ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Lei 8.069/90

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Transcrição:

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Lei 8.069/90 Professora Márcia Maria Luviseti EVOLUÇÃO HISTÓRICA Até 1900 Final do Império e início da Republica - Não se tem registro, até o início do século XX, do desenvolvimento de políticas sociais desenhadas pelo Estado brasileiro. As populações economicamente carentes eram entregues aos cuidados da Igreja Católica através de algumas instituições, entre elas as Santas Casas de Misericórdia. 1900 a 1930 A República - Em 1923, foi criado o Juizado de Menores. No ano de 1927, foi promulgado o primeiro documento legal para a população menor de 18 anos: o Código de Menores, que ficou popularmente conhecido como Código Mello Mattos. O Código de Menores era endereçado não a todas as crianças, mas apenas àquelas tidas como estando em "situação irregular". O código definia, já em seu Artigo 1º, a quem a lei se aplicava: "O menor, de um ou outro sexo, abandonado ou delinquente, que tiver menos de 18 anos de idade, será submetido pela autoridade competente ás medidas de assistência e proteção contidas neste Código." O Código de Menores visava estabelecer diretrizes claras para o trato da infância e juventude excluídas, regulamentando questões como trabalho infantil, tutela e pátrio poder, delinqüência e liberdade vigiada. O Código de Menores revestia a figura do juiz de grande poder, sendo que o destino de muitas crianças e adolescentes ficava a mercê do julgamento e da ética do juiz. 1

EVOLUÇÃO HISTÓRICA 1930 a 1945 Estado Novo - Em 1942, período considerado especialmente autoritário do Estado Novo, foi criado o Serviço de Assistência ao Menor - SAM. Tratava-se de um órgão do Ministério da Justiça e que funcionava como um equivalente do sistema Penitenciário para a população menor de idade. Sua orientação era correcional-repressiva. O sistema previa atendimento diferente para o adolescente autor de ato infracional (internatos: reformatórios e casas de correção) e para o menor carente e abandonado (patronatos agrícolas e escolas de aprendizagem de ofícios urbanos). Além do SAM, algumas entidades federais de atenção à criança e ao adolescente ligadas à figura da primeira dama foram criadas. Alguns destes programas visavam o campo do trabalho, sendo todos eles atravessados pela prática assistencilalista. 1945 a 1964 Redemocratização - O SAM passa a ser considerado, perante a opinião pública, repressivo, desumanizante e conhecido como "universidade do crime". O início da década de 60 foi marcado, portanto, por uma sociedade civil mais bem organizada, e um cenário internacional polarizado pela guerra fria, em que parecia ser necessário estar de um ou outro lado. EVOLUÇÃO HISTÓRICA 1964 a 1979 Regime Militar - FUNABEM e Código de 79 - O período dos governos militares foi pautado, para a área da infância, por dois documentos significativos e indicadores da visão vigente: A Lei que criou a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (Lei 4.513 de 1/12/64) O Código de Menores de 79 (Lei 6697 de 10/10/79) A Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor tinha como objetivo formular e implantar a Política Nacional do Bem Estar do Menor, herdando do SAM prédio e pessoal e, com isso, toda a sua cultura organizacional. A FUNABEM propunha-se a ser a grande instituição de assistência à infância, cuja linha de ação tinha na internação, tanto dos abandonados e carentes como dos infratores, seu principal foco. O Código de Menores de 1979 constituiu-se em uma revisão do Código de Menores de 27, não rompendo, no entanto, com sua linha principal de arbitrariedade, assistencialismo e repressão junto à população infanto-juvenil. Esta lei introduziu o conceito de "menor em situação irregular", que reunia o conjunto de meninos e meninas que estavam dentro do que alguns autores denominam infância em "perigo" e infância "perigosa". Esta população era colocada como objeto potencial da administração da Justiça de Menores. É interessante que o termo "autoridade judiciária" aparece no Código de Menores de 1979 e na Lei da Fundação do Bem Estar do Menor, respectivamente, 75 e 81 vezes, conferindo a esta figura poderes ilimitados quanto ao tratamento e destino desta população. 2

EVOLUÇÃO HISTÓRICA A partir de meados da década de 70, começou a surgir, por parte de alguns pesquisadores acadêmicos, interesse em se estudar a população em situação de risco, especificamente a situação da criança de rua e o chamado delinqüente juvenil. A importância destes trabalhos nos dias de hoje é grande pelo ineditismo e pioneirismo do tema. Trazer a problemática da infância e adolescência para dentro dos muros da universidade, em plena ditadura militar, apresentou-se como uma forma de colocar em discussão políticas públicas e direitos humanos. Década de 80 Abertura Política e nova Redemocratização A década de 80 permitiu que a abertura democrática se tornasse uma realidade. Isto se materializou com a promulgação, em 1988, da Constituição Federal, considerada a Constituição Cidadã. Década de 90 Consolidando a Democracia - A promulgação do ECA (Lei 8.069/90) ocorreu em 13 de Julho de 1990, consolidando uma grande conquista da sociedade brasileira: a produção de um documento de direitos humanos que contempla o que há de mais avançado na normativa internacional em respeito aos direitos da população infanto-juvenil. Este novo documento altera significativamente as possibilidades de uma intervenção arbitrária do Estado na vida de crianças e jovens. Como exemplo disto podese citar a restrição que o ECA impõe à medida de internação, aplicando-a como último recurso, restrito aos casos de cometimento de ato infracional. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Alguns direitos constitucionais: a) idade mínima para o trabalho b) direitos previdenciários e trabalhistas c) acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola d) defesa técnica c) pleno conhecimento do ato infracional d) igualdade processual e) todos os filhos tem os mesmos direitos 3

CONSTITUIÇÃO FEDERAL A Constituição Federal alterou o anterior Sistema de Situação de Risco então vigente, reconhecendo a criança e o adolescente como sujeitos de direitos, protegidos atualmente pelo Sistema de Proteção Integral. Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial. A criança e o adolescente cometem atos infracionais e não crime. À criança se aplica medida protetiva (art. 101 do ECA) e ao adolescente se aplica medida sócio educativa (art. 112 do ECA). ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Direitos fundamentais: Art. 7 a 24 e art. 53 a 73 Família natural e colocação em família substituta: Art. 25 a 52 Normas de prevenção: Art. 70 a 85 Políticas de atendimento: Arts. 86 a 97 Medidas de proteção: Art. 98 a 101 Ato infracional: Art. 102 a 128 Medidas aplicáveis aos pais: Art. 129 a 130 Conselho Tutelar: Art. 131 a 140 Procedimentos na Justiça da Infância e Juventude: Art. 141 a 224 Crimes: Art. 225 a 244-A Infrações administrativas: Arts 245 a 258 Disposições gerais: 259 a 263 4

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE O ECA regulamenta direitos tais como filhos nascidos fora do casamento. Regulamenta a adoção e o poder familiar. Regulamenta o acesso a apresentações teatrais, e o acesso à informação, tais como capas de revistas pornográficas etc. Regulamenta em relação ao dever dos pais em manter seus filhos na escola, e quais medidas pertinentes nos casos de omissão, abandono e outros afins. Cria os Conselhos Tutelares, órgão permanente em defesa do cumpremento do ECA. Sua função fundamental é fiscalizar, fazer cumprir o ECA. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Princípios: A) Princípio da busca pelo melhor interesse da criança e do adolescente B) Princípio da proteção integral (formação global do ser humano desenvolvimento físico, intelectual, moral, familiar etc.). Ex: educação não apenas formal, mas também informal. Estes dois princípios vinculam a atividade estatal, do Conselho Tutelar, das escolas e da sociedade. 5

DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL Princípio da prioridade absoluta Princípio da co-responsabilidade Princípio do respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento Art. 4º do ECA- É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL Parágrafo único do art. 4 - A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. 6

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE A ATUAÇÃO ESTATAL OCORRE: A) no caso de risco (Ex: o Estado pode, para proteger a criança e o adolescente de um risco, até retirá-los de sua família; como pode também fomentar através de programas o entrosamento deste com sua família) - art. 98 do ECA (risco = implicação negativa no desenvolvimento não existe um rol taxativo) B) no caso de cometimento de um ato infracional Lei 8.069/90 - ECA Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. 7

Lei 8.069/90 - ECA Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Lei 8.069/90 - ECA Direito à vida e à saúde Art. 8º - Proteção antes do nascimento gestante Art. 10 - obrigações do hospital Art. 11 atendimento pelo SUS Art. 12 - em caso de internação - permanência de um dos pais ou responsável Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. 8

Lei 8.069/90 - ECA Do direito a liberdade, ao respeito e a dignidade Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI - participar da vida política, na forma da lei; VII - buscar refúgio, auxílio e orientação. Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Lei 8.069/90 - ECA Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. 9

Lei 8.069/90 - ECA Características do poder familiar: 1) Irrenunciabilidade pai e mãe não podem renunciar ao poder familiar; 2) Intransmissibilidade o poder familiar é inerente ao pai e a mãe; 3) Imprescritibilidade não acaba pelo uso. Pai e mãe ausentes não perdem o poder familiar. Eles podem perder em virtude de uma sentença judicial. Lei 8.069/90 - ECA Conteúdo do poder familiar: 1) Sustento de acordo com as condições sócio economicas da família. 2) Guarda cuidado, companhia, educação formal e informal; 3) Educação formal e informal Controle do poder familiar: Qualquer pessoa com legítimo interesse (toda sociedade) e o Ministério Público podem pedir que sejam tomadas providências de suspensão, modificação (Código Civil) ou destituição do poder familiar. 10

Lei 8.069/90 - ECA Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio. Art. 24. A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22. Lei 8.069/90 - ECA Da Família Natural Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. Da Família Substituta Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei. 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada. 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência. 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as consequências decorrentes da medida. 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais. 11

Lei 8.069/90 - ECA A guarda, instituto destinado a regularizar posse de fato existente sobre a criança ou adolescente (art. 33, 1º). Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. Instituto que tem como característica o seu caráter precário, uma vez que pode ser revogada e/ou modificado a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado Em suma, deferida a guarda de uma criança ou adolescente, os guardiães prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenharem os compromissos que tal situação exige (ECA, art. 32), e terão um termo de guarda assinado pelo Juiz, podendo ser por prazo indeterminado, embora revogável a qualquer tempo. Lei 8.069/90 - ECA A tutela assemelha-se ao poder familiar. Contudo o tutor é proibido de emancipar o tutelado, nem tem o usufruto de seus bens. A principal diferença, porém, é que, diversamente do poder familiar, a tutela é exercida sob os olhos do judiciário, ou seja, o juízo intervém na tutela, praticando atos de jurisdição voluntária, no que diz respeito à correção do menor; a administração dos bens do tutelado; ao arbitramento da remuneração do tutor; à aprovação dos balanços anuais; ao exame da prestação de contas de dois em dois anos e ao término da tutela. Cabimento: a) morte dos pais b) declaração de ausência dos pais c) perda ou suspensão do poder familiar 12

Lei 8.069/90 - ECA Diversamente da guarda e da tutela, a adoção é definitiva, desligando o menor adotado de qualquer vínculo com os pais e parentes consangüíneos, salvo quando aos impedimentos para o casamento e estabelece relações de parentesco, não só entre o adotante e o adotado, como também entre aquele e os descendentes e todos os parentes do adotante. Com a adoção, surge para o adotado, os mesmos direitos dos filhos naturais, inclusive sucessórios do adotante. Constitui-se o vínculo da adoção por sentença judicial, ainda que o adotado seja maior de idade, e por este motivo, irrevogável, uma vez que esta não se constitui por mero ato de vontade do adotante. Assim a adoção é definitiva, mesmo com a morte do adotante não se restabelece o poder familiar dos pais naturais. Lei 8.069/90 - ECA A adoção pode dar-se com o consentimento dos pais ou dos representantes legais do adotando (art. 45). Exatamente porque detêm o poder familiar é que os pais podem validamente consentir na adoção. Ocorrida a adoção, cessa de imediato o poder familiar dos pais biológicos. Na adoção de maior de 12 (doze) anos e menor de 16 (dezesseis), a adoção fica dependente de declaração de vontade do adotando, não obstante sua incapacidade absoluta (art. 45, 2 ). Art. 46 - Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil. Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando. 13

Lei 8.069/90 - ECA Concluindo, na guarda, ainda permanece o poder familiar dos pais, ficando o guardião responsável pela criança ou adolescente em escolas, hospitais etc. Já na tutela, diante da suspensão ou perda do poder familiar dos pais, de sua morte ou declaração de ausência, o tutor cuida dos bens do tutelado e outros atos da vida deste, exercendo a tutela sob os olhos do judiciário, sem ter poder familiar, mas tendo dever de guarda. A adoção por fim, refere-se ao ato jurídico no qual um indivíduo é permanentemente assumido como filho por uma pessoa ou por um casal que não são os pais biológicos do adotado. Quando isto acontece, as responsabilidades e os direitos (como o poder familiar) dos pais biológicos em relação ao adotado são transferidos integral ou parcialmente para os adotantes. 14