PRÁTICAS PROCESSUAIS ADMINISTRATIVAS PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO Coimbra, 25.10.2010 José Pereira de Sousa - Advogado 1
O artigo 1.º, n.º 1 do C.P.A. define o procedimento administrativo como a sucessão de actos e formalidades tendentes à formação e manifestação de vontade da Administração Pública ou à sua execução. José Pereira de Sousa - Advogado 2
O processo administrativo constitui o acervo físico de documentação - actos e formalidades - do procedimento administrativo. Artigo 1.º, n.º 2 do C.P.A. José Pereira de Sousa - Advogado 3
O procedimento administrativo pode surgir no contexto da formação : - de um acto administrativo - de um regulamento administrativo - de um contrato administrativo José Pereira de Sousa - Advogado 4
Vamos abordar nesta sessão o procedimento administrativo que tem em vista a prática - formação e execução de um acto administrativo (acto final), com especial incidência às relações que se estabelecem entre a Administração e os administrados ao longo do procedimento. José Pereira de Sousa - Advogado 5
Arranque do procedimento : O procedimento pode iniciar-se oficiosamente (iniciativa pública) ou a requerimento dos interessados (iniciativa privada). - Artigo 54.º do C.P.A. José Pereira de Sousa - Advogado 6
Desde a fase inicial estabelecem-se relações entre a Administração e os administrados : - Nos procedimentos de iniciativa pública, incumbe à administração comunicar o respectivo arranque às pessoas cujos direitos ou interesses legalmente protegidos possam ser lesados pelos actos a praticar no procedimento ( cfr. artigos 55.º e 70.º do C.P.A ) ; - Nos procedimentos de iniciativa privada, por força das próprias circunstâncias da iniciativa, estabelecem-se relações entre a Administração e o administrado requerente. Os requisitos do Requerimento Inicial encontram-se estabelecidos no artigo 74.º do C.P.A. (vide ainda artigo 75.º do C.P.A. quanto à formulação verbal do requerimento). José Pereira de Sousa - Advogado 7
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Algumas notas práticas : - O requerimento pode ser apresentado pessoalmente no respectivo serviço, por via postal registada, por fax ( é conveniente a confirmação postal ) ou por comunicação electrónica ; - Toda a correspondência indevidamente interessada deve ser remetida, oficiosamente, para as entidades e serviços competentes, com informação dos interessados ( artigo 12.º, n.º 2 do Decreto-Lei n.º 135/99, de 22 de Abril ) ; - Dispensa de reconhecimento de assinatura e dos originais dos documentos ( artigos 31.º e 32.º do Decreto-Lei n.º 135/99, de 22 de Abril ). José Pereira de Sousa - Advogado 11
Seguem-se as seguintes fases do procedimento : - Instrução ( artigos 86.º a 97.º do C.P.A. ) - Pareceres ( artigos 98.º e 99.º do C.P.A. ) - Audiência dos interessados ( artigos 100.º a 103.º do C.P.A. ) - Decisão final ( artigos 106.º e 107.º do C.P.A. ) Vejamos as relações que se estabelecem entre a Administração e os administrados em cada uma destas fases José Pereira de Sousa - Advogado 12
INSTRUÇÃO : Os administrados podem ( devem! ) colaborar com a Administração no que respeita à apresentação dos meios de prova relativos aos factos alegados em sede do procedimento administrativo ( o ónus é deles, cfr. artigo 88.º do C.P.A. ) José Pereira de Sousa - Advogado 13
PARECERES : A intervenção dos administrados é diminuta. Adiante (próxima sessão) abordaremos a problemática da sindicabilidade dos actos praticados nesta fase, tomando como ponto de partida o procedimento que se segue ( Caso LICENCIAMENTO DE MORADIA MONTE REAL ) : José Pereira de Sousa - Advogado 14
LICENCIAMENTO DE MORADIA - MONTE REAL - Convite à colaboração do Requerente no procedimento administrativo José Pereira de Sousa - Advogado 15
LICENCIAMENTO DE MORADIA - MONTE REAL - Comunicação de indeferimento por parte de entidade externa consultada pelo Município. NOTAS : - Ausência de audiência prévia - Ausência de fundamentação José Pereira de Sousa - Advogado 16
AUDIÊNCIA PRÉVIA : Esta é a fase do procedimento onde os interessados têm a oportunidade de participar, de forma activa, nas decisões em que sejam interessados. Cumprimento do princípio da participação imposto, além do mais, pelos artigos 267.º, n.º 5 da C.R.P. e 7.º do C.P.A.. Desta forma, o princípio constitucional e a sua violação deverão ser sempre invocados nos meios contenciosos de reacção, por forma a garantir se necessário recurso para o Tribunal Constitucional. José Pereira de Sousa - Advogado 17
SAVCHENKO vs. SEF - Notificação para exercício de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 18
SAVCHENKO vs. SEF - Notificação para exercício de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 19
SAVCHENKO vs. SEF - Exercício do direito de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 20
SAVCHENKO vs. SEF - Exercício do direito de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 21
SAVCHENKO vs. SEF - Exercício do direito de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 22
SAVCHENKO vs. SEF - Exercício do direito de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 23
SAVCHENKO vs. SEF - Exercício do direito de audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 24
SAVCHENKO vs. SEF - Parecer emitido pela Técnica Administrativa José Pereira de Sousa - Advogado 25
SAVCHENKO vs. SEF - Decisão Final - Acto que coloca termo ao procedimento administrativo José Pereira de Sousa - Advogado 26
Algumas notas soltas quanto à Audiência Prévia : - A omissão de audiência prévia inquina o respectivo acto final de vício que conduz à sua anulabilidade ( cfr. disposições conjugadas dos artigos 135.º e 100.º do C.P.A. ) José Pereira de Sousa - Advogado 27
Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 24.02.2007 Relator: Conselheiro COSTA REIS www.dgsi.pt I - O direito de audiência - consagrado no artº 100º do CPA constitui uma importante manifestação do princípio do contraditório pois que, dessa forma, não só se possibilita o confronto dos pontos de vista da Administração com os do Administrado como também se permite que este requeira a produção de novas provas que invalidem, ou pelo menos ponham em causa, a decisão que a Administração projecta proferir. II - E, porque assim, e porque a mesma constituiu uma formalidade essencial a violação da referida norma procedimental ou a sua incorrecta realização tem como consequência normal a ilegalidade do próprio acto final e a sua consequente anulabilidade. José Pereira de Sousa - Advogado 28
Algumas notas soltas quanto à Audiência Prévia : - A notificação deverá conter todos os elementos de direito e de facto relevantes para a decisão (cfr. artigo 101.º, n.º 1 do C.P.A.). - Se na decisão final vierem a ser invocados novos elementos de facto e de direito, esta será anulável, de acordo com as disposições conjugadas dos artigo 100.º, n.º 1 e 135.º do C.P.A.. - Verifica-se ainda violação do princípio da participação consagrado pelo artigo 267.º, n.º 5 da C.R.P., o que deverá ser desde logo invocado, por forma a permitir a possibilidade de eventual recurso para o Tribunal Constitucional. José Pereira de Sousa - Advogado 29
Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 02.06.2004 Relator: Conselheiro PAIS BORGES www.dgsi.pt I - A audiência dos interessados, como figura geral do procedimento administrativo decisório de 1º grau, representa o cumprimento da directiva constitucional de "participação dos cidadãos na formação das decisões ou deliberações que lhes disserem respeito" (art. 267º, nº 5 da CRP), determinando para o órgão administrativo competente a obrigação de associar o administrado à tarefa de preparar a decisão final, permitindo-lhes chamar a atenção para a relevância de certos interesses ou pontos de vista adquiridos no procedimento. II - A realização, pelo órgão administrativo, de diligências posteriores à audiência dos interessados, das quais resultem elementos novos, relevantes para a decisão, impõe que se proceda a nova audiência. José Pereira de Sousa - Advogado 30
Algumas notas soltas quanto à Audiência Prévia : - No caso do órgão instrutor vir a optar pela audiência oral, é ainda assim aconselhável redigir alegações escritas, as quais poderão ser juntas ao processo na respectiva diligência ( cfr. artigo 102.º, n.º 4 in fine do C.P.A. ) José Pereira de Sousa - Advogado 31
Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 13.11.2008 Relator: Conselheiro PAIS BORGES www.dgsi.pt I - A autoridade administrativa, para fundamentar a decisão final, não está obrigada a rebater todas as razões e argumentos aduzidos pelo particular, em sede de audiência de interessados, contra o projecto de decisão, estando apenas vinculada a ponderar ou ter em consideração tais contributos. José Pereira de Sousa - Advogado 32
Algumas notas soltas quanto à Audiência Prévia : - Caso estejamos no domínio de poderes vinculados, a omissão de audiência prévia revela-se inócua. vejamos José Pereira de Sousa - Advogado 33
Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 11.10.2007 Relator: Conselheiro PAIS BORGES www.dgsi.pt IV - Como é jurisprudência uniforme deste STA, o tribunal só pode recusar efeito invalidante à omissão da formalidade prevista no art 100º do CPA, se o acto tiver sido praticado no exercício de poderes vinculados e se puder concluir, com inteira segurança, num juízo de prognose póstuma, que a decisão administrativa impugnada era a única concretamente possível. José Pereira de Sousa - Advogado 34
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Notificação da intenção de indeferimento - Audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 35
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Notificação da intenção de indeferimento - Audiência prévia José Pereira de Sousa - Advogado 36
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 37
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 38
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 39
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 40
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 41
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( alguns excertos ) José Pereira de Sousa - Advogado 42
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Exercício do direito de audiência prévia ( pedido ) José Pereira de Sousa - Advogado 43
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Decisão Final - Proferida em 11.08.2004 - - O requerimento, apesar de entregue em prazo, apenas deu entrada nos competentes serviços em 18.08.2004 José Pereira de Sousa - Advogado 44
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - p.i. (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 45
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - p.i. (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 46
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - p.i. (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 47
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - p.i. (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 48
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Contestação (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 49
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Contestação (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 50
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Sentença (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 51
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Sentença (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 52
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Sentença (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 53
Licenciamento ARRIBA DA NAZARÉ - Acção Administrativa Especial - Sentença (alguns excertos) José Pereira de Sousa - Advogado 54
DECISÃO FINAL : Meta do procedimento. Acto final, que extingue o procedimento ( cfr. artigos 106.º e 107.º do C.P.A. ). José Pereira de Sousa - Advogado 55
Na próxima sessão abordaremos, além do mais : - Requisitos, validade, eficácia e invalidade do acto administrativo ; - Acto sindicável ; - Problemática do acto tácito ; - Meios graciosos de impugnação de actos administrativos e respectiva articulação com os meios contenciosos de impugnação. José Pereira de Sousa - Advogado 56