Religiosidade/Espiritualidade e Prevenção do Suicídio

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Transcrição:

Religiosidade/Espiritualidade e Prevenção do Suicídio Attilio Provedel 24/09/2016 RELIGIÃO Sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos projetados para auxiliar a proximidade do indivíduo com o sagrado e/ou transcendente. Dr. Harold G. Koenig 1

ESPIRITUALIDADE Busca pessoal de respostas sobre o significado da vida e o relacionamento com o sagrado e/ou transcendente. Dr. Harold G. Koenig ESPIRITUALIDADE Espiritualidade é a propensão humana para encontrar um significado para a vida através de conceitos que transcendem o tangível, um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que pode ou não incluir uma participação religiosa formal. Dra. Pamela G. Reed 2

ESPIRITUALIDADE Nada menos que o amor bem pensado à vida. Prof. Robert C. Solomon Questionamento do tradicional Elaboração de processos de identidade religiosa (independência subjetiva). Novos movimentos religiosos. Espaço da santificação. Globalização, literatura, mídia. 3

Muito prescritivos. Muito atrelados a certos ambientes institucionais. Ensinamentos/práticas muito ligados a doutrinas teológicas específicas. Religiosidade Institucional Autoridade Comunidade Dogmas Ritos Ética dos mandamentos Espiritualidade Indivíduo Criatividade Experiência pessoal Grupos de livre escolha Celebrações espontâneas 4

Conforto Bem-estar Segurança Estudo sistemático da relação entre saúde e religiosidade/espiritualidade (R/E). Melhor saúde com R/E: hipertensão, doença cardíaca, doença cerebrovascular, doenças gastrointestinais, disfunção imunológica, câncer, mortalidade, dor, etc. Dimensões do fenômeno R/E (comportamento religioso privado, coping religioso e frequência a serviços religiosos). Maior envolvimento religioso: associado a menor prevalência de transtornos mentais, sobretudo transtornos relacionados a álcool/drogas, depressão e suicídio. 5

POR QUE INCLUIR A ESPIRITUALIDADE Muitos pacientes são religiosos, e crenças religiosas os ajudam a lidar com muitas coisas (redução de estresse). Crenças religiosas influenciam decisões médicas, especialmente quando os pacientes estão seriamente doentes (doação de sangue, vacinação, cuidados prénatais, alteração de estilo de vida, etc.). Atividades e crenças religiosas estão relacionadas a melhor saúde e qualidade de vida. Muitos pacientes gostariam que os médicos comentassem suas necessidades espirituais. O QUE PODE RESULTAR Habilidade do paciente em lidar com os problemas. Confiança na relação profissional de saúde paciente. Adesão ao tratamento. Benefícios ao profissional de saúde. Conseqüências negativas (conflitos de crenças espirituais, família, momento inapropriado). 6

LIMITES E BARREIRAS Falta de conhecimento, treinamento e tempo. Desconforto com o tema. Medo de impor pontos de vista religiosos/espirituais aos pacientes. Conhecimento sobre religião/espiritualidade não seria relevante no tratamento. Não faz parte do meu trabalho. QUANDO A RELIGIÃO É PREJUDICIAL Indução de culpa pelas crenças (abandono e desamparo). Abandono de tratamento. Deus está punindo ou abandonando. O médico impõe sua crença religiosa. 7

Pensamento suicida... Luto... 8

9

Bertolote, J.M. & Fleischmann, A. (2002). A global perspective in the epidemiology of suicide. Suicidologi, 7(2), 6-8. Prováveis mecanismos R/E como fator de proteção Crenças na vida após a morte e em um Deus amoroso. Proporcionar objetivos à vida e auto-estima. Fornecendo modelos de enfrentamento de crises. Dar significado às dificuldades da vida. Rede social de apoio. Desaprovação enfática do suicídio. A comparative analysis of suicide and religiosity. Stack, S. Journal of Social Psychology 119: 285-286, 1983. 10

Facilitadores comunitários Indivíduos na comunidade que têm contato direto com um número elevado de membros da comunidade na sua rotina diária. Podem ser treinados para identificar pessoas em risco de suicídio e para referenciá-los para receberem tratamento ou suporte em serviços especializados. Líderes e congregados espirituais são atores privilegiados não apenas na transmissão de informação como na identificação de pessoas sob risco de se matar. Não se trata de legar a eles ou à fé que professam a responsabilidade por tratamentos ou por alguma solução, mas de construir uma ponte entre esferas sociais que possam colaborar para a promoção de saúde mental e prevenção do suicídio. Suicídio na literatura religiosa: o kardecismo como fonte bibliográfica privilegiada. Bteshe, M. et al. RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, Rio de Janeiro, v.4, n.3, set. 2010. 11

Atuação junto a instituições públicas/privadas Prevenção do suicídio. Espiritualidade e qualidade de vida no trabalho. Espiritualidade nas organizações. Atuação junto a Casas Espíritas 12

Cursos e seminários de extensão universitária Público-alvo: estudantes universitários, voluntários de instituições que oferecem apoio emocional ou prevenção do suicídio, professores, profissionais da área de saúde e interessados no tema. Hipóteses: Crenças contrárias ao suicídio; Geração de estados mentais positivos como sentido e propósito na vida, otimismo, gratidão e generosidade. 13

Maior e melhor estudo já publicado sobre o impacto da religiosidade sobre mortes por suicídio. Cerca de 90 mil enfermeiras americanas por 14 anos. Freqüência a serviços religiosos pelo menos 1 vez por semana: risco 5 vezes menor em relação às que não freqüentavam. Efeito não foi explicado pelo fato da religiosidade poder diminuir depressão, uso de álcool e aumentar suporte social. Continuam as pesquisas sobre os possíveis mecanismos pelos quais a religiosidade diminuiu os casos de suicídio. www.sauesp.org.br faleconosco@sauesp.org.br 14