Desafios Institucionais do Brasil: A Qualidade da Educação

Documentos relacionados
EDUCAÇÃO. Base para o desenvolvimento

EDUCAÇÃO. Base do Desenvolvimento Sustentável

A RELAÇÃO ENTRE O DESEMPENHO ESCOLAR E OS SALÁRIOS NO BRASIL

O Papel da Educação no Desenvolvimento Econômico e Social

Universidade Nova de Lisboa Ano Lectivo 2006/2007. João Amador Seminário de Economia Europeia. Economia Portuguesa e Europeia. Exame de 1 a época

PRODUTIVIDADE DO TRABALHO E COMPETITIVIDADE: BRASIL E SEUS CONCORRENTES

Políticas para Inovação no Brasil

A Norma Brasileira e o Gerenciamento de Projetos

Educação, Economia e Capital Humano em Portugal Notas sobre um Paradoxo

Relatório Gráfico de Acessibilidade à Página Janeiro até Dezembro / 2007

Como reduzir a desigualdade de oportunidades educacionais no Brasil: equalização dos gastos, da eficiência ou adequação à diversidade?

Q: Preciso contratar um numero de empregados para solicitar o visto E2? R: Não, o Visto E2 não requer um numero de empregados como o Visto Eb5.

ESPANHA Porta de acessoà Europa para as multinacionais brasileiras

Integrando informação, indicadores e melhoria: experiências internacionais. OECD e da Europa. Niek Klazinga, QualiHosp Sao Paulo, April 3th 2012

Sessão de Informação ERASMUS+ 1 9 d e m a r ç o d e I n s t i t u t o P o l i t é c n i c o d e B e j a

A Relação entre o Desempenho Escolar e os Salários no Brasil. Andréa Zaitune Curi Naércio Aquino Menezes Filho

A evolução dos impostos nos países da OCDE, no período de 1990 a 2003: Comparação com Portugal

CREBi Media Kit. Site CREBI Conforme relatórios de visitas emtidos em dezembro de 2008, temos os seguintes dados médios:

Avaliação da Educação Básica. Saeb/Prova Brasil e Ideb

CARTA DO DIRETOR-EXECUTIVO

Associação KNX Portugal

Empreender em Portugal: Rumo a um Empreendedorismo Sustentado

Os Determinantes do Desempenho Escolar do Brasil

Foad Shaikhzadeh Presidente Furukawa Industrial SA

Os Determinantes do Desempenho Escolar do Brasil

Revitalização da Indústria Fonográfica no Brasil

Educação para o Desenvolvimento

OS DESAFIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO PNE NA REDE MUNICIPAL

Global Innovation Index 2018 rankings

Meninas casadas até os 18 anos na América Latina (%) Meninas casadas até os 15 anos (%) Bolivia (Plurinational State Costa Rica (17º) Brazil (3º)

Pisa 2012: O que os dados dizem sobre o Brasil

Indicadores da Internet no Brasil

A FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA (FCT)

A Previdência Social ao redor do mundo

Indices de Felicidade

EUROPEAN SOCIAL SURVEY Atitudes face à Prisão Preventiva e à Tortura como forma de evitar actos terroristas

Avaliação de aprendizagem em larga escala: o PISA

INFORMAÇÕES SOBRE O MERCADO DE ÁGUA MINERAL NA GRÉCIA

Serviços de telefonia. condições de prestação

Global leader in hospitality consulting. Global Hotel Market Sentiment Survey 1 Semestre 2014 BRASIL

José Alexandre Scheinkman

Financiamento: Inovação e / ou Sustentabilidade em tempos de crise. Adalberto Campos Fernandes

MVNO Operadoras Virtuais no Brasil. Conhecendo o usuário brasileiro. Valter Wolf 18 de Novembro de 2010

Estudo de Caso da Folha de Pagamento dos Servidores do Estado do Rio Grande do Sul

PNE: OS CAMINHOS A PERCORRER PARA OFERTAR, COM QUALIDADE, A EDUCAÇÃO INFANTIL

Audiência no Senado Escolha e Contratação da Entidade Aferidora da Qualidade 22 de Março de 2012 Luiz Eduardo Viotti Sócio da PwC

Projeto GeoCONVIAS abril 2009

Frente Parlamentar pela Federalização da Educação Básica A Nota da Federalização

Global leader in hospitality consulting. Global Hotel Market Sentiment Survey 2 Semestre 2013 BRASIL

Amartya Sen e os desafios da educação. Wanda Engel Superintendente Executiva do Instituto Unibanco

O ENSINO DE CIÊNCIAS E A EDUCAÇÃO BÁSICA: PROPOSTAS PARA SUPERAR A CRISE

HCC - HEALTH CARE COMPLIANCE

Serviços de Informação do Benchmark de Métricas da Força de Trabalho

CIESP SOROCABA Riscos Comerciais e Políticos e Seguro de Crédito à Exportação. Denise Cortez Executiva de Negocios

Transcrição:

Desafios Institucionais do Brasil: A Qualidade da Educação André Portela Souza EESP/FGV Rio de Janeiro 13 de maio de 2011

Estrutura da Apresentação 1. Porque Educação? Educação e Crescimento 2. Educação no Brasil Resultados de Quantidade Resultados de Qualidade Gastos em Educação 3. Desafios Institucionais: Como aumentar a eficiência dos gastos? Algumas experiências brasileiras O uso dos métodos estruturados O uso do sistema de incentivos: O programa pró-jovem Elementos para um sistema de accountability no Brasil A provisão descentralizada da educação pública O IDEB

Porque educação A educação é um elemento importante para o crescimento pois é um componente do capital humano das pessoas. O capital humano é um dos fatores determinantes do crescimento econômico

Educação e Crescimento

Educação e crescimento

Educação no Brasil Embora tenha aumentado ao longo dos anos, o Brasil apresenta níveis relativamente baixos de anos de escolaridade (quantidade) Analogamente, embora tenha aumentado ao longo dos anos, o Brasil apresenta níveis muito inferiores de proficiência (qualidade)

Educação no Brasil: Quantidade Médias de Anos de Escolaridade da População Adulta 14 1960 1990 2000 2010 12 10 8 6 4 2 0 Argentina Brazil Chile Colombia Fonte: Banco Mundial, 2010 Mexico Peru Canada France United Kingdom USA China Japan Korea, Rep. OECD average

Educação no Brasil: Quantidade Fluxo Educacional no Brasil Fonte: Banco Mundial, 2010.

Educação no Brasil: Qualidade Exame de Matemática do PISA

600 Educação no Brasil: Qualidade Score point change in mathematics between 2003 and 2009 PISA 2009 performance above OECD average Performance declined PISA 2009 performance above OECD average Performance improved Mean score in mathematics in 2009 550 500 450 Hong Kong-China Korea Finland Japan Liechtenstein Switzerland Netherlands Canada Macao-China New Zealand Belgium Australia Germany France Iceland Denmark Slovak Republic Norway Czech Republic Sweden Poland Hungary Ireland Luxembourg Spain United States Latvia Russian Federation Serbia Italy OECD average - 34 Portugal Greece Turkey Thailand Uruguay Mexico 400 350 PISA 2009 performance below OECD average Performance declined Indonesia -30-20 -10 0 10 20 30 40 Tunisia Score point change in mathematics performance between 2003 and 2009 Brazil PISA 2009 performance below OECD average Performance improved

Educação no Brasil: Qualidade Percentage of students below proficiency Level 2 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Korea o Hong Kong-China o Liechtenstein o Finland o Korea o Hong Kong-China o Macao-China o Canada o Japan o Netherlands o Liechtenstein o Macao-China o Canada o Japan o Switzerland o New Zealand o Australia o Netherlands o Switzerland o New Zealand o 2009 2003 Luxembourg + Italy - Australia o Iceland + Denmark o Norway o Germany o Belgium + Poland o Ireland + Slovak Republic o Sweden + Hungary o Czech Republic + France + Latvia o United States o Portugal - Spain o Luxembourg + Italy - Russian Federation Greece - Serbia o Turkey - Uruguay o Mexico - Thailand o Brazil - Tunisia - Indonesia o Change in the percentage of students below proficiency Level 2 in th ti b t

Educação no Brasil: Qualidade Proficiência de Matemática no SAEB 300 280 260 Score 240 220 200 180 160 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 Year 4th Grade 8th Grade 11th Grade Note: Public schools include Estadual and Municipal Schools, except in 11th Grade where it only includes Estadual Schools

Gastos em Educação no Brasil O Brasil não gasta pouco em educação. O Brasil gasta em educação, em proporção ao PIB, cerca da média dos gastos dos países da OCDE. Mas o Brasil gasta mal. A distribuição dos recursos é mais favorável ao alunos ao final do ciclo de vida escolar A eficiência dos gastos em termos de quantidade e qualidade da educação é muito baixa

Gastos em Educação Gastos Públicos em Educação como % PIB de 2007 Fonte: Banco Mundial 2010.

Gastos em Educação Gastos por aluno por níveis educacionais em relação ao custo aluno na educação primária em 2007 Educação primária = 100 Fonte: Banco Mundial 2010.

Gastos em Educação Proficiência Média Gastos por aluno nos municípios do Brasil em 2007 Menezes Filho (2009)

A influência da escola na proficiência Estudos nossos aplicando métodos de decomposição de variância encontram que do total da variância de proficiência entre os alunos da quarta série do ensino público: 60%-70% é devido à qualidade do matching escola/aluno Destes, 10%-15% é efeito da escola. O restante é devido ao efeito fixo do aluno

Desafios institucionais: Como aumentar a eficiência dos gastos Algumas experiências brasileiras: O uso dos métodos estruturados Os sistemas de ensino de métodos estruturados propõem oferecer: Estruturação dos conteúdos curriculares e das atividades pedagógicas por meio de materiais didáticos destinado a alunos e professores. Capacitação e assessoria pedagógica ao corpo docente e acesso a portal educativo.

Desafios institucionais: Impactos dos métodos estruturados Tabela 16: Regressão com Efeito Fixo do Município: Amostra Ampliada 4a Série 8a Série Taxa de Taxa de Proficiência Proficiência Proficiência Aprovação Aprovação Matemática Português Matemática (1a a 4a) (5a a 8a) Proficiência Português Método Estruturado 0,626 4,712** 3,353** 2,077 6,261** 4,921* (0,655) (2,284) (1,624) (1,596) (2,928) (2,660) Ano 2007 1,342*** 12,679*** 0,569 1,481** 3,058** 6,955*** (0,255) (0,887) (0,631) (0,670) (1,230) (1,118) Constante 91,341*** 194,622*** 185,610*** 86,396*** 246,692*** 228,509*** (0,169) (0,591) (0,420) (0,456) (0,836) (0,760) Número de Observações 852 852 852 302 302 302 nota: *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1. Desvio padrão entre parênteses.

Desafios institucionais: Impactos dos métodos estruturados O Efeito Por Ponto de Partida 4a Série 20 15 Português Matemática 10 5 0-5 155 165 175 185 195 205 215 225-10 -15

Desafios Institucionais: A experiência do Programa Jovem do Futuro A finalidade do projeto é a melhoria na gestão das escolas estaduais com o objetivo principal de elevar o desempenho escolar e diminuir a evasão dos alunos do Ensino Médio O Instituto Unibanco propõe que as escolas elaborem um Plano Estratégico de Melhoria de Qualidade (PEMQ) As atividades desenvolvidas pelas escolas participantes do projeto, de acordo com seu PEMQ, devem respeitar as linhas financiáveis propostas pelo Instituto Unibanco, são elas: incentivos ao professor, incentivos ao aluno e infra-estrutura. As escolas participantes recebem um valor total de R$ 100 por aluno cadastrado, cursando o Ensino Médio (1 ao 3 ano), durante 3 anos (tempo de duração do projeto em cada escola). Para verificar a meta de desempenho escolar, o Instituto Unibanco desenvolveu um sistema de avaliação em larga escala, baseado no SAEB, que permite medir a proficiência dos alunos nas disciplinas de língua portuguesa e matemática. Os alunos da 1ª série do Ensino Médio são avaliados censitariamente por meio de três avaliações: uma diagnóstica em março, uma formativa em junho e uma somativa ao final do ano letivo, em novembro. A escolha das escolas participantes do projeto foi feita aleatoriamente.

Desafios Institucionais: A experiência do Programa Jovem do Futuro Modelo Estimado: NS ij = α + ρnd ij + βt + γy j + u j + e ij NS ij Nota somativa somativa do aluno i da escola j ND ij Nota diagnostica do aluno i da escola j T T=1 se o aluno i pertence a uma escola j do grupo de tratamento e T=0 se pertence a uma escola j do grupo de controle Y j Matriz de variáveis observáveis relativas à escola j a qual o aluno pertence, do censo escolar 2007. u j componente aleatório do erro da escola j e ij componente aleatório do erro do aluno i da escola j Minas Gerais Nota somativa de matemática Nota somativa de português Rio Grande do Sul Nota somativa de matemática Nota somativa de português Intercepto 87,61*** 78,05*** (11,4884) (11,2144) Intercepto 99,38*** 118,86*** (8,0495) (10,2523) Nota diagnóstica de 0,65 *** 0,65*** Nota diagnóstica de 0,58*** 0,50*** matemática/portuguê s (0,0099) (0,00949) matemática/portugu ês (0,01275) (0,0124) Tratamento (T) 11,16** 15,34*** (4,4260) (4,3135) Tratamento (T) 20,57*** 23,93*** (3,4267) (4,9748) N 6.735 6.833 N 4.481 4.607

Elementos para um sistema de Accountability Um sistema de accountability comporta: Provisão descentralizada do bem público Um sistema de avaliação externa (provas, exames,etc.) Um sistema de indicadores Formulação de metas com base nos indicadores Um sistema de prêmios e punições em função das metas alcançadas O Brasil já possui alguns desses elementos. O desafio está em organizá-los de modo a alinhá-los aos resultados de aprendizado dos alunos

Elementos para um sistema de Accountability A descentralização da provisão da educação pública Ocorreu nas últimas duas décadas a municipalização das redes de ensino: transferências das escolas dos estados para os municípios A expectativa é que a descentralização permita alinhar melhor os interesses dos beneficiários com os provedores e gestores

Desafios institucionais 70% 60% Participação das Matrículas em Escolas Privadas e Públicas Estaduais e Municipais em Relação às Matrículas Totais do Ensino Fundamental Estaduais Municipa is Privadas 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

Desafios institucionais: impacto da municipalização Resultados Médios dos Exames de Proficiência 4ª Série E-E E-M M-M Matemática SAEB 173,77 175,61 170,21 Prova Brasil 178,55 180,03 174,79 Diferença 4,78 4,42 4,58 Dif. - Dif. -0,36 Português SAEB 165,96 165,52 162,38 Prova Brasil 172,10 172,13 167,77 Diferença 6,14 6,61 5,39 Dif. - Dif. 0,46

O IDEB IDEB sj = ProvaBrasil sj * π sj ProvaBrasil sj = proficiência média na última série do ciclo Π sj = taxa de aprovação média no ciclo s = ciclo j = escola Normalizado entre 0 e 10

Desafios institucionais A dificuldade do sistema de accountability está em criar indicadores que reflitam bem o impacto dos esforços dos agentes sobre os resultados de interesse (aprendizado dos alunos)

Results Ranking by Familiar Background versus Ranking Proficiency 4 th 1000 800 rank profic 600 400 200 0 y = 0,8861x + 58,141 R² = 0,7852 0 200 400 600 800 1000 rank θj Fonte: Cury e Portela Souza 2011.

Results Ranking by Management versus Ranking Proficiency 4 th 1000 800 rank profic 600 400 y = 0,2685x + 373,42 R² = 0,0721 200 0 0 200 400 600 800 1000 rank θj Fonte: Cury e Portela Souza 2011.

Desafios institucionais A outra dificuldade está em estabelecer um sistema explícito de metas e punições. Remuneração variável Progressão em carreira Prêmios coletivos ou individualizados

Desafios institucionais Fonte: de Pieri, 2011.

Desafios institucionais Fonte: de Pieri, 2011.