Preservação de Variedades

Documentos relacionados
Os descendentes de Anita Garibaldi

Cattleya intermedia Graham ex Hooker

Cattleya intermedia Graham ex Hooker

GRANDES MATRIZES. Laelia purpurata Deschamps

FLORES QUE CHEGAM COM O FRIO!

A história da C. leopoldii trilabelo "Anita Garibaldi"

Cattleya intermedia Graham ex Hooker

Cattleya leopoldii Verschafelt

Laelia purpurata Lindley

Laelia purpurata e Seu Melhoramento As Vermelhas

Cattleyas intermedias e orquidófilos Viagem ao Sul

Cattleya intermedia Graham ex Hooker

Laelia purpurata e seu melhoramento

Catálogo de Plantas Adultas

ESCRITA CORRETA DOS NOMES GENÉRICOS, ESPECÍFICOS E VARIETAIS DE NOSSAS ORQUÍDEAS:

ORQUIDÁRIO CARLOS GOMES

ORQUIDÁRIO CARLOS GOMES Catálogo Março/2018

COMO CULTIVAR ORQUIDEAS

Métodos de Melhoramento de Espécies Autógamas

Tickets range from $8-$20; children under 2 are free

ORQUIDÁRIO CARLOS GOMES

Laelia purpurata Lindley

ORQUIDÁRIO CARLOS GOMES Catálogo Fevereiro/2019 Imagens ilustrativas

Lavagem de raiz e caule das plantas

2. TIPOS DE DOMINÂNCIA pag. 19

CORES CONHEÇA SUA COLORAÇÃO PESSOAL

Aspectos cromáticos em Cattleya warneri T. Moore e. Cattleya walkeriana. Gardner. Carlos Roberto Loiola Orquidófilo em Belo Horizonte/Brasil

Lista. Seedlings Multiplicação via. Semeadura in vitro. Seedlings aclimatizados. Mudas jovens e semi-adultas

QUESTÕES DE GENÉTICA - PROFESSORA: THAÍS ALVES 30/05/2015

Código Descrição Tamanho Preço

GENÉTICA 2ª Lei de Mendel, Probabilidade (regra do e e do ou )

Genética. Resolução de exercícios! Vai filhããão! Prof. Rafael Rosolen T Zafred

06/06/2017. Melhoramento de espécies autógamas - Método SSD, Método do Retrocruzamento

Aula 08. Melhoramento de espécies autógamas - Método SSD, Método do Retrocruzamento

Melhoramento de espécies. Método do Retrocruzamento MÉTODO DESCENDENTE DE UMA SEMENTE (SSD - SINGLE SEED DESCENDENT)

GENÉTICA MENDELIANA TRANSMISSÃO DE CARACTERÍSTICAS HEREDITÁRIAS

LISTA REC 1º BIM BIOLOGIA

Fungo Phoma em Orquídeas

VOCÊ ENCONTRARÁ NESTE LIVRO A CHAVE PARA ALCANÇAR O

J. Neves Martins

Cálculos e resoluções no Final e verso da lista.

Pegada nas Escolas - LIXO - PROPOSTAS PARA A ESCOLA: LIXO

Revista Orquídeas. Orquidário. Coleção. familiar

Pegada nas Escolas - ÁGUA - PROPOSTAS PARA A ESCOLA: ÁGUA

Pegada nas Escolas - ENERGIA- PROPOSTAS PARA A ESCOLA: ENERGIA

Melhoramento de Espécies Alógamas. Melhoramento de Espécies Alógamas 06/06/2017 INTRODUÇÃO

BIOLOGIA QUESTÕES DE GENÉTICA

Melhoramento de Espécies Alógamas

1º Lei de Mendel. Prof. Fernando Stuchi

Design da Informação. Aula 08 Usando. Prof. Dalton Martins

Pr ================================================================================

BIOLOGIA - 3 o ANO MÓDULO 49 GENÉTICA: INTERAÇÃO GÊNICA

Biologia. Alexandre Bandeira e Rubens Oda (Rebeca Khouri) Genética

Brotavam flores amarelas outras rosas e jasmins margaridas foram aquelas que eram feitas de cetim entre tantas nasceu ela uma orquídea em meu jardim.

PROFESSORA: HAMANDA SOARES DISCIPLINA: BIOLOGIA CONTEÚDO: PRATICANDO AULA - 01

Melhoramento de Alógamas

LGN 313 Melhoramento Genético

Nome: Exercícios de Genética (Conceitos e 1a. Lei de Mendel) Atividade Avaliativa 0 a 2,5

GENÉTICA DE POPULAÇÕES

Identificação de alelos que conferem o fenótipo de milho-doce no banco ativo de germoplasma de milho 1

Pegada nas Escolas - CONSUMO - PROPOSTAS PARA A ESCOLA: CONSUMO

Como decorar com branco

CRUZAMENTO-TESTE e RETROCRUZAMENTO pg.20

Professora Leonilda Brandão da Silva

GENÉTICA Profº Júlio César Arrué dos Santos

CRUZAMENTO-TESTE e RETROCRUZAMENTO pg.20

Plano de entrega Altura Planta(cm) Now Jun-Jul Set-Out Dez, 17 1ºsemestre,18. Maio,2017. Época Floração. Tamanho Flor(cm) Substância Flor.

2ª LEI DE MENDEL Lei da Segregação Independente. DIIBRIDISMO, TRIIBRIDISMO E POLIIBRIDISMO

Genética de Populações Equilíbrio de Hardy-Weinberg

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

Colheita máxima, produção de resina máxima esforço mínimo.

HEREDITARIEDADE CAPÍTULO 3

Interação Gênica Simples Epistasia Herança Quantitativa. Profª Priscila Binatto

MELHORAMENTO DE POPULAÇÕES POR MEIO DE SELEÇÃO INTRODUÇÃO

Retrocruzamento. Allard, Cap. 14 Fehr, Cap. 28

Os Fundamentos da genética. Professora Débora Lia Biologia

Manual de como eu fiz (Passo a passo)

UN.2 -PATRIMÓNIO GENÉTICO E ALTERAÇÕES AO MATERIAL GENÉTICO

MEUS PARABÉNS. Oi, meu nome é Thiago.

Viagem a Santo Ângelo/RS Orquídeas e Chimarrão!

Primeira Lei de Mendel e Heredogramas

Catálogo. *As plantas das fotos não estão disponíveis a venda, o preço apresentado é das mudas disponíveis a venda.

Método Genealógico ( Pedigree )

Aula 6 Melhoramento de Espécies com Propagação Assexuada

Exercícios: Módulo 2 Aulas 10 e 11 Segunda Lei de Mendel: Parte 1 e Parte 2

Você. Ao Vivo. Multiplicado. Como usar o MultiplierApp no segmento de Games

Objetivo: Justificativa: Desenvolvimento:

MELHORAMENTO DE PLANTAS AUTÓGAMAS POR SELEÇÃO

2-) Descreva algumas das diferenças entre mistura de cores de luz e mistura de cores de tintas.

PRINCÍPIOS MENDELIANOS: SEGREGAÇÃO ALÉLICA E INDEPENDENTE

CANA-DE-AÇÚCAR SISTEMA DE PRODUÇÃO EM. Prof. Dr. Carlos Azania

é um tipo de gráfico que representa a herança genética de determinada característica dos indivíduos representados...

Transcrição:

Preservação de Variedades Figura 1: C. leopoldii forma pelórica Sebastião Vieira Um dos aspectos mais apaixonantes da arte de cultivar orquídeas e que nos cativou desde que começamos a estudá-las e colecioná-las no início dos anos 80 é a possibilidade de através de cruzamentos e do uso dos conceitos básicos de genética, conseguir melhorar, do ponto de vista técnico, mesmo as espécies mais vistosas, além de produzir flores com novas características, seja cruzando-se plantas de mesma espécie ou de espécies diferentes. Do ponto de vista genético, as possibilidades são sempre enormes quando cruzamos duas plantas com características diferentes. As suas cargas genéticas são misturadas e sobressairão as características dominantes. Se as duas plantas forem escolhidas com alguns critérios, as chances serão muito ampliadas. Devido ao tempo relativamente longo para se ver os resultados (em média 5 anos), é aconselhável que o orquidófilo, antes de começar a fazer cruzamentos, estude os conceitos básicos de genética e mais importante ainda, que observe os resultados

(bons ou ruins), de cruzamentos feitos por outras pessoas. Pesquisas, conversas e observações ajudam muito. Orquidófilos experientes são sempre excelentes fontes de pesquisa e quase sempre estão à disposição para ajudar. A falta de critérios e conhecimentos básicos tem levado muitos orquidófilos a desistirem de cruzamentos. Após longos anos de espera os resultados podem ser frustrantes. Entretanto, a renovação da orquidofilia passa necessariamente por novas plantas sejam híbridos ou espécies. Nada mais desanimador do que ver ano após ano as mesmas plantas nas exposições, tendo-se que premiar apenas as mais bem cultivadas. Outro aspecto, talvez o mais importante, refere-se à perpetuação de espécies e variedades. Muitos clones têm sido perdidos pelo egoísmo ou ignorância de seus proprietários que se recusam a fazer cruzamentos, negociar mudas ou mesmo ceder políneas de suas plantas. Essa atitude contrasta com aquela de pessoas preocupadas em preservar e aumentar, através de cruzamentos, o número de variedades das espécies de orquídeas colecionadas. Felizmente o número desses parece ser maior que o daqueles. Nesse artigo mostramos um exemplo, com o trabalho que desenvolvemos com a Cattleya leopoldii forma pelórica "Anita Garibaldi" e que esperamos sirva para a preservação de muitos outros clones. Esse clone excepcional de Cattleya leopoldii foi encontrado em Laguna, SC. Devido a sua origem homenageamos a heroína daquela cidade dando o nome de "Anita Garibaldi".

Essa planta, que corresponde em forma a C. intermédia aquinii, tem suas pétalas transformadas em labelos com coloração fortemente purpúrea e com as sépalas marrons esverdeadas. Assim que conhecemos essa planta, ficamos entusiasmados com as possibilidades de cruzamentos tendo visto o que a C. intermédia aquini contribuiu e continua contribuindo, a nível mundial, para o desenvolvimento de híbridos flameados e mesmo na C. intermedia, para o melhoramento de flâmeas, aquiniis e pelóricas. Dessa forma iniciamos, aí pelos anos 90, uma série de cruzamentos com plantas que apresentassem labelos com alguma característica marcante. Porque o labelo? Bem, já que a C. leopoldii "Anita Garibaldi" possuía as pétalas transformadas em labelos e sabendo que esta característica se transmite numa percentagem da progênie da C. intermédia aquinii, imaginamos que o mesmo iria ocorrer na C. leopoldii. O que não imaginamos é que tivéssemos plantas tão perfeitas já na primeira geração, como a planta resultante do nosso cruzamento número 61: C. forbesii "Ponte" x C. leopoldii "Anita Garibaldi", um antigo híbrido primário de nome C. Dayana fotos abaixo. A C. forbesii em questão é uma planta quase albina com pétalas e sépalas verde claro e labelo com o tubo branco externamente e amarelo com estrias douradas internamente.

Desse cruzamento aproximadamente 30 % das plantas saíram flameadas, com diversos graus de intensidade, mas sempre mostrando as estrias da C. forbesii nas flâmeas. Como era esperado, nenhuma planta saiu pintada. É que as pintas são recessivas quando cruzamos plantas pintadas com plantas não pintadas, como as Laelias, por exemplo ou mesmo Cattleyas sem pintas com a C. forbesii. Aproximadamente 80% das plantas saíram com as características de ambas as plantas bem misturadas enquanto mais ou menos 10% saíram mais parecidos com a C. forbesii e 10% mais parecido com a C. leopoldii típica. As plantas floriram com quatro anos após a semeadura e florescem durante todo o verão. Nesse momento, abril de 2003, estamos com uma belíssima C. Dayana flâmea florida tardiamente. A descendência de C. leopoldii "Anita Garibaldi" continuou a nos trazer surpresas agradáveis e já vimos flores flameadas espetaculares dos cruzamentos de C. aclandiae, C. velutina, C. bicolor, C. dormaniana, BLC. Memória Helen Brown, L. pumila e obviamente com a própria C. leopoldii da qual usamos a planta tipo, a variedade flâmea, a albina e a coerulea. Com essas duas últimas, já estamos na segunda geração e a expectativa é grande! Figura 2: C. leopoldii X C. aclandiae Figura 3: C. leopoldii X C. granulosa

Com os cruzamentos entre as C. leopoldiis o resultado não poderia ser melhor. Ano após ano temos visto florirem flâmeas, peloriadas e trilabelos incríveis, com as quais jamais sonhamos! Temos ainda a florir outros cruzamentos, como por exemplo, com C. schilleriana, na tentativa de colocar seu maravilhoso labelo nas pétalas. Como se podem ver os próximos anos serão de muita expectativa e temos certeza de que elas serão superadas. Poderíamos, entretanto, estar há anos apreciando apenas a floração dessa planta rara e fantástica, mas isso seria desprezar todo o seu potencial genético e a criação de novas variedades de forma e colorido. Assim, se você é o feliz possuidor de uma planta rara, por favor, perpetue-a! Carlos Gomes Orquidário Carlos Gomes Florianópolis SC 2003