Introdução. Capitais Internacionais



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Transcrição:

Capitais Internacionais e Mercado de Câmbio no Brasil Atualizado em novembro de 2010 1

Introdução O tratamento aplicável aos fluxos de capitais e às operações de câmbio acompanhou as conjunturas econômicas vividas pelo Brasil, que atravessou períodos de dificuldades e restrições. A estrutura regulatória passou por importantes modificações nos últimos anos, permitindo atualmente transferências do e para o exterior sem necessidade de autorização prévia do Banco Central do Brasil, observados os princípios da legalidade, fundamentação econômica e do respaldo documental. Capitais Internacionais De acordo com a legislação e regulamentação brasileira, os capitais internacionais se dividem em capitais estrangeiros no País e capitais brasileiros no exterior. Os capitais estrangeiros no País são registrados no Banco Central de forma declaratória e individualizada, em moeda estrangeira ou nacional, em bens ou serviços. Já os capitais brasileiros no exterior se sujeitam a declaração anual ao Banco Central. Tanto o registro no Banco Central quanto a declaração anual têm por propósito o acompanhamento dos fluxos de ingresso e saída desses capitais, assim como a permanente avaliação dos seus estoques. Capitais Estrangeiros no Brasil A lei básica que ampara os capitais estrangeiros no País ingressados em moeda estrangeira, bens e serviços é a Lei n 4.131, de 1962. É possível, também, a realização de investimentos em moeda nacional e no mercado financeiro e de capitais, ao amparo de outros instrumentos normativos, na forma comentada no presente documento. Consideram-se capitais estrangeiros para os efeitos da Lei 4.131 os bens, as máquinas e os equipamentos ingressados no Brasil que sejam destinados à produção de bens ou de serviços, bem como os recursos financeiros ou monetários introduzidos no País para aplicação em atividades econômicas. Em ambas as hipóteses, referido capital deve pertencer a pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. É assegurado ao capital estrangeiro tratamento jurídico idêntico ao capital nacional, proibida qualquer discriminação não prevista em lei. Há disposições que devem ser observadas com relação a investimentos estrangeiros em setores específicos da economia, como é o caso dos investimentos em instituições financeiras, em energia nuclear, propriedade e administração de jornais, revistas e demais publicações, assim como em redes de rádio e televisão, entre outros. Maiores informações sobre tais disposições podem ser obtidas na página do Ministério das Relações Exteriores, no seguinte endereço: www.braziltradenet.gov.br. 2

A legislação e regulamentação brasileira exigem para todos os investimentos estrangeiros no País, independentemente da sua modalidade, a realização do seu registro no Banco Central do Brasil. Importante ressaltar que tal registro é meramente declaratório, de caráter não autorizativo. O registro do capital estrangeiro ingressado no País é feito por meio eletrônico, diretamente no Sisbacen - Sistema de Informações Banco Central, no sistema de Registro Declaratório Eletrônico (RDE). As instruções para acesso ao Sisbacen estão disponíveis na internet, no endereço www.bcb.gov.br, opção Sisbacen. Os capitais estrangeiros são registrados em módulos específicos do sistema, de acordo com a sua classificação, ou seja, investimento direto, créditos externos (empréstimos, financiamentos de importação com prazo superior a 360 dias), contratos de assistência técnica, royalties e assemelhados, e aplicações no mercado financeiro e de capitais portfólio. São também passíveis de registro os contratos de garantia prestada por organismos internacionais em operações de crédito interno. Para cada registro é gerado um número de RDE, que passa a ser de utilização obrigatória nas operações de câmbio relativas às remessas ao exterior em pagamento de principal, retorno de capital, juros, lucros e dividendos, cursados diretamente da rede bancária autorizada a operar no mercado de câmbio. Não há necessidade de qualquer exame ou de autorização prévia do Banco Central do Brasil para fins de realização das remessas. As normas sobre capitais internacionais estão disponíveis no endereço www.bcb.gov.br, opção câmbio e capitais estrangeiro, inclusive traduzidas para o idioma inglês. Investimento Direto O investimento estrangeiro direto é regulamentado pela Resolução do Conselho Monetário Nacional n 3.844, de 2010, e pela Circular do Banco Central do Brasil nº 3.491, também de 2010 (Título 3, Capítulo 2 do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais - www.bcb.gov.br/?rmcci). O não residente que desejar investir no Brasil deve, inicialmente, constituir representante no País que, juntamente com o representante da empresa receptora do investimento estrangeiro, serão os responsáveis pelo registro da operação no Banco Central, conforme instruções contidas no endereço www.bcb.gov.br, opção Câmbio e capitais estrangeiros/manuais/manuais do registro declaratório eletrônico/rde-ied Manual do declarante. Uma vez atendidas as questões formais de registro, bem como outras de competência de outros órgãos, inclusive de natureza tributária, não há qualquer tipo de restrição de ordem cambial para realização de transferências do e para o exterior, relativamente a capital, lucros, dividendos, despesas vinculadas ao investimento etc. 3

Investimento em Portfólio O investimento no mercado financeiro e de capitais é regulamentado pela Resolução do Conselho Monetário Nacional n 2.689, de 2000, e pelas Circulares do Banco Central n 2.963, de 2000, e n 3.492, de 2010. Tanto os investidores institucionais quanto os investidores individuais podem investir no Brasil. Os investidores não residentes podem fazer aplicações nos mesmos produtos disponíveis aos investidores domésticos. Para fazer aplicações no País, o investidor residente no exterior precisa nomear representante, que ficará responsável pela prestação de informações e registros junto ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários. Se o representante for pessoa física ou jurídica não financeira, o investidor deve nomear, também, instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central para ser corresponsável pelo cumprimento das obrigações do representante. A nomeação deverá estar formalizada em contrato de representação. Créditos Externos Os créditos externos são regulamentados pela Resolução do Conselho Monetário Nacional n 3.844, de 2010, e pela Circular do Banco Central do Brasil nº 3.491, também de 2010 (Título 3, Capítulo 3 do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais - www.bcb.gov.br/?rmcci). O registro de uma operação no módulo Registro de Operações Financeiras (ROF) deve ser providenciado no Sisbacen, pelo devedor, por meio da internet ou pela rede Serpro, caso o titular seja importador cadastrado no Sistema Integrado de Comércio Exterior - Siscomex. O registro pode também ser realizado por instituição financeira em nome do devedor, conforme instruções contidas no endereço www.bcb.gov.br, opção Sisbacen, opção Câmbio e capitais estrangeiros/manuais/manuais do registro declaratório eletrônico/rde-rof Manual do declarante. As operações envolvendo entidades do setor público federal, estadual e municipal estão sujeitas à prévia manifestação favorável da Secretaria do Tesouro Nacional. Capitais Brasileiros no Exterior As aplicações no exterior por pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no Brasil são livres, observada a legalidade da transação, tendo como base a fundamentação econômica e as responsabilidades definidas na respectiva documentação. As transferências financeiras relativas a aplicações no exterior por instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, por fundos de investimento e por entidades de previdência complementar devem observar regulamentação 4

específica dos respectivos órgãos reguladores (Título 2, Capítulo 1 do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais - www.bcb.gov.br/?rmcci). Anualmente, as pessoas físicas e jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no Brasil, que possuam valores de qualquer natureza, ativos em moeda, bens e direitos fora do território nacional, devem declará-los ao Banco Central do Brasil (Resolução do Conselho Monetário Nacional n 3,854, de 2010). Mercado de Câmbio no Brasil Nos últimos anos, o mercado de câmbio brasileiro vem passando por importantes modificações no sentido de uma maior desburocratização. Em 2005, foi implantada nova filosofia cambial no País, no que diz respeito à regulamentação e aos procedimentos operacionais. Até aquele ano, as transferências ao exterior somente podiam ser cursadas diretamente na rede bancária se estivessem contempladas de forma detalhada na regulamentação do Banco Central. A assunção de compromissos no exterior que pudessem resultar em solicitações de transferências de recursos para o exterior necessitava de prévia manifestação favorável do Banco Central. As operações que não estivessem claramente contempladas na regulamentação também necessitavam de exame, caso a caso, pelo Banco Central. Além disso, até então, a regulamentação indicava os procedimentos a serem observados e, na maioria dos casos, discriminava os documentos necessários à realização das operações. Toda essa carga burocrática foi eliminada pela Resolução nº 3.265, de 2005, do Conselho Monetário Nacional, que estabeleceu a livre negociação entre os agentes autorizados a operar em câmbio e seus clientes, sem limitação de valor e natureza e sem qualquer autorização prévia do Banco Central. Em resumo, todas as operações de câmbio passaram a ser permitidas, desde que observada a legalidade da transação, tendo como base a fundamentação econômica das operações e as responsabilidades definidas na respectiva documentação. A regulamentação cambial brasileira estabelece que todas as operações de câmbio devem ser realizadas com instituições autorizadas a operar no mercado de câmbio no País pelo Banco Central, diretamente ou por meio de instituições conveniadas. Os bancos, exceto os de desenvolvimento, e a Caixa Econômica Federal podem ser autorizados a realizar qualquer tipo de operação de câmbio. Por sua vez, os bancos de desenvolvimento, as agências de fomento, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, as corretoras de câmbio ou de títulos e valores mobiliários e as distribuidoras de títulos e valores mobiliários podem ser autorizados a realizar operações de forma limitada. A Resolução n 3.568, de 2008, do Conselho Monetário Nacional, permitiu que, para operações de até US$ 3 mil, as instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) autorizadas a operar no mercado de câmbio contratem, mediante convênio e sem prévia anuência do Banco Central: i) pessoas jurídicas em geral para negociar a realização de transferências unilaterais; ii) pessoas jurídicas cadastradas no Ministério do Turismo como prestadores de serviços turísticos remunerados, para realização de operações de compra e de venda de moeda estrangeira em espécie, cheques ou 5

cheques de viagem; e iii) instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, não autorizadas a operar no mercado de câmbio, para realização de transferências unilaterais e compra e venda de moeda estrangeira em espécie, cheques ou cheques de viagem. Essa medida possibilita a abertura de novos pontos de atendimento para operações de pequeno valor, sendo visível o alcance social da nova regulamentação que permite a ampliação da capilaridade do mercado de câmbio para atendimento de operações de câmbio manual e transferências internacionais, de pequeno valor. As operações de câmbio são formalizadas pelo uso de formulário definido pelo Banco Central do Brasil, denominado contrato de câmbio, que é registrado no Sisbacen, permitindo a identificação dos clientes, a natureza e o valor da operação, entre outras informações. Nas operações de até US$ 3 mil, ou seu equivalente em outras moedas, são dispensadas a formalização do contrato de câmbio e a documentação que ampara o negócio, mantida a obrigatoriedade de registro da operação no Sisbacen e de identificação do cliente. A Lei n 11.371, de 2006, flexibilizou os procedimentos cambiais aplicáveis às operações de comércio exterior, prevendo que os exportadores nacionais pudessem manter receitas de exportação no exterior. A Resolução n 3.548, de 2008, do Conselho Monetário Nacional, permite que os exportadores mantenham no exterior 100% das receitas auferidas com suas exportações. Assim como as disponibilidades no exterior constituídas via transferência financeira diretamente do País, os recursos de exportação no exterior podem ser usados para liquidação de compromissos externos em nome do exportador, sem qualquer tipo de autorização adicional por parte do Banco Central do Brasil, sendo, no entanto, vedada a realização de empréstimo ou mútuo de qualquer natureza com esses recursos. Caso o compromisso externo liquidado diretamente no exterior seja objeto de registro no Banco Central do Brasil, os responsáveis pelo registro devem informar, na forma e no prazo definido pelo Banco Central, a realização desses pagamentos (Art. 6º da Resolução nº 3.844, de 2010, do Conselho Monetário Nacional). A Resolução n 3.568 permitiu que os bancos autorizados a operar no mercado de câmbio no Brasil (exceto os de desenvolvimento) e a Caixa Econômica Federal realizem operações de câmbio com bancos do exterior, recebendo e entregando, em contrapartida à liquidação da operação, reais em espécie. Além disso, houve elevação para US$ 50 mil dos limites das operações realizadas por sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades corretoras de câmbio, para: i) operações de câmbio simplificado de importação e exportação, sendo o limite anterior de US$ 20 mil; ii) operações de transferências do e para o exterior, de natureza financeira, não sujeitas ou vinculadas a registro no Banco Central do Brasil, sendo o limite anterior de US$ 10 mil. Referida resolução também eliminou a exigência de devolução ao exterior de ordem de pagamento não negociada no prazo de 90 dias, mantida a faculdade de sua 6

negociação de forma integral ou parcelada, sendo obrigação da instituição receptora da ordem avisar imediatamente o beneficiário da chegada da ordem. Não há, portanto, qualquer restrição nas transferências financeiras do e para o exterior, as quais são conduzidas diretamente na rede bancária autorizada, sem interferência do Banco Central do Brasil. Incluem-se, entre essas operações, aquelas realizadas por pessoas físicas e jurídicas residentes e domiciliadas no País, para fins de constituição de disponibilidades em bancos no exterior. No caso de exportações e importações, devem ser observadas as condições registradas no Siscomex. Informações sobre esse sistema estão disponíveis no endereço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC (www.mdic.gov.br). Quanto aos pagamentos internacionais em reais, as pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, podem ser titulares de contas de depósito em moeda nacional no País, exclusivamente em agências que operem em câmbio de instituições bancárias autorizadas a operar no mercado de câmbio. Essas contas devem conter características que as diferenciem das demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação além de ser obrigatório o seu cadastramento no ato da abertura assim como o registro de toda movimentação igual ou superior a dez mil reais no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) pelo banco depositário dos recursos. Às transferências internacionais em moeda nacional aplicam-se, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral e aquelas de valor igual ou superior a dez mil reais sujeitam-se à comprovação documental a ser prestada ao banco no qual é movimentada a conta de domiciliados no exterior ao qual cumpre adotar, com relação a esses documentos, todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e conseqüente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação, sendo obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes, bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação. Cabe notar que podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, os saldos dos recursos próprios existentes nessas contas de nãoresidentes, vedada a sua utilização para conversão em moeda estrangeira de recursos de terceiros. Além disso, a Lei n 11.803, de 2008, permitiu aos bancos autorizados a operar no mercado de câmbio dar cumprimento a ordens de pagamento em reais recebidas do exterior, mediante a utilização de recursos em reais mantidos em contas de depósito de titularidade de instituições bancárias domiciliadas ou com sede no exterior. A possibilidade de tomar ordens de pagamento em reais permite que os brasileiros que 7

se encontram no exterior possam efetuar suas remessas conhecendo, antecipadamente, o valor em reais que será recebido pelo destinatário da ordem, eliminando-se o risco cambial e a possibilidade do banco destinatário cobrar alguma sobretaxa sobre a operação cambial. Nesse caso a operação cambial é feita no exterior e o crédito dos reais pode ser feito de forma automática na conta do destinatário no Brasil. A sistemática de ordens de pagamento em reais pode ser utilizada também por outros não residentes para liquidação de compromissos de quaisquer naturezas, como por exemplo, pagamento de exportações brasileiras, de serviços, investimentos etc. As contas em moeda estrangeira no País somente são admitidas em situações específicas, para residentes e não residentes. A regulamentação cambial brasileira está no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), disponível no endereço www.bcb.gov.br/?rmcci. 8