ERGONOMIA
Ergo (trabalho) Nomos (regras) Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamentos, ferramentas e ambiente, visando à solução dos problemas surgidos desse relacionamento e à melhora das condições de trabalho, tanto no aspecto físico como psíquico e social. A ergonomia estuda a melhor forma de adaptar o trabalho ao trabalhador!
Antes de 1750, o trabalho era obtido essencialmente através do esforço físico do ser humano ou da tração animal. O padrão econômico era o agropastoril de subsistência e de troca. Com a invenção da máquina a vapor por James Watt, em 1780, passou-se a utilizar a energia a vapor para uma série de invenções. Máquinas foram criadas e a utilização delas, de forma racional, deu origem às fábricas. O número excessivo de horas de trabalho e as péssimas condições de trabalho eram a tônica do padrão produtivo da época. Acidentes de trabalho eram freqüentes.
Com a Revolução Industrial no início do século XX, três nomes se destacaram: Fayol, Taylor e Ford. Fayol estabeleceu as regras da hierarquia no trabalho. Taylor e Ford estabeleceram as regras de funcionamento do chão de fábrica e da organização do trabalho em indústrias de produção em massa (tempos e métodos). O grande resultado dessa época foi um aumento significativo da produtividade nas empresas.
Associada ao aumento significativo da produtividade, observou-se também: Alienação do trabalhador do processo decisório; Trabalho exaustivo até a fadiga; Isolamento do trabalhador em uma mesma posição ao longo dos anos ou mesmo décadas; Desencadeamento de distúrbios osteomusculares por sobrecargas funcionais; Redução das possibilidades profissionais do trabalhador.
Atualmente, as mudanças significativas na produtividade sofrem influência de alguns mecanismos: Mudanças da base tecnológica, com o advento de diversas tecnologias, sendo a mais importante a microeletrônica (robótica, automação, informatização); Mudanças na relação de trabalho, com redução gradativa do núcleo de trabalhadores da empresa e aumento gradativo de formas alternativas, como terceirização, trabalho autônomo, projetos e cooperativas; Mudanças na organização do trabalho, em constante processo de aprimoramento visando à geração de maior produtividade em menor espaço e número reduzido de trabalhadores.
Fundamentação legal Portaria 3.214 Norma Regulamentadora (NR) 17; Instrução Normativa (MPS) IN 98, de 05/12/2003; Medida Provisória 316, de 11/08/2006 Revogada; Lei 11.430, de 26/12/2006 (Altera as Leis 8.213/91 e 9.796/99. Revoga a MP 316/06); Decreto 6.042, de 12/02/2007 (Altera o Regulamento da Previdência Social, disciplina a aplicação do Fator Acidentário de Prevenção e do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário).
Componentes da ergonomia Anatomia: Antropometria (dimensões do corpo); Biomecânica (aplicações de forças pelo indivíduo). Fisiologia: Fisiologia do trabalho (consumo de energia); Esforço físico (efeitos sobre o corpo).
Organização: Estudo do trabalho (tempos e métodos); Sistemas (informação e comunicação). Psicologia: Conhecimentos (tomada de decisões, autoconhecimento, formas de posicionamento nas situações adversas); Psicologia do trabalho (treinamentos, diferenças individuais, administrar as tensões do dia-a-dia).
A ferramenta da ergonomia é a análise ergonômica.
Análise ergonômica A análise ergonômica do trabalho é um processo construtivo e participativo para a resolução de um problema complexo que exige o conhecimento das tarefas, da atividade desenvolvida para efetivá-las e das dificuldades enfrentadas para se atingir o desempenho e a produtividade exigidos, valorizando o conforto e o bem-estar de quem vai executá-las.
Princípios da ergonomia: Os dispositivos técnicos devem adaptar-se ao indivíduo; Não existe definição de conforto. Esse é um ponto de equilíbrio entre as atividades desempenhadas no trabalho e o bem-estar do indivíduo; Conforto no trabalho não é luxo, e, sim, necessidade; Diferentes grupos de indivíduos têm diferentes limites e diferentes necessidades;
Boas condições de trabalho favorecem a sua execução; A forma como o trabalho será executado poderá provocar repercussões na saúde do indivíduo, tanto na vida laborativa quanto na vida pessoal; A organização do trabalho deve contemplar a necessidade de participação e interação dos indivíduos; O trabalho não deve gerar agravos à saúde; O homem é o criador e, portanto, deve fazer com que suas criações facilitem sua vida.
Objetivos da ergonomia: Harmonia entre o indivíduo e o ambiente; Conforto e produtividade com eficiência; Melhora do ambiente de trabalho, tornando-o seguro e saudável (organização do trabalho); Diminuição da sobrecarga física e sua conseqüente sobrecarga emocional;
Redução do trabalho repetitivo e monótono; Criação de postos de trabalho adequados às necessidades dos indivíduos; Melhoria da qualidade do trabalho e do produto; Eliminação ou redução da incidência de comprometimentos da saúde motivados pelas condições de trabalho (principalmente de origem osteomuscular);
Eliminação dos movimentos ou posturas críticos; Orientação ao trabalhador e cobrança de atitudes corretas; Promoção da integridade física e psicológica dos indivíduos; Atuação de maneira proativa na solução de problemas de origem ergonômica.
Formas de interferência da ergonomia no local de trabalho Ergonomia de correção Atua de maneira restrita, modificando pontualmente os diversos elementos do posto de trabalho (dimensões, iluminação, ruído, temperatura, etc.). Ergonomia de concepção Interfere amplamente no projeto dos postos de trabalho, na concepção dos instrumentos, das máquinas, dos sistemas de produção, na organização do trabalho e na formação e treinamento de pessoal.
Ergonomia de conscientização Ensina o trabalhador a usufruir dos benefícios de seu posto de trabalho, tais como: Boa postura; Uso adequado de mobiliários e equipamentos; Implantação de pausas; Ginástica laboral (antes, durante e depois da atividade).
Principais problemas identificados na falta de um projeto ergonômico Geração de atitudes posturais inadequadas resultantes de inadequações do posto de trabalho, do campo de visão, da distância para alcançar objetos de uso constante, dos apoios, das articulações, do espaço de trabalho, da flexibilidade postural, das características antropométricas, com prejuízos para o sistema musculoesquelético; Arranjos físicos inadequados gerando dificuldades na identificação de painéis de informações e de comandos, acarretando acionamentos inadequados que podem causar prejuízos na memorização, detecção e na tomada de decisões;
Aspectos biomecânicos que possam ser prejudiciais no acionamento de comandos, ferramentas, painéis, ângulos, movimentação de materiais e outros, que podem provocar ou agravar as lesões por traumas repetitivos; Ritmo e/ou monotonia intensas, pressão de prazos de produção e de controle, ausência de pausas e micropausas, falta de controle do operador; Falta de objetivação das ações propostas, falta de autonomia e participação dos trabalhadores, inexistência de uma gestão participativa, desconsiderando opiniões e sugestões de funcionários;
Centralização das decisões, excesso de níveis hierárquicos, falta de transparência nas comunicações das decisões, prioridades e estratégias, falta de política coerente de cargos e salários; Conflitos entre indivíduos e grupos sociais, dificuldades de comunicações e interações interpessoais, falta de opções de descontração e lazer; Falta de ordem, arrumação, local de disposição de materiais (armários, gavetas, etc);
Excesso de peso, distância do curso da carga, freqüência de movimentação dos objetos a levantar ou transportar, desnivelamento de piso que possa causar deficiências em transporte de cargas, ausência ou desajustes de facilidades mecânicas ou hidráulicas e que acarretam maior esforço do trabalhador; Desrespeito aos limites recomendados de movimentação manual de materiais, com riscos para o sistema musculoesquelético; Isolamento, má ventilação, insolação, reflexos;
Temperatura, ruído, iluminação, vibração, radiação acima ou abaixo dos níveis recomendados; Aumento das doenças profissionais e do trabalho; Aumento de falhas no processo; Aumento do valor agregado aos produtos; Aumento do passivo trabalhista; Comprometimento da imagem da empresa perante à sociedade.
Pressão no ambiente de trabalho
Ambiente inadequado Pescoço com rotação lateral para olhar o monitor Costas não apoiadas no encosto da cadeira Ambiente seco e quente Monitor mal posicionado Luminária mal posicionada Teclado mal posicionado Borda da cadeira pressionando a zona posterior da coxa Pés não apoiados perpendicularmente ao chão Mouse longe, causando esforço sobre o ombro e hiperextensão do braço
Ambiente adequado Cabeça levantada Ombros relaxados Costas eretas e apoiadas Cadeira com apoio de braços regulável Pressão moderada do almofadado da cadeira Olhar em frente na maior parte do tempo Monitor à altura dos olhos e braços distanciados Mãos alinhadas com o antebraço Material de referência bem posicionado Pés firmes no descanso apropriado
Por que implementar os princípios da ergonomia nas empresas? Reduz os fatores desencadeadores de stress no ambiente de trabalho; Reduz a possibilidade de ocorrência de LER/DORT; Melhora a qualidade de vida dos trabalhadores; Aumenta a eficiência e eficácia dos trabalhadores; Aumenta a competitividade da empresa e reforça seu compromisso com a responsabilidade social; Mantém uma imagem positiva da empresa perante à sociedade;
Melhora as condições de trabalho reduzindo a possibilidade de comprometimento da saúde dos trabalhadores (doenças profissionais e do trabalho); Melhora as inter-relações no ambiente de trabalho; Reduz tempo de treinamentos, pela menor complexidade das ações; Reduz a incidência de procedimentos inadequados; Aumenta a produtividade.
Orientação para exercícios no escritório Um dos maiores fatores de risco, do ponto de vista ergonômico, é a postura estática. Desse modo, tal atitude deve ser combatida de maneira prática e eficiente no próprio posto de trabalho. Por pelo menos cinco minutos por hora deixe suas atividades de trabalho e execute exercícios ou movimentos de alongamento periodicamente.
Alongamentos na cadeira Ficar ao computador por longos períodos pode causar tensão no pescoço e nos ombros, além de dores na região lombar. Os exercícios de alongamento a seguir devem ser executados várias vezes ao dia ou sempre que o indivíduo se sentir cansado. Levantar-se e caminhar pelo escritório ou local de trabalho também contribui para melhorar o ânimo e a disposição.
Exercícios de alongamento 10-20 segundos 2 vezes 10-15 segundos 8-10 segundos cada lado 15-20 segundos
3-5 segundos 3 vezes 10-12 segundos cada braço 10 segundos 10 segundos
8-10 segundos cada lado 8-10 segundos cada lado 10-15 segundos 2 vezes Sacuda as mãos 8-10 segundos
Exercícios com as mãos Feche firmemente a mão contra o punho e depois abra esticando os dedos. Estique os braços movimentando as mãos. Repita três vezes.
Exercícios para costas e ombros Levante-se com as costas retas, coloque a mão direita no seu ombro esquerdo e mova a cabeça para trás suavemente. Repita o exercício para o ombro direito.
Exercícios para cabeça e pescoço Movimente a cabeça da esquerda para a direita e novamente para a esquerda. Movimente a cabeça de trás para a frente.
LEMBRE-SE A análise ergonômica, todas as técnicas, ferramentas, atividades e exercícios aqui descritos são fundamentais para prevenir a LER/DORT.