00 DIREITO INTERNACIONAL OAB 1ª Fase XXIII Exame PROF. FLÁVIA BOTELHO DE ABREU 1
APRESENTAÇÃO CURRÍCULO DO PROFESSOR FLÁVIA BOTELHO é Mestre em Direito Internacional e integração econômica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Graduada em Direito pela Universidade Candido Mendes (UCM). Atua como professora de Direito Internacional desde 2000 em curso de graduação presencial e a distância, pós-graduação presencial e a distancia. 2
1. SOBRE A PROVA DA OAB A aprovação na prova da OAB é uma das exigências para que o estudante de direito faça parte dos quadros da OAB como advogado, demonstrando que tem conhecimento e capacidade para o exercício da profissão. A prova é realizada três vezes ao ano em todos os Estados da federação. O exame da OAB foi criado em 1963, por meio da Lei nº 4.215, porém se tornou obrigatório em 1994, a partir da entrada em vigor do Estatuto da OAB e desde 2010 a FGV passou a ser responsável pela elaboração da prova. O Exame é composto de duas fases a primeira objetiva e a segunda prática. A primeira fase objetiva é a que nos interessa e tem caráter eliminatório. Esta é composta por 80 questões de múltipla escolha, dentro de um universo de 17 matérias, que abordam todo o conteúdo mínimo obrigatório dos currículos do curso de direito e os candidatos precisam acertar ao menos 50 % das questões. A matéria direito internacional está dentro daquelas que possui uma representatividade de 12,5 % na sua prova. Isto não significa que não seja uma matéria importante, pois no contexto geral gabaritar as duas questões de direito internacional vai fazer diferença no seu resultado final. Isto se dá em razão de todas as questões terem o mesmo peso, diferentemente de muitos concursos públicos. Assim acaba-se com a ideia de que os estudos devem se concentrar somente nas disciplinas de maior relevância. Seguindo esse ponto de vista a melhor tática é garantir uma pontuação uniforme, tanto nas matérias com maior número de questões como naquelas que possuem um número menor de questões, dentre elas direito internacional. Para gabaritar direito internacional foque tanto no direito internacional público como no direito internacional privado, geralmente as questões baseiamse em casos hipotéticos. Da mesma forma, Direito Internacional é uma matéria que se deve estudar concomitantemente com Direitos Humanos, pois diversas 3
normas advêm de tratados internacionais. Destarte, é importante que ao fazer seu cronograma de estudo dedique um período específico para estudar Direito Internacional e Direitos Humanos conjuntamente, visando otimizar seu tempo. Igualmente, após o estudo da matéria conceitual é necessário resolver algumas questões práticas, objetivando melhor fixação e assimilação. A FGV no final do ano passado divulgou as datas dos próximos exames de 2017. O edital do XXIII exame apenas será lançado no dia 30/05 e nós teremos a primeira fase, prova objetiva, em 23/07. Desta forma, temos um bom tempo para nos organizarmos para a prova, focando nos principais temas. VAMOS AO ESTUDO DE DIREITO INTERNACIONAL!!! Começaremos o nosso curso primeiramente por tratados internacionais, apesar de não ter caído ainda nas provas elaboradas pela FGV, acredito que seja tema essencial para a compreensão do Direito Internacional como um todo e, também, para o contexto da matéria de Direitos Humanos, que se fundamenta em muitos tratados internacionais, especialmente os ratificados pelo Brasil. Posteriormente, a cada aula abordaremos um tema que tem relevância na prova da OAB com base nas questões das provas passadas elaboradas pela FGV. Depois de fazer uma analise das provas da OAB preparadas pela FGV de 2010 a abril de 2017 podemos perceber que os temas que mais caíram foram os seguintes: Assuntos cobrados Quantitativo de questões Cooperação internacional 4 Competência internacional 5 LINDB 11 Tratamento Jurídico do Estrangeiro 3 Medidas coercitivas 7 Nacionalidade 3 Direito diplomático 3 Jurisdição a bordo de navios e embarcações 1 Mercosul 1 ONU e Solução de Controvérsias internacionais 3 Direito Internacional Humanitário 1 Direito Internacional dos Direitos Humanos 11 4
VAMOS AO NOSSO CRONOGRAMA DE ESTUDO!!! 2C CRONOGRAMA DO CURSO DE DIREITO INTERNACIONAL Aula 0 Tema Aula demonstrativa Noções introdutórias Fontes de Direito Internacional Tratados Internacionais Número de questões Data 10 Disponível 1 ONU e solução de controvérsias internacionais 10 25/04/2017 2 Jurisdição a bordo de navios e embarcações 10 07/05/2017 3 Nacionalidade 10 19/05/2017 4 Tratamento Jurídico dos Estrangeiros e medidas coercitivas 20 31/05/2017 5 Competência internacional e LINDB 20 12/06/2016 Cooperação internacional: Homologação de Sentença 6 estrangeira e carta rogatória 20 24/06/2017 7 Direito diplomático: Imunidade de Jurisdição 10 06/07/2017 8 Direito Internacional dos Direitos Humanos, Direito Internacional Humanitário e Direito Internacional dos refugiados 20 18/07/2017 Total de Questões que você saberá a mais que seu concorrente 130 Preparando-se para estudar: Tenha marca-texto amarela em mãos! Desligue o celular e saia da internet. Iluminação adequada (luz branca). Ligue seu cronômetro! 5
2. AULA 00 FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL Nesta aula iremos abordar os seguintes pontos: O Tratado como fonte de direito internacional Estrutura formal dos tratados Fundamento dos tratados Conceito de tratados Classificação Condições de validade dos tratados Fases de elaboração dos tratados Reserva e emenda Adesão Extinção 1. Tratados como fonte do Direito Internacional O Estatuto da Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas no seu artigo 38 dispõe sobre as fontes do Direito Internacional, dentre elas: -Tratados; -Costumes; -Princípios gerais do Direito; -Doutrina e Jurisprudência e -Equidade, caso as partes concordem. Dica: Porque os tratados são considerados as fontes mais democráticas? Isto ocorre em razão da necessidade da manifestação da vontade para que o Estado se vincule a determinado tratado. 2. Estrutura formal dos tratados Os tratados são divididos em duas partes, são elas: o preâmbulo e a parte dispositiva. No preâmbulo são descritos os motivos que levaram a criação 6
daquele tratado, enquanto na parte dispositiva encontram-se os artigos propriamente ditos. 3. Fundamento dos tratados A obrigatoriedade dos tratados decorre de dois princípios elencados no artigo 26 da CVDT que são os princípios da pacta sunt servanda e da boa fé entre as nações. Assim sendo, todos os tratados firmados pelas partes devem ser cumpridos e interpretados de boa-fé. 4. Conceito De acordo com a CVDT, artigo 2ª Tratado é um acordo firmado por escrito entre Estados, regido pelo direito internacional, quer conste de um único instrumento quer de dois ou mais instrumentos conexos. Desta maneira, pode-se dizer que é um acordo internacional por ser firmado no âmbito da sociedade internacional, celebrado por Estados, não excluindo a possibilidade de outros sujeitos de Direito internacional igualmente celebrarem. E, ainda, o tratado pode ser formado por um único texto principal, mas, também, pode ter outros Protocolos adicionais que o completam. Importante: A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (CVDT) de 1969 é um tratado que cria as regras comuns para a conclusão de tratados internacionais 5. Classificação dos tratados Os tratados podem ser classificados quanto: Ao número de partes, podem ser bilaterais ou multilaterais. Os primeiros são aqueles formados por somente duas pessoas jurídicas, enquanto no segundo fazem parte três ou mais pessoas jurídicas. À natureza jurídica de suas normas, podem ser tratados contratos ou tratados leis. Os tratados leis são aqueles que formam normas gerais sobre determinada matéria enquanto nos segundos as partes possuem interesses contrários, logo o tratado é formado com vontades distintas. Ao procedimento de conclusão, podem ser tratados solenes ou acordos em forma simplificada. Nos primeiros a forma de conclusão dos tratados 7
é mais complexa, necessitando da fase de ratificação enquanto nos segundos a assinatura já traz obrigatoriedade aos tratados. À possibilidade de adesão de novos Estados, podem ser tratados abertos e tratados fechados. Os primeiros são aqueles que possuem a chamada clausula de adesão dando a possibilidade de outros membros que não participaram da negociação do texto venham a aderir ao tratado (membros secundários) enquanto os segundos são aqueles em que somente os membros originários fazem parte, pois não tem cláusula de adesão. Logo não terá os chamados membros secundários. 6. Condições de Validade dos tratados Capacidade das partes (artigo 2º da CVDT) Quem possui capacidade para firmar tratados pela CVDT são os Estados, entretanto outros sujeitos de direito internacional também possuem capacidade como, por exemplo, as organizações internacionais e a Santa Sé. Habilitação dos agentes signatários (artigo 7º. 2 da CVDT) A habilitação dos representantes dos Estados ocorre com uma procuração dada pelo Poder Executivo denominada carta de plenos poderes. Quem recebe este documento passa a ser denominado plenipotenciário. A CVDT dispõe no artigo 7.2 que algumas pessoas em decorrência da sua função não precisam de carta de plenos poderes são elas: Chefes de Estado e de Governo, Ministro das Relações Exteriores e Diplomatas acreditados. Objeto lícito e possível (artigo 53 da CVDT) Todo e qualquer tratado não pode ferir norma imperativa de Direito Internacional, ou seja, normas ius cogens. As normas cogentes são normas imperativas de Direito Internacional aceitas por toda a sociedade internacional e que não podem sofrer revogação. O tratado que ferir norma cogente é nulo. Consentimento mútuo (artigos 48 ao 52 da CVDT) É a manifestação da vontade do Estado que não pode sofrer vícios. Estes de acordo com a CVDT podem ser: erro, dolo, coação sobre o representante do Estado, corrupção do representante do Estado e coação sobre o Estado com o uso ou ameaça da força. Neste último caso o tratado é nulo, logo não produz nenhum efeito jurídico. Isto decorre do princípio do não uso da força disposto na Carta das Nações Unidas, 1945, artigo 2.4. 8
Atenção: O Tratado pode ser nulo em duas situações quando ferir norma imperativa de Direito Internacional e quando o consentimento mútuo sofrer o vício da coação com o uso ou ameaça do uso da força. 7. Fases de elaboração dos tratados Negociação É a primeira fase do processo de conclusão dos tratados, geralmente ocorre nos tratados multilaterais em congressos e conferências, onde é discutido as clausulas do tratado. A competência para negociar tratados é do Poder Executivo por meio dos seus representantes, munidos quando necessários de carta de plenos poderes. Esta fase encerra-se com a elaboração do texto final, que deverá ser aprovado por no mínimo 2/3 dos membros presentes e votantes, de acordo com o artigo 9 da CVDT. Assinatura A assinatura não traz obrigatoriedade aos tratados, sendo apenas uma autenticação do texto do tratado, ou seja, os representantes confirmam que aquele foi o texto negociado. Ratificação A ratificação é o ato discricionário que gera obrigatoriedade ao tratado, geralmente é da competência do Poder Executivo com a prévia autorização do Poder Legislativo. A ratificação se dá com a elaboração da chamada carta de ratificação que nos tratados bilaterais é trocada e nos multilaterais é depositada. Promulgação e publicação do Decreto Executivo Posteriormente a ratificação do tratado para este ser incorporado ao ordenamento jurídico interno é necessário a promulgação e publicação de um ato normativo que no Brasil é o decreto executivo, cuja função é incorporar e transformar o tratado em norma interna. Registro Por fim, os tratados devem ser registrados perante o Secretário Geral da ONU, que emite um certificado de registro dando publicidade ao tratado. Esta fase tem como objetivo evitar a diplomacia secreta muito praticada durante a 2ª guerra mundial. Ressalta-se que os tratados não registrados se tornam inoponíveis perante a Corte Internacional de Justiça da ONU. 9
Poder Executivo Negocia e assina o texto do tratado Poder legislativo Aprova ou rejeita o tratado. Caso aprove promulga e publica Decreto Legislativo Poder Executivo Ratifica o tratado por meio da troca ou deposito das cartas de ratificação Poder Executivo Promulga e publica o Decreto Executivo Atenção: A ratificação NÃO É da competência do Congresso Nacional, mas é ato discricionário do Poder Executivo. Inclusive o Congresso Nacional aprovando um tratado internacional o Poder Executivo pode não ratificá-lo. 8. Reserva e emenda A reserva, de acordo com o artigo 19 da CVDT, é uma declaração unilateral com a finalidade de alterar, modificar ou excluir o efeito jurídico de um ou mais dispositivo do tratado, sendo uma ratificação parcial do texto do tratado. A emenda é a revisão de certo dispositivo do tratado. Segundo a doutrina não é possível o Congresso Nacional alterar artigo do tratado, pois estaria de forma indireta participando da elaboração dos tratados, cuja competência é do Poder Executivo. 9. Adesão A adesão ocorre quando um Estado que não participou da negociação do tratado quer fazer parte deste. Para que isto ocorra é necessário que o tratado seja aberto, ou seja, que tenha clausula de adesão. Os Estados que aderem são denominados membros secundários. Atenção: Nos tratados fechados não é possível à entrada de novos membros, logo são formados unicamente pelos membros originários. 10. Extinção dos tratados As principais formas de extinção dos tratados internacionais pela CVDT são: 10
Denuncia É um ato unilateral pelo qual o Estado manifesta a sua vontade de sair do tratado. Somente é valida se a clausula de denúncia estiver prevista no tratado, sendo que o Estado ao denunciar deve cumprir o tempo estipulado de aviso prévio, que geralmente é de no mínimo 12 meses. Termo É uma clausula prevista no tratado, dispondo um prazo determinado para que esteja em vigor. Execução integral do tratado Ocorre quando o tratado foi executado na sua integralidade. Consentimento mútuo O tratado entrou em vigor pelo consentimento mútuo, logo, também, pode se extinguir pelo mesmo. Redução do número de partes no tratado Ocorre quando o número de membros no tratado é inferior ao préestabelecido para vigorar. 11. Hierarquia dos tratados internacionais Os tratados internacionais cujo tema seja direitos humanos se forem aprovados pelo Congresso Nacional pelo quórum de emenda constitucional, ou seja, em dois turnos por 3/5 dos votos terão status de norma constitucional. E os tratados de direitos humanos não aprovados pelo referido quórum terão status supralegal, o que significa dizer que podem revogar legislação ordinária, entretanto não podem ser revogados por ela. Enquanto os demais tratados que não versem sobre direitos humanos são considerados normas infraconstitucionais. 12. Questões objetivas sobre tratados 1. Os Tratados Internacionais negociados pelo Brasil, assinados pelo representante brasileiro e: a) ratificados pelo Presidente da República não passam a valer no território nacional de forma imediata. b) ratificados pelo Congresso Nacional passam a valer no território nacional de forma imediata. c)ratificados pelo Congresso Nacional passam a valer internacionalmente apenas. d) aprovados na Câmara dos Deputados passam a valer no território nacional. e) aprovados e ratificados pelo Congresso Nacional somente passam a valer internacionalmente após a carta de ratificação. 11
Está questão é sobre ratificação dos tratados. Como já vimos os tratados são ratificados pelo PODER EXECUTIVO, mas com a prévia autorização do PODER LEGISLATIVO, com fundamento no artigo 49, I da CRFB/88. O Poder Executivo depois do tratado negociado o envia para o Congresso nacional que pode aprovar ou rejeitar o texto do tratado. Caso aprove promulga e publica um decreto legislativo e somente após o Poder Executivo, caso queira, ratifica o tratado por meio da chamada Carta de Ratificação, que nos tratados bilaterais é trocada e nos multilaterais é depositada. É importante frisar que o Poder Executivo tem o ato discricionário de ratificar ou não o tratado, significa que mesmo o Congresso Nacional aprovando o texto pode o Executivo NÂO ratificar. Posteriormente a troca ou o depósito o Poder Executivo promulga e publica um ato normativo, que no nosso sistema é o decreto executivo, com a finalidade de incorporar o tratado no nosso ordenamento jurídico. Logo, o processo de incorporação dos tratados no nosso ordenamento jurídico não é imediato, pois é necessário um ato interno que transforme o tratado em norma interna, incorporando ao nosso ordenamento jurídico. Logo, o gabarito é a letra A. 2. Com relação à chamada norma imperativa de Direito Internacional geral, ou jus cogens, é correto afirmar que é a norma: a)prevista no corpo de um tratado que tenha sido ratificado por todos os signatários, segundo o direito interno de cada um. b)reconhecida pela comunidade internacional como aplicável a todos os Estados, da qual nenhuma derrogação é permitida. c)aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e aplicável a todos os Estados membros, salvo os que apresentarem reserva expressa d)de direito humanitário, expressamente reconhecida pela Corte Internacional de Justiça, aplicável a todo e qualquer Estado em situação de conflito Uma norma ius cogens é uma norma imperativa de direito internacional reconhecida por toda a sociedade internacional e que não pode ser revogada. Da mesma forma, segundo o artigo 53 da CVDT qualquer tratado que venha violar norma cogente é nulo, ou seja, não surte efeitos jurídicos, pois o objeto é ilícito. Logo, o gabarito é a letra B 12
3. Considere que os Estados A, B e C tenham assinado um tratado sobre cooperação em matéria científica. No tratado constava cláusula segundo a qual o instrumento somente entraria em vigor quando todos os Estados signatários o ratificassem. Os Estados A e B ratificaram-no, mas o Estado C, não. Nessa situação, os Estados A e B a) podem cobrar do Estado C a ratificação do tratado. b) podem cobrar do Estado C que respeite o preâmbulo do tratado. c) podem cobrar do Estado C que não frustre o objeto e a finalidade do tratado. d) podem exigir do Estado C que transforme o tratado em lei interna antes de ratificá-lo. e) não podem cobrar do Estado C nenhuma obrigação, pois este goza de autonomia absoluta nessa questão. Os tratados são considerados as fontes mais democráticas do Direito Internacional, pois dependem da manifestação da vontade. Uma das condições de validade do tratado é o consentimento mútuo, desta forma os Estados A e B não podem exigir que o C ratifique o tratado. Logo, o gabarito é a letra E. 4. A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as partes, no que toca a tratado entre elas pactuado, nos termos da Convenção de Viena sobre direito dos tratados: a) não atinge as relações jurídicas e econômicas decorrentes do pacto, em virtude da cláusula pacta sunt servanda, que é absoluta em direito internacional. b) não afeta as relações jurídicas estabelecidas por elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado. c) extingue todas as relações jurídicas decorrentes do tratado, com efeitos ex tunc, dada previsão geral contida na Convenção. d) suspende imediatamente o alcance das relações jurídicas e econômicas decorrentes da convenção, como resultado da aplicabilidade da cláusula rebus sic stantibus, que é absoluta em direito internacional. e) extingue todas as relações jurídicas decorrentes do tratado, com efeitos ex nunc, dada previsão geral contida na Convenção. De acordo com o artigo 63 da CVDT os tratados A ruptura de relações diplomáticas ou consulares entre as Partes num tratado não produz efeitos nas relações jurídicas entre elas estabelecidas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação do tratado. Logo, o gabarito é a letra B. 13
5. Sobre as definições constantes da Convenção de Viena de 1969 (CVDT), pode-se afirmar que: a) a CVDT determina expressa distinção entre "tratado" e "acordo internacional". b) "reserva" é uma declaração unilateral com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado. c) "plenos poderes" se refere à capacidade de o Estado negociador impor uma proposta de texto aos demais Estados participantes. d) "ratificação" significa um documento expedido pela autoridade competente de um Estado e pelo qual são designadas uma ou várias pessoas para representar o Estado na negociação. e) a definição de "organização internacional" abrange organizações nãogovernamentais, desde que tenham sua personalidade jurídica criada em um dos Estados Membros da CVDT. Reserva é uma declaração unilateral onde o Estado parte exclui ou modifica os efeitos de certa clausula de um tratado. É como se fosse uma ratificação parcial dos tratados. Os plenos poderes é uma procuração que o Poder Executivo concede aos seus representantes para participarem da elaboração do tratado. Em razão disto são denominados plenipotenciários. A ratificação é o ato do Poder Executivo pelo qual o Estado se vincula ao tratado. E por fim, as organizações internacionais são sujeitos de direito internacional, mas não englobam as ONGs. Logo, o gabarito é a letra B. 6. Considere a seguinte informação jurisprudencial: "Súmula Vinculante nº 25 do STF: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito." Os debates no STF que levaram à alteração de sua própria jurisprudência e à adoção da Súmula acima consagraram a prevalência do Pacto de São José da Costa Rica e de sua proibição de prisão civil (Artigo 7º, item 7, do Pacto). Assinale a opção que contém a tese majoritária que fundamentou a decisão do STF. a) A natureza supraconstitucional das Convenções de Direitos Humanos já que estas são universais e possuem força vinculante. b) A natureza constitucional das Convenções de Direitos Humanos que no Brasil decorre do Artigo 5º, 2º, da Constituição de 1988. c) A natureza supralegal das Convenções de Direitos Humanos que faz com que elas sejam hierarquicamente superiores ao código civil e ao de processo civil. d) A natureza de lei ordinária das Convenções de Direitos Humanos, considerando que lei posterior revoga lei anterior. 14
Os tratados de direitos humanos quando aprovados e ratificados anteriormente a emenda 45/2004 possuem status de norma supralegal. Enquanto os tratados de direitos humanos aprovados posteriormente a referida emenda podem ter status de norma constitucional se forem aprovados no Congresso Nacional pelo quórum de 3/5 em dois turnos, definido no artigo 5, paragrafo 3º da CRFB/88, mas caso não sejam aprovados pelo referido quórum serão também considerados normas supralegais. Logo, o gabarito é a letra C. 7. Conforme a jurisprudência do STF, tratados de direitos humanos anteriores à Emenda Constitucional n.º 45/2003 possuem, no direito brasileiro, status hierárquico a) supraconstitucional. b) constitucional originário. c) constitucional derivado. d) supralegal. e) legal. Conforme dito na questão anterior tratados de direitos humanos ratificados pelo Brasil antes da emenda 45/04 possuem status de norma supralegal. Logo, o gabarito é a letra D. 8. A respeito dos tratados internacionais, indique a alternativa incorreta: a) após a Emenda Constitucional 45/2004, os tratados e convenções internacionais que versem sobre direitos humanos e forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois tumos e por três quintos dos votos de seus respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais; b) a Constituição Federal assegura aos Estados federados a possibilidade de celebrar tratados internacionais; c) a denúncia consiste em ato formal por meio do qual o Estado manifesta a sua vontade de deixar de participar de um tratado internacional; d) é competência exclusiva do Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados internacionais; e) compete ao Juiz Federal processar e julgar as causas neles fundadas. 15
Os Estados federados não podem firmar tratados, somente quem negocia, assina e ratifica tratados é a União. Neste sentido, de acordo com o artigo 21, I da CRFB/88 firmar tratados é matéria de competência exclusiva da União. Logo, o gabarito é a letra B. 9. Em relação aos tratados internacionais, assinale a alternativa CORRETA: a) Os tratados internacionais que cuidam de tributação têm hierarquia de lei complementar, desde que observem o quórum de maioria absoluta no seu procedimento de ratificação; b) A mera assinatura de tratado internacional não produz efeitos no ordenamento jurídico interno brasileiro enquanto não houver a ratificação pelo Poder Executivo e a expedição de decreto presidencial; c) Os tratados internacionais disciplinadores do MERCOSUL possuem tratamento de incorporação diferenciado das demais avenças internacionais; d) Os tratados internacionais sempre prevalecem sobre a lei ordinária. Como dito no conteúdo a fase de assinatura não traz obrigatoriedade ao tratado, pois somente visa a autenticação do texto do tratado. Neste sentido, exclusivamente com a ratificação o tratado se torna obrigatório ao Estado. Logo, o gabarito é a letra B. 10. Com base no ordenamento jurídico interno, os tratados internacionais negociados e assinados pelo Brasil entram em vigor no território nacional a) após a carta de ratificação. b) com o Decreto-Legislativo. c) após o Decreto-Executivo d) após a ratificação interna e a ratificação externa. Os tratados para vigorarem no ordenamento jurídico interno precisam ser transformados em norma interna. Desta maneira, após a ratificação no âmbito externo os tratados são incorporados no nosso ordenamento por meio de um ato normativo que é o Decreto Executivo. Logo, o gabarito é a letra C 16