Fibras & Polpas.

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Transcrição:

Fibras & Polpas www.celso-foelkel.com.br

Breve relato sobre: O que faz uma polpa distinta da outra? Como a morfologia da fibra influencia a performance da polpa? Como trabalhar o suprimento de matéria-prima para dar singularidade ao nosso produto? Quais as principais diferenças entre espécies de fibras importantes para o Brasil?

A madeira, sua química e sua anatomia, é a principal causa das diferenças entre polpas Lignina residual: alvura opacidade rigidez Hemiceluloses: inchamento ligação entre fibras α-celulose resistência fibrilas bonding Ângulo fibrilar resistência fibra individual colapsabilidade

O que causa a singularidade a uma polpa de mercado? As fibras possuem características distintas das demais Elas se orientam a produtos distintos Elas têm performance superior na máquina de papel do cliente Elas oferecem a combinação ideal entre: características do produto final eficiência de trabalho da máquina de papel Relação Custo/Benefício ideal

Como tornar uma polpa única? Fracionamento de fibras Seleção de espécies Modificação química ou física no processo Polpa diferenciada no mercado

A madeira determina importantes características: Comprimento fibra: resistência superficial resistência úmida rasgo Rede de fibras: resistência rigidez Inchamento porosidade Parede celular: Largura da fibra: colapsabilidade bonding flexibilidade colapsabilidade coarseness drenagem resistência da fibra individual

O comprimento das fibras faz a primeira das diferenças SWDs longas resistentes poucas formação HWDs curtas superfície papel prop. óticas formação maciez

Espessura da parede faz a segunda das grandes diferenças Espessa: rasgo alto tração baixa alto bulk folha porosa fraca resistência úmida baixa opacidade alta velocidade de absorver água drenagem rápida rugosidade superficial população fibrosa baixa Fina: tração alta baixo rasgo baixo bulk folha densa e bem ligada maior resistência úmida alta opacidade drenagem vagarosa boa formação superfície lisa população fibrosa alta alta capacidade de reter água

Efeito da Coarseness das Fibras Fibras pesadas: Alto rasgo Alto bulk Alta porosidade Fraca folha úmida Baixa opacidade Alta rapidez para absorver água Drenagem rápida Superfície rugosa Baixa população fibrosa Bonding prejudicado Fibras leves: Alta tração, estouro Baixo bulk Baixa porosidade Folha úmida resistente Alta opacidade Alta colapsabilidade Alta retenção de água Drenagem lenta Superfície lisa Alta população fibrosa Bonding favorecido

A morfologia da fibra é fundamental pois afeta performance da máquina e produto final Propriedades da madeira Prop. das fibras Prop. das folhas úmidas Propriedades do papel Espessura parede Coarseness Bonding Tração Largura fibra Resistência fibra individual Resistência superficial Rasgo Comprimento fibra Composição química Entrelaçamento Flexibilidade Resistência desaguamento Opacidade Densidade Ângulo fibrilar Resistência parede Colapsabilidade Fibrilação e defeitos (curl, etc) Estrutura da folha Lisura Porosidade Pontos frágeis na parede celular Geração finos

Polpas de fibras longas

Porque fibras longas? Maquinabilidade Resistências das folhas úmidas e secas Papéis especiais Porosidade, velocidade absorção, rasgo,etc

Como muda a morfologia das fibras longas?

Como muda a morfologia das fibras longas? Comprimento das fibras Relação lenho inicial e lenho tardio Proporção de fibras juvenis (desbastes, ponteiros, etc)

Principais espécies de polpas de fibras longas consumidas no Brasil Polpa Arauco de Pinus radiata Coarseness = 23 mg/100m População fibrosa = 2,8 milhões/grama WRV = 105 % Finos DPCJ = 1,2 % Comprimento fibra Kajaani= 2,3 mm

Principais espécies de polpas de fibras longas consumidas no Brasil Polpa Alto Paraná de Pinus taeda Coarseness = 21 mg/100m População fibrosa = 3,8 milhões/grama WRV = 95 % Finos Kajaani = 2,4 % Comprimento fibra Kajaani= 2,1 mm

Fibras de Pinus taeda

Fibras de Pinus taeda

Polpas de Hardwoods

Anatomia madeira é muito similar Aspen Bétula Maple

Espécies em destaque atualmente Acacia mangium Eucalyptus globulus Eucalyptus urograndis

Folha de papel de eucalipto

Folha de papel de eucalipto

Acácia tem uma população fibrosa maior

Acácia

Diferenças morfológicas polpas HWDs Espécie Coarseness População fibrosa Comprimento fibras Pentosanas Finos DPCJ WRV Espessura parede celular SR inicial Unidade mg/100m milhões mm % % % micra ºSR E. urograndis 6-8 20-23 0,70 0,75 15-18 8-9 120-130 3,5-4,2 20-22 E. globulus 8-9,5 17-22 0,7 0,8 19-22 7-8 110-115 4,0-5,0 17-19 E. nitens 5,5-6,5 23-24 0,65 0,75 15-17 8,0 9,5 125-130 3,0-3,5 22-24 Acacia mangium 6,5-8 26-28 0,6 0,65 14-16 9-10 125-135 3,4-3,6 24-26 A. mearnsii 8,5-10 16 19 0,65 0,75 19-22 7-8 100-105 4,5-5,5 15-17

Fibras curtas e numerosas afetam a formação e a opacidade Formação & Opacidade Acácia Bétula Aspen Eucalyptus

Fibras numerosas e resistentes ao colapso favorecem o bulk e a porosidade Bulk & Porosidade Eucalyptus Bétula Acácia Maple

Aplicações indicadas para fibras curtas e mais colapsáveis devido baixa coarseness Papéis base para revestimento Papéis para rótulos Papéis release Papéis glassine Papéis térmicos Papéis demandando maiores bonding, formação e lisura ( exemplo: fotográfico) Papéis P&W

Aplicações indicadas para fibras curtas e de alta coarseness Papéis decorativos Papéis filtros Papéis tissue Papéis cigarro