5. Resultados e Análises



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Transcrição:

66 5. Resultados e Análises Neste capítulo é importante ressaltar que as medições foram feitas com uma velocidade constante de 1800 RPM, para uma freqüência de 60 Hz e uma voltagem de 220 V, entre as linhas de saída do trifásico, para todos os ensaios. O grupo gerador empregado nos ensaios é um Perkins 1006 TAG do modelo P135. Este modelo, por sua vez, só trabalha em regime de carga prime (conceito detalhado no capitulo 2), sendo sua potência efetiva, não limitada, de 120 kw ou 151 kva, com uma provável sobrecarga de 10% em intervalos de uma hora para cada doze horas de funcionamento. E importante detalhar que, nos ensaios a potência elétrica efetiva máxima alcançada foi de 120 kw e não se tentou trabalhar com uma sobrecarga. 5.1. Resultados no Modo Diesel Puro, Diesel-Gás e Com Restrição de Ar Na Figura 18, tem-se a potência gerada, tanto no eixo do motor, como na potência elétrica do grupo gerador, em função do consumo de óleo diesel. No modo diesel puro, o cálculo da potência elétrica foi realizado a partir da combinação das medidas de voltagem e amperagem. Porém, houve dificuldades no momento de avaliar o torque gerado no eixo do motor, por estar diretamente ligado ao eixo do gerador. Optou-se, portanto, por dividir a medida da potência elétrica gerada pela eficiência do gerador, que é de 0,9 (fornecida pelo fabricante), conseguindo, finalmente, chegar até a potência ao eixo, que foi utilizada na maioria dos cálculos subseqüentes. O consumo de diesel, medido na máxima potência, foi aproximadamente 6% maior que o consumo máximo fornecido pelo fabricante. Esta medida pode ter sido aumentada pelo desgaste do gerador em outros ensaios, e pela falta de manutenção ocorrida nos anos em que este se encontrava inativo.

67 Figura 18: Curva de potência elétrica e potência ao eixo em função do consumo de óleo Diesel (Modo Diesel Puro)

68 Na Figura 19 é observada a curva do consumo específico de combustível, em função da fração de carga prime, operando no modo diesel puro e no modo Diesel-gás, com máxima taxa de substituição. Os resultados mostram que em baixas cargas (16%, 35% e 60%), o consumo específico de combustível no modo diesel-gás é 15% maior que no modo diesel com 10% de carga, alcançando neste ponto uma porcentagem maior do que a dos outros. O ponto de intercepção, que tem as duas curvas analisadas, e o ponto onde os consumos específicos são iguais, se encontra próximo aos 67% de carga, com um consumo aproximado de 260 g/kwh. Ao lado direito do gráfico, onde estão representadas as altas cargas, especificamente 90% de carga, o consumo no modo diesel puro é 15% maior que no modo Diesel-Gás. Analogamente, ocorre em baixas cargas, o que justifica o uso do Diesel-Gás em altas cargas. O motivo é o maior poder calorífico do gás natural em relação ao diesel, consequentemente, o consumo específico de combustível diminui no modo bicombustível. Temos a representação do consumo de combustível, seja diesel ou gás natural, em função da fração da carga prime (Figura 19). Neste caso, obtivemos os consumos de diesel no modo puro e no modo bicombustível, sendo obviamente maior no caso de diesel puro. Além disso, o consumo de gás natural é 30% maior que o do diesel puro com 10% de carga. Existe um ponto de intercepção onde os consumos de gás natural e diesel são iguais. Ele se encontra próximo aos 65% de carga, com um consumo aproximado de 13 kg/h. Podemos observar que o consumo de gás diminui em altas cargas, se mantido o consumo de diesel, no modo bicombustível, com uma tendência linear, até o ponto de carga máxima, onde ocorre um aumento abrupto. A explicação para isso é a máxima taxa de substituição avaliada em 100% de carga; O gerador não aceita altas taxas de substituição, e por isso, interrompe o fornecimento de gás próximo aos 60% de taxa. Sabendo disto, foi possível observar que o consumo de diesel e de gás, no modo Dieselgás, em condições de máxima carga, é quase de aproximadamente 13 kg/h.

69 (19) (20) Figura19 e 20: Consumo específico de combustível no modo diesel puro e Diesel-gás, com máxima taxa de substituição; e o consumo de combustível diesel e gás natural, no modo diesel puro e Diesel-gás, com máxima taxa de substituição para diferentes frações da Carga Prime

70 Figura 21: Consumo Específico de Combustível para diferentes porcentagens da Carga Prime em função da Taxa de Substituição. É possível observar que na Figura 21, os consumos específicos de combustível, em todas as cargas avaliadas, estão em função das taxas de substituição. Para uma carga de 10%, o consumo específico é maior próximo aos 15%, com máxima substituição, se comparado ao modo diesel normal. Este consumo, em seu conjunto, é uma adição dos consumos de diesel junto ao de gás utilizados. Logo, o valor é muito alto em 35% e 60% de carga, já que o gás injetado em cargas baixas, simplesmente não queima em sua maior parte. Tem-se uma tendência similar ás de cargas baixas, porém, sendo maior o consumo de combustível à medida que aumentamos a substituição, próximos aos 9% e 5% respectivamente, em cargas de 73%, 90% e 100%. No entanto, temos uma queda de consumo, comparando-se ao modo diesel puro, de 16% em carga elevadas. Isto pode significar uma melhoria em relação ao consumo de combustível, pois este será favorecido pelas altas temperaturas, que originam uma boa queima na câmara de combustão.

71 Figura 22: Consumo de diesel sem restrição, e com as máximas restrições de ar em função da Fração de Carga Prime. Na Figura 22 tem-se o consumo de diesel puro em função da fração de carga prime, aplicando-se o método de restrição de ar. Para um melhor entendimento do método de restrição, quando comentado sobre porcentagem de restrição, está de referindo a um conceito meramente geométrico, onde 0% de restrição indica que a válvula está completamente aberta, e 100%, a válvula está completamente fechada. Na operação de restrição, nota-se a necessidade de mais combustível diesel para se atingir a exigência do motor. Com a restrição do ar, o sistema do governador detecta um possível afogamento do motor, e então, injeta uma maior quantidade de combustível, enriquecendo a mistura. Com isso, podemos perceber um aumento de consumo de diesel quando operado com restrição. É possível compreender que em baixas cargas, o aumento de diesel, para uma máxima restrição de ar, é quase imperceptível. Já em cargas parciais e cargas elevadas, observa-se um aumento de 9% do consumo, com 63% de carga, sendo

72 este valor, o mais perceptível. Além dos 4% e 2% de aumento, com 73% e 90% de carga, nota-se que com 100% de carga, há um aumento de 2%, com restrição máxima de 50% e um consumo de 32,6 kg/h. Na Figura 23, é apresentado um rendimento térmico com variações de carga e restrição de ar, em função da taxa de substituição. Em cargas de 16% e 35%, o rendimento térmico, quando aumentada a taxa de substituição, se mantém quase constante, à medida que restringimos o ar. Em 60% de carga temos um rendimento térmico quase estável. Conforme aumenta a taxa de substituição, aumenta-se a restrição de ar. Em cargas elevadas, como 73%, 90% e 100%, pode-se observar um incremento no rendimento térmico, mesmo aumentando a taxa de substituição e restringindo o ar. O aumento de 4%, 5% e 6% de rendimento, ocorre com máxima taxa de substituição, para uma operação sem restrição de ar. Operando com restrição de ar, tem-se um aumento de 3%, 4% e 5% nos pontos máximos, que não significa, necessariamente, máxima restrição. Este fenômeno torna-se possível de acontecer, a partir do momento em que ocorre um aumento da temperatura dos gases de escape, que influencia na queima mais completa do combustível, gerando um aumento do rendimento térmico. Na Figura 24 estão representadas as variações da eficiência volumétrica para cargas e restrições de ar variáveis, em função da taxa de substituição. Obtemos como resultado, uma eficiência volumétrica quase estável, com pequenas variações. É correto afirmar que, com a restrição de ar ocorrida na operação, a eficiência volumétrica diminui, explicando, portanto, o motivo pelo qual ocorre uma queda de 2% na eficiência, com 100% de carga. A taxa de substituição também causa um efeito de redução na eficiência volumétrica, como ocorrido nas cargas de 73%, 90% e 100%, onde a eficiência diminuiu em 1,5%. Na Figura 25 é possível analisar as temperaturas de escape em função da taxa de substituição, para 60% e 100% de carga. Essas cargas são bastante representativas em relação as outras, pois conforme aumenta a restrição de ar, elas apresentam um aumento de temperatura; de um modo contrario a medida que aumentamos a taxa de substituição, a temperatura de escape tende a diminuir. Isso pode ser explicado a partir do aumento da vazão de gás natural, que tem um efeito

73 de resfriamento na parede da câmara de combustão, por conta do calor sensível desenvolvido pela mistura ar gás natural.

74 Figura 23: Rendimento Térmico com variações de carga e restrição de ar em função da Taxa de Substituição

75 Figura 23: Eficiência Volumétrica com variações de carga e restrição de ar em função da Taxa de Substituição

76 Figura 25: Temperatura de Escape em 60% e 100% de carga, com restrição de ar em função da Taxa de Substituição Com 60% de carga, como mostra a Figura 25, à medida que a taxa de substituição vai aumentando, observamos uma queda de 2% da temperatura de espace, em comparação ao modo diesel puro. Ao mesmo tempo, temos um aumento de 8% da temperatura, para um regime de 60% de restrição, comparado ao sem restrição. Em 100%, temos uma queda de 8% da temperatura, com máxima taxa de substituição, e um aumento de 5% com máxima restrição de ar. Na Figura 26 estão representadas todas as temperaturas de escape, com variações de carga e restrição de ar, em função da taxa de substituição. Com 16% e 35% de carga, a temperatura aumenta conforme aumentamos a restrição de ar. Isso acontece porque os radicais HC do gás natural se queimam com maior facilidade, promovendo uma melhor queima, ou seja, uma melhor combustão. Com 16% de carga, obtivemos um aumento de 4% na temperatura de escapamento. E com 35%, um aumento de 8% da temperatura.

77 Figura 26: Temperatura de Escape com variações de carga e restrição de ar em função da Taxa de Substituição

78 Figura 27: Emissões Específicas de Dióxido de Nitrogênio com variações de carga e restrição de ar em função da Taxa de Substituição

79 Figura 27: Estão representadas as emissões específicas de NO 2, com variações de carga e restrição de ar, em função da taxa de substituição. Neste capítulo não mostramos a formação de NO, devido a problemas durante o ensaio com a célula do Testo de medição do NO em 16% de carga. Portanto, apenas as medidas de NO 2 foram consideradas como fator de grandeza nas emissões de óxidos de nitrogênio. Na figura, apresentamos uma queda nas emissões de NO 2 com 16%, 35% e 60% de carga, e somente a partir de 73% é observada uma tendência de aumento das emissões. Isso ocorre a partir do aumento das emissões de óxidos de nitrogênio, que estão direitamente ligadas ao aumento da temperatura dos gases de escape. Desta maneira, explica-se a queda das emissões em baixas cargas, e um aumento em altas cargas. O mesmo ocorre com a temperatura dos gases de escape. Figura 28: São analisadas as emissões específicas de monóxido de carbono (CO) para 61% e 100% de carga, com restrições de ar, em função da variação de taxa de substituição. Nosso caso mais representativo está em 60% de carga, pois quando não ocorre a restrição de ar, é observado um aumento de 80% das emissões, com máxima taxa de substituição. Comparando com o modo diesel normal, onde a queda de emissão ocorre quando há um aumento da razão de equivalência, originando uma melhor combustão, é observado também uma maior quantidade de combustível queimado. Figura 28: Emissões Específicas de Monóxido de Carbono de 60% e 100% de carga com restrição de ar, em função da Taxa de Substituição

80 Figura 29: Emissões Específicas de Monóxido de Carbono com variações de carga e restrição de ar, em função da Taxa de Substituição

81 Figura 29: São apresentadas as emissões de CO em todas as cargas, com variações de restrição de ar em função da taxa de substituição, onde em 16%, e 35% ocorreu um aumento nas emissões, com a taxa de substituição. Já com a restrição do ar, acorre uma diminuição nas emissões. Em 73% e 90% de carga, se tem a mesma tendência, porém a diminuição mais notável, com 20% de emissões esteve com 73% de carga, com 60% de substituição. Figura 30: Emissões Específicas de Hidrocarbonetos não queimados com 60% e 100% de carga, e com restrição de ar em função da Taxa de Substituição Figura 30: São apresentadas as emissões específicas de HC com diferentes restrições de ar, e com variações nas taxas de substituição para 60% e 100% de carga; Sendo elas as mais representativas, onde obtivemos uma queda de 50% de emissões, com a máxima restrição de ar. Para uma carga de 60%, e, considerando as emissões de HC muito elevadas, à proporção que aumentamos a taxa de substituição, se consegue diminuir, de maneira favorável, as emissões de HC. Mesmo estando com 100% de aplicação de restrição de ar (50%), é possível diminuir em 40% as emissões de HC, com uma taxa de substituição de 40%, além de ter a tendência de diminuir as outras taxas. No modo diesel puro, as emissões de HC são quase zero. Com o aumento da taxa de substituição, mais radicais de HC são agregados à mistura (ar-gás). Com a restrição de ar, foi obtida uma melhora na queima dos radicais HC.

82 Figura 31: Emissões Específicas de Hidrocarbonetos não queimados com variações de carga e restrição de ar, em função da Taxa de Substituição

83 Figura 31: Está representado as Emissões específicas de HC não queimados, para diferentes restrições de ar e taxas de substituição, em todas as cargas. É sabido que as emissões de HC no modo Diesel-Gás são um problema, especialmente em cargas baixas. Em baixas cargas, esse problema é diminuído aplicando-se o método de restrição de ar, sendo avaliado todas as cargas. O resultado foi que, em todas elas existe uma tendência de diminuição de hidrocarbonetos, onde em 35% de carga se estima uma redução de 35%, para uma máxima taxa de substituição. Em 73% de carga, tem-se uma diminuição de 40% das emissões, e com 90% de carga, uma redução de 18% para as máximas taxa de substituição. Figura 32: Emissões Específicas de Monóxido de Carbono queimados, com variação de Equivalência Total, para diferentes restrições de ar. Operação Diesel- Gás com máxima taxa de substituição.

84 Figura 32: São avaliadas as emissões específicas de monóxido de carbono operando com Diesel-Gás, variando a razão de equivalência total com a restrição de ar, e com máxima taxa de substituição. É notável a queda nas emissões de CO à medida que se aumenta a razão de equivalência. O termo AR Mínimo é utilizado para representar a restrição de ar em porcentagem de fluxo de massa (kg/h) (Ar admitido sem restrição / Ar admitido com restrição), onde obtivemos a maior queda de emissões, não sendo sempre esta, a máxima restrição feita. Para uma carga de 10%, foi obtida uma queda de 6% nas emissões, para uma restrição de ar em 98% de massa; Em 35% de carga, a redução máxima foi de 56%, para uma restrição em massa de ar de 87%; Em 60% de carga, a queda de emissões foi de 36%, para uma restrição de 76% de massa de ar; Em 73%, se teve um aumento de 2% para uma redução de 80% de massa de ar, alcançando, nesse ponto, a menor taxa de emissões específicas de CO, para todo o desempenho do grupo gerador. Tem-se um aumento das emissões em cargas altas, quando a restrição de ar não foi significativa. Porém, se é observado as medidas das emissões de CO no modo Diesel puro, sabendo que as concentrações são pequenas, comparativamente ao modo Diesel-Gás, funcionando com máxima taxa de substituição, é provável que atinja uma relação de equivalência de 0.72. Quando alcançada esta relação, as emissões ficam muito próximas, quase iguais, a uma operação Diesel- Gás com 73% de carga. É demonstrada a queda de emissões de CO de forma geral. Usando o método de restrição de ar, há uma melhora na combustão e na oxidação do combustível subministrado, quando se aumenta a razão de equivalência total. Na Figura 33: São analisadas as emissões específicas de hidrocarbonetos não queimados, variando a razão de equivalência total, com restrições de ar, e operando com Diesel-Gás na máxima taxa de substituição. É observada uma queda geral das emissões de HC, à medida que se mantém a restrição de ar e aumenta-se a relação de equivalência, resulta em uma mescla mais rica. Nesta mistura, o termo de AR Mínimo fica relacionado àquela restrição de ar, em porcentagem de massa (Ar admitido sem restrição / Ar admitido com restrição), onde é obtida uma maior queda de emissões, não sendo esta porcentagem sempre a máxima restrição feita. Para uma carga de 10%, é obtida uma queda de 23% nas emissões, para uma restrição de 97% de massa em ar. Com 35% de carga, o resultado foi uma queda de 47% nas emissões, para uma restrição de 87% de ar

85 em massa. Em 60% de carga, foi adquirida uma queda de 80% de emissões, para uma restrição de 76% de ar em massa. Em 73% de carga, o resultado foi de uma queda de 60% de emissões, para uma restrição de 71% de ar em massa. Para 90% de carga, tem-se uma queda de 60% de emissões, para uma restrição de 70% de ar em massa; e para 100% de carga a queda foi de 50% de emissões, para com 82% em massa de restrição de ar. Nota-se que foi obtido um grande ganho em relação a emissões. Com o uso do método de restrição de ar, para a diminuição de hidrocarbonetos não queimados, aumentou-se a queda de emissões de CO em porcentagem. Além disso, o modo diesel puro não foi avaliado, pois as emissões de hidrocarbonetos são próximas à zero. Operando no modo diesel, quase não se têm presença de radicais HC.

86 Figura 33: Emissões Específicas de Hidrocarbonetos não queimados, com variação de Equivalência Total, para diferentes restrições de ar. Operação Diesel- Gás com máxima taxa de substituição.