Métodos Cito-Histoquímicos

Documentos relacionados
Métodos Cito-Histoquímicos

Métodos Cito-Histoquímicos

Métodos Cito-Histoquímicos

Contrastar e diferenciar Naturalmente incolor Maioria solúvel em água ou álcool

Métodos Cito-Histoquímicos

Métodos de estudos COLORAÇÃO

- A energia é armazenada em suas ligações químicas e liberadas na digestão

Introdução à Histologia e Técnicas Histológicas. Prof. Cristiane Oliveira

20/8/2012. Raduan. Raduan

Técnico de Laboratório Biomedicina. Laboratório Anatomia Patológica

Técnicas histológicas

Tema B TECIDO CONJUNTIVO

TECIDO CONJUNTIVO TECIDO CONJUNTIVO TECIDO CONJUNTIVO 25/10/2016. Origem: mesoderma Constituição: Funções:

Carbohidratos. e alguns contêm azoto, fósforo ou enxofre. Estão divididos em 3 classes; Monossacáridos, Oligossacáridos e Polissacáridos.

Métodos Cito-Histoquímicos

COLORAÇÕES HISTOPATOLÓGICAS ESPECIAIS

CENTRO INFANTIL BOLDRINI DEPARTAMENTO DE ANATOMIA PATOLÓGICA APARECIDO PAULO DE MORAES

HISTOLOGIA. Introdução ao Estudo dos Tecidos

PS 31 PROFISSIONAL ASSISTENCIAL III (Profissional de Histologia) Pág. 1

TECIDO CONJUNTIVO São responsáveis pelo estabelecimento e

Determinação de parâmetros bioquímicos algumas considerações

Citopatologia I Aula 5

Tecido conjuntivo de preenchimento. Pele

Tecido conjuntivo e tecido osseo

AULA PRÁTICA 05. Tecidos Conectivos - Matriz e Classificação LÂMINA Nº 90 - DIFERENTES CORTES DE PELE - ORCEÍNA

Estrutura e Função dos Carboidratos. Ana Paula Jacobus

Aulas Multimídias Santa Cecília Profª Edna Cordeiro Disciplina: Biologia Série: 1º ano EM

Introdução a Histologia. Profa. Dra. Constance Oliver Profa. Dra. Maria Célia Jamur

Metabolismo dos Glicídios

TECIDO CONJUNTIVO. O tecido conjuntivo apresenta: células, fibras e sua substância fundamental amorfa.

Tecido conjuntivo. Capítulos 5, 6, 7, 8 e 12 Histologia Básica Junqueira e Carneiro

Os tecidos. Tecidos biológicos. Aula 1 e 2. Tecido epitelial Tecido conjuntivo. 1º bimestre. Professora calina

Bioquímica Prof. Thiago

LISTA DE LAMINÁRIO HISTOLÓGICO

Resumo Teórico: Histologia O Estudo dos Tecidos Vivos

NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO DO SER HUMANO. CIÊNCIAS Prof. Simone Camelo

Cromoscopia com corantes - maio 2016 Por Felipe Paludo Salles - Endoscopia Terapêutica -

Conjunto de células semelhantes e interdependentes. Condição básica da multicelularidade. Vantagens: aumento do tamanho, divisão de trabalho

HISTOLOGIA E SEUS MÉTODOS DE ESTUDO

03/02/2018 MÉTODOS DE ESTUDO: CÉLULAS E TECIDOS

Aulas Multimídias Santa Cecília. Profª Ana Gardênia

Aulas Multimídias Santa Cecília Profª Edna Cordeiro Disciplina: Biologia Série: 1º ano EM

AÇÚCARES OU CARBOIDRATOS

TECIDO CARTILAGINOSO JUNQUEIRA, L.C.U. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.

BIOLOGIA. Moléculas, células e tecidos. Estudo dos tecidos Parte 2. Professor: Alex Santos

Histologia 19/11/2018. Tecido epitelial. Histologia

Monossacarídeos. açúcares simples. Monossacarídeos. Carboidratos formados por C, H, O

É uma maneira de ampliar o estudo histopatológico. São utilizados métodos especiais de coloração para ressaltar parasitas como fungos, bactérias, ou

8ª aula teórica Proteínas estruturais: colagénio, queratina e elastina. Bibliografia

HISTOLOGIA DO TECIDO EPITELIAL

Profa. Dra. Thâmara Alves

Tecidos Epiteliais e Conjuntivos

Citologia e Histologia Animal I Tecido Cartilaginoso. Docente: Sheila C. Ribeiro Abril 2016

PROCESSOS PATOLÓGICOS GERAIS. Prof. Archangelo P. Fernandes

Citoplasma. ocorrem as reações químicas. 1. Contém uma substância gelatinosa onde. 2. Local onde estão submersas as organelas.

Cap. 8: A arquitetura corporal dos animais. Equipe de Biologia

Disciplina Biologia Celular

01- O modelo tridimensional a seguir é uma representação esquemática de uma célula eucariota observada ao microscópio eletrônico.

Processo pelo qual os fármacos abandonam, de forma reversível, a circulação sistêmica e se distribuem para os Líquidos Intersticial e Intracelular.

CÂNCER. Prof. Ernani Castilho

UNIPAMPA Disciplina de Histologia, citologia e embriologia Curso de Nutrição TECIDO EPITELIAL. Prof.: Cristiano Ricardo Jesse

Tecido Epitelial e Conjuntivo

Reparo Tecidual: Regeneração e Cicatrização. Processos Patológicos Gerais Profa. Adriana Azevedo Prof. Archangelo P. Fernandes

Variedades de Tecido Conjuntivo

Água, Sais e Carboidratos

Tecido: comunidade organizada de células. estabelecimento de interações

1. Elementos dos tecidos conjuntivo propriamente dito. Observação de mastócitos e de fibras elásticas

Introdução à Histologia Humana

HISTOLOGIA ESTUDO DOS TECIDOS

Reparação. Regeneração Tecidual 30/06/2010. Controlada por fatores bioquímicos Liberada em resposta a lesão celular, necrose ou trauma mecânico

Órgãos Associados ao Trato Digestório Disciplina Citologia e Histologia II. Docente: Sheila C. Ribeiro Outubro/2016

TECIDO CARTILAGINOSO. - Células - Matriz Extracelular. Flexibilidade e Resistência

Fisiologia: Digestão, Respiração, Circulação, Excreção, Coordenação e Reprodução

De acordo com a forma como estas glândulas liberam suas secreções para o corpo, podem ser classificadas em dois grandes grupos:

Métodos Cito-Histoquímicos

LISTA DE ATIVIDADES :TAREFÃO DE CIÊNCIAS ALUNO(a): TURMA: Valor: 0-2 pontos. PROFESSOR(a): CHRISTIANE FRÓES

Adaptações Celulares. Processos Patológicos Gerais Profa. Adriana Azevedo Prof. Archangelo P. Fernandes Enf./2 o sem

TECIDO CONJUNTIVO. Prof. Cristiane Oliveira

Escola Monteiro Lobato Disciplina: Ciências Professora: Sharlene Regina Turma: 8º ano 1º bimestre 2017

BIOLOGIA. Moléculas, Células e Tecidos Estudo dos tecidos Parte II. Prof. Daniele Duó

Tecnologia de Carnes e Derivados

Introdução ao estudo da Anatomia Humana: Sistema Esquelético

Lesões tumoriformes/tumores do tecido conjuntivo

INTEGRAÇÃO DE CÉLULAS EM TECIDOS

Bioquímica: Componentes orgânicos e inorgânicos necessários à vida. Leandro Pereira Canuto

importantíssimo para o funcionamento do corpo humano Origem MESODÉRMICA Presença de miofibrilas contidas no citoplasma

SISTEMA DIGESTIVO. Vera Campos. Disciplina: Anatomia e Fisiologia. Programa Nacional de Formação em Radioterapia

TECIDO EPITELIAL. Prof. Cristiane Oliveira

Tecidos estrutura geral

Tecidos do Corpo Humano

O texto acima é o início de um enunciado de questão em uma avaliação, que apresentava quatro propostas a serem solucionadas pelo aluno.

Histologia histologia é a ciência que estuda os tecidos do corpo humano. Os tecidos são formados por grupos de células de forma e função semelhantes.

Histologia. Professora Deborah

Introdução à Histologia

Bioquímica. Sabadão CSP especial Prof. Felipe Fernandes Prof. João Leite

Histologia Animal. 1º ano 2016 Profa. Rose Lopes

Sangue e Sistema Linfoide

Carboidratos FUNDAÇÃO CARMELITANA MÁRIO PALMÉRIO FACIHUS - FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

Histologia. Leonardo Rodrigues EEEFM GRAÇA ARANHA

Transcrição:

Ciências Biomédicas Laboratoriais Métodos Cito-Histoquímicos Aula 4 2016/17 João Furtado jffurtado@ualg.pt Gab. 2.06 na ESSUAlg

Sumário Hidratos Carbono Introdução Simples e Glicoconjugados Evidenciação de Glicoconjugados PAS Azul de Alcian Azul de Alcian/PAS

Hidratos carbono Colorações histoquímicas (especiais)

Todas as células teciduais estão inclusas numa matriz aquosa visco-elástica, ricas em hidratos carbono Hidratos carbono desempenham o papel de reservas energéticas Envolvido no metabolismo celular, adesão celular, atividade enzimática, regulação da proliferação Fornecem informação que ajudam o patologista a caracterizar patologias (neoplasia, inflamação, desordens autoimunes e doenças infeciosas) Maiores componentes hidratos carbono: glicogénio e mucinas

Hidratos Carbono Hidratos Carbono simples Glicoconjugados Monossacáridos (glucose) Oligossacáridos (sucrose) Polissacáridos (glicogénio) Glicoconjugado Tecido Conjuntivo Mucinas Outras glicoproteínas Glicolípidos

Polissacárido - Glicogénio Localizado: fígado, musculo esquelético, musculo cardíaco, entre outros Função: reserva de hidratos carbono (energia) Condição patológica associada: encontrado em várias malignidades (Sarcoma de Ewing, seminoma) desordens no armazenamento do glicogénio o fígado evidencia acumulações massivas de glicogénio

Glicoconjugado Tecido Conjuntivo - Proteoglicanos Localizado: cartilagem, tendões, ligamentos, vasos sanguíneos, válvulas do coração e pele Função: atraem água para o tecido e atuam como estabilizadores e suporte dos elementos fibrosos do tecido conjuntivo Condição patológica associada: encontrado em vários sarcomas (estroma dos sarcomas e em alguns carcinomas)

Glicoconjugado Mucinas Localização: tecido conjuntivo e epitelial Função: fornece lubrificação e proteção para as células secretadas e tecidos nas imediações Condição patológica associada: deteção de mucinas num tumor ajuda na identificação de malignidade Classificação das mucinas: Ácidas fortemente sulfatadas Ácidas fracamente sulfatadas Neutras

Mucinas Ácidas Reagem a ph baixo com corantes catiónicos e são PAS negativas Pouco ácidas reagem a ph mais elevado com corantes catiónicos e são PAS positivas Mucinas Neutras Não possuem grupos ácidos reativos Origem epitelial: abundante nas células de revestimento gástrico e em várias células epiteliais muco-secretoras do trato digestivo e respiratório PAS positivas

Evidenciação de Glicoconjugados PAS Periodic Acid - Schiff Demonstra hidratos carbono que contêm grupos glicol e carga neutra Ácido periódico oxida as mucinas e glicogénio de modo a gerar aldeídos Aldeídos são identificados por ligação com o reagente de Schiff coloração vermelha magenta nos locais de ligação Passar por água corrente quente com a finalidade de intensificar a tonalidade magenta contrasta-se com hematoxilina Mayer PAS reage com vários fungos (ex: candida albicans, histoplasma capsulatum) Ajuda no diagnóstico diferencial de tumores Exemplo de situação patológica: metaplasia intestinal

Protocolo PAS Periodic Acid - Schiff Desparafinar os cortes e hidratar Oxidação com ácido periódico Lavagem em água destilada Coloração com reagente Schiff Lavagem em água corrente (quente) Contrastar com hematoxilina Desidratação e montagem

Estruturas demostradas através da técnica PAS Glicogénio Mucinas neutras Algumas ácidas (fracas) Mucoproteínas Membranas basais Núcleos PAS positivas

Azul de Alcian Substância básica que se liga aos grupos ácidos dos hidratos carbono A ph 1 cora mucinas fortemente ácidas; a ph 2.5 cora mucinas ácidas, tanto fortes como fracas Vantagens: Coloração intensa mucinas intensamente coradas Especificidade cora especificamente mucinas ácidas Insolubilidade da coloração não afetada por ação de ácido ou álcool Resultados permanentes a passagem do tempo não afeta a intensidade da coloração Desvantagem: ácidos nucleicos atraem fortemente este tipo de corantes Exemplo de situação patológica: metaplasia intestinal

Protocolo Azul Alcian Desparafinar os cortes e hidratar Corar com o Azul de Alcian Lavagem água corrente Contrastar com coloração nuclear Fast Red Lavagem em água corrente Desidratação e montagem

Estruturas demostradas através da técnica Azul Alcian Todas as estruturas ricas em mucinas ácidas (azul escuro) Núcleos: rosa magenta Núcleos Azul Alcian positivas

Azul de Alcian / PAS Excelente coloração para fazer a distinção entre mucinas ácidas e neutras Coloração sequencial: 1º Azul de Alcian que vai reagir com as mucinas ácidas 2º PAS que vai reagir com as mucinas neutras Mucinas ácidas tons azuis; Mucinas Neutras tons púrpura

Protocolo Azul Alcian / PAS Desparafinar os cortes e hidratar Corar com o Azul de Alcian Lavagem água corrente e de seguida um pouco agua destilada Oxidação com ácido periódico Lavagem em água corrente Corar com reagente Schiff Lavagem em água corrente Corar com hematoxilina Lavagem em água corrente Desidratação e montagem

Estruturas demostradas através da técnica Azul Alcian / PAS Mucinas ácidas (azul) Mucinas neutras (púrpura)