Eutanásia: a vida em questão

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Transcrição:

Eutanásia: a vida em questão Matheus HOLANDA SOLLER RESUMO: Neste artigo o tema principal é a eutanásia, ele enfoca a origem da eutanásia e cita os celtas, e a Roma antiga. A eutanásia é permitida em Oregon e Washington nos Estados Unidos da América, Holanda, Bélgica, Uruguai e Colômbia. A eutanásia, como objeto de estudo gera diversas opiniões que insistem em se chocar. Jack Kevorkian é um médico feitor da maquina do suicídio, conhecido como Dr. Morte. Este artigo também enfoca a condição da pessoa perante a doença e a não legalização da eutanásia no Brasil. Aqui falamos também do ponto de vista religioso inserindo o espiritismo, cristianismo. A Constituição reprova a eutanásia, mas aprova a ortotanásia. Também cita no artigo o direito natural e o objetivo relacionando-os á eutanásia. Palavras-chave: suicídio assistido; direito natural; direito objetivo; ética; religião; 1 INTRODUÇÃO Durante muito tempo a eutanásia foi motivo de muita polêmica, pois diz sobre o zelo da vida do ser humano e sobre o direito da morte antecipada. A palavra eutanásia é um termo usado para definir uma pratica que faz parte da humanidade há muito tempo. Os celtas, por exemplo, utilizaram-se muito dessa pratica: quando o pai estava muito velho ou doente ele era morto pelos seus filhos, para que assim o sofrimento fosse evitado; Em Esparta para que o exercito fosse perfeito, os recémnascidos imperfeitos, com problemas de saúde ou com alguma deficiência física eram mortos. Segundo a especialista em Bioética Tereza Vieira: Trata-se de uma polêmica (a eutanásia) que nunca encontrará uniformidade de pensamento, visto que envolve conceitos morais, religiosos, éticos e jurídicos. 2 DESENVOLVIMENTO Encontramos o termo eutanásia pela primeira vez na obra Tratado de Vida e Morte pelo inglês pensador Francis Bacon no século XVII. Mas foi neste século que a eutanásia foi legalizada, em dois mil e um, pela primeira vez na Holanda, o Senado aprovou a lei que permitia aos médicos antecipar a morte de doentes terminais, esta atitude gerou um grande número de pessoas em protesto contra a eutanásia. Um ano depois a Bélgica legalizou a eutanásia. A eutanásia é permitida em Oregon e Washington nos Estados Unidos da América, Holanda, Bélgica, Uruguai e Colômbia.

Conforme expressa a frase, a eutanásia é uma polemica de diversas opiniões alheias, que insistem em se chocar uma contra a outra, pois enquanto a religião protege a vida, a ética protege o direito da eutanásia. Jack Kevorkian foi um médico patologista, ícone quando o assunto é eutanásia, como defensor da eutanásia, Jack foi o autor da máquina do suicídio ajudou cento e trinta doentes terminais dos Estados Unidos a se suicidarem. Apesar da Constituição Federal brasileira não legalizar a eutanásia, esta deveria ser legalizada, pois a vida é um direito e não uma obrigação, a Constituição legaliza a ortotanásia, mas não a eutanásia. No filme mar além, o personagem principal que sofre de uma grave doença diz: A vida quando indigna não é vida. 2.1 A eutanásia e suas facetas e o direito de morrer para não sofrer Amelie Van Esbeen, uma Mulher belga de noventa e três anos, faz greve de fome para ser submetida à eutanásia, ficou há dez dias em greve de fome para forçar ser submetida à eutanásia. As pessoas vivem geralmente em torno de sessenta e cinco anos até setenta e cinco. Mas será que todas elas ao olhar seus últimos anos de vida, se alegram por terem feito muitas coisas produtivas? Algumas pessoas sim, se alegram; mas outras pessoas não, se entristecem. Acredito que este ultimo grupo de pessoas são aquelas que apoiam a eutanásia. A eutanásia por definição dos indivíduos que a apoia é uma escolha de modo a evitar a dor e o sofrimento de pessoas que se encontram sem qualidade de vida ou em fase terminal. Como cita o autor José Ildefonso Bizatto no livro eutanásia e responsabilidade médica: Todo aquele que está convicto, em seu mundo interior, de que a eutanásia é boa e não fere princípios humanos ou divinos, deve admiti-la com boa. O ser humano é fonte infindável de discussão, pois é extremamente complexo principalmente quando falamos de assuntos relacionados à vida e morte. Os religiosos defendem a vida, e a tem como uma dádiva, acreditam que ela é irrenunciável, segundo os espiritas a eutanásia ou suicídio pode ser descrito como: O espiritismo nos revela a causa primeira do suicídio: expiações de faltas de vidas passadas. Tendência á novo suicídio, como expiação. Segundo Allan Kardec a

providencia de Deus esta em toda a parte, e Deus assim, pode libertar o individuo deste pensamento de morte. 2.1.1 A legislação a eutanásia e a ortotanásia Na nossa Constituição podemos encontrar sobre eutanásia: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: ( ) III - a dignidade da pessoa humana. Ainda na Constituição Federal: Art. 5º (artigo que trata dos direitos fundamentais individuais) III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. O Código Civil brasileiro de 2002 assim expressa: Art. 15.º Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de morte, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. Já a Lei dos Direitos dos Usuários dos Serviços de Saúde do Estado de São Paulo, de nº 10.241/99, também conhecida como "Lei Mário Covas", assim expressa: Art. 2º São direitos dos usuários dos serviços de saúde no Estado de São Paulo: XXIII - recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida.

3 Morte digna Viver é um grande desafio, quando falamos a respeito de vida falamos também á respeito da morte, o artigo 319º do código de direito natural espirita relata: Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal? Um sábio da antiguidade vos disse: conhece-te a ti mesmo. Neste raciocínio, o livro de José Fleurí Queiroz e Allan Francisco quer mostrar com o espiritismo, que a pratica da eutanásia é loucura, eles dizem que terríveis penalidades futuras aguardam o suicida. Mas será que acabar com a vida é loucura? Acredito que a resposta socrática escrita nesta pagina, ao contrario do que os espiritas pensam é a resposta que o suicida responde: conhece-te a ti mesmo ou: eu conheço-me, e, é por isso que quero dar fim a este meu sofrimento por meio da eutanásia. Podemos perceber que em muitos lugares o direito objetivo se confronta com direito natural, é o caso Amelie Van Esbeen, a Mulher belga de noventa e três anos, que implora para morrer, fazendo greve de fome para ser feita à eutanásia. Esse direito (morrer com dignidade) deveria ser revisto para que assim a eutanásia seja considerada não somente como um direito natural, mas também como um direito objetivo. A pesar de a legislação proibir a eutanásia ela defende a ortotanásia, que, por sua vez garante o direito da não prolongação da vida, se a vida estiver em um estado de uma doença de extremo prejuízo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Editora Mundo Jurídico. Livro Suicídio é ou não é crime? De José fleurí Queiroz e Allan Francisco Queiroz, 2007. Brasil. Livro Eutanásia e responsabilidade médica, de Bizatto, José Ildefonso,2000.

HBO. Filme Você não conhece Jack (Dr. Morte),2010. Espanha. Filme Mar adentro, de Alejandro Amenábar, 2004. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988. FACULDADES INTEGRADAS ANTONIO EUFRÁSIO DE TOLEDO. Normalização de apresentação de monografias e trabalhos de conclusão de curso. 2007 Presidente Prudente, 2007, 110p.