SurTec 879 Processo de Cromo Preto 1- DESCRIÇÃO O SurTec 879 é um produto sólido que contém ácido crômico, sais, catalisadores e carbonato de bário em proporções tais que formam soluções que depositam verdadeiras camadas de cromo preto sobre superfícies metálicas e em superfícies plásticas metalizadas. Alguns dos substratos que são facilmente revestidos incluem o níquel, aço carbono ou aço inox, cobre, latão, bronze, zinco, cromo decorativo, estanho, prata e ouro. O alumínio, o magnésio e suas ligas, podem ser revestidos de cromo preto depois de terem recebido um tratamento adequado de zincato. O depósito de cromo preto poderá ser usado tanto em aplicações decorativas como funcionais. A aparência do acabamento em cromo preto depende da natureza do substrato e do tratamento da superfície antes do banho de cromação preta. O escovamento ou polimento com várias composições abrasivas criam acabamentos distintos. Os depósitos de cromo preto são lustrosos em superfícies niqueladas brilhantes ou mesmo semi-brilhantes, semi-lustrosos em cobre polido ou em suas ligas, e, sem lustro em ligas de aço e de zinco. O tratamento posterior com óleo, cera, verniz ou coisas semelhantes, aumenta o reflexo e a durabilidade e o escurecimento do acabamento. Efeitos atraentes são conseguidos através do polimento de pontos altos em peças de latão, ouro ou prata revestidas de cromo preto. Os banhos de SurTec 879 proporcionam boa resistência e durabilidade para muitas aplicações. O depósito de cromo preto tem excelente resistência à corrosão devido à orientação aleatória dos cristais dendroides superimpostos e da microporosidade de depósito. A microporosidade de depósitos de cromo preto proporciona excelentes características de aderência de pintura que resistem à estampagem, formação, modelação, repuxo ou soldagem. O depósito de cromo preto pode ser usado em aplicações de alta temperatura devido à sua boa estabilidade térmica. Usando-se o depósito de cromo preto em lugar de um depósito regular de cromo, o reflexo é reduzido 94%. 2- CONDIÇÕES GERAIS 2.1- Instruções Operacionais SurTec 879 Sulfato Cromo Trivalente 450-490 g/l; ideal 470 g/l 0 g/l 4-15 g/l, ideal 7,5 g/l Temperatura 15-30 ºC; ideal 20 ºC Densidade de Corrente Tempo de Banho 3-100 A/dm²; ideal 25-50 A/dm² 1-10 minutos; ideal 1-3 minutos Proporção Anodo:catodo 1,5-2,0 : 1 BT SurTec 879 Página 1 de 5
2.1.1- Preparação do Banho 1- Encher o tanque limpo cerca de 2/3 com água limpa. 2- Acrescentar 500 g/l de composto SurTec 879 na quantidade necessária para o volume do banho. Misturar bem a solução até que todos os produtos químicos tenham sido dissolvidos. A dissolução produz calor. Ativar o resfriamento conforme necessário para manter a temperatura abaixo de 50 o C durante o preparo do banho e no período de eletrólise que vem a seguir. 3- Acrescentar água de modo que o banho chegue a um nível adequado para o trabalho. Continuar agitando até que toda a água seja acrescentada. 4- Colocar um número suficiente de anodos limpos no tanque a fim de proporcionar uma boa área de catódica em relação à área anódica de 1,5-2,0 : 1. Mesmo os anodos novos devem ser limpos antes de serem usados. 5- Eletrolisar é uma providência muito importante no preparo do banho SurTec 879. Usar placas catódicas com área total, que atenda a proporção especificada no parágrafo 4 acima. Eletrolisar o banho para atingir 26 A.h/L. A temperatura do banho não deve exceder de 50 o C durante esse período, e o banho deve ser agitado periodicamente durante a eletrólise. 2.1.2- Cálculo de Tempo de Eletrólise Exemplo: 26 A.h 1,0 litros x (A.h) 800 litros (volume do banho) x = 20.800 A.h Se o retificador der 1000 A.h 1000 A.h 1,0 hora 20800 A.h y (horas necessárias para atingir aproximadamente 4,5 g/l de trivalente) y = 20,8 horas 2.1.3 - Preparação da Superfície Quando o depósito de cromo preto for aplicado diretamente na superfície de um metal base ou num depósito que foi polido, que recebeu acabamento acetinado ou outros, a superfície deve estar bem limpa, livre de sujeira, graxa, óxidos ou filmes químicos. Se essa limpeza não for conseguida, aparecerão manchas, faixas, partes embaçadas, depósitos desiguais e várias outras imperfeições no depósito de cromo preto. Usar solventes orgânicos, desengraxantes de emulsão, desengraxantes alcalinos, soluções ácidas e ativadores da superfície para obter superfícies bem limpas. Da mesma forma que no banho padrão de cromo brilhante, a peça recentemente niquelada proporciona a melhor base para a cromação preta no banho SurTec 879. Normalmente, o único passo necessário antes do revestimento para uma superfície niquelada que é, em geral, ativa, é uma cuidadosa lavagem para remover todos os vestígios da solução de níquel da peça. Quando as superfícies niqueladas cromadas de preto forem passivas, um banho de 5% de ácido sulfúrico, seguido de boa lavagem poderá ser benéfico. As peças recentemente revestidas de cromo decorativo devem ser lavadas e transferidas diretamente para o banho de SurTec 879. Para obter-se bom fechamento ao fazer-se cromação preta diretamente no cromo, em aço inox ou em superfície de aço, serão geralmente necessárias densidades de corrente mais altas do que as normais. As peças que tiverem superfícies velhas de cromo ou que tiverem um depósito defeituoso de cromo preto decapado, devem ser processadas através de um ciclo de ativação. Isso consiste de um desengraxante catódico alcalino, de uma lavagem, de um banho ácido e de uma boa lavagem antes do revestimento. BT SurTec 879 Página 2 de 5
2.2- Manutenção 2.2.1- Ácido Crômico Como manutenção simples, a solução pode ser controlada com verificação da densidade em ºBaumé e correções com SurTec 879 de acordo com a necessidade. Esta forma de manutenção é prática, porém sujeita a variação, portanto é recomendado que seja feita análise periódica do banho, de acordo com o método descrito no item 2.3 para determinação da concentração exata dos componentes e correção para os parâmetros de trabalho. Analisar o ácido crômico e corrigir com SurTec 879. 2.2.2- Sulfato Analisar o sulfato e, se der algum valor diferente de zero, o mesmo deve ser eliminado com adições de carbonato de bário obedecendo à proporção de 2 g/l de BaCO 3 para cada 1 g/l de SO 4 a ser eliminado. 2.2.3- Cromo Trivalente A presença de cromo trivalente (Cr +3 ) em concentrações de 3,5-15,0 g/l é necessária para um bom depósito de cromo preto. O nível de Cr +3 é facilmente controlado regulando a proporção da área de anodo com a área de catodo. A proporção de 1,5-2,0 : 1 é geralmente satisfatória. Adicionar anodos para baixar a concentração de Cr +3, remover os anodos para elevar o nível de Cr +3. 2.3- Controle Analítico 2.3.1- Ácido Crômico 1. Pipetar 10 ml da amostra, transferir para balão volumétrico de 500 ml acertando o volume até o menisco com Água Destilada. 2. Pipetar 10 ml da amostra diluída para erlenmeyer de 250 ml. 3. Adicionar 100 ml de Água Destilada. 4. Adicionar 10 ml de Bifluoreto de Amônio PA a 5 % p/v. 5. Adicionar 30 ml de Ácido Clorídrico PA a 50 % v/v. 6. Adicionar 10 ml de Iodeto de Potássio PA a 10 % p/v. 7. Titular com Na 2 S 2 O 3 0,1 N até coloração palha e adicionar 1 ml de Amido a 1 % p/v e continuar a titulação até coloração verde. Cálculo: ml gastos de Na 2 S 2 O 3 0,1 N x fc x 16,66 = g/l de CrO 3 2.3.2 - Sulfato (Centrifugação) 1. Pipetar 10 ml da amostra em tubos fatorados. 2. Adicionar 5 ml de Ácido Clorídrico 18,4 % v/v em cada tubo. 3. Agitar muito bem. 4. Centrifugar a 1.000 rpm por 1 minuto. 5. Fazer a leitura do resíduo em cada tubo (L 1 ). 6. Adicionar 5 ml de Cloreto de Bário 15 % p/v. 7. Agitar muito bem. 8. Deixar descansar por 2 minutos. 9. Centrifugar a 1.000 rpm por 1 minuto. 10. Fazer a leitura da quantidade de precipitado presente (L 2 ). Cálculo: A menor divisão lê-se como 0,02; e também ( L 2 - L 1 ) = L Através de cálculo (L) x fc do tubo x 15 = g/l de H 2 SO 4 BT SurTec 879 Página 3 de 5
Através de gráfico Definir o valor de (L) e verificar através do gráfico a concentração de Sulfato em g/l. 2.3.3- Cromo Trivalente 1. Pipetar 10 ml da amostra para balão volumétrico de 500 ml, acertar o volume com Água Destilada e homogeneizar a solução. 2. Pipetar 10 ml da solução do balão para erlenmeyer de 500 ml. 3. Adicionar 50 ml de Água Destilada. 4. Adicionar 15 ml de Hidróxido de Potássio PA a 30 % p/v e 5 ml de Peróxido de Hidrogênio PA 130 V. 5. Aquecer até o ponto de ebulição. 6. Deixar sob leve fervura até que o volume da solução reduza para 50 ml (tempo aproximado de 20 minutos). 7. Esfriar a solução até temperatura ambiente e adicionar aproximadamente 1,0 g de Bifluoreto de Amônio PA. 8. Adicionar 100 ml de Água Destilada. 9. Adicionar 30 ml de Ácido Clorídrico PA concentrado. 10. Adicionar 20 ml de Iodeto de Potássio PA a 10 % p/v. 11. Titular com Na 2 S 2 O 3 0,1 N até coloração palha e adicionar 1 ml de Amido a 1 % p/v e continuar a titulação até coloração verde. Cálculo: (B - A) x fc x 8,7 = g/l de Cr 3+ como Cr 2 O 3, onde ml gastos de Na 2 S 2 O 3 0,1 N = B (Na análise de Cr 3+ ) ml gastos de Na 2 S 2 O 3 0,1 N = A (Na análise de Cr 6+ ) 2.4- Especificação do Produto Produto SurTec 879 Aspecto Cor Sólido Marrom 2.5- Instalação e Equipamentos 2.5.1- Tanques Recomendamos o uso de tanque de ferro revestido com PVC ou Koroseal ou outro material plástico resistente a ácido crômico. 2.5.2- Exaustão É necessário que tenha sistema de exaustão no tanque de trabalho, que a coifa do exaustor esteja no mínimo de 10 cm acima do nível da solução. 2.5.3- Refrigeração O processo trabalha com altas densidades de corrente e baixas temperaturas sendo necessário um sistema de refrigeração, que pode ser através de serpentinas de teflon, ou outro material resistente a ácido crômico. 2.5.4- Fonte de Alimentação O retificador deve ser de 9-15 volts, trifásico e de onda completa, pois é de grande influência no processo e passagem de Ripple, que não pode ser superior a 5%. 2.5.5- Anodos É de extrema importância o tipo de anodo a ser utilizado. Nós indicamos o anodo cilíndrico extrudado, numa liga de chumbo estanho Pb-Sn 93-7, com contatos de cobre estanhado. BT SurTec 879 Página 4 de 5
2.6- Manuseio e Segurança Por se tratar de um material oxidante, devem-se evitar contatos com certos materiais como solventes, pois pode causar chamas. O SurTec 879 é um processo que contém cromo hexavalente, é corrosivo e de natureza ácida. Não deve ser ingerido ou inalado. Evitar o contato direto com a pele, olhos e roupas. Para isto, quando manipular o produto usar luvas, avental, botas de borracha, óculos de segurança e protetor facial. Em caso de contato acidental com a pele, lavar com abundante água corrente no mínimo por 15 minutos. Aplicar um creme neutralizante adequado e se necessário procurar cuidados médicos. Em caso de contato com os olhos, lavar imediatamente com abundante quantidade de água corrente no mínimo por 15 minutos, mantendo os olhos abertos durante a lavagem. Se necessário procurar cuidados médicos. Se ingerido, não provocar vômito. Lavar a boca com água corrente e depois beber também bastante água. Se necessário procurar cuidados médicos. Se inalado, procurar um local para respirar profundamente ar fresco. 2.6.1- Estocagem O SurTec 879 contém produtos químicos oxidantes. Não é combustível, porém a sua forte ação de oxidação pode fazer com que os materiais de fácil combustão peguem fogo. Evitar contato com papeis, retalhos de madeira, trapos, solventes inflamáveis, graxas, óleos e materiais semelhantes inflamáveis. Manter o Surtec 879 em local seco, longe de materiais inflamáveis. Como o SurTec 879 não pode ficar úmido manter os vasilhames hermeticamente fechados. 2.7- Tratamento de Efluentes O SurTec 879 contém cromo hexavalente. Para descarte das águas de lavagem ou do banho de cromo, enviar as soluções para estação de tratamento de efluentes para que seja feita a redução do cromo hexavalente para cromo trivalente com metabissulfito de sódio. Após ajustar o ph com solução de soda ou barrilha para a precipitação do cromo trivalente e também ferro, níquel ou outros metais que possam estar presentes. O lodo formado deve ser seco e enviado a aterros industriais. A água, pós-tratamento, deve ter seu ph ajustado para valores obedecendo à legislação local. 2.8- Observações Os dados contidos neste boletim técnico, exprimem o melhor de nossa experiência, e servem como uma orientação para o cliente. Garantimos e asseguramos todos os produtos componentes dos processos fornecidos pela SurTec do Brasil, na sua forma original de fornecimento, desde que sejam observadas as condições de validade dos mesmos e acondicionados em suas embalagens originais. Não podemos nos responsabilizar quanto ao uso indevido dos nossos produtos, assim como pela violação de patentes de terceiros. Elaboração Revisão Aprovação Data Responsável Nº Data Responsável Data Responsável 16.02.2006 CMRS 00 16.02.2006 CBP 16.02.2006 CMRS BOLETIM DISPONIBILIZADO PELA INTERNET. CÓPIA NÃO CONTROLADA. BT SurTec 879 Página 5 de 5