DIPu_08 - TRATADOS INTERNACIONAIS
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- Thereza Caldas Almada
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1 DIPu_08 - TRATADOS INTERNACIONAIS 1 1. CONCEITO DE TRATADO: É um acordo formal concluído entre os sujeitos de Direito Internacional Público, destinado a produzir efeitos jurídicos na órbita internacional. É uma manifestação de vontades entre os Estados, criando um ato jurídico formal que envolve pelo menos dois ou mais Estados contratantes. 2. ELEMENTOS Ato jurídico de exteriorização das vontades dos concordantes, sendo a mais comum a forma escrita (podendo ser também oral), manifestando o objeto e a finalidade do tratado, de acordo com a própria convenção ou norma regulamentadora. 3. TERMINOLOGIA: Tratado é o nome mais comum e utilizado, porém existem outros como: convenção, carta, pacto, estatuto, declaração, protocolo, compromisso, convênio, regulamento, concordata, etc. 4. CLASSIFICAÇÃO: A. FORMAL: quanto a forma de apresentação: 1. Quanto ao número de partes: bilateral : entre duas partes integrantes. Ex. Brasil e USA multilateral : três ou mais participantes. Ex. Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai 2. Quanto ao procedimento: solene ou devido a forma: tem as fases de negociação, assinatura, aprovação legislativa e finalmente a adoção ou adesão. Acordo de forma simplificada: executive agreements entram em vigor pela assinatura, sem intervenção do parlamento. B. MATERIAL: 1. Tratados-contratuais: os objetivos são desiguais, interesses que se complementam como um tratado comercial. 2. Tratado-normativo ou tratado-lei: os contratantes estabelecem regras gerais para nortear seus comportamentos, gerando direitos e deveres. 3. Tratados especiais ou de categorias especiais: criam organizações não dotadas de personalidade jurídica e que criam empresas. Ex. ONU. OIT, OEA, Convenção Internacional do Trabalho. etc.
2 2 5. REPRESENTANTES DOS ESTADOS: Chefe de Estado: no Brasil é o Presidente - Art. 84, VIII da C.F. Plenipotenciário:(Ministro de Estado) responsável pelas relações exteriores Outros representantes: Secretário Geral ou outro representante 6. REPRESENTANTES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS Secretário Geral ou outro representante, como chefe de delegação. 7. PROCEDIMENTOS DOS TRATADOS Temos as seguintes fases: Negociação, assinatura ou adoção, aprovação legislativa e ratificação ou adesão. 8. ESTRUTURA DO TRATADO: Preâmbulo : breve enunciado do conteúdo Parte dispositiva: ordenada por artigos em linguagem jurídica, sendo a própria matéria ou objetivo do tratado. Anexos: são os complementos.(gráficos, tabelas, listas, etc.) 9. TEMPO DE DURAÇÃO e EXTINÇÃO: Cada tratado tem a sua própria duração, quando não opera por tempo indeterminado, ou pelos seguintes motivos: execução integral vencimento do prazo pré determinado verificação de uma condição resolutória acordo mútuo renúncia unilateral denúncia de descumprimento do tratado impossibilidade de execução.
3 3 10. NORMAS GERAIS DOS TRATADOS Os tratados são fontes de obrigações e não apenas fontes do Direito Internacional, pois aumentam ou criam codificam regras já existentes sendo fontes de obrigações, são na realidade criado para todo serviço do D.I. Constituem principal instrumento de cooperação nas relações internacionais, sendo muitas vezes utilizado como instrumento de mudança. Em certas ocasiões os Tratados têm substituído o Direito Consuetudinário. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969, entrou em vigor em 27/01/1980 e só se aplica aos tratados elaborados posteriormente a sua entrada em vigor e os que foram feitos antes, são regidos pelos costumes anteriores ou seja, o Direito Costumeiro que continua em vigor. Definição de Tratado vide art. 2º da CVDT de 1969 e na CVSDTEE Com relação as denominações dos Tratados vide p. 86 Entrada em Vigor: se não houver indicação especial a entrada em vigor acontece após a manifestação expressa da vontade das partes, em respeitar o Tratado em questão, pelos Estados negociadores. Em alguns casos, coloca-se uma cláusula que entrará em vigor, após a adesão de um certo número de Estados partes (em geral 1/3 dos Estados negociadores) e só terá efeito entre todos, a medida que ratificarem o Tratado. Art. 24, 2º CVDT. Registro: Art. 18 do Pacto da Sociedade das Nações. Todo tratado precisa ser registrado pelo secretariado e publicado por ele, logo que possível e se não tiver o registro não tem efeito legal. Vide Art. 80 CVDT que obriga os Estados partes a transmitires os seus Tratados à Secretaria da ONU, para arquivo e inscrição e depois o registro. Depois da criação da ONU já foram registrados mais de 2000 Tratados. Reserva: Art. 2(1) da CVDT declaração unilateral onde o Estado parte pode excluir ou modificar os efeitos legais de certa disposição do Tratado para aquele Estado, sendo uma limitação de Reserva. Art. 19 (a) e (b) da CVDT de 1969 e 1986, formular uma reserva, a menos que seja proibida pelo Tratado. Aplicação: Art. 26 CVDT princípios gerais que norteiam a aplicação de tratados pacta sunt servanda (o pacto deve ser cumprido entre as partes) e boa fé art. 18 CVDT. Interpretação: a lei é feita para ser aplicada nas relações sociais. Como não é possível legislar sobre todas as situações sociais, a lei é feita de forma abstrata e genérica. A interpretação da lei é feita para aplicação em caso concreto de forma clara, precisa e certa. A interpretação do DI é idêntica a interpretação do Direito Interno. O Tratado deve ser interpretado de boa fé e conforme o sentido comum dos termos utilizados.
4 Tratados Sucessivos referentes às mesmas partes: Ocorre muitas vezes que as partes celebram posteriormente outros tratados que versem sobre a mesma matéria e situações mais complexas. Art. 30 CVDT. Emendas e modificações de Tratados: em geral os Tratados podem ser emendados por acordo entre as partes e o processo segue o mesmo processo de conclusão dos Tratados. Art. 39 CVDT e seguintes. Regras sobre modificações Art. 41 CVDT. Validade e nulidade dos Tratados: Art. 42 CVDT O verdadeiro consentimento dos Estados é a base fundamental para a validade dos Tratados no Direito Internacional e precisa ter obrigatoriamente: - capacidade das partes - acordo de vontade sem defeito } jus cogens - objeto lícito e possível Pode-se ter defeito de forma (formalidade) e defeito substancial (contra a vontade das partes) Art. 48 Por erro Art. 48 Por fraude do Estado negociador Art. 49 Corrupção do seu representante por outro estado negociador art. 50 Um tratado é nulo se contrário ao jus cogens Art. 53 Defeito substancial: - ERRO Art. 48 entende-se por erro a falsa noção sobre alguma coisa. - DOLO Art. 49 um Estado foi levado a concluir um tratado pela ação da força do outro Estado ação fraudulenta CORRUPÇÃO: Art. 50 Corrupção do representante do Estado COAÇÃO sobre representante de um Estado ou organização Internacional Art. 51 COAÇÃO sobre um Estado ou organização internacional Art. 52 Objeto lícito e possível: Art. 53 os objetivos dos Estados têm que ser lícitos e possíveis de serem realizados caso contrário será nulo, já que a lei não protege o que é impossível. Extinção e Suspensão do Tratado: Art. 54 significa o desaparecimento do mesmo, da ordem legal internacional. Não existe mais as obrigações e os direitos das partes e não há efeito retroativo Art. 70. A extinção pode ser: - pelo consentimento das partes Art pela vontade unilateral de uma parte - não por vontade das partes - por mudança fundamental da circunstância (rebus sic stantibus) mudança de circunstância Denúncia: Acontece quando o Estado manifesta vontade de se retirar do Tratado, não tendo mais interesse e dizendo que as normas não se aplicam a esse estado e se retira, não sendo mais cobrado dos termos do Tratado. 4
5 5 11. TERMINOLOGIA DOS ATOS INTERNACIONAIS O Ministério das Relações Exteriores apresenta uma conceituação de fácil compreensão sobre os chamados atos internacionais, cuja denominação é variada. As mais comuns são: tratado, convenção, acordo, protocolo, memorando de entendimento, convênio e acordo por troca de notas. Assim: (I) Tratado: expressão eleita para "designar, genericamente, um acordo internacional. Denomina-se tratado o ato bilateral ou multilateral ao qual se deseja atribuir especial relevância política". (II)Convenção: termo que costuma ser empregado "para designar atos multilaterais, oriundos de conferências internacionais, que versem assunto de interesse geral, como, por exemplo, as convenções de Viena sobre relações diplomáticas, relações consulares e direito dos tratados (...). É um tipo de instrumento internacional destinado em geral a estabelecer normas para o comportamento dos Estados em uma gama cada vez mais ampla de setores". (lii) Acordo: "é expressão de uso livre e de alta incidência na prática internacional,(...) toma o nome de Ajuste ou Acordo Complementar quando o ato dá execução a outro, anterior, devidamente concluído. Em geral, são colocados ao abrigo de um acordo-quadro ou acordo-básico, dedicados a grandes áreas de cooperação (comércio e finanças; cooperação técnica, científica e tecnológica; cooperação cultural e educacional). Esses acordos criam o arcabouço institucional que orientará a execução da cooperação. Acordos podem ser firmados, ainda, entre um país e uma organização internacional, a exemplo dos acordos operacionais para a execução de programas de cooperação e os acordos de sede". (IV) Protocolo: "é um termo que tem sido usado nas mais diversas acepções, tanto para acordos bilaterais quanto para multilaterais. Aparece designando acordos menos formais que os tratados, ou acordos complementares ou interpretativos de tratados ou convenções anteriores. É utilizado, ainda, para designar a ata final de uma conferência internacional. Tem sido usado, na prática diplomática brasileira, muitas vezes sob a forma de 'protocolo de intenções', para sinalizar um início de compromisso". (V) Memorando de entendimento: tem sido utilizado "para atos de forma simplificada, destinados a registrar princípios gerais que orientarão as relações entre as Partes (...). O memorando de entendimento é semelhante ao acordo, com exceção do articulado, que deve ser substituído por parágrafos numerados com algarismos arábicos. Seu fecho é simplificado. Na medida em que não crie compromissos gravosos para a União, pode normalmente entrar em vigor na data da assinatura".
6 6 (VI) Convênio: o termo convênio, "embora de uso freqüente e tradicional, padece do inconveniente do uso que dele faz o direito interno. Seu uso está relacionado a matérias sobre cooperação multilateral de natureza econômica, comercial, cultural, jurídica, científica e técnica (...). Também se denominam convênios acertos bilaterais", merecendo destaque, entre os assumidos pelo Brasil, o Convênio para a Preservação, Conservação e Fiscalização de Recursos Naturais nas Áreas de Fronteira, celebrado com a Bolívia (1980). (VII) Acordo por troca de notas: "emprega-se a troca de notas diplomáticas, em princípio, para assuntos de natureza administrativa, bem como para alterar ou interpretar cláusulas de atos já concluídos. Não obstante, o escopo desses acordos vem sendo ampliado. Seu conteúdo estará sujeito à aprovação do Congresso Nacional sempre que incorrer nos casos previstos pelo art. 49, inciso I, da Constituição. Quanto à forma, as notas podem ser: a) idênticas (com pequenos ajustes de redação), com o mesmo teor e data; b) uma primeira nota, de proposta, e outra, de resposta e aceitação, que pode ter a mesma data ou data posterior. EYS/ DIPu_08_13 Tratados Internacionais
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