eco de spin (impulsos de 180º): Mesmo usando a técnica de ecos, o sinal vai decaindo, desta vez com uma constante de tempo T 2 (tempo de relaxação spin/spin) relacionada com as heterogeneidades do campo devido à constituição dos tecidos. SAÍDA Decaimento (FID) Eco T 2 é definido como o tempo necessário para que a magnetização decaia para 37% do seu valor inicial. I f(e TE/T2 ) onde TE é o tempo entre o impulso de 90º e o eco que se mede. Ou seja, depende do instante em que é emitido o impulso de 180º. 5

O valor da magnetização é também modificado devido à diferença entre o povoamento das populações. Ou seja, existe também uma constante de tempo relacionada com a recuperação da magnetização longitudinal. A essa constante dá-se o nome de tempo de relaxação spin/rede (T 1 ) e é o tempo que demora a recuperar 63% da magnetização longitudinal inicial: TR/T1 I f(1- e ) onde TR é o tempo total até ao novo impulso de 90º. Comportamento dos spins Magnetização total Sinal tempo (em unidades de T 1) tempo (em unidades de T 2) O sinal vem, então, dado por: -TE/T2 TR/T1 I α N e (1- e ) Esquema da diferença entre T 1 e T 2 : se T 1 fosse muito longo relativamente a T 2 a evolução da magnetização total seria: 6

se T 2 fosse muito longo relativamente a T 1 a evolução da magnetização total seria: Uma das formas de melhorar a razão sinal/ruído (embora esteja a cair em desuso) é a repetição de sequências. O grande poder de discriminação da RMN deve-se às suas enormes possibilidades de controlo do contraste: densidade protónica, T 1 e T 2. Em situações biológicas T 1 e T 2 estão dentro dos parâmetros: 200 ms < T 1 < 2000 ms e 50 ms < T 2 < 500 ms FORMAS DE CONTRASTE EM IMAGENS DE RMN A densidade protónica afecta o sinal de um modo multiplicativo: regiões com muitos protões aparecem brancas (ex: gorduras e fluidos) regiões com poucos protões aparecem pretas (ex: cálcio, ar, tecidos fibrosos, osso cortical), que se distinguem dos tecidos à volta por contraste com estes. As imagens de densidade protónica são obtidas com TR longos e TE curtos. Quanto ao T 1 verifica-se que a água apresenta um T 1 longo e o colesterol, por exemplo, um T 1 curto. O que se deve ao facto de os movimentos das moléculas no segundo caso serem mais lento e, portanto, mais próximos da frequência de Larmor. Quando a água se liga às fronteiras das moléculas T 1 diminui, pois a mobilidade torna-se menor. 7

Nos sólidos e nas grandes moléculas T 2 é curto, enquanto que nos fluidos é mais longo, uma vez que no primeiro caso existem campos magnéticos intrínsecos, que, no segundo, tendem para zero, devido à mobilidade das moléculas. Uma imagem com contrate em T 1 exige um TR curto (o que implica uma diminuição na qualidade da imagem é necessário um compromisso entre os dois factores). Intensidade do sinal Tempo Numa imagem com contraste em T 1 aparece a branco: a gordura, os fluidos com proteínas, as moléculas com lípidos, as hemorragias subagudas, a melanina e o gadolíneo; a escuro: os neoplasmas, os edemas, as inflamações, os fluidos puros e o líquido céfalo-raquidiano. Uma imagem com contraste em T 2 exige um TE longo (o que também implica perda na qualidade da imagem). Intensidade do sinal Tempo 8

Numa imagem com contraste em T 2 aparece a branco: os neoplasmas, as inflamações e quaisquer situações que aumentem a quantidade de água livre; a escuro: as substâncias que contenham ferro. Para observar os contrastes possíveis consultar a figura seguinte: Ponderação em: T 1 T 2 densidade protónica Um outro factor que influencia o sinal é a presença de substâncias com diferentes susceptibilidades magnéticas (importância dos electrões desemparelhados). Esta propriedade pode ser utilizada na administração de substâncias de contraste (gadolíneo, por ex.). Este agente de contraste actua prioritariamente em T1 (interacção protão/electrão). Imagens sem com contraste 9

FORMAÇÃO DA IMAGEM Utilização de gradientes de campo para a formação de imagens: Gradiente de Campo Magnético em x Quando este estratagema é utilizado, o sinal medido tem que ser descodificado (utilização de Transformadas de Fourier que permitem dividir o sinal em diferentes frequências). Existência de artefactos devido ao facto de os spins estarem em movimento. 10