Gerado em: 15/03/2016 05:17 Código: 136841 Processo Nº: 0 / 2016 Partes Andamentos Decisão >Concessão >Liminar Vistos. Tipo: Cível Lotação: Terceira Vara Assunto: c/c Liminar Livro: Feitos Cíveis Juiz(a) atual:: Janaína Rebucci Dezanetti Tipo de Ação: Mandado de Segurança >Procedimentos Regidos por Outros Códigos, Leis Esparsas e Regimentos >Procedimentos Especiais >Procedimento de Conhecimento >Processo de Conhecimento >PROCESSO CÍVEL E DO TRABALHO Impetrante(s): Bonanza Industria e Comércio de Carnes Ltda EPP Impetrado(a): Anselmo Loose BONANZA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA EPP impetrou Mandado de Segurança em face do SENHOR FISCAL ESTADUAL DE DEFESA AGROPECUÁRIA DO INSTITUTO DE DEFESA AGROPECUÁRIA DO ESTADO DE MATO GROSSO (INDEA/MT), SR. ANSELMO LOOSE, alegando, em síntese, que a impetrada interditou indevidamente as atividades da empresa impetrante, em razão de uma simples tubulação que passa dentro de uma câmara pulmão, por onde passam as carcaças dos suínos que são manuseadas dia a dia. Alega que é estabelecimento tradicional da cidade de Alta Floresta no ramo de abate de suínos e gera aproximadamente 90 (noventa) empregos. Sustenta que no dia 08 de março de 2016 foi lavrado termo de embargo/interdição pela autoridade apontada coatora, proibindo o abate a partir do dia 08 de março de 2016, em virtude de estar ocorrendo a condensação da tubulação da câmara pulmão e também a contaminação dos produtos fabricados. Sustenta que a impetrada lacrou todo o estabelecimento, sem laudo técnico prévio. Menciona que a visita do Sr. Fiscal foi seguida do Termo de Notificação de n 000604, que na verdade não se tratou de termo de notificação, mas sim de interdição, tendo em vista que não é possível desenvolver as atividades sem a utilização
desta câmara, eis que o Termo de Notificação descreve o seguinte: Lacrei a câmara pulmão da desossa da fábrica até a retirada da tubulação adaptada para a produção de água fria. A fábrica voltará ao funcionamento somente com a conclusão total das obras de ampliação deste setor devendo o mesmo estar ausente de águas residuais de mesas, pias e forçadores, sem a fiação de piso e com a iluminação adequada, bem como a temperatura de 15 C. Narra, ainda, que realmente recebeu a notificação para que fosse retirada a tubulação da câmara pulmão em 10.11.2015 e foi novamente visitada em 26.02.2016, ocasião em que foi autuada pelo descumprimento da notificação, conforme autos de infração n 14554 e 14555, e Termo de notificação n 000603, anexados ao presente Mandado de Segurança. Afirma que não o fez tendo em vista a narrativa do fiscal em relação a condensação e contaminação das carcaças suínas, não condizer com a realidade. Requer a concessão da liminar, inaldita altera pars, a fim de suspender a interdição da câmara pulmão e da área total da Impetrante. Juntou aos autos os documentos de fls. 24/61. É o breve relatório. Fundamento. DECIDO. Trata o presente mandamus sobre o direito da impetrante retomar a prática das suas atividades, após seu estabelecimento ter sido interditado pela autoridade apontada coatora, sob a alegação de estar ocorrendo a condensação da tubulação da câmara pulmão e também a contaminação dos produtos fabricados. Para a concessão da medida liminar em mandado de segurança devem concorrer dois requisitos legais, quais sejam: 1 que haja relevância dos motivos ou fundamentos em que se assenta o pedido inicial; e 2 que haja a possibilidade da ocorrência de lesão irreversível ao direito do impetrante, ou dano de difícil reparação, seja de ordem patrimonial, funcional ou moral, se for mantido o ato coator até a sentença final, ou se o provimento jurisdicional instado só lhe for reconhecido na sentença final de mérito, nos precisos nos precisos termos do artigo 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009.
Pois bem. Manuseando detidamente os autos, verifico que assiste razão à impetrante. Com efeito, ao analisar o termo de embargo/interdição nº 14555, que ensejou a interdição das atividades de abate de animais suínos praticadas pela impetrante (fl. 60), denota se que a suposta infração que culminou na interdição não foi atestada por laudo técnico. Não houve, pois, qualquer atestado técnico sobre a ocorrência de condensação na câmara pulmão, gotejando nas carcaças suínas e contaminando os produtos fabricados. Ademais, consta às fls. 48/50 o parecer técnico emitido pela FUJIWARA ENGENHARIA LTDA no dia 02.03.2016, contrário às afirmações do Impetrado. Outrossim, o certificado oficial de análise juntado às fls. 42/43 atesta a inexistência de queixas de contaminação ou alterações maléficas nos produtos fabricados pela impetrante. Destarte, não obstante a legitimidade do poder de polícia do órgão de fiscalizar a atividade empresarial, a drástica medida da interdição do frigorífico revela se desarrazoada, pois, não se pode olvidar, ainda, que "os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa" configuram princípio da República Federativa do Brasil e fundamento do Estado Democrático de Direito e da ordem econômica, de modo que o ato praticado pela Administração consistente em embargar o estabelecimento, especificamente no exercício do seu Poder de Polícia, deve se restringir à casos excepcionais e categoricamente demonstrados. Com efeito, o sobrestamento das atividades da empresa impetrante é medida desnecessária no presente momento, lastreada na documentação carreada aos autos quanto à inexistência de contaminação ou alteração maléfica nos produtos fabricados e considerando se ainda os efeitos sociais dela decorrentes (afetação na situação patrimonial e econômica da empresa que tem o dever de pagar empregados, tributos, etc). Ressalto que no caso em comento a impetrante demonstrou, por meio dos documentos que instruíram a inicial, que a interdição do estabelecimento, ao menos neste momento prefacial, é ato desnecessário, o que evidencia a necessidade de assegurar o direito de continuar a desenvolver suas atividades até o deslinde do mandamus, sob pena de causar prejuízos irreversíveis, caso tenha que aguardar o provimento final no presente feito. Assim, entendo como preenchidos o fumus boni iuris e o periculum in mora necessários, razão pela qual é imperioso o deferimento da liminar. Ante o exposto, DEFIRO a liminar requerida, a fim de autorizar o impetrante a praticar as atividades de abate de animais suínos até o deslinde final do presente mandado de segurança; em consequência, SUSPENDO A INTERDIÇÃO da câmara pulmão e da área total da empresa impetrante, expressa no Termo de Notificação de n 000604.
Expeça se o respectivo mandado para cumprimento da liminar. Notifique se a autoridade apontada como coatora, a fim de que, no prazo de dez (10) dias, preste as informações necessárias (art. 7º, I, da Lei nº 12.016/2009). Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da impetrada, dê se vista dos autos ao Ministério Público Estadual para parecer pelo prazo de 10 dias. Após, com ou sem parecer, conclusos para sentença. Cumpra se, expedindo se o necessário. Carga De: Terceira Vara Para: Gabinete da Terceira Vara Concluso p/despacho/decisão Certidão de Registro e Autuação Certidão de Recebimento Carga De: Distribuidor Para: Terceira Vara
Distribuição do Processo Distribuído URGENTE em às 12:42 Horas para Terceira Vara Com o Número: 1317 73.2016.811.0007 Processo Cadastrado