AULA DIA 02/03 Docente: TIAGO CLEMENTE SOUZA E-mail: tiago_csouza@hotmail.com DIREITO PROCESSUAL PENAL IV
dias. i)- Sentença em audiência ou no prazo de 10 - Prazo para encerramento da Primeira Fase do Procedimento do Júri 90 dias (art. 412). Prazo impróprio, entretanto não havendo justificativa razoável para o retardamento, deve ser o acusado colocado em liberdade. - Decisões possíveis na Instrução Preliminar: I) Pronuncia; II) Impronúncia; III) Absolvição Sumária e IV) Desclassificação
- 1.1.1.8.1 PRONÚNCIA (encerra a primeira fase interlocutória mista): * Não produz coisa julgada material (pode haver desclassificação no plenário); * Resume-se a indicar a materialidade do fato e a existência de indícios suficientes de autoria ou de participação (indicar circunstâncias de aumento de pena específicas do tipo derivado, Ex: Art. 121, 4 e 6 CP e qualificadoras, Ex: 121, 2, CP FIXAÇÃO DO TIPO PENAL);
* Não poderá fazer qualquer menção as regras sobre concursos de crimes, a causas de diminuição de pena, tais como o privilégio (art. 7, LICPP), a agravantes, nem atenuantes, a fim de preservar o campo de atuação dos jurados (FIXAÇÃO DA PENA). ** Crítica de Aury Lopes Jr. ao Indubio pro societate: fere o princípio da presunção de inocência. **** Crimes Conexos: pronunciado o crime de competência do júri, o conexo o seguirá (não será objeto de decisão condenatória ou absolutória nessa fase).
* Quanto a decretação ou revogação de prisão preventiva: segue-se a mesma lógica das prisões cautelares. obs.: o art. 408, 2 autorizava o juiz a decretar a prisão provisória, quando o réu fosse reincidente ou tivesse maus antecedentes (era consequência automática da sentença de pronúncia), daí o surgimento do art. 413, 3. Além da revogação do art. 594. * Intimação da Decisão de Pronúncia; - pessoalmente ao acusado, ao defensor nomeado e ao MP; - defensor constituído, querelante e as assistente de acusação, intimação por nota de expediente (intimação no DO); - Acusado em LINS, intimação por edital (Com a atualização legislativa é possível haver julgamento sem a presença do réu no plenário).
SÚMULA 710 NO PROCESSO PENAL, CONTAM-SE OS PRAZOS DA DATA DA INTIMAÇÃO, E NÃO DA JUNTADA AOS AUTOS DO MANDADO OU DA CARTA PRECATÓRIA OU DE ORDEM.
* A sentença de pronúncia poderá ser alterada mesmo depois de preclusa, desde que observada circunstância superveniente modificadora da classificação do delito (art. 421, 1, CPP). Ex.: Pronunciou por tentativa de homicídio. Posteriormente à pronúncia chega aos autos a prova da morte da vítima decorrente da ação do agente. Há necessidade de alteração da pronúncia, para homicídio consumado. A lei 11.689/08 diz que apenas o MP será ouvido, mas em observação ao princípio do contraditório e da ampla defesa é necessário que se o acusado também se manifeste.
* Sentença de Pronúncia interrompe o curso da prescrição da pretensão punitiva. Não perde a força interruptiva em caso de eventual desclassificação pelos jurados (Súmula n. 191 do STJ A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri venha a desclassificar o crime ). Ex.: Júri desclassifica uma tentativa de homicídio para um crime de lesão corporal. Na prescrição retroativa, a pronúncia continuará interrompendo seu curso. * Da Sentença de Pronúncia cabe Recurso em Sentido Estrito (Art. 581, IV).
1.1.1.8.2 IMPRONÚNCIA - decisão terminativa, já que encerra o processo sem julgamento de mérito. * Cabe Recurso de Apelação; * Não havendo convencimento da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação; ** Crítica de Aury Lopes Jr.: inconstitucionalidade (estado de pendência e insegurança social) violação ao princípio da presunção de inocência. * Despronúncia: decisão do Tribunal que reforma a decisão de pronúncia (Espínola Filho) ou de quando há juízo de retratação do magistrado diante do ajuizamento de Recurso em Sentido Estrito contra decisão de Pronúncia.
1.1.1.8.3 DECLASSIFICAÇÃO * Dar ao fato uma definição jurídica diversa, tanto de um crime mais grave para outro menos grave, mas também no sentido inverso. * Pode ocorrer na primeira fase ou em plenário; * Desclassificação própria: desclassifica para crime cuja competência não é a do Tribunal do Júri; * Desclassificação imprópria: desclassifica para outro crime de competência do Tribunal do Júri.
* Com a antiga sistemática legal (art. 410), havendo desclassificação abria-se vista à defesa para, querendo, indicar novas testemunhas, prosseguindo-se, a partir daí, para a sentença final. * A mera desclassificação não é suficiente, por si só, para permitir a imediata soltura do réu preso. É necessário observar os requisitos da prisão cautelar.
1.1.1.8.4 ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA - sentença, com análise de mérito. * cabe recurso de Apelação. * Hipóteses: -estar provado a inexistência do fato ou de que o réu não é autor ou partícipe do fato; - quando o fato narrado não constitui infração penal (fato atípico);
- Demonstrada a presença de qualquer causa de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade (salvo quando única tese defensiva for a excludente prevista no art. 26 do CP doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado); Ex.: A defesa pode ter alegado a hipótese de legítima defesa. Mesmo que inimputável o réu, há viabilidade de ser absolvido com base na excludente de ilicitude. E, se tal ocorrer, porque sua conduta foi considerada lícita, não se pode impor medida de segurança. Em face disso, é possível que se queira demonstrar a ocorrência da legítima defesa aos jurados. O magistrado, então, embora constatada a inimputabilidade, deve pronunciar o réu para ser julgado pelo Tribunal do Júri (não sendo caso de absolvição sumário, em decorrência de dúvida, por exemplo).
* A absolvição sumária exige certeza, diante da prova colhida. Segundo Nucci Havendo dúvida razoável, torna-se mais indicada a pronúncia, pois o júri é o juízo constitucionalmente competente para deliberar sobre o tema (Manual de Processo Penal e Execução Penal, p. 698) * Pela antiga sistemática era obrigatório a submissão ao reexame necessário ou recurso de ofício. Isso não mais ocorre.