Coordenação Sabrina Dourado COLEÇÃO DESCOMPLICANDO Processo Penal Ana Cristina Mendonça 1ª edição Recife PE 2016 Descomp Proc Penal - miolo.indb 3 30/08/2016 13:52:29
. DA APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL 1.1. Aplicação da lei processual penal no espaço Conforme prescreve o artigo 1º do CPP, a lei processual penal aplica-se a todas as infrações penais praticadas em território brasileiro, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de Direito Internacional, apresentando os incisos I a V daquele mesmo artigo as exceções à aplicabilidade do CPP. Art. 1º. O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: Ana Cristina Mendonça 17 Descomp Proc Penal - miolo.indb 17 30/08/2016 13:52:29
I os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, 2º, e 100); III os processos da competência da Justiça Militar; IV os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17); V os processos por crimes de imprensa. 1 Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. a) Regra: Locus regit actum No Processo Penal brasileiro vigora, portanto, o princípio da territorialidade, segundo o qual se impõe a aplicação da lex fori ou locus regit actum, aplicando-se a lei processual penal nacional aos processos criminais em curso no território nacional. Na forma do artigo 6º do CP, considera-se praticado em território brasileiro o crime cuja ação ou omissão, ou cujo resultado, no todo ou em parte, ocorreu em território nacional, lembrando que, para fins penais, incluem-se, como extensão do território nacional, as embarcações e aeronaves públicas ou a serviço do governo brasileiro, onde quer que se encontrem, e as embarcações e aeronaves particulares que se acharem em espaço aéreo ou marítimo brasileiro ou em alto-mar ou espaço aéreo correspondente. b) 1ª exceção: Crimes militares e de responsabilidade Configuram-se exceção ao locus regit actum, entretanto, os processos por crimes militares, aos quais se aplica o Código de Processo Penal Militar 2, 1. A Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967) foi, através da arguição de descumprimento de preceito fundamental ADPF nº 130, suspensa pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Aos processos penais militares aplica-se o Código de Processo Penal comum de forma apenas subsidiária. 18 Editora Armador Coleção Descomplicando: Processo Penal Descomp Proc Penal - miolo.indb 18 30/08/2016 13:52:29
e os processos por crimes de responsabilidade 3 do Presidente da República, bem como dos Ministros de Estado e dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, do Procurador-Geral da República e do Advogado-Geral da União c) 2ª exceção: Tratados e convenções internacionais Quanto aos tratados, convenções e regras de direito internacional, atualmente, são os mesmos fonte para interpretação do direito processo penal, desde que compatíveis com as garantias constitucionais brasileiras 4. Portanto, os mesmos não são mais considerados como exceções à aplicação do Processo Penal brasileiro. É certo que algumas exceções encontram-se presentes quanto à aplicação das normas processuais penais internas em nome das regras de direito internacional no caso do Tribunal Penal Internacional, instituído pelo Estatuto de Roma. Contudo, mesmo neste caso, as regras internacionais somente serão aplicáveis quando em conformidade com as garantias previstas em nosso ordenamento constitucional. d) Da inaplicabilidade dos incisos IV e V do art. 1º do CPP O art. 1º do CPP menciona ainda, como exceção, os processos da competência do tribunal especial e os processos por crimes de imprensa (incisos IV e V do art. 1º do CPP). No entanto, tais hipóteses não mais se aplicam a uma porque a Constituição de 1988 não contempla o Tribunal Especial 5 ; a duas porque o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da 3. Os crimes de responsabilidade tem seu processo e julgamento regidos pela Lei 1.079/50 (Lei do Impeachment). 4. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 1480, julgada em 04/09/1997, decidiu: No sistema jurídico brasileiro, os tratados ou convenções internacionais estão hierarquicamente subordinados à autoridade normativa da Constituição da República. Em consequência, nenhum valor jurídico terão os tratados internacionais, que, incorporados ao sistema de direito positivo interno, transgredirem, formal ou materialmente, o texto da Carta Política. 5. O Tribunal Especial tratava-se, em verdade, do Tribunal de Segurança Nacional, extinto pela Constituição de 1946. Atualmente, os crimes contra a segurança nacional estão definidos na Lei nº 7.170/1983, e, apesar do que dispõe o art. 30 desta lei, a competência para o processo e julgamento dos referidos crimes é da Justiça Federal, conforme art. 109, inc. IV, da CRFB/88, a estes se aplicando as normas processuais penais e constitucionais vigentes. Ana Cristina Mendonça 19 Descomp Proc Penal - miolo.indb 19 30/08/2016 13:52:29
arguição de descumprimento de preceito fundamental nº 130, entendeu como não recepcionada a Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa). Assim, salvo nas exceções acima indicadas, ou quando a legislação penal extravagante não dispuser de forma diversa, o Código de Processo Penal aplica-se aos processos criminais que tramitam no país, normalmente decorrentes de crimes aqui também praticados. 1.2. Lei processual penal no tempo Conforme dispõe o art. 2º do CPP, a norma processual penal tem aplicação imediata, sem efeito retroativo e, portanto, sem prejuízo dos atos praticados sob a vigência da norma anterior. Trata-se de disposição genérica, atinente a todos os ramos do Direito Processual e decorrente da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro 6, nos artigos 1º, 2º e 6º. Portanto, o art. 2º do CPP consagra o princípio tempus regit actum. Ou seja, quando do surgimento de uma norma de caráter processual, importa observar se o ato já foi praticado ou não, em nada interessando se referida norma é benéfica ou prejudicial ao acusado. Contudo, devemos estar atentos a eventuais normas de natureza mista, isto é, normas que possuam, simultaneamente, conteúdo de direito processual e de direito material. Neste caso, sua aplicação no tempo restará regida pelas regras de Direito Penal: lei penal não retroage, salvo em benefício do réu (art. 5º, XL 7, da CRFB e art. 2º do CP 8 ). Exemplos no Processo Penal são fartos, já que questões diretamente relacionadas à prisão e liberdade, prescrição, decadência, natureza da ação penal, dentre outras, são de conteúdo de direito material penal, e, conforme estabelece o princípio da irretroatividade da norma penal, a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 6. Antiga Lei de Introdução ao Direito Civil (Decreto-lei 4.657/42). 7. Art. 5º, XL, da CRFB: a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. 8. Art. 2º do CP: Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 20 Editora Armador Coleção Descomplicando: Processo Penal Descomp Proc Penal - miolo.indb 20 30/08/2016 13:52:29
Assim, no caso de normas mistas (ao mesmo tempo de natureza processual e material), prevalece o caráter material, devendo ser aplicada a regra do art. 2º, parágrafo único, do CP: a norma, quando benéfica, retroagirá, aplicando-se mesmo a crimes praticados antes de sua vigência. Mas se a norma for prejudicial, não poderá retroagir, o que impõe a inaplicabilidade da nova norma a fatos pretéritos. Nestes casos, portanto, o que importa é a data em que o fato foi praticado. Observem, a título de exemplo, o art. 366 do CPP, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.271/1996. A norma tem caráter processual ao versar sobre regras de citação e indicar a suspensão do processo, mas também tem natureza penal material, ao determinar, cumulativamente, a suspensão da prescrição. Como a norma penal não retroage em prejuízo do réu, referido dispositivo não se aplica a fatos praticados antes de sua vigência, e, na época, não foi possível sua aplicação aos processos que se encontravam em curso 9. Dúvida surgiu quando, em 2008, a Lei 11.689, que alterou o procedimento do Tribunal do Júri, revogou o recurso do Protesto por Novo Júri. Na ocasião, muitos autores sustentaram que a revogação de um recurso afetaria o direito à ampla defesa, e como o Protesto por Novo Júri era um recurso dependente da pena imposta na condenação 10, a revogação deste direito teria natureza mista. Este entendimento, entretanto, era e é minoritário, prevalecendo a posição de que a revogação de um recurso tem caráter de norma exclusivamente processual. Portanto, aplicando-se de imediato, sem prejuízo dos atos já praticados. Exatamente por tal motivo, aqueles réus processados por crimes praticados antes da vigência da referida lei, mas cujo julgamento se realizou após o recurso já ter sido revogado, não tiveram direito ao mesmo 11. Devemos lembrar ainda que leis especiais prevalecem sobre a geral, e que leis posteriores derrogam as anteriores, uma vez que a lei tem vigência até que outra a revogue, expressa ou tacitamente. A revogação pode ser total, ao que chamamos ab-rogação; ou parcial, chamada de derrogação. 9. Neste sentido: STF, RHC 105730, de 22/04/2014, DJe-086 08-05-2014; STJ, RHC 35.310/ SP, de 14/10/2014. 10. O protesto por novo júri, quando previsto no ordenamento jurídico (antigo art. 607 do CPP, hoje revogado), era cabível quando o réu era condenado, no Tribunal do Júri, por um único crime, a uma pena de 20 anos ou mais. 11. Neste sentido: STF, RHC 115563, de 11/03/2014, DJe-062 27-03-2014. Ana Cristina Mendonça 21 Descomp Proc Penal - miolo.indb 21 30/08/2016 13:52:29
1.3. Imunidades (aplicação da lei processual quanto às pessoas) A princípio, a norma processual é aplicável a todos aqueles que se encontram em território nacional, sejam brasileiros ou não. Contudo, o ordenamento jurídico prevê algumas imunidades processuais. Assim, aos chefes de Estado e aos representantes de governos estrangeiros não se aplica a jurisdição penal brasileira. Trata-se da imunidade diplomática, decorrente da jurisdição enquanto expressão da soberania estatal. Contudo, devemos atentar para outra espécie de imunidade: a imunidade parlamentar. A imunidade parlamentar pode ser material ou absoluta, que alcança os membros do Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores), bem como os Deputados Estaduais e Vereadores, garantindo-lhes a inviolabilidade por suas palavras, opiniões e votos no exercício e limite do mandato parlamentar. A imunidade material, prevista no caput do art. 53 da CRFB/88, é também chamada inviolabilidade ou indenidade parlamentar. É uma imunidade irrenunciável, verdadeira garantia à liberdade dos membros do Poder Legislativo no exercício de suas funções. A imunidade processual, formal ou relativa alcança Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais, não sendo estendida a Vereadores, e decorre do disposto nos parágrafos do mesmo art. 53 da Constituição Federal 12. 12. Dispõe o art. 53 da CRFB: Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. 2º. Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. 3º. Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. 4º. O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. 5º. A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. 22 Editora Armador Coleção Descomplicando: Processo Penal Descomp Proc Penal - miolo.indb 22 30/08/2016 13:52:29
No âmbito das imunidades processuais, destaque para a necessidade de comunicação à Casa Legislativa correspondente, que poderá, por maioria de seus membros, sustar o processo criminal em curso ( 3º do art. 53, acima indicado). 1.4. Interpretação da Norma Processual Penal A lei processual penal admite interpretação extensiva e analogia, pois não contém dispositivo versando sobre direito de punir. Entretanto, da mesma forma que em sua aplicação no tempo, devemos atentar para as normas de natureza mista que versem, simultaneamente, sobre direito processual e material penal, já que a norma penal não admite analogia e interpretação extensiva in malam partem. 1.5. Fontes do Direito Processual Penal São fontes do Direito Processual Penal imediatas: a Constituição Federal, o Código de Processo Penal e as leis penais e processuais penais extravagantes. São fontes mediatas: os costumes e princípios gerais do direito. 6º. Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. 8º. As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida. Ana Cristina Mendonça 23 Descomp Proc Penal - miolo.indb 23 30/08/2016 13:52:29
QUESTÕES COMENTADAS: APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL 1. TJ-DFT_Técnico Judiciário Administrativa_CESPE_2015. Acerca da aplicabilidade da lei processual penal no tempo e no espaço e dos princípios que regem o inquérito policial, julgue o item a seguir. Em relação à aplicação da lei processual penal no espaço, vigora o princípio da territorialidade. Gabarito: CERTA Justificativa: O art. 1º do CPP consagra a regra do locus regit actum. Portanto, a lei processual brasileira aplica-se, em regra, a todos os processos criminais em curso no território nacional. 2. SEAP-DF_Agente de Atividades Penitenciárias_FUNIVERSA_2015. No que se refere ao direito processual penal, julgue o item, segundo o entendimento dos tribunais superiores e da doutrina dominante: Em regra, a Lei Processual Penal é aplicada tão logo entra em vigor, afetando, inclusive, atos já realizados sob a vigência de lei anterior Gabarito: ERRADA Justificativa: A lei processual penal aplica-se de imediato, SEM prejuízo dos atos já praticados (art. 2º do CPP). 3. MPE-SP_Promotor de Justiça_2015. Assinale a alternativa correta: a) A lei processual penal que entrar em vigor, alterando as regras de competência, não é aplicável aos processos em curso. 24 Editora Armador Coleção Descomplicando: Processo Penal Descomp Proc Penal - miolo.indb 24 30/08/2016 13:52:29
b) Se o ato processual for complexo e iniciar-se sob a vigência de uma lei de natureza processual penal e, antes de se completar, outra for promulgada, modificando-o, devem ser obedecidas as normas da lei antiga. c) A lei processual penal deverá retroagir se for mais favorável ao acusado. d) Se a lei nova tiver natureza mista, sua aplicação é imediata e irretroativa, posto que prejudicial ao acusado. e) Todas as alternativas estão incorretas. Justificativa: Aplica-se a regra do tempus regit actum. Gabarito: B 4. TJ/DF_ANALISTA-JUDICIARIO-OFICIAL-DE-JUSTICA_CESPE/2013. Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da lei processual, julgue os itens a seguir. As imunidades formais ou processuais estão relacionadas à qualidade do fato perpetrado pelo agente público detentor de imunidades; por essa razão, no caso de crimes comuns praticados por essas autoridades, após a diplomação, a instauração de processo depende de prévia autorização da casa legislativa, havendo possibilidade de suspensão do processo e do prazo prescricional por decisão do Senado Federal e da Câmara Federal ou das casas legislativas estadual e municipal, conforme a autoridade processada. Gabarito: ERRADA Justificativa: As imunidades como um todo estão em verdade relacionadas ao cargo exercido. Membros do Congresso Nacional tem imunidade material e formal. Agora, a distinção entre essas imunidades se dá em razão da qualidade do fato. Se crime contra a honra, os Deputados e Senadores detêm imunidade absoluta ou material, já que são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos (artigo 53, caput, da CF). Em relação aos demais crimes, possuem eles imunidade formal, dispondo o artigo 53, 3º, da CF, que recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência Ana Cristina Mendonça 25 Descomp Proc Penal - miolo.indb 25 30/08/2016 13:52:29
à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação., com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001. 5. TJ/DF_ANALISTA-JUDICIARIO-OFICIAL-DE-JUSTICA_CESPE/2013. Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da lei processual, julgue os itens a seguir. A adoção dos princípios da territorialidade e da imediatidade obsta, em qualquer hipótese, a aplicação da lei processual penal a crimes ocorridos fora do território nacional e a ultratividade da norma processual. Gabarito: ERRADA Justificativa: A princípio, a aplicação da lei processual penal é regida pelo princípio da territorialidade absoluta, aplicando-se a todos os processos em trâmite no território nacional (artigo 1º do CPP). Da mesma forma, a norma processual tem aplicação imediata, aplicando-se desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Contudo, para toda regra há exceções. Isso ocorre em especial nos casos de normas de natureza mista, onde parte da norma tem conteúdo processual, e outra parte tem conteúdo penal. Nestes casos, devemos observar que a norma penal não se aplica a fatos praticados antes da sua vigência, salvo quando em benefício do réu. Daí, muitas vezes, surgir a necessidade de se recorrer à ultratividade da lei, como ocorre, por exemplo, com os crimes praticados antes da vigência da alteração do art. 366 do CPP. Além disso, o princípio da territorialidade do Direito Penal prevê a aplicação excepcional da lei penal a crimes praticados fora do território nacional (artigo 7º do CP), como ocorre, por exemplo, com os crimes praticados por brasileiros no estrangeiro. 26 Editora Armador Coleção Descomplicando: Processo Penal Descomp Proc Penal - miolo.indb 26 30/08/2016 13:52:29