Fisica de relâmpagos

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Transcrição:

Fisica de relâmpagos

Scholand e seus colegas na África do Sul foram os pioneiros em realizar medidas simultâneas dos processos de um relâmpago, ou seja, eles fotografaram e mediram o campo elétrico de um raio em 1934.

No processo inicial de um relâmpago, um raio desce em pequenos caminhos e pára, após um intervalode tempo pequeno (~ < 1 µs) um novo raio se propaga para baixo utilizando o mesmo caminho do raio anterior, e assim se estende mais um pouco. Este processo continua até que o raio chegue ao chão. Este tipo de descarga atmosférica é conhecida como stepped leader ou líder escalonado (passos de ~50-100 m, o tamanho é ~ V/750, onde V é o potencia kv/m ). Sendo que as ramificações ocorrem, porém não chegam ao chão. Uma vez que o raio líder escalonado está próximo ao chão (~ 5 50 m) um raio se propaga do chão para o raio (raio conectante), formando o raio de retorno que é mais luminoso, sendo que ele é conhecido como return stroke ou descarga de retorno.

Analisando a Figure 75, observamos que o campo elétrico diminui a medida que o líder escalonado se aproxima do chão, enquanto que o campo elétrico aumenta se estivermos a uma distância grande. Quando o raio líder se conecta ao chão e temos uma descarga de retorno, o campo elétrico aumenta rapidamente para valores positivos. Esta configuração implica que as cargas negativas são transportadas para o chão através do canal do líder escalonado e as cargas positivas são transportadas para cima quando ocorre a descarga de retorno.

a) Caracteristicas de relâmpagos ou flashes Flash é uma definição utilizada para caracterizar um evento de relâmpago formado pelo líder escalonado, descarga de retorno e descargas sub-sequentes (dartleader). Sendo que em geral uma flahs pode ter várias multiplicidades (uma descarga de retorno e várias descargas sub-sequentes). Mínimo Médio Máximo Número de descargas 1 3 32 Intervalo de tempo entre as descargas (ms) 3 40 100 Duração do Flash (s) 0,02 0,2 2 Carga Transportada (C) 3 25 90

b) Mecanismos de ruptura na atmosfera ( breakdown ) Os raios tem comprimentos da ordem de vários quilômetros. Se houver uma descarga da nuvem para a terra, uma voltagem grande é necessária para haver a ruptura. Teorias sugerem que as descargas do tipo nuvem terra (NS ou CG) inciam com uma descarga local na nuvem entre os centros de cargas positivas e negativas. Esta descarga serviria então para dar mobilidade para o centro de cargas negativa, como também para o movimento para baixo.

A partir de medidas de laboratório observou-se o seguinte: i) O campo elétrico para a ruptura é da ordem de 300 kv/m para um campo uniforme em condições atmosféricas de T e P de um sala (30ºC e 1000 mb). Porém para um campo elétrico não uniforme o campo elétrico é muito menor. ii) os elétrons estão sempre presentes no ar devido aos raios cósmicos e radioatividade natual. Quando ocorre a ruptura, esse elétronos são acelerados a uma energia suficiente para produzir a ionização através da colisão com as moléculas do ar, sendo que estes elétrons produzidos pela ionização produzem novos elétrons.

iii) quando os elétrons são produzidos por processos primários um segundo processo ocorre, o qual mais inonização ocorre através da colisão de íons+ e prótons emitidos pelo ar. Portanto este processo provoca uma avalanche de elétrons durante a ruptura do campo de intensidade. Além desse processos são necessários campos de cargas de espaço, as quais aumentam a condutividade da região.

c) Lider Escalonado Existem 2 tipos: α e β. diâmetro do canal ~ 1-10 metros (estimado por fotografia) corrente de vários amperes, o que induz uma corona muito luminosa

d) Descarga de retorno Quando a ponta do líder escalonado carregado negativamente chega ao chão, a carga deste raio é transferida rapidamente para o chão.

Portanto um campo elétrico grande é criado a partir do ponto B, no qual os elétrons livres se propagam na ponta e avançam na descarga positiva. Os elétronos se momvem a uma velocidade alta e quando eles se movem criam uma avalanche de elétrons que ioniza e aquece o ar no caminho e deixam para trás um canal altamente ionizado.

Como resultado, um fluxo posivitivo se moverá para cima a uma alta taxa de velocidade apesar os íons positivos serem relativamente imóveis. Desta forma, eles neutralizam as cargas negativas na região vaporizada e ramificações do lider escalonado. Nessa transferência de cargas uma energia considerável sobre o núcleo é adicionada, logo a temperatura aumenta. Análises espectrais indicam que o núcle chega a Temperatura de ~ 30.000 K.

Portanto a pressão aumenta já que a densidade de massa não pode aumentar apreciavelmente e assim a pressão cinética do canal excede a pressão do ar. Logo, o canal expande com velocidade super-sônicas, produzindo ondas de choque cilindricas as quais eventualmente se tornam um trovão.

e) Lider subsequente Se as cargas negativas não são transferidas inteiramente durante uma descarga de retorno, o líder subsequente tomará lugar e se propagará no canal anterior do relâmpago a partir da nuvem para o o solo.