MANUAL DE PROCEDIMENTOS MPR n o 119-001/SSO Assunto: Procedimentos para Análise e Aprovação dos Programas de Treinamento de Empresas de Transporte Aéreo 27/04/2009
MANUAL DE PROCEDIMENTOS MPR n o 119-001/SSO Assunto: Procedimentos para Análise e Aprovação dos Programas de Treinamento de Empresas de Transporte Aéreo APROVAÇÃO Este Manual de Procedimentos da SSO foi elaborado conforme o MPR 001-01, Normas para a Elaboração de Manuais de Procedimentos da SSO. ROBERTO CARLOS FERNANDES Gerente de Avaliação de Aeronaves e Simuladores de Voo Aprovo: DAVID DA COSTA FARIA NETO Gerente Geral de Operações de Transporte Aéreo CARLOS EDUARDO MAGALHÃES DA SILVEIRA PELLEGRINO Superintendente de Segurança Operacional Origem: SSO/GGTA/GAAS 2/33
SUMÁRIO 1. DISPOSIÇÕES INICIAIS...4 1.1. FINALIDADE...4 1.2. REVOGAÇÃO...4 1.3. PÚBLICO-ALVO...4 1.4. FUNDAMENTOS...4 1.5. DEFINIÇÕES...5 2. PROCEDIMENTOS... Erro! Indicador não definido. 2.1. GENERALIDADES...6 2.2. DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE APROVAÇÃO...6 2.3. REGIME DE PORTAIS DO PROCESSO...7 2.4. FASES DO PROCESSO DE APROVAÇÃO...7 2.4.1. Fase 1 Orientação Prévia...7 2.4.2. Fase 2 Solicitação Formal...10 2.4.3. Fase 3 Avaliação de Documentos...13 2.4.4. Fase 4 Acompanhamento...14 2.4.5. Fase 5 Aprovação...15 2.4.6. Revisões dos Currículos de Treinamento...16 3. QUALIFICAÇÃO E APROVAÇÃO DE SIMULADORES DE VÔO...17 3.1. ASPECTOS GERAIS...17 3.2. PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS PELOS INSPETORES DE OPERAÇÕES PARA CONCEDER APROVAÇÃO DE USO DE SIMULADORES EM PrTOp...20 4. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS...22 5 DISPOSIÇÕES FINAIS...22 6 BIBLIOGRAFIA...22 ANEXO 1 EXEMPLO DE DOCUMENTAÇÃO BÁSICA SOBRE QUALIFICAÇÃO DE SIMULADOR DE VÔO PARA A EMISSÃO DE PARECER TÉCNICO PELA GAAS...23 Origem: SSO/GGTA/GAAS 3/33
1. DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 1.1. FINALIDADE Descrever os procedimentos que devem ser seguidos pelos Inspetores de Operações para o conduzirem o processo de análise e aprovação dos Programas de Treinamento Operacional PrTOp, para todas as empresas aéreas que operam segundo os RBHA 121 e RBHA 135. 1.2. REVOGAÇÃO Não aplicável. 1.3. PÚBLICO-ALVO Este Manual aplica-se às Gerências pertencentes à Superintendência de Segurança Operacional, bem como às Unidades Administrativas Delegadas. 1.4. FUNDAMENTOS 1.4.1. Lei n o 11.182, de 27 de setembro de 2005, que criou a Agência Nacional de Aviação Civil ANAC, e outras providências, publicada no D.O.U. n o 187, de 8 de setembro de 2005; 1.4.2. Resolução n o 30, de 21 de maio de 2008, que instituiu o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil RBAC e a Instrução Suplementar IS, e estabeleceu critérios para a sua elaboração e outras providências, publicada no D.O.U. n o 97, de 23 de maio de 2008; 1.4.3. RBHA 91 Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis, aprovado pela Portaria n o 482/DGAC, de 20 de março de 2003, publicada no D.O.U, n o 76, de 22 de abril de 2003; 1.4.4. RBHA 119 Homologação: Operadores Regulares e não Regulares, aprovado pela Portaria n o 88/DGAC, de 15 de janeiro de 2003, publicada no D.O.U. n o 29, de 10 de fevereiro de 2003; 1.4.5. RBHA 121 Requisitos Operacionais: Operações Domésticas, de Bandeira e Suplementares, aprovado pela Portaria n o 483/DGAC, de 20 de março de 2003, publicada no D.O.U. n o 76, de 22 de abril de 2003; 1.4.6. RBHA 135 Requisitos Operacionais: Operações Complementares e por Demanda, aprovado pela Portaria n o 484/DGAC, de 20 de março de 2003, publicada no D.O.U. n o 76, de 22 de abril de 2003; 1.4.7. IAC 118-1001, Processo de Análise e Aprovação dos Programas de Treinamento de Operações RBHA 121 e RBHA 135, aprovada pela Portaria DAC n o 958/STE, de 01 de dezembro de 2003, publicada no D.O.U. n o 246, de 18 de dezembro de 2003; 1.4.8. IAC 119-1001B Homologação e Fiscalização de Empresas de Transporte Aéreo Público, aprovada pela Portaria DAC n o 351/STE, de 16 de março de 2006, publicada no D.O.U. n o 53, de 17 de março de 2006; 1.4.9. IAC 135-1002 Normas para a Elaboração e Análise do Programa de Treinamento de Origem: SSO/GGTA/GAAS 4/33
Operações para Operadores de Transporte Aéreo Regidos pelo RBHA 135, aprovada pela Portaria DAC n o 976/DGAC, de 20 de setembro de 2005, publicada no D.O.U. n o 184, de 23 de setembro de 2005. 1.5. DEFINIÇÕES São válidas para este MPR todas as definições contidas no RBAC 001 e no RBHA 119, a menos que listadas nesta seção com sua nova definição. 1.5.1. Avaliação Preliminar de Documentos: verificação sucinta feita por INSPAC integrante da equipe de certificação visando a observar se a qualidade geral dos manuais, programas e demais documentos que compõem o pacote de Solicitação Formal apresentado é aceitável e se o material está elegível a passar por uma avaliação profunda. 1.5.2. Escritório Emissor de Certificado EsEC: é o setor da ANAC encarregado da condução do processo de certificação de uma empresa de transporte aéreo; na estrutura atual da Agência Nacional de Aviação Civil, o EsEC pode ser a Superintendência de Segurança Operacional ou uma das unidades administrativas delegadas. 1.5.3. Especificações Operativas EO: é o documento previsto na seção 119.7 do RBHA 119, o qual define as várias características sob as quais uma empresa de transporte aéreo foi certificada, tais como: pessoal de administração requerido, aeronaves, localização da Base Principal de Operações e de Manutenção, rotas e aeródromos autorizados, entre várias outras características; as aprovações, autorizações, limitações e desvios constantes das EO permanecerão válidos durante o período de vigência do respectivo CHETA. As versões originais das EO e do CHETA serão emitidas conjuntamente. 1.5.4. Gerente de Projeto: é o Inspetor de Operações designado pelo Escritório Emissor de Certificado (EsEC) para coordenar um processo de certificação de empresa de transporte aéreo, sendo o ponto focal da ANAC, perante a organização requerente, de todas as comunicações referentes a este processo. 1.5.5. Organização Requerente: é a pessoa jurídica que submete à ANAC uma Solicitação Formal para obtenção do CHETA, a fim de conduzir operações de transporte aéreo público; também é referenciado nesta Instrução como organização solicitante do CHETA. 1.5.6. Unidade Administrativa Delegada é uma unidade da ANAC para qual tenham sido delegadas atribuições da Superintendência de Segurança Operacional Origem: SSO/GGTA/GAAS 5/33
2. PROCEDIMENTOS 2.1. GENERALIDADES 2.1.1. A Superintendência de Segurança Operacional SSO elabora os MPR com o objetivo de estabelecer diretrizes para condução uniforme dos processos sob sua competência legal. Em princípio, este MPR se destina aos servidores da ANAC que trabalham num Escritório Emissor de Certificado EsEC. 2.1.2. Qualquer MPR se insere em um contexto regulatório composto por leis, regulamentos e outros atos normativos. O processo que resulta na aprovação deste MPR (ou de sua revisão), visando adicionar, alterar ou cancelar partes dele, é de responsabilidade da SSO, através da Gerência de Padrões e Normas Operacionais GPNO. 2.1.3. Servidores em todos os níveis da ANAC, pessoas da indústria da aviação e quaisquer outras pessoas interessadas estão encorajadas a fornecer sugestões para as revisões deste MPR. Mudanças na indústria da aviação, na legislação nacional ou internacional, nos RBAC/RBHA ou nas políticas da ANAC são motivos para uma revisão. 2.1.4. As sugestões de revisão deverão ser encaminhadas à GPNO, com as respectivas justificativas. Todas as sugestões recebidas serão revistas e analisadas pela GPNO, em coordenação com os setores afetos. O Superintendente de Segurança Operacional é o responsável por aprovar todas as revisões deste MPR. 2.1.5. As orientações deste MPR podem entrar em conflito com as de outros documentos de caráter procedimental ou informativo, tais como outros MPR e IS. Esta situação pode ocorrer de forma involuntária ou pela impossibilidade de se atualizar todas as orientações simultaneamente. Neste caso, a orientação com data mais recente deve ser usada. 2.1.6. Similarmente, algum conflito pode ocorrer com um RBAC/RBHA. Neste caso o RBAC/RBHA tem precedência. Essas situações de conflito devem ser direcionadas aos supervisores imediatos. Os supervisores e gerentes devem entrar em contato com a GPNO para resolver estes conflitos. 2.1.7. Este MPR foi desenvolvido para orientar o trabalho dos INSPAC para conduzirem o processo de cinco fases de aprovação dos PrTOp de uma empresa de transporte aéreo e suas emendas, conforme previsto na IAC 118-1001, de 19 de dezembro de 2003. 2.1.8. O processo poderá ser iniciado pela empresa de transporte aéreo para a aprovação de um novo Currículo de Treinamento, para a revisão de um Currículo de Treinamento já aprovado ou, ainda, quando a Agência Nacional de Aviação Civil ANAC solicitar a revisão de qualquer Currículo de Treinamento. 2.2. DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE APROVAÇÃO 2.2.1. O Processo de Aprovação de PrTOp de Empresa de Transporte Aéreo adotado pela ANAC possui cinco fases (Figura 1), todas descritas neste MPR em detalhes para fornecer uma compreensão geral do mesmo. As cinco fases são: a. Fase 1 Orientação Prévia Origem: SSO/GGTA/GAAS 6/33
b. Fase 2 Solicitação Formal; c. Fase 3 Avaliação de Documentos; d. Fase 4 Acompanhamento; e e. Fase 5 Aprovação. FIGURA 1 PROCESSO DAS CINCO FASES PARA APROVAÇÃO DE PRTOP 2.3. REGIME DE PORTAIS DO PROCESSO 2.3.1. O processo de aprovação adotado pela ANAC impõe um regime de portais, ou seja, somente se pode considerar que uma organização requerente esteja elegível à fase seguinte do processo caso já tenha resolvido todas as pendências e cumprido todos os requisitos determinados para a fase anterior. 2.3.2. Durante a certificação de uma empresa de transporte aéreo, as fases dos processos de certificação (conforme descrito na IAC 119-1001B, de 16 de março de 2006) e de aprovação do programa de treinamento operacional (conforme descrito na IAC 118-1001, de 19 de dezembro de 2003) acontecem concomitantemente. 2.3.3. O processo de aprovação de PrTOp pode ser iniciado por iniciativa da empresa de transporte aéreo ou da ANAC, conforme as seguintes situações: a. pela empresa de transporte aéreo durante seu processo de certificação, para inserir um currículo de treinamento como decorrência da incorporação de um novo modelo de aeronave em sua frota, ou alterar um currículo de treinamento já aprovado; e b. pela ANAC ao informar uma empresa de transporte aéreo que é necessário efetuar revisões em seu PrTOp aprovado, como resultado do desenvolvimento de novos requisitos de segurança operacional internacionalmente aceitos, ou de mudanças nos requisitos regulamentares vigentes, nas técnicas de treinamento, na tecnologia relacionada à aviação, no histórico operacional da aeronave e no desempenho apresentado pela empresa de transporte aéreo na condução de suas operações. 2.4. FASES DO PROCESSO DE APROVAÇÃO 2.4.1. Fase 1 Orientação Prévia 2.4.1.1. O Gerente de Projeto designado para conduzir o processo de certificação da empresa de transporte aéreo será também responsável por conduzir o processo de aprovação de PrTOp. Caso uma empresa já certificada solicite uma revisão de seu PrTOp aprovado, o Inspetor Principal responsável pela empresa será o Gerente de Projeto para conduzir o processo de das cinco fases para a aprovação solicitada. Origem: SSO/GGTA/GAAS 7/33
2.4.1.2. Em qualquer caso, o Gerente de Projeto designado deve ser a única via de comunicação entre a organização requerente e a ANAC. 2.4.1.3. Durante a Reunião Técnica de Homologação RTH, a empresa de transporte aéreo receberá instruções claras sobre a elaboração de todos os seus manuais e poderá tirar as dúvidas quanto ao processo de aprovação do PrTOp, incluindo a aprovação e o emprego de dispositivos de treinamento e de simuladores de vôo, através do Gerente de Projeto. Nesta fase, não será permitida a entrega da proposta de PrTOp. 2.4.1.4. Especial atenção deve ser dada pelo Gerente de Projeto nesta fase quanto às orientações a serem repassadas à empresa aérea, relacionadas à qualificação dos simuladores de vôo. Para tanto, ressalta-se os seguintes aspectos: a. os simuladores de vôo são dispositivos de treinamento que, a exemplo do que ocorre com as aeronaves, vem se desenvolvendo rapidamente e ganhando destaque na capacidade de treinar tripulações de vôo para o exercício de suas funções a bordo das aeronaves comerciais; b. internacionalmente, o assunto começou a ser tratado no final da década de 1960, com a publicação de material de orientação pela Federal Aviation Administration Advisory Circular AC 121-14 Aircraft Simulator Evaluation and Approval, que passou por três atualizações até ser substituída pela AC 120-40, já na década de 1990; c. atualmente, este material, outrora apenas orientador, evoluiu para o FAR 60 Flight Simulation Training Device Initial and Continuing Qualification and Use, com regras e requisitos para o trato dos assuntos relativos à simuladores de vôo; d. no Brasil, segundo previsto no RBHA 61, seção 61.3(m), simulador de vôo é um dispositivo de treinamento que proporciona uma representação exata do posto de comando de um tipo particular de aeronave, até o ponto em que reage analogamente às funções dos comandos, das instalações e dos sistemas mecânicos, elétricos, eletrônicos, etc., de bordo, o meio ambiente normal dos membros da tripulação de vôo e o desempenho e as características de vôo desse tipo de aeronave; e. ainda segundo o RBHA 61, seção 61.5(s), o uso de simuladores e de dispositivos de treinamento de vôo para desempenho de qualquer manobra requerida durante a demonstração de habilidade para a emissão de licença ou habilitação deve ser aprovado pela ANAC, que deve assegurar que o simulador e/ou do dispositivo de treinamento de vôo usado é apropriado para a tarefa [grifo nosso]; f. já o RBHA 121, em sua seção 121.403(a) Programa de Treinamento Currículos, estabelece que cada detentor de certificado deve elaborar e manter atualizados os currículos dos programas de treinamento, por tipo de avião, para despachantes e para cada categoria de tripulante requerido pelo tipo de avião e que tais currículos devem incluir (...) uma listagem de simuladores de avião e outros dispositivos de treinamento aprovados conforme 121.407, incluindo manobras, procedimentos e funções particulares aprovadas para serem executadas nos mesmos [grifo nosso]; Origem: SSO/GGTA/GAAS 8/33
g. a seção 121.407 estabelece que cada simulador de avião ou outro dispositivo de treinamento que seja usado em um curso de treinamento deve ser especificamente aprovado para o detentor de certificado, para o tipo de avião ou, se aplicável, para a particular variante do tipo no qual o treinamento ou exame será conduzido, e para a particular manobra, procedimento ou função de tripulante envolvida [grifo nosso]; h. ainda segundo a mesma seção, por solicitação do detentor de certificado, a ANAC pode autorizar a utilização de simulador ou outro dispositivo de treinamento localizado no exterior, pertencente a um fabricante de avião ou a uma empresa aérea, mediante o reconhecimento prévio, pela ANAC, de sua aprovação para o específico treinamento pelas autoridades de aviação civil do país envolvido; i. a seção 135.347(b) do RBHA 135 estabelece que deverão ser treinadas em simulador todas as manobras e procedimentos para as quais isto for possível. Além disso, a IAC 135-1002, que rege o conteúdo dos programas de treinamento dos operadores aéreos, detalha o requisito e vai além, em seu item 3.3.16: 3.3.16 Os tripulantes técnicos, regidos pelo RBHA 135, que operam aeronaves para as quais existam simuladores de vôo no Brasil ou exterior, devem efetuar os treinamentos de vôo: Inicial, Transição, Periódico, Requalificação, Elevação de Nível e Instrutor de Vôo, em simulador de vôo da aeronave, aprovado e qualificado pela ANAC [grifo nosso]. O Treinamento Periódico deve ser realizado nestas condições, pelo menos, de 2 em 2 anos. Este requisito entra em vigor a partir de 2 de janeiro de 2007, e é recomendável a sua aplicação imediata. j. além disso, a exemplo do que ocorre no RBHA 121, a seção 135.327(a), do RBHA 135 Programa de Treinamento Currículo, estabelece que cada detentor de certificado deve preparar e conservar atualizado um currículo escrito do programa de treinamento para cada tipo de aeronave e para cada espécie de tripulante requerido pelo tipo; k. em complemento, 135.327(b) especifica que tais currículos devem incluir (...) uma lista de todos os dispositivos de treinamento, mockups, treinadores de sistemas, treinadores de procedimentos e outros auxílios de instrução a serem usados no treinamento, incluindo descrições detalhadas ou cartazes pictóricos das manobras, funções e procedimentos normais, anormais e de emergência que serão executados em cada fase de treinamento e de exames em vôo, indicando as manobras, funções e procedimentos a serem desempenhados em avião durante o treinamento e exames de vôo [grifo nosso]; l. Portanto, torna-se necessário esclarecer, à luz dos requisitos de segurança operacional internacionalmente aceitos, o significado dos termos qualificação e aprovação relacionados aos simuladores de vôo e padronizar os procedimentos a serem adotados pelos inspetores de operações encarregados da aprovação dos programas de treinamento dos operadores aéreos brasileiros. Tais conceitos estão apresentados no Capítulo 3, a seguir. 2.4.1.5. Após a RTH, a empresa de transporte aéreo tem plenas condições de iniciar a elaboração de sua proposta de PrTOp. Tal proposta deverá estar anexada à Solicitação Formal de Origem: SSO/GGTA/GAAS 9/33
Abertura de Processo de Homologação no caso de empresas solicitando a emissão de um CHETA, ou constituirá a solicitação de emenda a um PrTOp já aprovado, para o caso de empresas de transporte aéreo já certificadas. 2.4.1.6. Conforme já definido pela IAC 118-1001, é de inteira responsabilidade da empresa de transporte aéreo a elaboração de seu Programa de Treinamento. Ao INSPAC com a função de Gerente de Projeto cabe apenas o acompanhamento do processo de elaboração, restringindo-se à orientação técnica sobre a existência de não conformidades, não sendo recomendável orientação no sentido de indicar ou propor à empresa soluções para suas peculiaridades. Em síntese, está vedado ao INSPAC, toda e qualquer ação ou procedimento, que indique sua participação na elaboração e confecção da proposta de PrTOp. 2.4.1.7. Uma proposta de PrTOp aceitável deve conter, obrigatoriamente, uma clara preocupação com a proficiência do tripulante visando a obter ou renovar suas habilitações técnicas, bem como abordar os aspectos que o qualificam como tripulante da empresa de transporte aéreo. Portanto, deve ser possível definir a parte do currículo que está voltada para o processo de certificação de pessoal e a parte relacionada à qualificação do tripulante, conforme esquema da Figura 2. FIGURA 2 PROPOSTA ACEITÁVEL DE PRTOP DE EMPRESA DE TRANSPORTE AÉREO 2.4.1.8. Assim sendo, é importante observar que o treinamento relacionado à habilitação técnica deve conter, como mínimo, o currículo de treinamento aprovado pela autoridade primária de certificação da respectiva aeronave, proposto pelo próprio fabricante. Este treinamento mínimo do fabricante é aprovado como parte da campanha de certificação das aeronaves, tendo passado por um processo de avaliação operacional. 2.4.1.9. Na prática, esta proposta de treinamento do fabricante da aeronave pode ser desenvolvida pela própria empresa fabricante ou por centros de treinamento contratados. São diversas as situações possíveis e uma análise caso a caso se faz necessária. 2.4.2. Fase 2 Solicitação Formal 2.4.2.1. Durante esta Fase, o inspetor responsável pela análise da proposta de PrTOp apresentada conduz uma avaliação preliminar dos documentos apresentados, com o objetivo de verificar se todos os manuais e documentos requeridos foram entregues e se a organização requerente, ao elaborar tais manuais e documentos, abordou todos os aspectos relevantes dos regulamentos aplicáveis. 2.4.2.2. Especificamente, as propostas de PrTOp devem ser apresentadas por uma Carta de Solicitação de Aprovação Inicial, conforme IAC 118-1001, e devem conter, como mínimo, as seguintes informações: Origem: SSO/GGTA/GAAS 10/33
a. os requisitos abordados no programa, tais como uma descrição detalhada das qualificações mínimas dos tripulantes/despachantes e dos pré-requisitos de entrada para cada currículo exemplos destes pré-requisitos podem ser: tipo de licença, qualificação em aeronaves, programas de treinamento anteriores, horas mínimas de vôo e experiência recente requerida; esta descrição poderá ser útil ao INSPAC para determinar se o nível de detalhamento dos módulos de treinamento e as horas de treinamento propostas estão adequados; b. definição dos objetivos do currículo e de cada segmento de currículo; c. descrição ou exibição pictorial de manobras e procedimentos de situações normais, anormais e de emergência que serão utilizadas em um currículo de treinamento, quando apropriado a empresa aérea poderá optar em apresentar descrições e exibições detalhadas de uma manobra e/ou procedimento de vôo em outros manuais; por exemplo, uma manobra ou procedimento de vôo pode ser descrito no Aircraft Operator Manual, entretanto, estas devem ser adequadamente referenciadas no currículo, como parte integrante de um currículo de treinamento; d. uma descrição de cada módulo de treinamento dentro de cada segmento de currículo; e. cada módulo deve conter detalhes suficientes para garantir que os principais elementos ou eventos sejam abordados durante a instrução; f. horas de treinamento que serão alocadas para cada segmento de currículo e total de horas do Currículo; g. os módulos de verificação de proficiência ou de verificação de aprendizagem usados para determinar o término do curso, incluindo os requisitos de qualificação dos tripulantes ou despachantes para operarem segundo os RBHA 121 e RBHA 135, exames de proficiência e experiência operacional em rota; h. uma lista dos instrutores de solo e de vôo com as respectivas qualificações e currículos esta informação é particularmente importante, caso a empresa aérea manifeste a intenção de utilizar instrutores contratados; o INSPAC deverá determinar se os instrutores propostos satisfazem com o requerido na regulamentação pertinente, ou seja, se eles estão qualificados para ministrar o treinamento; i. relação de cada dispositivo de treinamento, mockup, sistema de treinamento, procedimentos de treinamento, simulador e outros auxílios à instrução, que requeiram aprovação por parte da autoridade de aviação civil o currículo poderá conter referências a outros documentos nos quais os dispositivos, simuladores e auxílios foram aprovados; j. uma descrição detalhada de cada simulador de vôo e dispositivo de treinamento caso a empresa aérea pretenda contratar um simulador ou dispositivo de treinamento específico, esta descrição deve prover informação suficientemente detalhada para que o INSPAC possa determinar se o nível de qualificação do simulador de vôo ou do dispositivo de treinamento a ser utilizado é compatível com o treinamento proposto; Origem: SSO/GGTA/GAAS 11/33
k. cópias das fichas de treinamento, registros, folhas de presença e testes a serem utilizados para o acompanhamento dos treinamentos dos tripulantes/despachantes durante o curso isto garantirá que a empresa de transporte aéreo planejou o cumprimento dos requisitos de registro dos RBHA este tipo de informação deve ser solicitado às empresas solicitantes do CHETA; isto também pode ser solicitado a empresa aérea em qualquer revisão de um PrTOp aprovado; estas fichas e registros devem ser arquivados permitindo, assim, sua rastreabilidade; l. outras informações relevantes que podem incluir exemplos de material didático, aulas ou guias dos instrutores, descrição de outros tipos de materiais didáticos, tais como home study, instruções em computadores (CBT) e cenários de LOFT ( line oriented flight training ); tais informações devem conter detalhes suficientes para uma compreensão de como o treinamento será gerenciado e como a instrução será ministrada; estas informações devem descrever a interação instrutor/aluno e indicar os métodos para aferir o grau de aprendizagem dos tripulantes/despachantes. 2.4.2.3. A primeira preocupação dos inspetores de operações encarregados da aprovação de PrTOp deve estar voltada para o treinamento mínimo aprovado pela autoridade primária de certificação da aeronave para a empresa fabricante, pois ele servirá de base para a análise que será conduzida na fase seguinte do processo. 2.4.2.4. É este treinamento mínimo aprovado para o fabricante que estabelece requisitos como obrigatoriedade de uso do simulador de vôo, quantidade de sessões mínimas para o currículo de vôo, currículo mínimo para o curso teórico da aeronave (ground school), etc. Somente de posse destas informações, o inspetor de operações terá condições de avaliar o programa de treinamento proposto por qualquer operador. 2.4.2.5. Vale ressaltar que este currículo mínimo de treinamento aprovado para o fabricante tem por objetivo dar ao piloto as habilidades necessárias para pilotar a aeronave com segurança. Logo, este será o conteúdo mínimo de treinamento de qualquer operador e que deverá ser acrescido, conforme o caso, de sessões para acomodar a instrução especificamente relacionada à operação a ser conduzida. 2.4.2.6. A obrigatoriedade de apresentar estes currículos mínimos de treinamento aprovados para o fabricante é do operador que está solicitando a aprovação, já que sua proposta deverá estar baseada integralmente nestes currículos. 2.4.2.7. A falta deste currículo de treinamento aprovado para o fabricante pode indicar que a empresa aérea desconhece o treinamento mínimo necessário para habilitar devidamente seu pessoal para um determinado tipo de aeronave. Isso é motivo para a devolução de todo o pacote de solicitação formal ou da proposta de PrTOp apresentada. 2.4.2.8. Por outro lado, a existência deste documento junto ao processo da empresa de transporte aéreo é uma evidência objetiva de que a autoridade de aviação civil tomou as medidas necessárias para se certificar de que a empresa tem pleno conhecimento dos requisitos de treinamento da aeronave que opera ou pretende operar. 2.4.2.9. Caso a proposta de PrTOp esteja com todas as informações pertinentes, o inspetor responsável pela análise deve informar ao Gerente de Projeto sua aceitação e preparar-se Origem: SSO/GGTA/GAAS 12/33
para sua avaliação mais detalhada, a ser conduzida na fase seguinte. 2.4.3. Fase 3 Avaliação de Documentos 2.4.3.1. Nesta fase, o INSPAC deve efetuar uma avaliação detalhada da proposta de PrTOp. Esta avaliação tem por objetivo determinar a aceitabilidade do currículo de treinamento para a emissão da Aprovação Inicial. 2.4.3.2. Os regulamentos em vigor exigem que os PrTOp recebam Aprovação por parte da autoridade de aviação civil e, nestes termos, fazem referência a uma Aprovação Final, que não é o documento a ser emitido ao final da Fase 3. Assim, deve ser claramente estabelecida esta diferenciação. 2.4.3.3. Aprovação Inicial é o documento, emitido pela autoridade de aviação civil, que autoriza a empresa de transporte aéreo a realizar treinamento para qualificar seu pessoal de acordo com um currículo específico ou um segmento de currículo, condicionado uma avaliação da efetividade desse treinamento, que será conduzida durante a Fase 4. O documento de Aprovação Inicial especificará uma data de vencimento para esta aprovação, que sempre terá caráter provisório, e não implicará em crédito para a emissão do CHETA. A emissão do certificado sempre pressupõe uma Aprovação Final. 2.4.3.4. Aprovação Final é o documento emitido pela autoridade de aviação civil, sem uma data de vencimento, que autoriza a empresa aérea a continuar realizando treinamento de acordo com um currículo específico ou um segmento de currículo, desde que não sejam feitas alterações nas Especificações Operativas da empresa ou a introdução de novo currículo de treinamento que demande em modificações no PrTOp. Esta é a aprovação citada nos regulamentos vigentes e sua emissão constitui a Fase 5 do processo de aprovação de PrTOp. 2.4.3.5. A Fase 3 é concluída com a emissão da Aprovação Inicial ou com a rejeição, total ou parcial, do currículo de treinamento proposto. 2.4.3.6. Antes de conceder Aprovação Inicial para um currículo específico ou segmento de currículo, o INSPAC deverá assegurar-se de que as seguintes avaliações foram realizadas: a. exame lado a lado do currículo proposto com os requisitos previstos nos Regulamentos e nas IAC pertinentes esta análise visa a garantir que o treinamento que será ministrado esteja em conformidade com a legislação vigente; b. exame lado a lado do currículo proposto com o treinamento mínimo da aeronave aprovado para o fabricante esta análise visa a garantir que o treinamento que será ministrado esteja em conformidade com os assuntos requeridos e o treinamento das manobras de vôo requeridas, bem como atenda ao mínimo de horas programadas que foi aprovado para cada segmento de currículo na fase de certificação das aeronaves; além disso, esta revisão também assegura que o treinamento está apropriado e será ministrado dentro dos parâmetros mínimos de segurança operacional; c. avaliação de todo material didático desenvolvido pela empresa de transporte aéreo ou daquele que ainda está sendo desenvolvido esta avaliação inclui exemplos de planos das aulas, os programas audiovisuais e documentos aplicados à instrução dos Origem: SSO/GGTA/GAAS 13/33
procedimentos e manobras de vôo e o material didático distribuído aos tripulantes/despachantes; todo material deverá ser consistente com a descrição do currículo e segmento de currículo apresentado. Com isso, o INSPAC poderá determinar se a empresa de transporte aéreo é capaz de desenvolver e produzir material didático necessário e suficiente, para que o treinamento seja adequado e efetivo; 2.4.3.7. A qualidade e a efetividade do treinamento não poderão ser medidas apenas pelo número de horas. Isto somente poderá ser determinado através da observação direta do treinamento e pela observação das avaliações e dos vôos de verificação de proficiência dos tripulantes/despachantes, no instante em que serão realizados (Fase 4). 2.4.3.8. Durante a análise do material didático, o INSPAC deverá observar o tempo que a empresa aérea alocou para cada módulo de treinamento e estes tempos poderão variar conforme a complexidade de cada módulo, sempre respeitando o treinamento mínimo aprovado pelo fabricante da aeronave. 2.4.3.9. Se após completar estas avaliações, o INSPAC determinar que o currículo ou segmento de currículo está satisfatório, consistente e com as horas de treinamento suficientes, será concedida a Aprovação Inicial. 2.4.3.10. Existirão casos em que apenas uma parte do que foi submetido esteja satisfatória. Caso esta parte dependa de uma outra que tenha sido considerada não satisfatória ou que ainda não foi desenvolvida, a Aprovação Inicial ficará suspensa por exemplo: em um currículo de treinamento inicial para comandante, no equipamento F-100, o segmento de currículo de vôo poderá estar satisfatório, contudo, alguns módulos de treinamento do segmento de currículo de solo do mesmo Treinamento Inicial poderão não estar satisfatórios e, neste caso, será impróprio conceder Aprovação Inicial para o segmento de currículo de vôo do Treinamento Inicial até que o segmento de currículo de solo esteja satisfatório. 2.4.3.11. Durante a Fase 3 do processo de aprovação, o INSPAC deverá estabelecer prioridades para evitar que o processo de Aprovação Inicial, seja demasiadamente demorado. 2.4.3.12. Estas prioridades devem assegurar que as pendências possam ser resolvidas de forma que a Aprovação Inicial venha a ser concedida antes da data prevista para a realização do treinamento planejado pela empresa de transporte aéreo. 2.4.3.13. Depois da aceitação do Pacote de Solicitação Formal, os inspetores designados para compor a equipe de certificação devem dar início a uma avaliação profunda de todos os manuais e documentos exigidos pela ANAC e que foram apresentados pela organização solicitante do CHETA. 2.4.4. Fase 4 Acompanhamento 2.4.4.1. A Fase 4 começa quando a empresa de transporte aéreo inicia o treinamento segundo um currículo de treinamento com Aprovação Inicial. Esta fase dará à empresa aérea tempo e flexibilidade suficientes para testar o programa e ajustá-lo durante a análise da autoridade de aviação civil. 2.4.4.2. O INSPAC deve solicitar à empresa de transporte aéreo o cronograma de todos os Origem: SSO/GGTA/GAAS 14/33
treinamentos a serem realizados que já possuam Aprovação Inicial, para que possa acompanhar de perto (presencialmente) os treinamentos inicialmente aprovados, em especial, a primeira sessão de um treinamento com Aprovação Inicial, incluindo currículos de solo ou de vôo, real ou simulado. Na impossibilidade de o INSPAC encarregado acompanhar o treinamento, deverá ser utilizado outro INSPAC qualificado. 2.4.4.3. Um INSPAC não precisa assistir a todas as sessões de treinamento, contudo, um número representativo de sessões deverá ser observado, para garantir a qualidade da análise. INSPAC qualificado no tipo da aeronave devem assistir e analisar o treinamento. 2.4.4.4. Durante o treinamento com Aprovação Inicial, espera-e que a empresa aérea analise e ajuste os métodos de treinamento conforme as necessidades. Alguns ajustes podem ser feitos mudando o material didático ou método instrucional sem que haja necessidade de revisar o currículo de treinamento com Aprovação Inicial. No entanto, se muitas mudanças forem feitas, a empresa de transporte aéreo necessitará requerer nova Aprovação Inicial, antes de colocar as mudanças em prática. 2.4.4.5. Algumas vezes, modificações poderão ser transmitidas ao INSPAC, antes da data de expiração da Aprovação Inicial. Se a modificação for significativa, o INSPAC poderá estabelecer uma data diferente de expiração para o segmento de currículo, ou para as partes revisadas, para que haja tempo adequado para análise. 2.4.4.6. Durante a Fase 4, a empresa de transporte aéreo deve demonstrar habilidade em conduzir o treinamento de seus tripulantes e despachantes. Cada deficiência encontrada num currículo com Aprovação Inicial deverá ser discutida com a empresa. Todas as deficiências que forem discutidas devem ser registradas e mantidas no controle da empresa. 2.4.4.7. Se a empresa de transporte aéreo não proceder à devida correção, o INSPAC deverá enviar, por escrito, uma comunicação informando que a Aprovação Inicial está suspensa. 2.4.4.8. É necessário destacar a importância no trabalho de certificação que tem o acompanhamento, por parte do INSPAC, do treinamento realizado, pois a autoridade de aviação civil deve se assegurar das evidências que garantam a efetividade do treinamento, e que será atestada com a emissão da Aprovação Final. 2.4.4.9. É durante este acompanhamento que o INSPAC poderá se familiarizar com as instalações destinadas ao treinamento, dispositivos de treinamento, simuladores de vôo e recursos de auxílio à instrução que serão empregados como suporte ao treinamento. 2.4.4.10. Ao término do acompanhamento, o INSPAC emitirá um Relatório Técnico que descreverá o treinamento que acompanhou e conterá uma certificação de que os objetivos do treinamento foram alcançados e que sua efetividade foi demonstrada de forma aceitável. Com base neste Relatório Técnico será emitida a Aprovação Final, na Fase 5. 2.4.5. Fase 5 Aprovação 2.4.5.1. Esta fase envolve a concessão da Aprovação Final a um currículo de treinamento de uma empresa de transporte aéreo com Aprovação Inicial e está respaldada nos resultados das avaliações levadas a efeito pelo INSPAC durante os treinamentos acompanhados. Origem: SSO/GGTA/GAAS 15/33
2.4.5.2. O INSPAC deverá sugerir a concessão ou negação da Aprovação Final do currículo de treinamento e esta decisão deverá ser tomada em data anterior à expiração da Aprovação Inicial. 2.4.5.3. Caso seja decidido que a Aprovação Final deverá ser concedida, os seguintes procedimentos deverão ser seguidos: a. a Aprovação Final de um currículo de treinamento deverá ser documentada na lista de páginas efetivas, o que significa que a autoridade de aviação civil concedeu a aprovação em cada página do currículo de treinamento; e b. a empresa de transporte aéreo que obtiver Aprovação Final de um currículo ou segmento de currículo deverá ser informada através de um Ofício sobre a aprovação, a ser emitido pelo EsEC, especificando, claramente, o currículo ou o segmento de currículo que está recebendo a Aprovação Final, bem como, a data de sua efetivação; 2.4.6. Revisões dos Currículos de Treinamento 2.4.6.1. Revisões em currículos de treinamento já aprovados requerem um processo de aprovação completo. No entanto, a Aprovação Final pode ser concedida diretamente a uma proposta de revisão, caso a revisão envolva algum dos fatores abaixo: 2.4.6.2. a. correção de erros administrativos como formatação, digitação ou ortografia; b. reorganização do treinamento, ou qualquer mudança na seqüência do treinamento que não afete a qualidade e quantidade de treinamento; e c. aumento de qualidade ou quantidade de treinamento. 2.4.6.3. Outras revisões que sejam propostas, incluindo a redução do número de horas de treinamento, estarão sujeitas ao processo de aprovação completo, que, embora contemple as cinco fases, poderá ser mais acelerado, na proporção da complexidade e extensão da proposta de revisão. 2.4.6.4. Existem alguns fatores que podem requerer a revisão de um currículo de treinamento: a. mudanças no tipo de operação; b. tamanho e a complexidade da operação; c. tipo de aeronave a ser utilizada; d. qualquer modificação nas Especificações Operativas; e. revisão da MEL; f. qualquer desvio ou exceção autorizada; e g. mudança nos requisitos operacionais ou na regulamentação em vigor. Origem: SSO/GGTA/GAAS 16/33
3. QUALIFICAÇÃO E APROVAÇÃO DE SIMULADORES DE VÔO 3.1. ASPECTOS GERAIS 3.1.1. Qualificar significa dizer qual a qualidade, ou dar uma qualificação. Para simuladores avançados, equivale a dizer de qual aeronave ele é representativo e em que nível, indo-se de A a D este último considerado o dispositivo mais avançado, capaz de realizar todas as manobras e procedimentos da aeronave, bem como os vôos de verificação de perícia. 3.1.2. Qualificação de simuladores é uma atividade balizada em parâmetros diretos (objetivos e subjetivos), que valem para toda uma frota de um mesmo modelo de aeronave. 3.1.3. De acordo com o Art. 63 do Regimento Interno da ANAC, compete à Gerência de Avaliação de Aeronaves e Simuladores de Vôo GAAS avaliar e qualificar os dispositivos de treinamento de vôo, com vistas à sua qualificação e ao controle recorrente dessa qualificação. 3.1.4. Uma dúvida comum entre os inspetores de operações diz respeito à previsão constante do parágrafo 3.3.16, da IAC 135-1002, que estabelece que os simuladores a serem empregados em treinamentos de vôo devem ser qualificados pela ANAC. 3.1.5. É importante esclarecer que a ANAC é considerada autoridade primária de certificação para as atividades de aviação civil realizadas no território brasileiro. Assim, da mesma forma como ocorre com os Centros de Treinamento que devem ser certificados pela Agência, a fim de mostrarem conformidade com os requisitos constantes do RBHA 142 Centros de Treinamento de Aviação Civil, qualquer simulador instalado no Brasil deve ter sua qualificação conduzida obrigatoriamente pela ANAC, através da GAAS. 3.1.6. Essa é uma atividade prevista na Lei n o 11.182, de 27 de setembro de 2005, que criou a ANAC, estabelecendo, inclusive, o recolhimento de Tarifa de Fiscalização de Aviação Civil TFAC, sob o serviço de Avaliação Inicial ou de Elevação de Nível de Simulador de Vôo com vistas a Aprovação para Treinamento e Exames (Brasil), a ser indenizada pelo Centro de Treinamento que vai explorar o simulador. 3.1.7. Caso um Centro de Treinamento localizado no exterior queira ter seu simulador qualificado pela ANAC, além da qualificação obrigatória a ser realizada por sua autoridade primária de certificação, a Agência também realizará essa tarefa através da GAAS. Como ocorre com a qualificação nacional, essa também é uma atividade prevista na Lei n o 11.182, de criação da ANAC, cuja TFAC aparece sob o serviço de Avaliação Inicial de Simulador de Vôo com vistas a Aprovação para Treinamento e Exames (Exterior). 3.1.8. É importante ressaltar que a ANAC tem jurisdição apenas sobre os simuladores localizados em território nacional, para os quais representa a autoridade primária de certificação, podendo estabelecer a obrigatoriedade de qualificação para o respectivo centro de treinamento que o possuir. 3.1.9. Já para os simuladores localizados no exterior, a qualificação da ANAC segue apenas uma rotina demandada pelo centro de treinamento, já que a obrigatoriedade de qualificação recai sobre a autoridade primária do simulador, nunca sobre a ANAC. Origem: SSO/GGTA/GAAS 17/33
3.1.10. Entretanto, poderia ser exigida a qualificação realizada pela ANAC para simuladores no exterior sob a argumentação de que esta qualificação seria condição necessária para que o centro de treinamento no exterior pudesse explorar o serviço de treinamento para tripulantes brasileiros. 3.1.11. Neste caso, a atividade traria a necessidade de recolhimento da respectiva TFAC por parte do centro de treinamento que, por sua vez, poderia demonstrar não ter interesse em fazê-lo, frente ao baixo retorno que obteria com o mercado brasileiro. 3.1.12. Assim é que, mediante acordos internacionais, a exemplo do que já acontece com a certificação de aeronaves, a ANAC pode validar a qualificação emitida por autoridade estrangeira, desde que a documentação relativa à qualificação original seja apresentada. Esta validação é a garantia de que os requisitos da qualificação original atendem à regulamentação brasileira, bem como dá aos inspetores de operações o suporte necessário à aprovação dos programas de treinamento. 3.1.13. Caso a validação venha a ser realizada com emissão do respectivo certificado de validação e relatório associado, após o recolhimento da TFAC, o centro de treinamento terá condições de ministrar treinamento para tripulantes brasileiros oriundos de quaisquer operadores aéreos nacionais, em conformidade com os requisitos de nossa legislação. 3.1.14. Por outro lado, caso não haja recolhimento da TFAC, a validação deve acontecer apenas sob a forma de Parecer Técnico a ser emitido pela GAAS para cada operador que solicitar a aprovação de seu programa de treinamento, após a apresentação da documentação original, emitida pela autoridade primária. 3.1.15. Ressalta-se que este procedimento de emissão de Parecer Técnico da GAAS para que o INSPAC possa aprovar o uso de simulador em treinamento é uma situação excepcional, visando garantir ao operador brasileiro as condições mínimas de segurança operacional durante seu treinamento, mas não poderá se repetir para todos os treinamentos da empresa. 3.1.16. Esta situação de excepcionalidade deve ser comunicada para a empresa, por escrito, a fim de que a mesma possa iniciar, na maior brevidade possível, os arranjos necessários para que o centro de treinamento considerado proceda com a solicitação de validação de seu simulador junto à autoridade brasileira. 3.1.17. Desta forma, qualquer simulador a ser empregado por operadores aéreos brasileiros estará devidamente qualificado para os simuladores localizados em território nacional, a autoridade primária é a ANAC, que realizará a qualificação com emissão do respectivo certificado; para os simuladores localizados no exterior, a qualificação primária a ser emitida pela autoridade responsável será devidamente validada pela ANAC com vistas à aprovação do programa de treinamento. 3.1.18. Outro aspecto a abordar é a aprovação dos simuladores. Aprovar significa dizer que um simulador pode ser usado em um Programa de Treinamento Operacional. Um mesmo currículo de vôo pode ser aprovado com o uso de simuladores de nível A, B, C ou D e também de aeronave. Cada conjunto de manobras pode ser executado e treinado em cada tipo de dispositivo, desde que se siga, por exemplo, o previsto no apêndice H do RBHA 121. Origem: SSO/GGTA/GAAS 18/33
3.1.19. Requisitos específicos relacionados à aprovação de programas de treinamento com uso de simuladores de vôo estão previstos na regulamentação em vigor, em especial, nas seções 121.403 e 135.335, respectivamente, dos RBHA 121 e 135. 3.1.20. Assim, para emitir a aprovação de um programa de treinamento proposto por operador aéreo, o inspetor responsável pela análise deve verificar, inicialmente, se o simulador proposto está devidamente qualificado (ou se tem sua qualificação validada, conforme o caso) para aquela aeronave e se é capaz de executar as manobras necessárias. 3.1.21. Vale ressaltar que os simuladores assim aprovados devem constar do programa de treinamento da empresa. Por exemplo, se um operador aéreo obtém aprovação para uso do simulador X em seu programa de treinamento e, posteriormente, por razões quaisquer, solicita autorização para um treinamento no simulador Y, que não foi analisado para a aprovação original do programa, este treinamento não poderá ser autorizado, até que uma atualização do programa de treinamento seja feita, para a inclusão deste novo simulador. 3.1.22. Para esta tarefa, uma dúvida comum é com relação à obrigatoriedade de uso de simulador de vôo em programas de treinamento. É intuitivo perceber que o treinamento de tripulantes em simulador de vôo eleva os níveis de segurança operacional, pois tem uma completitude maior que o correspondente treinamento em aeronave, permitindo a execução de manobras de elevado risco de operação, bem como a familiarização com situações de simulação impossível em vôo real. 3.1.23. Assim, existe na legislação brasileira a obrigatoriedade de realização de currículos de vôo em simuladores, especificamente para o treinamento de pilotos: o RBHA 135, em sua seção 135.347(b), e o RBHA 121, em sua seção 121.424(b). 3.1.24. Além disso, quando um fabricante de aeronave aprova perante sua autoridade primária de certificação um programa de treinamento mínimo que inclua o uso de simuladores de vôo, todos os operadores daquela aeronave deverão propor programas de treinamento prevendo, obrigatoriamente, a realização de currículo de vôo em simulador. 3.1.25. Nestes casos, não há amparo legal na aprovação de programa de treinamento para operadores aéreos com currículo de vôo a ser cumprido apenas em aeronave, já que a avaliação operacional conduzida lançou crédito do uso do simulador durante a campanha de certificação da aeronave. 3.1.26. Se, por outro lado, o fabricante da aeronave aprovar treinamento mínimo com currículo de vôo a ser cumprido apenas em aeronave, o inspetor poderá aprovar propostas de treinamento de operadores aéreos que não contemplem o uso de simulador. 3.1.27. Como não há uma regra simples capaz de prever todo o rol de situações possíveis dentro dos requisitos de operação constantes nos RBHA 121 e 135, é mandatório que os inspetores observem sempre o programa de treinamento mínimo aprovado pela autoridade primária de certificação para a empresa fabricante da aeronave. Origem: SSO/GGTA/GAAS 19/33
3.2. PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS PELOS INSPETORES DE OPERAÇÕES PARA CONCEDER APROVAÇÃO DE USO DE SIMULADORES EM PRTOP 3.2.1 Depois de receber a proposta de programa de treinamento de um operador aéreo, acompanhada dos currículos mínimos aprovados para o fabricante, o inspetor deverá observar a qualificação dos simuladores a serem empregados. 3.2.2 Para tanto, deverá consultar a GAAS, a fim de obter informações sobre a qualificação dos simuladores localizados em território nacional, ou a validação da qualificação estrangeira, para simuladores no exterior. 3.2.3 Para que o programa de treinamento que inclua simuladores de vôo como dispositivo de treinamento possa ser aprovado, o simulador deverá estar devidamente qualificado (ou com a qualificação estrangeira validada) pela ANAC. 3.2.4 No caso de simuladores no exterior sem qualificação ou validação emitida pela ANAC, o operador aéreo deverá ser orientado a buscar junto ao centro de treinamento com quem mantém o contrato de prestação de serviço de treinamento a respectiva documentação de qualificação emitida pela autoridade primária do simulador. A apresentação desta documentação é condição essencial para o prosseguimento do processo de aprovação do programa de treinamento proposto. 3.2.5 A documentação apresentada deverá ser encaminhada à GAAS para análise e emissão de parecer técnico sobre a condição de qualificação do simulador. A GAAS retornará o resultado da avaliação ao inspetor de operações, que poderá emitir a aprovação do programa de treinamento proposto. A Figura 3 apresenta o fluxograma da metodologia apresentada. 3.2.6 Após a apresentação de toda a documentação emitida pela autoridade primária referente à qualificação do simulador de vôo, a GAAS terá, pelo menos, 10 dias para emitir o Parecer Técnico. Até que isso aconteça, quaisquer treinamentos que sejam conduzidos com o simulador em situação irregular não terão seus créditos reconhecidos. 3.2.7 Esta documentação pode variar de um centro de treinamento para outro, dependendo do procedimento empregado pela autoridade primária de qualificação do simulador. No caso específico da Federal Aviation Administration FAA, por exemplo, esta documentação inclui, ao menos, os seguintes documentos apresentados no Anexo 1: a. Statement of Qualification SOQ, que é o certificado de qualificação emitido; b. Simulator Specification, que traz as informações básicas sobre as condições operacionais do simulador; c. Evaluation Report, que apresenta as discrepâncias encontradas no simulador durante a inspeção conduzida pelo inspetor da autoridade de qualificação; d. Qualification Test Guide, que apresenta as evidências objetivas da avaliação conduzida para a qualificação; e e. Simulator Information Data Sheet, que informa os principais dispositivos instalados no simulador. Origem: SSO/GGTA/GAAS 20/33
FIGURA 3 FLUXOGRAMA DA METODOLOGIA PROPOSTA PARA APROVAÇÃO DE PROGRAMAS DE TREINAMENTO DOS OPERADORES AÉREOS NACIONAIS Origem: SSO/GGTA/GAAS 21/33
4. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS 4.1 As empresas já certificadas e que tenham PrTOp aprovados sem o emprego dos procedimentos descritos neste MPR deverão passar por novo processo de aprovação, conforme prioridade e cronograma a serem estabelecidos pelos EsEC, sob coordenação da Superintendência de Segurança Operacional. 4.2 Nesses casos, os PrTOp já aprovados permanecem válidos até que suas revisões sejam aprovadas e os treinamentos solicitados com base nesses programas podem ser autorizados, desde que observadas as condições de qualificação ou de validação dos simuladores a serem empregados. 4.3 Os EsEC deverão: a. relacionar, até 30 de junho de 2009, os PrTOp atualmente aprovados que não se enquadram na metodologia proposta neste MPR e apresentar as eventuais nãoconformidades à SSO, com a respectiva proposta de prazo a ser concedido aos operadores aéreos para a correção; b. revisar, até 30 de junho de 2009, os PrTOp aprovados dos operadores aéreos regidos pelo RBHA 121, para que listem os Full Flight Simulator FFS aprovados; c. revisar, até 30 de setembro de 2009, os PrTOp dos operadores aéreos regidos pelo RBHA 135, para que listem os Full Flight Simulator FFS aprovados; 5. DISPOSIÇÕES FINAIS Os casos não previstos por este MPR serão resolvidos pelo Superintendente de Segurança Operacional. 6. BIBLIOGRAFIA 6.1. Departamento de Aviação Civil, Instrução de Aviação Civil IAC 118-1001, Processo de Análise e Aprovação dos Programas de Treinamento de Operações RBHA 121 e RBHA 135, aprovada pela Portaria DAC n o 958/STE, de 01 de dezembro de 2003, publicada no D.O.U. n o 246, de 18 de dezembro de 2003; 6.2. Agência Nacional de Aviação Civil, Superintendência de Segurança Operacional, Nota Técnica n o 01/2009/GGTA-GAAS, de 10 de fevereiro de 2009; e 6.3. Federal Aviation Administration, ICAO Endorsed Government Aviation Safety Inspector Operations Air Operator Certification Course, Model CAA Directive #005 Training Programme Approval Process. Origem: SSO/GGTA/GAAS 22/33
SUPERINTENDÊNCIA DE SEGURANÇA OPERACIONAL MANUAL DE PROCEDIMENTOS MPR n o 119-001 Procedimentos para Análise e Aprovação dos Programas de Treinamento de Empresas de Transporte Aéreo ANEXO 1 Exemplo de Documentação Básica sobre Qualificação de Simulador de Vôo para a Emissão de Parecer Técnico pela GAAS Origem: SSO/GGTA/GAAS 23/33
STATEMENT OF QUALIFICATION SOQ MODELO Origem: SSO/GGTA/GAAS 24/33
SIMULATOR SPECIFICATION MODELO Origem: SSO/GGTA/GAAS 25/33
EVALUATION REPORT MODELO Origem: SSO/GGTA/GAAS 26/33
Origem: SSO/GGTA/GAAS 27/33
Origem: SSO/GGTA/GAAS 28/33
Origem: SSO/GGTA/GAAS 29/33
QUALIFICATION TEST GUIDE MODELO Origem: SSO/GGTA/GAAS 30/33
Origem: SSO/GGTA/GAAS 31/33
Origem: SSO/GGTA/GAAS 32/33
SIMULATOR INFORMATION DATA SHEET MODELO Origem: SSO/GGTA/GAAS 33/33