POETA 1 / Cruz e Sousa

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Transcrição:

POETA 1 / Cruz e Sousa 1 TEXTO 1 / O Assinalado Tu és o louco da imortal loucura, O louco da loucura mais suprema, A Terra é sempre a tua negra algema, Prende-te nela a extrema Desventura. Mas essa algema de amargura, Mas essa mesma Desventura extrema Faz que tu alma suplicando gema E rebente de estrelas de ternura. Tu és o Poeta, o grande Assinalado Que povoas o mundo despovoado, De belezas eternas, pouco a pouco. Na natureza prodigiosa e rica Toda a audácia dos nervos justifica Os teus espasmos imortais de louco! 1. A quem se dirige o poeta, se considerarmos a busca pela metalinguagem? 2. Explique, por via das metáforas simbolistas, o significado de Terra e loucura. 3. O que significa povoar o mundo despovoado? 4. O que a 2 a estrofe apresenta de importante para a construção da transcendência artística? 5. Apresente palavras ou expressões que indicam o processo de construção artística previsto pelo Simbolismo. TEXTO II / O Soneto Nas formas voluptuosas o Soneto Tem fascinante, cálida fragrância E as leves, langues curvas de elegância De extravagante e mórbido esqueleto. A graça nobre e grave do quarteto Recebe a original intolerância, Toda a sutil, secreta extravagância Que transborda terceto por terceto. E como singular polichinelo Ondula, ondeia, curioso e belo, O Soneto, nas formas caprichosas. As rimas dão-lhe a púrpura vetusta E na mais rara procissão augusta Surge o Sonho das almas dolorosas... 1. Como o Soneto é representado pelo ponto de vista do poeta? 2. Apresente a positividade do Soneto. 3. Como surge o Sonho dessa forma poética? TEXTO III / Supremo Verbo Vai, Peregrino do caminho santo, Faz da tu alma lâmpada do cego, Iluminando, pego sobre pego, As invisíveis amplidões do Pranto. Ei-lo, do Amor o cálix sacrossanto! Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego... Eis o filho leal, que eu não renego, Que defendo nas dobras do meu manto. Assim o Poeta a Natureza fala! Enquanto ele estremece ao escutá-la, Transfigurado de emoção, sorrindo...

Sorrindo a céus que vão se desvendando, A mundos que se vão multiplicando, A portas de ouro que se vão abrindo! 2 1. Apresente a concepção de Poeta, com suas metáforas. 2. Apresente o significado de Sorrir para o Poeta. 3. Que sentimentos acompanham o processo artístico do Poeta? 4. O que o Poeta descobre? TEXTO IV / Metempsicose Agora, já que apodreceu a argila Do teu corpo divino e sacrossanto; Que embalsamaram de magoado pranto A tua carne, na nudez tranquila, Agora, que nos Céus, talvez, se asila Aquela graça e luminoso encanto De virginal e pálido amaranto Entre a Harmonia que nos Céus desfila. Que da morte o estupor macabro e feio Congelou as magnólias do teu seio, Por entre catalépticas visões... Surge, Bela das Belas, na Beleza Do transcendentalismo da Pureza, Nas brancas, imortais Ressurreições! 1. Explique o processo de transcendência. 2. A quem se dirige o Poeta? 3. O que advém com a morte do corpo? 4. Que concepção de corpo está previsto para o humano? TEXTO V / Acrobata da Dor Gargalha, ri, num riso de tormenta, Como um palhaço, que desengonçado, Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado De uma ironia e de uma dor violenta. Da gargalhada atroz, sanguinolenta, Agita os guizos, e convulsionado Salta, gavroche, salta clown, varado Pelo estertor dessa agonia lenta... Pedem-te bis e um bis não se despreza! Vamos! retesa os músculos, retesa Nessas macabras piruetas d aço... E embora caias sobre o chão, fremente, Afogado em teu sangue estuoso e quente, Ri! Coração, tristíssimo palhaço. 1. Quem é o palhaço? 2. Que tipo de artista é concebido pela última estrofe? 3. O que é a Dor? TEXTO VI / O Grande Momento Inicia-te, enfim, Alma imprevista, Entra no seio dos Iniciados. Esperam-te de luz maravilhados Os Dons que não te consagrar Artista. Toda uma Esfera te deslumbra a vista, Os ativos sentidos requintados. Céus e mais céus transfigurados

Abrem-te as portas da imortal Conquista. 3 Eis o grande Momento prodigioso Para entrares sereno e majestoso Num mundo estranho d esplendor sidéreo. Borboleta de sol, surge da lesma... Oh! vai, entra na posse de ti mesma, Quebra os selos augustos do Mistério! 1. Explique a postura existencial contida na imagem da Borboleta de sol que surge da lesma. 2. Em que consiste o grande momento de que fala o poema? 3. Assinale a afirmativa que não corresponde a primeira estrofe do poema: a) O verbo no imperativo, no primeiro verso, é usado para conclamar a alma imprevista (que pode ser um candidato a artista) a uma ação; b) a alma imprevista (o candidato a artista) terá de se iniciar (isto é, instruir-se na arte simbolista) para poder entrar no seio dos Iniciados (fazer parte do grupo Simbolista); c) Dons de luz maravilhados são atribuídos aos que se iniciam; d) Quando a alma imprevista se instruir na arte simbolista, receberá os Dons de artista. e) O uso do verbo consagrar nos remete à sacralização da arte, que não era característica do Simbolismo. 4. Assinale a afirmativa que não corresponde à segunda e à terceira estrofes do poema. a) Um novo mundo ( Esfera ) deslumbra a vista da alma imprevista, quando ela se inicia na arte simbolista; b) através da iniciação, os sentidos da alma imprevista são apurados, aperfeiçoados, ativados; c) O grande momento prodigioso / Para entrares sereno e majestoso / Num mundo estranho d esplendor sidéreo é aquele em que a alma imprevista já se iniciou. d) esfera que deslumbra a vista, Céus e mais céus transfigurados, mundo estranho d esplendor sidéreo são metáforas que significam o novo mundo que se abre para a alma imprevista, após a iniciação. e) A imortal Conquista não é do novo mundo que se abre, mas, sim, da fama e da glória social. 5. Assinale se são verdadeiras ou falsas as afirmativas abaixo, em relação ao poema: ( ) A lesma corresponde à alma imprevista antes da iniciação; a borboleta corresponde a ela após a iniciação; ( ) Da mesma maneira que a larva das borboletas (que ele chama da lesma) se transforma neste lindo inseto, a alma imprevista se transforma em iniciado. ( ) Tal como a larva que, para transformar-se em borboleta, tem que quebrar o casulo que a envolve, a alma imprevista (o candidato a artista) tem que quebrar os selos augustos do Mistério para entrar no mundo dos iniciados; ( ) O poema não exprime os pressupostos teóricos do movimento simbolista; A seleção vocabular, as rimas, a forma poética (o soneto) aproximam o poema do Parnasianismo. TEXTO VII / Arte Busca palavras límpidas e castas, novas e raras, de clarões radiosos, dentre as ondas mais pródigas, mais vastas dos sentimentos mais maravilhosos. Busca também palavras velhas, busca, limpa-as, dá-lhes o brilho necessário e então verás que cada qual corusca com dobrado fulgor extraordinário. Assim terás o culto pela Forma, culto que prende os belos gregos da Arte e levarás no teu ginete, a norma dessa transformação, por toda a parte. Enche de estranhas vibrações sonoras a tua Estrofe, majestosamente... Põe nela todo o incêndio das auroras para torná-la emocional e ardente. 6. Assinale a afirmativa falsa: a) O texto atribui ao poeta a função de revitalizar as palavras da língua; b) A identificação do culto pela Forma com os ideais estéticos da Antigüidade Clássica (estrofe 3) demonstra a ressonância do Parnasianismo e Simbolismo; c) A poética da emoção e do entusiasmo (estrofe 4) representa uma ruptura do Simbolismo em relação ao Romantismo;

4 d) A ênfase nos valores musicais do verso (estrofe 4) e as reiteradas sinestesias (estrofes 1 e 2) são os procedimentos expressionais mais especificamente simbolista do texto. e) O texto propõe a síntese da poética do sentimento com a poética do trabalho formal.

POETA 2 / Alphonsus de Guimarães 5 TEXTO I / Ismália Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outro lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar... 1. Apresente o objeto de desejo de Ismália. 2. Apresente a integração dos opostos. 3. Apresente referência que dão suporte à loucura de Ismália. 4. Apresente cronologicamente o processo de transcendência de Ismália. TEXTO II / A Catedral Entre brumas, ao longe, surge a aurora. O hialino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece na paz do céu risonho, Toda branca de sol. E o sino canta em lúgubres responsos: O astro glorioso segue a eterna estrada. Uma áurea seta lhe cintila em cada Refulgente raio de luz. A catedral ebúrnea do meu sonho, Onde os meus olhos tão cansados ponho, Recebe a bênção de Jesus. E o sino clama em lúgubres responsos: Por entre lírios e lilases desce A tarde esquiva: amargurada prece Põe-se a lua a rezar. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu tristonho, Toda branca de luar. E o sino chora em lúgubres responsos: O céu é todo trevas: o vento uiva.

Do relâmpago a cabeleira ruiva Vem açoitar o rosto meu. E a catedral ebúrnea do meu sonho Afunda-se no caos do céu medonho Como um astro que já morreu. 6 E o sino geme em lúgubres responsos: 1. Os simbolistas tiveram apreço por todo tipo de correspondência entre as coisas, num sistema de analogias. Em A Catedral, que correspondências existem entre o eu que fala e a catedral? 2. Esse poema sugere que o poeta acompanhou o dia em suas etapas. Identifique-as. 3. Identifique dois objetivos/efeitos de o poeta destacar dessa forma as etapas do dia. 4. Há nesse poema uma progressão envolvendo a idéia de cor e luz. Identifique-a.