Conversores Digital/Analógico (D/A) e Analógico/Digital (A/D)

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Transcrição:

Conversores Digital/Analógico (D/A) e Analógico/Digital (A/D) Conversores A/D e D/A são a base de todo o interfaceamento eletrônico entre o mundo analógico e o mundo digital. Estão presentes na grande maioria dos instrumentos de medida atuais e são os responsáveis pelo aumento significativo nos níveis de precisão e exatidão assim como o barateamento e popularização de instrumentos de medida digitais. 1111... 1111 1111... 1110 1111... 1101 0000... 0010 0000... 0001 Resolução = LSB 0000... 0000 V min V max Características importantes e comuns aos conversores D/A e A/D: 1) Faixa dinâmica: é a faixa de amplitude de operação do sinal analógico (em geral uma tensão) dentro da região de trabalho (linear) do conversor. O sinal de entrada deve ser condicionado de forma a possibilitar sua máxima utilização dentro dessa faixa dinâmica. Os conversores D/A e A/D apresentam na prática uma faixa dinâmica de 0,1 a 10V. 29/11/12 1

2) Resolução: é a menor quantidade que pode ser convertida (resolvida) dentro da faixa dinâmica do sinal de entrada. É especificada pelo número de bits do conversor. São encontrados na prática conversores com resoluções de 8 a 24 bits. Ex.: Resolução de 12 bits significa que o conversor consegue diferenciar sinais com amplitude 1 2 12 do valor total da faixa dinâmica. Para uma faixa dinâmica de 5V, a menor amplitude que pode ser resolvida é: 5 2 12 = 0,00122 1,22 mv. 3) Tempo de conversão: é o tempo necessário para se obter o valor na saída (digital para o A/D; analógico para o D/A) a partir do momento em que o sinal de entrada foi aplicado e iniciado o processo de conversão. Depende da estrutura do circuito utilizado e da sua resolução. De modo geral, quanto maior a resolução, maior o tempo de conversão. Encontram-se, na prática, tempos de conversão variando desde alguns segundos até subnanosegundos. Este tempo é importante para definir a máxima freqüência possível de ser convertida a partir de um sinal de entrada variante no tempo. 4) Erro de linearidade: expressa o desvio do resultado de conversão de uma reta ideal. É especificado em ± uma porcentagem do valor total ou em número de bits. Ex: Um erro de linearidade de ± 0,4% equivale a uma linearidade de ± 1 bit num conversor de 8 bits. Nos conversores comerciais disponíveis atualmente, esse erro é quase sempre inferior à ½ bit, ou seja, pode ser desprezado na maioria das aplicações. Conversores Digital / Analógico (D/A) Convertem uma palavra digital em um sinal analógico sob a forma de uma tensão ou corrente de saída. São formados por elementos passivos, fontes de referência, chaves e AMPOP s. A conversão é, em geral, paralela e o tempo de conversão depende essencialmente da velocidade dos componentes utilizados. 29/11/12 2

a) D/A com resistores ponderados: MSB LSB I i =V ref Tensão de saída em função da palavra digital de entrada: bit n 1 2 0 R bit 0... 2 n 1 R = I o V o = I o R 2 ; V o = V ref R bit n 1 bit 0... 2 2 0 R 2 n 1 R ou: V o = V ref bit (n 1 ) bit (0) +...+ 2 ( 2 0 2 ) = V n 1 ref ( onde: binário) n: número de bits do conversor bit (n 1 ) bit (0) +...+ 2 2 ) = V ref n 2 n [20 (bit0)+...+2 (n 1) bit (n 1)] bit(i) : assume valores 0 ou 1 de acordo com a palavra digital de entrada (dado V ref : tensão de referência do conversor. MSB: bit mais significativo da palavra digital (binário); LSB: bit menos significativo 29/11/12 3

Obs.: se n a associação em paralelo dos resistores do circuito tende a R/2 e V o -V ref, situação ideal em que não ocorreriam erros de conversão. Entretanto, para um n muito grande têm-se resistores com valores muito altos e distintos, o que dificulta a implementação do circuito e gera problemas adicionais ligados à temperatura (diferentes coeficientes de temperatura dos resistores), ruído (térmico, interferências externas), etc. As chaves utilizadas são essencialmente transistores controlados pelo nível de tensão/corrente da palavra digital. A resistência das chaves deve ser desprezível em relação aos resistores utilizados. b) Rede de resistores R-2R: usado como alternativa para reduzir a gama de valores do D/A com resistores ponderados. Tensão de saída em função da palavra digital de entrada: bit n 1 bit 0 V o = V ref... 2 2 n V o = V ref 2 n [20 (bit0)+...+2 (n 1) bit (n 1)] 29/11/12 4

c) Modulador PWM + filtro PB: usado em aplicações de baixo custo e baixa frequência. Tempo de resposta elevado devido ao filtro passa-baixas. Parâmetros importantes: -resolução do modulador (número de bits) -frequência de clock do modulador -frequência de corte do filtro passa-baixas N bits PWM clock Largura do pulso proporcional ao código digital de entrada Valor analógico proporcional à largura do pulso V DC = V ref 2 n [20 (bit0)+...+2 (n 1) bit(n 1)] f PWM = f clk 2 n 100% 50% 50% 25% Cálculo do filtro passa-baixas: ripple menor que 1 LSB f c f PWM OF ) 2 ( n+1 f c : frequência de corte do filtro n: resolução do PWM OF: ordem do filtro Ex.: filtro RC de 1ª ordem OF=1 f c = 1 2 π RC 29/11/12 5

Conversores Analógico/Digital (A/D) Um conversor A/D é um circuito que converte um nível de tensão (ou corrente) em um valor numérico (digital) correspondente. São a base de qualquer instrumento de medição digital. Existem várias topologias de circuitos conversores A/D, cada uma delas com vantagens e desvantagens. Conversor A/D Paralelo ou Flash O processo de conversão A/D é feito de modo paralelo (todos os bits simultaneamente), o que possibilita uma maior velocidade de operação. O sinal de entrada é comparado com n valores intermediários de tensão distribuídos linearmente dentro da faixa dinâmica do conversor (n = 2 nº de bits - 1). Para cada valor intermediário é utilizado um comparador de tensão. A saída dos n comparadores é combinada por um conjunto de portas digitais, fornecendo o resultado de saída em código binário. Os AMPOP s diferenciais possuem alto ganho. Normalmente nbits = 8 256 comparadores. Exemplo) Para V ref = 8V: V 1 = 0,5 V; V 2 = 1,5 V; V 3 = 2,5 V. A tabela a seguir mostra alguns valores digitais de saída para valores diferentes de V i : V i (V) 0 1 2 3 4 5 6 7 D0 (LSB) 0 1 0 1 0 1 0 1 D1 0 0 1 1 0 0 1 1 D2 (MSB) 0 0 0 0 1 1 1 1 29/11/12 6

Características gerais: circuito complexo alto custo; baixa resolução (tipicamente 8 bits); alta velocidade de conversão (MS/s GS/s, sendo S/s equivalente a samples per second ou amostragens por segundo); usado em osciloscópios digitais. Conversor A/D de Rampa Digital É baseado na geração de uma rampa de tensão linear no tempo obtida a partir de um conversor D/A acoplado a um contador digital de n bits. A tensão de entrada V i é comparada com a saída analógica do conversor D/A. Quando ocorre uma igualdade, o contador digital é bloqueado, sendo sua contagem digital proporcional ao valor analógico de Vi. Uma vez que o valor digital foi lido, a contagem é reiniciada no contador ( reset ) e o processo se repete. * 29/11/12 7

Características gerais: circuito simples baixo custo; tempo elevado de conversão; Possui tempo de conversão variável; usado em médias e altas resoluções (8 12 bits); fclock: sinal quadrado de freqüência constante. Conversor A/D de Rampa Dupla É baseado em um circuito integrador de tensão e chaves que selecionam a tensão de integração. A conversão A/D é baseada na comparação de tensões e no tempo de contagem, armazenado em um contador digital. A etapa de conversão inicia com a descarga do capacitor de integração através da chave SW2 (T 0 ). Em seguida a chave SW2 é aberta e a chave SW1 seleciona o sinal de entrada Vi, que é integrado por um tempo fixo (T 1 ), correspondente à máxima contagem do contador digital. Em seguida a chave SW1 seleciona o sinal de referência V ref e a contagem do contador é iniciada. Quando V o =0, o comparador é ativado e finaliza a contagem (T 2 ), cujo valor será proporcional à tensão Vi. A rampa dupla permite eliminar a dependência da conversão com a frequência de clock e com o capacitor de integração. Usado em multímetros digitais; V i deve sempre ter polaridade contrária à de V ref. Contador f clock circuito Saídas digitais 29/11/12 8

Análise gráfica: Saída do integrador: Vin/RC -Vref/RC T 0 : tempo de reset antes de cada ciclo de conversão; 1 T1 : V o = T1 Vi RC T 2 : 1 RC V o = T2 V T 1 : tempo de integração constante = 2nbits f clock ; T 2 : tempo de de-integração variável ref Tempo total de conversão: T = T 0 + T 1 + T 2 Características: fornece um valor digital independente de frequência de clock e da constante de integração RC (para pequenos intervalos de tempo em que a temperatura seja constante) A integração do sinal de entrada reduz o ruído presente no sinal o tempo de conversão é longo (de 100 ms a 1 s) consegue-se altas resoluções com um baixo custo (12 a 22 bits) 29/11/12 9