DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA:

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Transcrição:

Reprodução Assistida: Indicações e Técnicas Autoria: Antônio Silvinato Augusto Barbosa Reis Edson Borges Jr Marcelo Vieira Renato Fraieta Wanderley M Bernardo DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE COLETA DE EVIDÊNCIA: A revisão bibliográfica de artigos científicos dessa diretriz foi realizada na base dedados MEDLINE, Cochrane e SciELO. A busca de evidências partiu de cenários clínicosreais, e utilizou palavras-chaves (MeSH terms) agrupadas nas seguintes sintaxes:(fertilization in Vitro OR Reproductive Techniques, Assisted OR Sperm Injections, Intracytoplasmic) AND (Sperm Count OR Sperm Motility OR Sperm Retrieval) AND (Humans[Mesh]) GRAU DE RECOMENDAÇÃO E FORÇA DE EVIDÊNCIA A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência. B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência. C: Relatos de casos (estudos não controlados). D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais. OBJETIVO: Estabelecer as melhores indicações e opções técnicas de reprodução assistida por causa masculina..

INTRODUÇÃO Cerca de 15% dos casais não conseguem engravidar no período de um ano 1. Aproximadamente 8% das consultas urológicas envolvendo homens na idade reprodutiva referem-se à infertilidade 1. A infertilidade pode ser primária quando o casal nunca conseguiu estabelecer uma gravidez, e secundária quando o casal apresenta dificuldades para estabelecer uma nova gravidez. Em aproximadamente 30% dos casos, a infertilidade é causada por um fator masculino isolado, enquanto em outros 20%, é causada por fator masculino e feminino combinados 2,3. O fator masculino está, portanto, envolvido em aproximadamente 50% dos casos de casais com queixa de infertilidade. Anormalidades urogenitais congênitas e adquiridas, infecções do trato urogenital, hipertermia escrotal (ex. varicocele), disfunções endócrinas, alterações genéticas, causas imunológicas, exposição à gonadotoxinas, disfunções sexual e ejaculatória, câncer e doenças crônicas sistêmicas podem resultar na diminuição da fertilidade masculina. A causa não é determinada em aproximadamente 1/3 dos casos, a despeito da presença de alterações nos parâmetros seminais, e nesses casos a infertilidade é denominada idiopática 2,3. Infertilidade conjugal com parâmetros avaliados normais é denominada de infertilidade sem causa aparente (ISCA). Com exceção dos agravos que acarretam falência testicular irreversível (ex. causas genéticas, pós-quimioterapia/radioterapia), obstruções congênitas (ex. agenesia congênita bilateral dos ductos deferentes), imunológicas e causas idiopáticas, as demais são potencialmente tratáveis 3,4. Os resultados são extremamente variáveis e dependem de múltiplos fatores, incluindo o potencial fértil da parceira 3,5. As técnicas de reprodução assistida (TRA) incluem a inseminação intrauterina (IIU), a fertilização in vitro (FIV) e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (Intracytoplasmatic Sperm Injection ICSI). 1. QUAIS SÃO OS PARÂMETROS SEMINAIS PARA INDICAÇÃO DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA POR CAUSA MASCULINA? Não existe consenso na literatura a respeito da qualidade seminal que determine a utilização da FIV ou ICSI ao invés da IIU. A definição do limite inferior da concentração espermática é extremamente variável. Quando a concentração total de espermatozoides móveis no ejaculado for inferior a 10 milhões, os resultados obtidos com FIV e ICSI são superiores aos da IIU 6 (C). Acredita-se que a morfologia dos espermatozoides, avaliada pelo critério estrito no sêmen ejaculado, tem impacto na sua capacidade de fecundação. As taxas de fertilização in vitro no método clássico são significativamente

superiores nos indivíduos com valores de morfologia normal maior que 4% quando comparadas àqueles com valores inferiores a estes 7 (C). Recomendações Não existe consenso a respeito da qualidade seminal que determine a utilização da FIV ou ICSI ao invés da IIU. Quando a concentração total de espermatozoides móveis no ejaculado for inferior a 10 milhões, os resultados obtidos com a FIV e ICSI são superiores aos da IIU. As taxas de fertilização in vitro no método clássico são superiores nos indivíduos com valores de morfologia normal maior que 4% quando comparadas àqueles com valores inferiores a estes. 2. QUAIS SÃO AS INDICAÇÕES DE IIU NO FATOR MASCULINO E QUE Infertilidade sem causa aparente, uso de sêmen de doador e casos selecionados de disfunção ejaculatória são candidatos à utilização de IIU. A IIU é contraindicada nos casos de oligoastenoteratozoospermia moderada e grave, e nos casos de elevada fragmentação do DNA espermático. A probabilidade de gravidez com IIU é virtualmente nula quando a proporção de espermatozoides com dano da cromatina excede 30% e 12%, de acordo com os métodos da avaliação estrutural da cromatina espermática (Sperm Chromatin Structure Assay - SCSA) e TUNEL (terminal deoxynucleotidyl transferase-mediated dudp nick-end labelling), respectivamente 8,9 (B). Segundo os dados publicados pela RED Latinoamericana de Reprodução Assistida (2009), 13.410 ciclos de inseminação intrauterina com sêmen de marido (homóloga) e 2.430 ciclos de inseminação intrauterina com sêmen de doador (heteróloga) foram realizados. A maioria dos procedimentos foi em mulheres com idade inferior a 34 anos. A taxa de gestação clínica foi influenciada pela idade da mulher e o esquema de indução hormonal usado. Nas inseminações homólogas, as taxas de gestação clínica e nascidos vivos foram de 16% e 13%, ao passo que nas heterólogas os valores correspondentes foram de 20% e 17%, respectivamente 10 (C). A probabilidade de gravidez com IIU é virtualmente nula quando a proporção de espermatozoides com dano da cromatina é elevada. 3. QUANDO INDICAR FIV NO FATOR MASCULINO E QUE Ainda que se tenha obtido gestações em casos de oligozoospermia grave (< 1 milhão/ml) ou com espermatozoides cirurgicamente recuperados, a FIV clássica se mostrou pouco efetiva para pacientes com parâmetros seminais que não cumprem os parâmetros mínimos determinados pela Organização mundial da Saúde (2010) 11,12 (C). Mas pode ser indicada para pacientes com

alterações seminais leves e moderadas. De acordo com os dados publicados pela RED Latinoamericana de Reprodução Assistida (2009), 4.101 ciclos de FIV clássica foram realizados. De forma geral, as taxas de gestação e nascido vivo foram de 27,6% e 27%, respectivamente, sem levar em consideração, entretanto, a presença de fator masculino 10 (C). A FIV clássica pode ser indicada para pacientes com alterações seminais leves e moderadas. 4. QUAL É A INDICAÇÃO DE ICSI NO FATOR MASCULINO E QUE As indicações de ICSI no fator masculino incluem oligo- e/ou asteno- e/ou teratozoospermia grave, azoospermias obstrutiva e não-obstrutiva (utilização de espermatozoides extraídos cirurgicamente), diminuição da integridade do DNA espermático e infertilidade imunológica. Após a extração de espermatozoides a ICSI é utilizada ao invés da FIV clássica, pois com a ICSI, as taxas de fertilização são superiores 12 (C). Taxas mais elevadas de gestação (52,9% vs. 22,2%) e nascidos vivos (47,1% vs. 22,2%) foram obtidas com ICSI versus FIV clássica, quando amostras seminais com taxas elevadas de fragmentação do DNA espermático foram utilizadas 13 (B); muito embora uma meta-análise conclui que os resultados da fragmentação do DNA espermático não são preditivos dos resultados, comparando ambos os métodos 14 (A). De acordo com os dados publicados pela RED Latinoamericana de Reprodução Assistida (2009), 23.073 ciclos de ICSI foram realizados. De forma geral, as taxas de gestação e nascido vivo foram de 27,5% e 26,0%, respectivamente, sem levar em consideração, entretanto, a presença de fator masculino 10 (C). Após a extração de espermatozoides, a ICSI é utilizada ao invés da FIV clássica, pois com a ICSI, as taxas de fertilização são superiores.

REFERÊNCIAS 1. Vital and Health Statistics, series 23, no.26, CDC. Extraído de: http://www.cdc. gov. [citado 3 de agosto de 2012]. 2. World Health Organization. WHO Manual for the Standardised Investigation and Diagnosis of the Infertile Couple. Cambridge: Cambridge University Press, 2000. 3. European Association of Urology. Guidelines on Male Infertility 2010.Extraído de: http://www.uroweb.org/gls/pdf/male%20infertility%202010. pdf [citado 3 de agosto de 2012]. 4. Esteves SC, Miyaoka R, Agarwal A. Surgical treatment of male infertility in the era of intracytoplasmic sperm injection - new insights. Clinics 2011;66:1463-77. 5. Rowe T. Fertility and a woman s age. J Reprod Med 2006:51;157-63. 6. Van Voorhis BJ, Barnett M, Sparks AE, Syrop CH, Rosenthal G, Dawson J. Effect of the total motile sperm count on the efficacy and cost-effectiveness of intrauterine insemination and in vitro fertilization.fertilsteril 2001;75:661-8. 7. Kruger TF, Acosta AA, Simmons KF, Swanson RJ, Matta JF, Oehninger S. Predictive value of abnormal sperm morphology in in vitro fertilization.fertilsteril 1988;49:112-7. 8. Bungum M, Humaidan P, Spano M, Jepson K, Bungum L, Giwercman A. The predictive value of sperm chromatin structure assay (SCSA) parameters for the outcome of intrauterine insemination, IVF and ICSI. Hum Reprod 2004;19:1401-8. 9. Duran EH, Morshedi M, Taylor S, Oehninger S. Sperm DNA quality predicts intrauterine insemination outcome: a prospective cohort study. Hum Reprod 2002; 17:3122-8. 10. REDLARA. Registro Latinoamericano de Reprodução Assistida 2009. Extraído de: http://www.redlara.com/images/arq/registro2009.pdf 11. Esteves SC, Miyaoka R, Agarwal A. Sperm retrieval techniques for assisted reproduction. IntBraz J Urol 2011;37:570-583. 12. Silber SJ, Nagy ZP, Liu J, Godoy H, Devroey P, Van Steirteghem AC. Conventional in-vitro fertilization versus intracytoplasmic sperm injection for patients requiring microsurgical sperm aspiration. Hum Reprod. 1994;9:1705-9.