PROJETO CIRCUITO MATEMÁTICO CAMPOS, Andréia Paula Justino 1 ; SILVA, Marcos Paulo Souza da 2 ; QUADROS, Vera Cristina de 3. INTRODUÇÃO Desde o início da vida escolar, alguns alunos compreendem a matemática como disciplina difícil e exaustiva. Às vezes, a forma como é trabalhada não os incentivam, não é desafiadora nem estimulante. Em consequência, surge um número elevado de alunos com dificuldade de aprendizagem na disciplina. Segundo Macedo, Petty e Passos(2005), a matemática pode ser analisada como uma ciência formal e rigorosa, constituída de várias regras e fórmulas; mas também pode ser apresentada como um conjunto de habilidades práticas necessárias à sobrevivência e por isso mesmo, ser trabalhada de forma diferenciada. Uma forma diferenciada de se trabalhar a matemática é através da ludicidade. Como a matemática ainda é vista como enfadonha, chata, sem sentido, para os alunos, a adoção de atividade lúdica pelo professor com a inclusão de problemas, serve como uma estratégia para a aprendizagem significativa dos alunos. Mas, para que ocorra aprendizagem significativa, o prazer é elemento indispensável. Para uma aula ter características lúdicas não é necessário haver jogos ou brinquedos. A ludicidade depende da atitude dos alunos e do professor. Envolve sensibilidade, engajamento, predisposição interna, de formação de novas atitudes, de romper com um modelo educativo internalizado (tecnicista). Todas as atividades que geram uma experiência de plenitude, onde há o envolvimento por inteiro, com criação, alegria, imaginação, são momentos lúdicos. Momentos que possibilitam o encontro consigo e com o outro, ir pela imaginação e pela realidade, da descoberta à aprendizagem. Na atividade lúdica, não importa apenas o produto da atividade. Importa mais a própria ação, o momento vivido. A vivência possibilita momentos de encontro consigo e com o outro, de imaginação e de realidade, de descoberta e de aprendizagem. Conforme Moysés (1997), para Vygotsky, o jogo é visto como um conhecimento feito ou se fazendo, que se encontra impregnado do conteúdo cultural 1 Matemática, docente de Matemática, supervisora do PIBID; Escola Estadual Padre Arlindo Ignácio de Oliveira; Campo Novo do Parecis-MT; e-mail: ap_jc@hotmail.com 2 Matemático, docente na Licenciatura em Matemática, coordenador de área do PIBID; IFMT; Campo Novo do Parecis-MT; e-mail: marcos.silva@cnp.ifmt.edu.br 3 Pedagoga, docente na Licenciatura em Matemática, coordenadora de área do PIBID; IFMT; Campo Novo do Parecis-MT; e-mail: vera.quadros@cnp.ifmt.edu.br
que emana da própria atividade. Seu uso requer um planejamento que permite a aprendizagem dos elementos sociais em que está inserido (conceitos matemáticos e culturais). E no ensino de matemática, a proposta lúdica ainda pode desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Na visão de Smola, Diniz e Milani (2007), o jogo proporciona o desenvolvimento da linguagem, estimula o raciocínio lógico, a interação, leva o aluno a uma desacomodação, onde ele pode tornar-se uma pessoa crítica, e com autoconfiança. O uso de jogos e curiosidades no ensino da Matemática tem o objetivo de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, mudando a rotina da classe e despertando o interesse do aluno envolvido. A aprendizagem através de jogos permite que o aluno faça da aprendizagem um processo interessante e divertido. Por isso que os jogos, se convenientemente planejados, são um recurso pedagógico eficaz para a construção do conhecimento matemático. Nesta perspectiva, desde setembro de 2012, o curso de Licenciatura em Matemática, através do subprojeto Matemática do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência do Instituto Federal de Mato Grosso Campus Campo Novo do Parecis (PIBID/IFMT/CNP) tem desenvolvido ações na escola parceira, a Escola Estadual Padre Arlindo Ignácio de Oliveira (Pe. Arlindo). Tendo a ludicidade por princípio metodológico, é desenvolvido o Apoio Escolar, que consiste no atendimento, no contraturno, dos alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem da matemática. Participam alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, selecionados por seus professores de matemática. Todavia, considerando o pequeno quantitativo de alunos da escola que conhecem e participam do PIBID, no relatório final de 2014, propôs-se a realização de uma atividade para todos os alunos da escola Pe. Arlindo. Destarte, no início deste ano, foi gestado o Projeto Circuito Matemático. Um projeto extensionista junto à escola Pe. Arlindo, voltado aos alunos do 3º ciclo do Ensino Fundamental, proposto como atividade primeira do PIBID/IFMT/CNP eme 2015, com o desafio de romper com a cultura de que a Matemática e seu aprendizado são difíceis, através do lúdico e do trabalho interativo. OBJETIVO
Este texto tem o objetivo socializar o Projeto Circuito Matemático realizado no dia 26 de março de 2015, pelos pibidianos do subprojeto Matemática do PIBID/IFMT/CNP, aos alunos do Ensino Fundamental da escola Pe. Arlindo. Foi objetivo geral do Projeto despertar o interesse pela aprendizagem da Matemática. E como objetivos específicos, o projeto almejou: ampliar o diálogo acadêmico com a comunidade escolar; propiciar espaços educativos diferenciados tanto para aos licenciandos de Matemática quanto para a comunidade escolar; apresentar uma matemática atrativa, interessante, desafiadora e divertida; e, estimular a participação dos alunos nas atividades do PIBID ofertadas na escola Pe. Arlindo. METODOLOGIA O projeto foi estruturado e executado através da metodologia participativa. Em reuniões com todos os bolsistas (pibidianos) do subprojeto Matemática do PIBID/IFMT/CNP, no período de fevereiro de 2015, o projeto foi idealizado e estruturado. No início de março, a coordenação e supervisão do subprojeto reuniram-se com a equipe gestora da escola Pe. Arlindo para apresentar o projeto. A proposta foi acolhida e aprovada pelos representantes da escola. Desta reunião, ficou definida a data de realização do projeto 26/03/2015 e o cronograma de visitações (das turmas da escola). Foram selecionados jogos individuais e em duplas assim como atividades que estimulassem a criatividade, a interação e o raciocínio lógico dos alunos. No dia do Circuito Matemático, no espaço da quadra poliesportiva coberta da escola, foram organizadas equipes (entre os pibidianos) para atender os seis espaços diferenciados criados para receber os visitantes, a citar: - TANGRAN: desafios de montar imagens e a letra inicial do próprio nome; - ENCAIXES GEOMÉTRICOS: desafios com pentaminós; - TEM LÓGICA: desafios envolvendo topologia, com arames, argolas e cartas; - JOGOS DE MEMÓRIA: envolvendo operações fundamentais; - JOGOS ESTRATÉGICOS SIMPLES: jogos individuais e em duplas que exigem ações estratégicas simples (resta um; forma quatro; jogo da velha; trilha); - CAMINHO MATEMÁTICO: trilha gigante, onde os alunos são as peças do jogo, envolvendo cálculos de multiplicação e divisão. E, como todo circuito, as turmas visitantes deveriam realizar, participar das atividades propostas no Circuito Matemático. Por isso, cada turma teve um horário
específico para visitação, acompanhada do professor que estava ministrando aula na turma. Por fim, no início de abril, em reunião com todos os bolsistas do subprojeto Matemática do PIBID/IFMT/CNP, houve a avaliação do projeto e consequente elaboração de relatório. RESULTADOS O diálogo entre academia e comunidade escolar foi ampliado. A forma participativa, ouvindo todos os envolvidos, desde a etapa de elaboração do projeto, permitiu que as relações fossem estreitadas. Aos pibidianos foi possível a vivência de uma prática educativa diferenciada, para além da sala de aula, de caráter não formal embora dentro do espaço da escola. Sua preparação para a realização do projeto envolveu estudo do conhecimento matemático, pesquisa sobre jogos e atividades adequados aos objetivos propostos, planejamento e execução das ações individualmente e em equipe. As atividades propostas foram adequadas ao objetivo de apresentar uma matemática atrativa, interessante, desafiadora e divertida. Houve grande participação e interesse dos alunos na realização das atividades. Participavam pelo prazer e pelo desafio apresentado, sem coação ou obrigação de fazê-lo, conforme observa-se nas imagens abaixo: Imagem 1 Caminho Matemático Imagem 2 Encaixes Geométricos Fonte: Acervo pessoal, 2015. Fonte: Acervo pessoal, 2015 Imagem 4 Tangran Imagem 5 Tem Lógica Fonte: Acervo pessoal, 2015. Fonte: Acervo pessoal, 2015.
Imagem 6 Jogos Estratégicos Imagem 6 Jogos de Memória Fonte: Acervo pessoal, 2015. Fonte: Acervo pessoal, 2015. Nas socializações, na reunião de avaliação, os pibidianos testemunharam o envolvimento e o prazer com que os alunos participaram das atividades. Alguns, não saíam da mesa enquanto não tivessem conseguido resolver o desafio. Outros, apostavam entre si quem resolvia em menor tempo. E que, em virtude do tempo (cada turma tinha cinquenta minutos), vários não conseguiram passar em todas as mesas, pois queriam realizar todos os desafios e jogos propostos. No decorrer de abril, os pibidianos retornaram à escola, indo de sala em sala, convidando-as para participarem dos encontros semanais de Apoio Escolar, no Laboratório de Ensino de Matemática da escola. Relataram, em reunião, a acolhida festiva e o interesse demonstrado pelos alunos, inclusive por alunos do ensino médio. CONCLUSÕES As atividades desenvolvidas no PIBID têm contribuído significativamente com todos os segmentos envolvidos: proporcionam aos pibidianos a oportunidade de desenvolverem a postura de professor, a desenvoltura em sala de aula, como também de integrar o meio escolar e a futura profissão de docente; promovem a articulação da academia com a comunidade; permitem a experimentação metodológica; e, proporcionam aos alunos da escola parceira a descoberta de uma matemática divertida. E o advento do Projeto Circuito Matemático só corroborou para isto. O projeto atingiu os objetivos propostos, sendo outro experimento educativo que ratificou a teoria de que o espaço escolar pode ser um lugar educativo prazeroso, interessante e estimulante. PALAVRAS-CHAVE: Educação matemática, Ludicidade, PIBID.
REFERÊNCIAS: MACEDO, L.; PETTY, A.L.S; PASSOS, N.C. Os Jogos e Lúdico na Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: Editora Artmed, 2005. MOYSÉS, Lucia. Aplicações de Vygotsky à Educação Matemática. 4ª edição. Campinas: Papirus, 1997. SMOLE, K.S; DINIZ, M.I; MILANI, E. Jogos de matemática do 6º ao 9º ano. Cadernos do Mathema. Porto Alegre: Artmed 2007.