O SEGUNDO REINADO ( )

Documentos relacionados
HISTÓRIA 2 ANO PROF. AMAURY PIO PROF. EDUARDO GOMES ENSINO MÉDIO

PERÍODO REGENCIAL ( ) Experiência Republicana

BRASIL: SEGUNDO REINADO

2º Reinado ( ) A MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA. Prof. Maria Auxiliadora

A expansão cafeeira no Brasil.

SEGUNDO REINADO ( )

SEGUNDO REINADO ( ) Política Interna

Segundo Reinado 2ª Fase e Crise. Prof. Thiago Aula 07 Frente C

O golpe nada mais foi que a antecipação da maioridade de D. Pedro II, que contava então com um pouco mais de 14 anos.

MÓDULO 06 - O II REINADO( ) A) Política Interna Predomínio do Parlamentarismo às avessas : Inverso do modelo inglês Com o Poder Moderador, o

Disputas políticas Revolução Praieira Manutenção de alianças econômicas antigas (Inglaterra) Economia agrária, sobretudo cafeeira

SEGUNDO REINADO ( )

Planejamento das Aulas de História º ano (Prof. Leandro)

- votaram: crianças, escravos. e mortos. PARTIDO LIBERAL E PARTIDO CONSERVADOR... OU SERÁ VICE-VERSA?

As lutas sociais no Brasil: A formação da classe operária. historiaula.wordpress.com. liberdade 1ª. Parte

O 2º REINADO: ( ) 1ª Fase: (Pacificação); 2ª Fase: (Auge); 3ª Fase: (Crise); Proclamação da República: 1889.

1. (Uerj 2014) A restituição da passagem

Economia do Brasil Imperial

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ HISTÓRIA PRISE - 2ª ETAPA EIXOS TEMÁTICOS: I MUNDOS DO TRABALHO

DATA: 19 / 12 / 2016 VALOR: 20,0 NOTA:

BRASIL NO SÉCULO XIX SEGUNDO REINADO

CONTEXTO INICIAL Golpe da maioridade (dez.1840) Poder Moderador. Código de Processo Criminal Farroupilha (1845) Revolução Praiera

POLÍTICA INTERNA 3 fases: Consolidação ( ): Conciliação ( ): Crise ( ):

Segundo Reinado 2ª Fase e Crise. Prof. Thiago Aula 07 Frente C

COLÉGIO XIX DE MARÇO 3ª PROVA PARCIAL DE HISTÓRIA QUESTÕES ABERTAS

QUESTÃO 01 EXPLIQUE o processo político que resultou na abdicação de D. Pedro I em 1831.

O sistema de colonato na obra de José de Souza Martins

Migrações - Mobilidade Espacial. Externas, internas, causas e consequências.

Uma visão de mundo renovada (Renascimento Cultural);

PLANO DE ENSINO DADOS DO COMPONENTE CURRICULAR HISTÓRIA

CONTEÚDOS HISTÓRIA 4º ANO COLEÇÃO INTERAGIR E CRESCER

Brasil: do Império à República

O imperador nomeava um presidente conservador ou liberal de acordo com a conjutura política

PLANO DE ENSINO DADOS DO COMPONENTE CURRICULAR HISTÓRIA TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA INTEGRADO 2º ANO

O Segundo Reinado Golpe da Maioridade

02- Quais fatores favoreceram o cultivo do café no oeste paulista? R.:

BRASIL IMPÉRIO ( ) II REINADO ( ) A) POLÍTICA INTERNA

No fim do Período Regencial, muitas revoltas ameaçavam a unidade territorial do país.

O IMPÉRIO DO BRASIL: SEGUNDO REINADO

A ESTRUTURA FUNDIÁRIA E A REFORMA AGRÁRIA ESTRUTURA FUNDIÁRIA É A FORMA COMO AS PROPRIEDADES AGRÁRIAS DE UMA ÁREA OU PAÍS ESTÃO ORGANIZADAS, ISTO É,

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Formação espacial do Brasil. Prof. Gonzaga

Causas dos movimentos migratórios

O IMPÉRIO DO BRASIL: SEGUNDO REINADO Colégio Pedro II Professor: Eric Assis

HISTÓRIA REVISÃO 1 REVISÃO 2 REVISÃO

REDE EDUCACIONAL ADVENTISTA Ementa de Curso

Ano Lectivo 2012/ ºCiclo 8 ºAno. 8.º Ano 1º Período. Unidade Didáctica Conteúdos Competências Específicas Avaliação.

T I V I D A D E S ALUNO (A): Nº

1º ano. I. O Surgimento do Estado e a Organização de uma Sociedade de Classes

ROTEIRO DE ESTUDOS III ETAPA LETIVA HISTÓRIA 4.º ANO/EF 2018

A Crise do Império MARCOS ROBERTO

D. Pedro II: Sobe ao trono com 14 /15 anos início do Segundo Reinado 23/07/1840

INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA LEIA COM MUITA ATENÇÃO

INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL

Unificações: Alemanha, Itália e EUA no Séc. XIX

Revoltas provinciais no período Regencial Brasil século XIX. Colégio Ser! História 8º ano Profª Marilia Coltri

Curriculum Guide 11 th grade / História

Capítulo 06. Economia e sociedade no período da cana-de-açúcar no Brasil

INTRODUÇÃO. Conceito: Principal forma de trabalho do Brasil. Ausência de Liberdade / alienação Processo de coisificação Trabalho forçado

MODOS DE PRODUÇÃO COMUNISMO PRIMITIVO

O texto dos Confederados de 1824 revela um momento de insatisfação política contra a:

RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS DISSERTATIVOS. História Prof. Guilherme

Está correto o que se afirma somente em a) II e III. b) I. c) I e II. Página 1 de 5

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA NO SÉCULO XIX. Prof. Lincoln Marques

Crise Colonial Primeiro Reinado Segundo Reinado. Prof.ª. Maria Auxiliadora

SUMÁRIO. INTRODUÇÃO 1 Maria Yedda Leite Linhares

MATRIZ DE REFERÊNCIA PARA O ENEM 2009

1.2- Novas tecnologias: motor a combustão; aço; energia elétrica; indústria química(petróleo);indústria de máquinas;

História Campo de possibilidades

ENTREGAR ESSE ROTEIRO DIRETAMENTE AO PROFESSOR DA DISCIPLINA. DATA DA ENTREGA: 15/12/18 (SÁBADO)

Marco Abreu dos Santos

leituras DA HISTORIA Oldimar Cardoso Manual do Professor escala educaclonal

CONTEÚDO SSA II UNIDADE. 3ª Série. Poesia da Segunda Fase do Modernismo: Contexto Histórico Principais Autores e suas Respectivas Características

Preparatório EsPCEx História Geral. Aula 11 Revoluções Inglesas

Potências marítimas: Novas (burguesia) Antigas (nobreza) Portugal Espanha Holanda Inglaterra França

"O embaixador Christie não se conformava com as 'desobediências' do governo brasileiro."

Modelos de industrialização e Industrialização no Brasil. Todo o nosso conhecimento tem princípio nos sentimentos (Leonardo da Vinci)

O AGRONEGÓCIO VISTO PELO ESTADO. Arnaldo Jardim

SEGUNDO REINADO

PLANO DE CURSO ANO 2012


Programa de Recuperação Paralela

ROF.º OTTO TERRA BRASIL: 1º REINADO ( )

PERÍODO COLONIAL

MATRIZ DE REFERÊNCIA NÍVEL ENSINO MÉDIO

Módulo 3 Setor 171. Sistema capitalista Prof. Lucas Guide 3º ano EM

02- O conturbado processo político do período Regencial foi sintetizado por Justiniano José da Rocha:

Reforço das economias nacionais e tentativas de controlo do comércio. Jorge Penim de Freitas

RESOLUÇÃO Nº 11/2002

Transcrição:

O SEGUNDO REINADO (1840-1849) PRIMEIRA PARTE O DESENVOLVIMENTO DO CAFÉ E SUAS CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS E SOCIAIS SEGUNDA PARTE A POLÍTICA IMPERIAL; GUERRA DO PARAGUAI; CRISE E QUEDA DO IMPÉRIO

SEGUNDO REINADO 1840-1889 Antecedentes: - Período Regencial (1831-1840) conturbado e marcado por revoltas e lutas de caráter regionalista: Farroupilha, Cabanagem, Balaiada e Sabinada. - Crise de autoridade do governo central e conciliação política entre liberais e conservadores. GOLPE DA MAIORIDADE Ascensão de D. Pedro II com apenas 15 anos.

CONTEXTO EUROPEU Alinhamento cultural e ideológico em relação à Inglaterra Europa envolvida pela Segunda Revolução Industrial. Expansão do ideal civilizatório NEOCOLONIALISMO (Ásia e África) Consequências internas do eurocentrismo: Liberação de capitais para investimento em modernização; Formação de uma BURGUESIA CAFEEIRA; Desenvolvimento da cidade de São Paulo como Metrópole Moderna.

ESTABILIDADE ECONÔMICA E POLÍTICA: O CAFÉ Economia: Manutenção da estrutura econômica e social da plantation. Mudança do eixo econômico do país para o Sudeste. Manutenção do escravismo. 1ª fase: Vale do Paraíba (1830-1860) Condições climáticas favoráveis e solo fértil. Aumento do tráfico internacional de escravos para a região. Tráfico interprovincial compra de escravos de regiões nordestinas agora decadentes. Mentalidade aristocrata escravista. Os barões do café

2ª fase Oeste Paulista Expansão da lavoura para o oeste paulista a partir de aproximadamente 1860. Solo de terra roxa. Mentalidade capitalista e liberal Berço do republicanismo. Reduto das primeiras experiências de introdução da mão de obra imigrante europeia. Sistema de parceria Iniciativa privada (fazendeiros)

ROTA: EXPANSÃO DA PRODUÇÃO CAFEEIRA EM SÃO PAULO

A formação da São Paulo Moderna (...) Os caminhões rodando, as carroças rodando, rápidas as ruas se desenrolando, rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos... E o largo coro de ouro das sacas de café!... (...) Oh! este orgulho máximo de ser paulistanamente!!! Mario de Andrade - Trecho de Paisagem n. 4

TRANSIÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO PARA O TRABALHO LIVRE. COLONATO regime de colonato caracterizava-se pelo pagamento Lixo no trato do cafezal, um pagamento variável, conforme a colheita e a produção direta de alimentos. Por essa razão, não se deve confundir o colonato com o trabalho assalariado, tipicamente capitalista. 1847 Revolta dos Parceiros (Fazenda Ibicaba)

SURTO INDUSTRIAL A ERA MAUÁ Capitais liberados com a extinção do trálico. 1844 Tarifa Alves Branco / Aumento dos impostos aduaneiros. EFEITO PROTECIONISTA. Irineu Evangelista de Souza Barão de Mauá Companhia Fluminense de Transportes Companhia de Gás São Paulo Railway Company Banco Mauá Concorrência do capital estrangeiro Falência

SÃO PAULO METRÓPOLE MODERNA Estação da Luz - A ferrovia Santos-Jundiaí foi inaugurada em 1867, operada pela The São Paulo Railway Company Ltd., mas as instalações da grande estação de passageiros no bairro da Luz entraram em uso apenas em 1901. Estação da Luz 1867

A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA BRASILEIRA Operários diante da fábrica, na cidade de São Paulo, pousando para a fotografia coletiva, no fim do século XIX. Fonte: Gli italiani nel Brasile - CUT

Transição da mão de obra escrava para a livre.

Para responder ao papel de mercadoria particular que lhe é atribuído, a força de trabalho deve ser livre sob dois pontos de vista. Liberdade positiva: a força de trabalho é uma mercadoria que pertence, como bem particular, ao trabalhador, que pode dela dispor à sua vontade; o trabalhador é então considerado ator da sua própria liberdade. Liberdade negativa: o trabalhador não tem diante de si outra hipótese que não seja vender ou não a sua força de trabalho; não tem nada para vender, e na prática ou vende a sua força de trabalho para viver, ou não a vende e morre. GAUDEMAR, Jean- Paul. Mobilidade do trabalho e acumulação do capital. p. 189-190.

1850 Lei de Terras Indicam a maneira pela qual o poder estatal tem sido levado a acomodar, ou favorecer e contrariar, interesses das mais diversas categorias sociais envolvidas na luta pela posse e uso a terra: índios, ex-escravos, camaradas, imigrantes, moradores, colonos agregados, assalariados, sitiantes, posseiros, parceiros, meeiros, arrendatários, grileiros, latifundiários, fazendeiros, empresários. A lei de 1850 foi um marco na história da terra. Extingue o princípio de doação e inaugura o de compra, para aquisição de terras devolutas. Tratava-se de dificultar o acesso à terra, por parte de ex-escravos, camaradas, imigrantes, colonos, moradores e outros. Ao mesmo tempo que favorecia a monopolização da propriedade da terra por fazendeiros e latifundiários, induzia os trabalhadores rurais a venderem sua força de trabalho nas plantações de café, criações de gado e outras atividades. Ao longo dessa história, ocorria a transição do trabalho escravo ao livre, formava-se o mercado de força de trabalho, expandia-se a monopolização da terra, ocorria a metamorfose da terra em mercadoria. IANNI, Octavio. Origens Agrárias do Estado Brasileiro, p. 175.

A Lei de Terras proibia a abertura de novas posses, estabelecendo que Kicavam proibidas as aquisições de terras devolutas por outro título que não fosse o de compra. Essa proibição era dirigida contra os camponeses da época, aqueles que se deslocavam para áreas ainda não concedidas em sesmarias aos fazendeiros e ali abriam suas posses. Nos anos seguintes, Kicará claro o sentido dessa medida. Diante do Kim previsível da escravidão, era previsível também, como aliás já o menciona a própria Lei de Terras, o advento de uma modalidade de trabalho livre que permitisse a substituição do escravo sem destruir a economia da grande fazenda. O caminho para essa substituição estava na abertura de correntes migratórias de países que tivessem excesso de população. Pensou-se, de início, em coolies chineses que seriam submetidos a uma servidão temporária nas fazendas. Mas, em seguida, a opção dirigiu-se para imigrantes europeus, principalmente italianos, alemães, mais tarde espanhóis. MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. p. 42.

Contexto Externo Europeu: Propagação do liberalismo econômico. Bill Aberdeen- Proibição do tráfico negreiro em águas internacionais. Declarava legítimo o aprisionamento de navios negreiros pela Marina Britânica. Contexto Interno: Fim eminente da escravidão Lei Eusébio de Queirós (1850) de Abolição do tráfico internacional de escravos. Acesso à terra só pode se dar por meio da compra.

Consequências da política de terras: Transformação da terra em propriedade privada. Antigos proprietários (sesmeiros) regularizam e demarcam as terras que já possuem. Negação do acesso do pequeno produtor imigrante e do negro à propriedade privada. Manutenção da concentração de terras nas mãos de poucos fazendeiros.

PORTO DE GÊNOVA IMIGRANTES AGUARDANDO EMBARQUE

"Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? é a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" (Resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa.)

HOSPEDARIA DO IMIGRANTE IMIGRAÇÃO SUBVENCIONADA GOVERNO DE SÃO PAULO

IMIGRAÇÃO A PARTIR DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX Tabela de imigração durante a década de 1882-1891 Italianos...202.503 Dinamarqueses...1.042 Portugueses...25.925 Belgas...851 Espanhóis...14.954 Ingleses...782 Alemães...6.196 Suecos...685 Austríacos...4.118 Suíços...219 Russos...3.315 Irlandeses...201 Franceses...1.922 Outros...483 Total...263.196 Fonte: Richard M. Morse. Formação histórica de São Paulo, p. 241.