DICAS DE ORTOGRAFIA ABRIL 2015

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DICAS DE ORTOGRAFIA ABRIL 2015

Ortografia Você está pronto para as mudanças? A ortografia da língua portuguesa foi alterada pelo Acordo Ortográfico, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990. Após diversos adiamentos, o documento passará a vigorar em todos os países de língua portuguesa a partir de 1 de janeiro de 2016. Neste material, apresentamos um brevíssimo histórico das alterações ortográficas da língua portuguesa e algumas dicas sobre o que mudará com a adoção da medida. O texto aqui apresentado é a compilação de diversos artigos publicados no blog Conversa de Português no período de 2009 a 2012. HISTÓRICO DAS MUDANÇAS As alterações propostas pelo documento atingem apenas 0,5% das palavras da língua portuguesa, porém o Acordo foi motivo de discórdia entre os países da CPLP em diversos momentos; razão pela qual, demorou tanto tempo para ser assinado e posto em prática. A seguir, veja o histórico dos acordos anteriores. 1931 Brasil e Portugal assinam o primeiro acordo ortográfico, que não foi obedecido por nenhum dos dois países. 1943 São redigidas as Instruções para a Organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, texto aprovado unanimemente pela Academia Brasileira de Letras, na sessão de 12 de agosto de 1943. Neste

documento, estão previstos, entre outros, os seguintes itens: alfabeto de 23 letras (k, y e w seriam usadas apenas em casos especiais); eliminação das consoantes mudas (aquelas que eram grafadas, porém não pronunciadas; inclusão de brasileirismos consagrados pelo uso; registro das abreviaturas; regras de acentuação gráfica. 1945 É assinado o Decreto n.º 8.286, de 5 de dezembro de 1945, que aprova o Acordo Luso-Brasileiro para a unidade ortográfica da língua portuguesa, resultante dos trabalhos da Conferência Inter-Acadêmica de Lisboa. A principal novidade são os acentos agudos em vogais nasalizadas (prémio, económico) e a restituição das consoantes mudas, usos mais lusitanos do que brasileiros. 1955 O presidente Café Filho assina a LEI N.º 2623, de 21 de outubro de 1955, que retoma o sistema ortográfico brasileiro e revoga o Decreto de 1945. 1971 O presidente Eurico Médici assina a LEI N.º 5.765, de 18 de dezembro de 1971, que altera novamente a ortografia e determina o período de quatro anos para que as editoras se adaptem às novas regras. As principais alterações são a supressão do acento circunflexo, em palavras como ele, que era escrita êle. 1986 Representantes de seis países de língua portuguesa assinam, no Rio de Janeiro, um projeto para um novo acordo ortográfico, mas este foi considerado muito radical.

1990 Em outubro, representantes de sete países reúnem-se em Lisboa e determinam que os signatários do Acordo devem transformá-lo em lei e que a Academia de Lisboa e Academia Brasileira de Letras devem publicar um vocabulário ortográfico comum. Em 16 de dezembro, é aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 1995 O Congresso brasileiro aprova o Acordo Ortográfico. 2002 O (CPLP). Timor Leste adere à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 2004 Na 5ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo, realizada em São Tomé, decide-se que o Acordo passa a vigorar com a assinatura de apenas três países da CPLP. 2007 O Acordo já está assinado por Brasil, Cabo Verde e São Tomé, o que valida o documento; no entanto, a CLPL ainda aguarda a assinatura de Portugal. 2008 Em julho, o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva sanciona o Acordo. Em setembro, o presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva sanciona a lei que determina a adoção das novas regras no Brasil.

2009 Em 1 de janeiro, as novas regras ortográficas passam a ser usadas no Brasil e determina-se um período de adaptação até 31 de dezembro de 2012, durante o qual as duas ortografias poderão ser utilizadas. 2012 Em 27 de dezembro, a presidente Dilma Rousseff assina o Decreto Nº 7.875/12, que transfere de janeiro de 2013 para janeiro de 2016 a entrada do Brasil no Acordo firmado pelos países lusófonos em 1990. O objetivo é ajustar o calendário brasileiro de aplicação do documento ao de Portugal. O QUE MUDA? ALFABETO O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa determina que o alfabeto passará a ter 26 letras. Deste modo, as letras k, w e y, que eram usadas apenas em casos especiais passam a ser oficialmente consideradas. AS CONSOANTES MUDAS Neste caso, encontram-se palavras como aspecto, concepção, corrupto. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa orienta para o seguinte uso: o c, [ ], nas sequências cc, cç, ct, e o p das sequências interiores pc, pç e pt, ora se conservam, ora se eliminam. Deste modo:

a. Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, ficção, friccionar, pacto, adepto, apto, erupção, eucalipto, núpcias, rapto. b. Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar; afetivo, aflição, aflito, ato, ação, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo. TREMA Desaparece em quase todas as palavras Continua em palavras estrangeiras e seus derivados: Como era: Lingüiça Pingüim Como fica: Linguiça Pinguim Müller Bündchen USO DAS INICIAIS MAIÚSCULAS O Acordo não apresenta alterações quanto ao uso das iniciais maiúsculas. Veja abaixo quando usá-las. Antropôninos (nomes de pessoas), apelidos, topônimos (nomes de lugares): Antônio, Sousa, Moraes, Coração de Leão, Madagascar, Rio de Janeiro, Paris, Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Nomes sagrados, religiosos, mitológicos, astronômicos: Deus, Júpiter, Via- Láctea. A inicial maiúscula pode ser usada também, por tradição, nos pronomes que se referem a Deus e à Maria, mãe de Cristo ( Nós Vos adoramos, Cremos nela). Nomes de épocas históricas, datas importantes, atos ou festas solenes, grandes empreendimentos públicos: : a Idade Média, a Revolução Francesa, a Renascença, o Descobrimento do Brasil; a Páscoa, o Natal. Títulos de obras ou criações do intelecto humano (arte, ciência, cultura): a Nona Sinfonia, a Divina Comédia, Dom Casmurro. Nomes de cargos eminentes: Papa, Cardeal, Arcebispo, Governador (Observa-se na imprensa, no entanto, o uso corrente da minúscula, mas isto é um descuido lingüístico). A minúscula somente deveria ser empregada de modo a generalizar o emprego. Títulos de leis, decretos, atos, usados em correspondências oficiais: Lei do Inquilinato, Decreto-Lei, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Nomes dos pontos cardeais, quando designam região: o Norte, o Sul, o Sudeste. As expressões Fulano, Beltrano e similares, quando usadas no lugar de nome próprio. Nomes comuns usados como nomes próprios: o Amor, o Ódio. Nomes compostos ligados por hífen mantêm sua autonomia: Grã- Bretanha, Acordo Luso-Brasileiro, Capitão-de-Mar-e- Guerra.

ACENTUAÇÃO O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa aborda acentuação gráfica das palavras em suas bases VIII a XIII 1. Devemos sempre nos lembrar de que toda palavra é acentuada, porém apenas algumas têm tal acento representado na escrita; a isto chamamos de acento tônico e acento gráfico. O acento tônico recai sempre sobre a sílaba que exige maior esforço expiratório de voz; o acento gráfico mostra, por meio de um sinal, qual é esta sílaba. Por que, então, nem todas as palavras são acentuadas graficamente? Porque o acento gráfico aparece apenas na minoria das palavras. Quando, por exemplo, dizemos que todas as palavras proparoxítonas são acentuadas estamos afirmando que, na língua portuguesa, as palavras proparoxítonas (aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima) são a minoria. O acento tônico recai sempre sobre a sílaba que exige maior esforço expiratório de voz; o acento gráfico mostra, por meio de um sinal, qual é esta sílaba. Veja as principais mudanças: Ditongos abertos ÉI, ÉU e ÓI nas paroxítonas Esses ditongos deixam de ser acentuados nas paroxítonas: Como era: jibóia geléia Medéia idéia Como fica: jiboia geleia Medeia ideia 1 O texto do Acordo Ortográfico é dividido em vinte uma bases, que estabelecem as normas para a ortografia da língua portuguesa.

Palavras terminadas em -ee ou -oo Não se acentuam as formas verbais terminadas em eem e a vogal tônica do hiato oo: creem, leem, releem, veem, deem, voo, povoo. Acentos diferenciais Desaparece o acento diferencial das palavras homógrafas (escrita igual). a) para (verbo) e para (preposição); b) pela /é/ (substantivo e flexão do verbo pelar em oposição a pela /ê/, combinação de per + a; c) pelo (verbo) e pelo (combinação de per+o). Acentuação dos hiatos 1. Acentua-sea segunda vogal tônica do hiato (I ou U), seguida ou não de s: saúde, saída, egoísmo, balaústre, Ataíde, construí-los, Luís. 2. Se estas vogais forem seguidas de outras consoantes, ou de nh, não serão acentuadas: ainda, ruim, raiz, Luiz, sair, rainha. 3. Se a vogal do hiato vier precedida de ditongo, não haverá acento: Bocaiuva. (Esta regra foi alterada no documento de 1990, pois o I e o U eram acentuados nestes casos). Grupos GUE, GUI, QUE e QUI. Desaparece o acento agudo dos grupos gue, gui, que e qui em verbos como apaziguar, averigue, enxague.

USO DO HÍFEN Prefixos Usa-se hífen Não se usa hífen hiper, inter, super Palavras começadas com h ou r: super-homem, hiperrequintado, inter-racial Em todos os outros casos: supersônico, intercontinental vice sub agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi,sobre, supra, tele, ultra circum, pan ex Sempre com hífen: vicereinado, vice-rei, vicepresidente, vice-diretor Quando o segundo elemento começar com b, h ou r: subhumano, sub-brigadeiro, subhepático Quando o segundo elemento começa por h ou por vogal igual à última do prefixo: antiherói, contra-argumento, auto-oxidação, extraabdominal Quando o segundo elemento começa com h,m, n ou vogais: circum-navegação, circum-hospitalar, panamericano Em palavras com o sentido de estado anterior ou cessamento: ex-patrão, ex-presidente, ex-marido ---- Em todos os outros casos: subaluguel, subarrendar, subconsciência, subdelegado Em todos os outros casos: autoajuda, contrabaixo, contraindicação, contrarregra, contrarreforma, ultrassom Em todos os outros casos: circumpolar, panromânico Em todos os outros casos: exportação pós, pré, pró Quando estes prefixos são tônicos e o segundo elemento constitui um vocábulo independente: pósgraduação, pré-candidato, pré-escolar, pré-natal, próreitor, pré-requisito* Nos outros casos: posposição, pretexto *O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, registra também a forma prerrequisito.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 5.ed. São Paulo: Global, 2009 BRASIL. Decreto Nº 7.875, de 27 de dezembro de 2012. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/decreto/d7875.htm Acesso em 4 abr 2015