DA (IM)PRESCRITIBILIDADE DO HOMICIDIO DOLOSO: UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA 1 Franciely Campos França 2 Oscar Francisco Alves Junior Introdução: A possibilidade de tornar o crime de homicídio doloso imprescritível, devendo o Estado punir o autor do crime a qualquer tempo. Para tanto, é preciso demonstrar os motivos e fatores para não aplicar o benefício da prescrição em qualquer fase processual, efetivando a segurança jurídica da vida e cumprir a obrigação do Estado de fazer o delinquente cumprir a pena prevista no Código Penal. Busca incessante pela defesa a vida, que é um direito fundamental e garantida na CFB/88, devendo ser protegida pelo ordenamento jurídico brasileiro com mais rigidez e flexibilidade. Impossibilitar o benefício e o privilégio da prescrição a pena imposta ao delinquente, no crime de homicídio doloso, é fazer a punição seja concretizada a qualquer tempo, tornando este crime imprescritível visando na segurança e efetividade do direito protegido da dignidade da pessoa humana da vítima. Objetivo: A finalidade é verificar a possibilidade e necessidade de reforma do artigo 5º da Constituição Federal Brasileira de 1988 para que se possibilite a imprescritibilidade do homicídio doloso. Metodologia: Foi utilizado o método de natureza básica, com abordagem qualitativa, adotando a coleta de dados bibliográficos e documentais como procedimentos. Resultados e Discussão: A prescrição é um instituto jurídico deixando o Estado falido do poder de punir um crime cometido por um determinado lapso temporal. É absurdamente e injusto que o crime de homicídio doloso prescreve, tratando a vida, qual é maior bem e mais valioso do ser humano, com inferioridade, pois este crime não é um delito qualquer, não podendo ser comparado como qualquer outro crime. A possibilidade de tornar um crime imprescritível é fato concreto e possível, pois o crime de racismo e o crime contra a ordem constitucional de grupos armados são imprescritíveis, conforme Constituição Federal de 1988. Estes crimes imprescritíveis têm mais segurança no ordenamento jurídico brasileiro do que a própria vida de um ser humano que é maior e mais valioso bem jurídico. Existe, portanto, uma inferioridade quando trata-se do crime cometido contra a vida, sendo como o maior bem tutelado pelo ordenamento jurídico, mas que ao final não existe segurança e não garante que seja realizado a verdadeira justiça. O efeito de um crime de homicídio permanece eternamente pelo tempo, ceifando a vida de um ser humano, violando seus direitos como não tivesse protegidos pela lei e por fim, fazendo com que a família e entes queridos convivam eternamente com esses efeitos e deixando-os aflitos almejando por justiça. É injusto deixar o crime de homicídio doloso e a vida do ser humano cair no esquecimento com o tempo, como qualquer crime fosse e como fosse inferior ao crime de racismo e crime contra o ordenamento constitucional, impossibilitando o Estado de cumprir seu dever de punir. O direito a vida é um direito fundamental e garantido na Constituição Federal Brasileira de 1988. Uma vez esse direito violado, não é possível devolver e refazer uma nova oportunidade.
Conclusão: Os benefícios garantidos pela imprescritibilidade do homicídio doloso, ao prevenir e diminuir crimes contra a vida, com base e sem desrespeitar as leis e princípios da legislação, incluindo um inciso no artigo 5º da Constituição Federal 1988 ou a justificativa de não permitirem uma criação de norma legal para possibilitar a imprescritibilidade do crime doloso contra a vida. Referências: GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. Parte Especial. Introdução à Teoria Geral da Parte Especial: crimes contra a pessoa. 9.ed., Niterói: Impetus, 2012. V. II. QUEIROZ, Paulo. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 4.ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008. BRASIL. Constituição Federal. Organização dos textos por Anne Joyce Angher. Vade Mecum Acadêmico de Direito. 15.ª ed. São Paulo: Rideel, 2014. 1 Acadêmica do décimo período do curso de Direito, E-mail: fcfranca88@gmail.com 1 Prof. Me. Orientador do Curso de Direito, Titulação Especialista, E-mai: oscarprof1@gmail.com
A BUSCA PELA JUSTIÇA REAL EQUIVALE AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Alyson Moreira novais¹ Orientador: Johanes Lopes de Moura² 1 INTRODUÇÃO Será desenvolvido nesse trabalho o conceito e a importância de um dos princípios fundamentais da constituição brasileira o do devido processo legal. Destaca-se no trabalho que na solução de um conflito de interesse independente de um ordenamento jurídico codificado, constata a presença do devido processo legal quando pelas partes existe a intenção de se alcançar a justiça, ou seja, se a finalidade da resolução do conflito for justa significa que foi utilizado um processo legal. O objetivo principal é mostrar a soberania desse princípio e como bastaria sua aplicação correta para o seguimento de um processo justo e imparcial. Objetivo O objetivo será a definição do princípio do devido processo legal, assim como demonstrar sua amplitude e grande importância no âmbito processual, destacando sua finalidade, que é o alcance da justiça. Metodologia A metodologia utilizada nesse trabalho foi a pesquisa bibliográfica. Resultados e Discussão Não identificado nos tempos primitivos quando as soluções dos conflitos eram por meio da autotutela, onde o mais forte impunha seus objetivos e vencia pela força. Mas ainda assim nos primórdios da sociedade, quando se resolvia os conflitos pela autocomposição pode se identificar a presença de um processo legal, pelo fato de que o método de conciliação tem cunho democrático e que acarreta na participação mais efetiva das partes seja por submissão, transação ou desistência a solução do conflito era mais justa. Porém não era devido porque não era de direito; não era legal, porque não havia norma expressa sobre. Porém a solução final sendo justa se caracteriza a utilização de um Processo Legal. Como tutela constitucional o antecedente histórico do processo vem previsto nas garantias constitucionais da ação e do processo previsto no artigo 39 da Magna Carta, outorgada em 1215 por João Sem-Terra onde dizia, que nenhum homem poderia ser preso ou perder seus bens sem antes passar por um julgamento. Segundo Miguel Reale (2002, p.304) "princípios são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, a aplicação e integração ou mesmo para a elaboração de novas normas. Acadêmico do 2º período do curso de Direito do CEULJI/ULBRA, Alyson Moreira Novais alysonovais@outlook.com. Orientador: Johanes Lopes de Moura graduado em direito, pós-graduado em metodologia em ensino superior e direito constitucional, mestrando em ciências políticas- johanesmoura.adv@gmail.com
O devido processo legal, significa que nenhum cidadão poderá ser privado de sua liberdade ou de seus bens sem um julgamento justo e determinado com base em regras previamente constituídas em lei. Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º LIV, CF/1988). Em uma divisão que facilita a interpretação do devido processo legal, tem-se três importantes componentes que são: 1. Processo: instrumento pelo qual a jurisdição atua. Jurisdição é a função do Estado mediante a qual este se substitui aos titulares dos interesses em conflito, para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito que os envolve (Cunha, 2008, p. 69). Pode se dizer que o estado resolve o conflito jurídico, mas nem sempre resolve o conflito social. A diversidade de opiniões subjetivas formadas e justificadas em razões próprias, dificultam e tornam quase impossível uma autocomposição, o que leva as pessoas recorrerem ao estado juiz para a solução de um conflito. O estado sana o problema de acordo com a justiça compreendida na forma da lei e dos princípios, no entanto uma das partes pode ficar insatisfeita com a solução, sendo assim o problema jurídico é resolvido, mas permanece o conflito social. Enfim, todos os cidadãos terão o direito de recorrer a um processo para a solução de seus conflitos. 2. Devido: tal expressão traduz um compromisso ético e moral, todos terão direito, a uma devida justiça. Como se o próprio poder judiciário tivesse poderes místicos, onde além de possuírem técnicas de como operar o direito objetivo, de alguma forma também podem alcançar a verdadeira justiça, ou pelo menos é o que deveria ser o direito de todos. No caput do art. 5º, CF/88- destaca a principal ideologia do estado democrático e de direito, todos são iguais perante a lei dessa forma todas as pessoas devem ser tratadas imparcialmente pelo estado juiz no seguimento de seus processos. 3. Legal: Cunha (2008, p. 69) aponta que, o último dos três componentes, expressa que o juiz natural que julga imparcialmente e desinteressado entre o conflito das partes, tem por objetivo seguir o julgamento de acordo com o que está previamente fixado em regras abstratas, genéricas e impessoais, editadas pelos legítimos representantes do povo (único detentor do poder soberano). No devido processo legal é muito importante a presença de outro princípio que emana desse, o do contraditório e ampla defesa, onde o julgamento dos autos é feito segundo as provas examinadas de ambas as partes pelo juiz. Então mesmo que a finalidade de um processo seja a justiça real, é bom destacar que isso nem sempre será possível seja por falta de provas ou por outros motivos. No entanto a busca por essa justiça real deve ser sempre o alvo, para que se afaste cada vez mais a soluções de extrema injustiça. Nesse mesmo sentido, verifica-se que o processo não visa somente a aplicação do direito material, ou seja, ele não é somente um instrumento técnico que o poder judiciário usa para resolver as lides, ou até mesmo o que a sociedade se utiliza para ter garantia constitucional. Mas também como um instrumento dotado de poderes outorgados através do Estado na busca da realização da justiça e paz. Conclusões finais Como resultado parcial dessa revisão bibliográfica, pode se analisar um amplo conceito de um dos princípios constitucionais do ordenamento jurídico brasileiro. Sabendo que em uma
sociedade que presa a Dignidade da Pessoa Humana, esse princípio é essencial, pois garante tratamento igualitário entre as partes de um processo. Não como instrumento de justiça, mas como instrumento de busca pela justiça é que o devido processo legal e todos os outros princípios que emanam desse, auxiliam os operadores do direito e todas as partes de um conflito a se posicionarem e atuarem de forma igual. Garante a todos um procedimento judicial justo, com direito a defesa. Referencias REALE MIGUEL, Lições preliminares de Direito, 27ª edição, São Paulo, Saraiva, 2002. Cunha R. C. Curso de Direito Constitucional, 5º edição. São Paulo, Saraiva, 2008. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, disponível em www.planalto.gov.br, acessado em 05 de abril de 2016