Textos para as questões 01 e 02

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PROVA DE REDAÇÃO 2º TRIMESTRE DE 2012 PROF. RICARDO NOME N o 9 º ANO Leia atentamente os enunciados, capriche na letra e procure dar respostas amplas. A compreensão do enunciado faz parte da questão. Não faça perguntas ao examinador. A prova deve ser feita com caneta azul ou preta. É terminantemente proibido o uso de corretor. Respostas com corretor serão anuladas. Esta prova é composta por QUATRO questões dissertativas e SEIS testes dispostas em CINCO páginas. SÓ SERÃO CORRIGIDAS AS RESPOSTAS NOS ESPAÇOS DETERMINADOS. Textos para as questões 01 e 02 Esparsa - Ao desconcerto do Mundo. (Luís de Camões) Os bons vi sempre passar No Mundo graves tormentos; E para mais me espantar, Os maus vi sempre nadar Em mar de contentamentos. Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, Fui mau, mas fui castigado, Assim que só para mim Anda o Mundo concertado. Nós (Cesário Verde) Ai daqueles que nascem neste caos, E, sendo fracos, sejam generosos! As doenças assaltam os bondosos E - custa a crer - deixam viver os maus! (in O LIVRO DE CESÁRIO VERDE. 9ªed. Lisboa: Editorial Minerva, 1952, p. 122.) (in REDONDILHAS - OBRAS COMPLETAS. Rio de Janeiro: Aguilar, 1963, pp. 475-6.) 01. Nesta redondilha de Camões e na estrofe do poema "Nós", do realista português Cesário Verde, os poetas exploram um tema literário bastante comum, presente em obras de poetas de todos os tempos. Trata-se de "o desconcerto do mundo", quer dizer, a verificação de que os fatos do mundo acontecem às avessas, em desajuste com as exigências íntimas da vida pessoal. Com base neste comentário, releia os textos e, a seguir, explique que tipo de "desconcerto" é apontado: a) por Camões, em seu poema; b) por Cesário Verde, em sua estrofe. 1

02. Nos primeiros versos de "Esparsa", Camões demostra sua consciência sobre o "desconcerto do mundo". Em decorrência disto, confessa uma mudança de atitude. Releia o poema e, em seguida: a) explique como se dá essa mudança de atitude; b) comente o resultado de sua tentativa. 03. Em duas passagens do texto a seguir, o articulista transmitiu informações objetivamente diferentes das que pretende transmitir. O que incomoda a população (...) é o piolho da cabeça, que se hospeda geralmente em crianças em idade pré-escolar. Não se sabe ao certo o porquê da maior incidência em crianças, mas se acredita que seja provavelmente pelo contato mais íntimo entre elas. Afinal, só pode ocorrer infestações se a criança entrar em contato com outra, desmitificando assim que o piolho voa ou que o uso comum de pentes e escovas pode ser transmitido. Outro mito (...) é a transmissão do piolho animal para o ser humano. "Isto não existe porque cada espécie tem seu piolho e se o parasita picar outra espécie que não seja a sua, morre"(...). ("Gazeta de Barão", Campinas, agosto de 1993). a) Transcreva as duas passagens. b) Redija-as de forma a evitar as interpretações não desejadas. c) Justifique uma das "correções" feitas por você em resposta ao item b. 2

NOME N o 9 º ANO 04. Leia o texto Auto da Compadecida. CHICÓ: - Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho. JOÃO GRILO: - No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu? PADRE: - Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar. CHICÓ: - Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor. PADRE: - É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro? JOÃO GRILO: - É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais. PADRE: - (mão em concha de ouvido) Como? JOÃO GRILO: - Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais. PADRE: - E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais? JOÃO GRILO: - É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse o Chicó: o padre vai se zangar. PADRE: - (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direitos de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro! JOÃO GRILO: - (cortante) Quer dizer que benze, não é? PADRE: - (a Chicó) Você o que é que acha? CHICÓ: - Eu não acho nada de mais. PADRE: - Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus. (in Suassuna, Ariano - TEATRO MODERNO - AUTO DA COMPADECIDA. 8 ed., Rio: Agir-Instituto Nacional do Livro, 1971, pp. 32-34.) A espontaneidade dos diálogos, a força poética de seu texto e a capacidade de exprimir o espírito popular de nossa gente fazem com que o escritor Ariano Suassuna (1927) seja reconhecido como um dos principais autores brasileiros contemporâneos. Diz o crítico Sábado Magaldi que a religiosidade de Ariano "pode espantar aos cultores de um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira". Com base nesta observação, responda: a) por que, segundo aquele padre, é fácil benzer um motor? b) em que sentido o fragmento apresentado encerra uma crítica ácida ao modo como o padre comanda a sua paróquia? 3

QUESTÕES ALTERNATIVAS A B C D E 01 02 03 04 05 06 Texto para as questões 01 a 03 "Nasci numa tarde de julho, na pequena cidade onde havia uma cadeia, uma igreja e uma escola bem próximas umas das outras, e que se chamava Turmalinas. A cadeia era velha, descascada na parede dos fundos, Deus sabe como os presos lá dentro viviam e comiam, mas exercia sobre nós uma fascinação inelutável (era o lugar onde se fabricavam gaiolas, vassouras, flores de papel, bonecos de pau). A igreja também era velha, porém não tinha o mesmo prestígio. E a escola, nova de quatro ou cinco anos, era o lugar menos estimado de todos. Foi aí que nasci: Nasci na sala do terceiro ano, sendo professora D. Emerenciana Barbosa, que Deus tenha. Até então era analfabeto e despretensioso. Lembro-me: nesse dia de julho, o sol que descia da terra era bravo e parado. A aula era de geografia, e a professora traçava no quadro-negro nomes de países distantes. As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes, e Paris era uma torre ao lado de uma ponte e de um rio, a Inglaterra não se enxergava bem no nevoeiro, um esquimó, um condor surgiam misteriosamente, trazendo países inteiros. Então nasci. De repente nasci, isto é, senti necessidade de escrever. Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser bonecos sem pescoço, com cinco riscos representando as mãos. Nesse momento, porém, minha mão avançou para a carteira à procura de um objeto, achou-o, apertou-o irresistivelmente, escreveu alguma coisa parecida com a narração de uma viagem de Turmalinas ao Pólo Norte. É talvez a mais curta narração no gênero. Dez linhas, inclusive o naufrágio e a visita ao vulcão. Eu escrevia com o rosto ardendo e a mão veloz tropeçando sobre complicações ortográficas, mas passava adiante. Isso durou talvez um quarto de hora, e valeu-me a interpelação de D. Emerenciana: Juquita, quê que você está fazendo? O rosto ficou mais quente, não respondi. Ela insistiu: Me dá esse papel aí... Me dá aqui. Eu relutava, mas seus óculos eram imperiosos." (de Contos de aprendiz) 01. De acordo com o texto é correto afirmar: a) segundo recorda o narrador, as aulas de geografia eram tão estimulantes que lhe permitiram ingressar na profissão de escritor. b) na pequena cidade, a escola não atraía os meninos que, mesmo na terceira série, continuavam com sérios problemas de alfabetização. c) como a instituição escolar era recente na pequena cidade, os meninos ainda não gostavam dela tanto quanto gostavam da cadeia. d) para o narrador, a aula de geografia foi a ponte para unir conhecimentos escolares, experiências pessoais e imaginação. e) a experiência escolar tornou possível a Juquita superar seu sentimento de inferioridade, quando aprendeu a escrever. 02. Com relação ao uso do verbo "nascer", é correto afirmar que: a) Juquita nasceu em uma sala da escola, pois na cidadezinha não havia maternidade. b) até o terceiro ano Juquita não tinha o menor interesse pela realidade que o cercava. c) a frase "Então nasci" indica a importância daquele momento na vida do narrador. d) no momento em que diz: "Então nasci", o narrador começa a compreender que o mundo ia além de sua cidadezinha. e) ao dizer "Então nasci", o menino conseguiu libertar-se de uma fascinação inelutável. 4

03. Com relação ao surgimento do escritor no menino é correto afirmar que: a) narrar possibilitou que Juquita ultrapassasse os limites das vivências possíveis na pequena cidade. b) narrar permitiu a Juquita satisfazer sua necessidade de descrever o meio em que vivia. c) a escrita imaginativa substituiu em Juquita uma vocação frustrada para o desenho. d) a escrita despertou a imaginação de Juquita, tolhida pelo autoritarismo da escola, cadeia e igreja. e) narrar permitiu que o menino, fascinado pela cadeia, desenvolvesse seu interesse pelo lado proibido da vida. (...) Da garrafa estilhaçada, no ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue... não sei. Por entre objetos confusos, mal redimidos da noite, duas cores se procuram, suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom a que chamamos aurora. Carlos Drummond de Andrade 04. No fragmento anterior, Carlos Drummond de Andrade constrói, poeticamente, a aurora. O que permite visualizar este momento do dia corresponde: a) a objetos confusos mal redimido da noite. b) à garrafa estilhaçada e ao ladrilho sereno. c) à aproximação suave de dois corpos. d) ao enlace amoroso de duas cores. e) ao fluir espesso do sangue sobre o ladrilho. 05. LEIA o texto a seguir para responder à questão: BOM CONSELHO Chico Buarque 1972 Ouça um bom conselho Que eu lhe dou de graça Inútil dormir que a dor não passa Espere sentado Ou você se cansa Está provado, quem espera nunca alcança Venha meu amigo Deixe esse regaço Brinque com meu fogo Venha se queimar Faça como eu digo Faça como eu faço Aja duas vezes antes de pensar Corro atrás do tempo Vim de não sei onde Devagar é que não se vai longe Eu semeio o vento Na minha cidade Vou pra rua e bebo a tempestade Considerando a linha 6, "Está provado, quem espera nunca alcança", pode-se afirmar que a) o autor comete um equívoco no emprego do provérbio "quem espera sempre alcança". b) o autor reescreve o provérbio para valorizar o texto poético. c) o autor diz que, na verdade, o provérbio "quem espera sempre alcança" não se fundamenta cientificamente. d) o emprego não tem relação alguma com o provérbio "quem espera sempre alcança". e) o autor refuta a ideia de passividade e conformismo expresso no provérbio "quem espera sempre alcança." 06. Às vezes há uma distância entre O QUE SE QUER DIZER (1) e O QUE REALMENTE SE DIZ (2). Essa correspondência está IMPRÓPRIA em a) "Quando Dennis Crosby se suicidou, um jornal publicou: Pela segunda vez um filho de Bing Crosby se mata."(1) Dennis é o segundo filho do ator Bing Crosby a se matar.(2) Dennis teria estado próximo da morte pela segunda vez. b) "... o carro que vitimou o piloto tinha má colocada uma peça."(1) A peça estava mal colocada.(2) A peça que estava no carro era de má qualidade. c) "... minhas ideias e meus ideais vão de encontro aos meus legítimos anseios populares."(1) As ideias estão de acordo com os anseios populares.(2) As ideias se opõem aos anseios populares. d) "... o publicitário Luís Salles, libertado pelos sequestradores, pousou para fotos depois do banho."(1) O publicitário se deixou fotografar depois do banho.(2) O publicitário aterrisou, depois do banho. e) "O escalonamento (do Corsa) é do tipo longo para privilegiar o consumo e o nível de ruído interno."(1) O escalonamento longo propicia a diminuição do consumo e do nível de ruído interno.(2) O escalonamento longo faz aumentar o consumo e o nível de ruído interno. 5