ALUÍSIO AZEVEDO O CORTIÇO

Documentos relacionados
ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE LITERATURA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Extensivo Aula Extra Encaixa entre as aulas 5 e 6. Algumas Categorias Semânticas

Aluísio Azevedo. Profª Caroline Rodrigues

LITERATURA. aula Naturalismo

O cortiço. Aluísio Azevedo

Prof. André de Freitas Barbosa Análise Literária. Machado de Assis ( ) MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881)

O CORTIÇO, de Aluísio Azevedo. Profª. Ms. Jerusa Toledo

Aula LITERATURA E TEATRO NATURALISTAS NO BRASIL: META OBJETIVOS. Leitura das obras, O Mulato, (Fonte:

O CORTIÇO ALUÍSIO AZEVEDO

LITERATURA BRASILEIRA III REALISMO NATURALISMO

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

QUESTÕES. Leia o seguinte trecho da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e responda ao que se pede.

(Anchieta, José de. O Auto de São Lourenço [Tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.] pg 110)

NATURALISMO NO BRASIL - 1. Professora Maria Tereza Faria

O CORTIÇO (1890) Professor Kássio

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE LITERATURA

Aluísio Azevedo ( )

O CORTIÇO Aluísio Azevedo. Profª Neusa

O CORTIÇO 13 de maio de 1890

O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Por Carlos Daniel S. Vieira

GÊNERO E ENSINO DE LITERATURA: IDENTIDADE (S) DA MULHER NEGRA EM O CORTIÇO

O cortiço. Aluísio Azevedo

CECÍLIA MEIRELLES CIRANDA CULTURAL 2º ANO A/2011 CIRANDA CULTURAL_POEMAS

Realismo e Naturalismo Textos

Origens: folhetim. Autores: Vitor Hugo, Alexandre Dumas, Walter Scott, José de Alencar, Machado de Assis

Matéria: Literatura Assunto: naturalismo Prof. Ibirá costa

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Bárbara da Silva. Literatura. Aula 16 Naturalismo

Prof. André de Freitas Barbosa Análise Literária. Machado de Assis ( ) MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881)

O cortiço (1890) de Aluísio Azevedo (1857/1913)

Godofredo e Geralda sentados na mesa no centro do palco.

1 von :36

PROFESSOR: Gilberto Júnior

morf.1 25/1/16 10:00 Página 11 O LIVRO DO SENHOR

NATURALISMO LITERATURA - 2 ano A e B (2º Bim.)

Sou ave, penas não tenho, Capa de ovelhas me cobre; Sou criada numa árvore, Coitadinha, sou tão pobre. Adivinhe.

00:09:05,081 --> 00:09:10,571 O Brasil é uma parte do nosso coração.

OS AMIGOS E O URSO. 01- Qual o título da história? R.: 02- O que apareceu enquanto os dois amigos caminhavam? R.:

António Gedeão. Relógio D'Água. Notas Introdutórias de Natália Nunes. A Obra Completa

REALISMO NATURALISMO

CAPITÃES DA AREIA JORGE AMADO

Rita Baiana: nação e sexualidade em O cortiço

Esta história foi criada por: Milton Aberto Eggers Junior, Autor de todo esse livro.

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA S.I. DE CHAVILLE

Contos Dos Infernos 2012

Português - Sinónimos e antónimos. 1. Dos apontamentos, copia a definição de sinónimos. 2. Dos apontamentos, copia a definição de antónimos.

O REALISMO E O NATURALISMO NO BRASIL

No conjunto das produções literárias brasileiras do século SUPLEMENTO DE ATIVIDADES O CORTICO ALUISIO AZEVEDO NOME: SÉRIE/ANO: ESCOLA:

Chico. só queria ser feliz. Ivam Cabral Ilustrações: Marcelo Maffei 5

O mundo de cavaleiros destemidos, de virgens ingênuas e frágeis, e o ideal de uma vida primitiva, distante da civilização, tudo isso terminara.

21 TRABALHOS PRÁTICOS P A R A O A M 0 R

O Dono da Bola. Leia com atenção o texto a seguir.

Simpatias Milagrosas

IRACEMA JOSÉ DE ALENCAR

Coordenação do Ensino Português em França

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

SIMULADO IV CN-EPCAr

Capítulo 1. Just look into my eyes 1

Exercício Extra 31. Nome: Turma:

A conta-gotas. Ana Carolina Carvalho

Nação inviável ou do futuro?: o racismo científico na transição do Império para a República

COLÉGIO MONJOLO LISTA DE EXERCÍCIOS 2017 LITERATURA- MARCELA FONSECA

SAPO QUENTÃO LÁ VEM O SAPO, SAPO, SAPO, QUE NADAVA NO RIO, NO RIO, NO RIO, COM SEU TRAJE VERDE, VERDE, VERDE, QUE MORRIA DE FRIO, DE FRIO, DE FRIO.

Generosidade. Sempre que ajudares alguém, procura passar despercebido. Quanto menos te evidenciares, mais a tua ajuda terá valor.

16. ORGIA Embebeda-se e, por fim, queima a taberna. E todos pela estrada fora dançam.

LISTA DE RECUPERAÇÃO DE LINGUAGENS 7º ANO CARLA

Além do Cortiço: um estudo sobre o Naturalismo na perspectiva lukacsiana

O Cortiço: um estudo dos personagens à luz da Sociologia do Romance

Atividades de Natal 4 ano - Para imprimir. Simulado de Matemática 4º ano. Simulado de Português 4º ano sobre Natal.

O Clamor dos Povos e da Terra Ferida

Análise de O CORTIÇO. Naturalismo. Prof. Lenita Zambra

Mediateca, E.N.P. 9 Portugués

UFG/CS PROCESSO SELETIVO TODOS OS GRUPOS. Texto 1. Disponível em: < Acesso em: 3 out

REALISMO / NATURALISMO. I.) A Época é

O PEQUENO TREVO E OS AMIGOS DA RUA

O CORTIÇO, DESVELADA NARRATIVA SOBRE O INSTINTO SEXUAL

Poesia Acústica #3 Capricorniana Clube do Violão. (Intro) Em7 Bm C7M D2. Eu tava doido pra cantar pra ela nosso som C7M D2

AVALIAÇÃO 2º BIMESTRE

Time Code Vídeo Áudio Tema Comentário imperdível (interno ao material)

As vezes que lhe. Amei

1 O carro é do meu tio Zé.

Autora: Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilustrador: Júlio Resende. Nome: Data:

Uma receita de banho energético carregado de amor que deixa o amor falar mais alto na sua vida.

Língua Portuguesa 2º trimestre 3º ano E. M. Prof. Eduardo Belmonte

Estudo Dirigido 1º SEMESTRE

a) Onde estava o peixinho quando foi pescado? R.: b) Quem pescou o peixinho? R.: c) Onde morava o peixinho? R.:

1ª Revisão para Uerj. 1ª Revisão para Uerj Monitor: Maria Carolina Coelho 26 e 28/05/2014. Material de apoio para Monitoria

Presente de Aniversário Vanessa Sueroz

23/08/2010. Miscigenação de povos, durante e após a colonização; Deixando marcas na sociedade, misturando seus hábitos aos praticado no país;

ALUÍSIO AZEVEDO O cortiço. PROJETO DE LEITURA Douglas Tufano Maria José Nóbrega

Transcrição:

ALUÍSIO AZEVEDO O CORTIÇO

Aluísio Azevedo Observador da realidade Disfarce

Realismo - Naturalismo Denúncia : ser x parecer Armas : ironia + escândalo Cientificismo Positivismo Darwinismo Social: só os aptos sobrevivem BONS INESCRUPULOSOS

Geração espontânea ABIOGÊNESE (...)fermentação sangüínea(...) (...)paraíso de vermes, brejo de lodo quente e fumegante, donde brota a vida brutalmente, como de uma podridão. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer,um mundo,uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicarse como larvas no esterco.

HOMEM REALISTA HOMEM NATURALISTA SOCIAL BIOLÓGICO

Naturalismo A) ZOOMORFISMO B) INSTINTOS: SEXO C) PATOLOGIAS : regras de Pombinha D) ESPAÇOS COLETIVOS E) DETERMINISMO: Meio (TAINE) Raça Momento Histórico LIVRE- ARBÍTRIO

Teorias malucas séc.xix Darwinismo social Teoria Malthusiana Frenologia Determinismo EUGENIA

Zoomorfismo

satisfação de animal no cio fartum de bestas no coito Iam e vinham como formigas E o Firmo bêbado de volúpia, enroscava-se todo ao violão; e o violão e ele gemiam com o mesmo gosto, grunhindo, ganindo, miando, com todas as vozes de bichos sensuais, num desespero de luxúria que penetra até o tutano com língua finíssima de cobra. Firmo e o Jerônimo atassalharem-se, como dois cães que disputam uma cadela da rua(...)

ROMANCE DE TESE Um homem bom, num ambiente degradado, apodrece determinismo do MEIO

João Romão Rolo-compressor capitalista Empreendedor Início: 95 casas Fim: mais de 400 delírio de enriquecer! febre de possuir aquilo já não era ambição, era uma moléstia nervosa

Família do Miranda= Barão do Freixal Miranda: Prezava, acima e tudo, sua posição social e temia só com a idéia de ver-se novamente pobre. D. Estela Zulmira (FILHA) CASAMENTO DE FACHADA E CONVENIÊNCIA FINANCEIRA Eu me sirvo dela como quem se serve de uma escarradeira.

AGREGADOS Henrique Botelho : parasita Escravocrata paixão por fardas

Miranda invejava o progresso material de João Romão que invejava o baronato de Miranda (...) a prosperidade do vizinho lhe obcecava o espírito, energrecendo-lhe a alma com um feio ressentimento de despeito

JERÔNIMO E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos os seus hábitos de aldeão português :e Jerônimo abrasileirou-se

Vinho Broa Bacalhau Caldo verde Guitarra cana farinha de mandioca carne-seca/ feijão-preto vatapá/ moqueca/ caruru violão baiano

Rita Baiana Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. Depois, como se voltasse à vida, soltava um gemido prolongado, estalando os dedos no ar e vergando as pernas, descendo, subindo, sem nunca parar com os quadris, e em seguida sapateava, miúdo e cerrado, freneticamente, erguendo e abaixando os braços, que dobrava, ora um, ora outro, sobre a nuca, enquanto a carne lhe fervia toda, fibra por fibra, titilando.

Não existe pecado do lado de baixo do Equador...

Rita= TRÓPICOS Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui. ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas de fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras, era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso, era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; e/a era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, e muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele,

(...)assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras, embambecidas pela saudade de terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro da sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbam em torno da Rita Baiana o espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca. amou-a logo, porque sentiu nela o resumo de todos os quentes mistérios que o enlearam voluptuosamente nestas terra da luxúria

Homossexualidade Botelho Henrique (...) falo assim, porque sou seu amigo, porque o acho simpático, porque o acho bonito! E acarinhou-o tão vivamente desta vez, que o estudante, fugindo-lhe das mãos, afastou-se com um gesto de repugnância e desprezo, enquanto o velho lhe dizia em voz comprimida: - Olha!Espera! Vem Cá! Você é desconfiado!...

ALBINO: sujeito afeminado e fraco Léonie Pombinha A cocote recebeu-a de braços abertos, radiante com apanhá-la junto de si, naqueles divãs fofos e traidores, entre todo aquele luxo extravagante e requintado próprio para os vícios grandes. Ordenou à criada que não deixasse entrar ninguém, ninguém, nem mesmo o Bebê, e assentou-se ao lado da menina, bem juntinho uma da outra, tomando-lhe as mãos, fazendolhe uma infinidade de perguntas, e pedindo-lhe beijos, que saboreava gemendo, de olhos fechados

sem se descuidar um instante da rapariga, tinha para ela extremas solicitudes de namorado; levava-lhe a comida à boca, bebia do seu copo, apertava-lhe os dedos por debaixo da mesa. E devorava-a de beijos violentos, repetidos, quentes, que sufocavam a menina, enchendoa de espanto e de um instintivo temor, cuja origem a pobrezinha, na sua simplicidade, não podia saber qual era.

(...)afagar-lhe a cintura, as coxas e o colo. Depois, como que distraidamente, começou a desabotoar-lhe o corpinho do vestido. Não! Para quê!... Não quero despir-me... Pombinha, que se atirara ao mundo e vivia agora em companhia dela(...) a serpente vencia afinal(...)

ATENÇÃO!!!!!! Ler final do capítulo XI : Metáfora da primeira menstruação de Pombinha (...)não tinha ainda pago à natureza o cruento tributo da puberdade(...) (...)não fora visitada pelas regras. BORBOLETA ROSA - SOL

Pombinha Jerônimo) Senhorinha (filha de protegida predileta(...)uma simpatia toda especial A cadeia continuava e continuaria interminavelmente; o cortiço estava preparando uma nova prostituta naquela pobre menina desamparada, que se fazia mulher ao lado de uma infeliz mãe ébria.

CORTIÇO= personagem Prosopopéia ou personificação (...)o cortiço acordava, abrindo, não os olhos(...)

2 cortiços CARAPICUS x CABEÇA DE GATO (Firmo)

Cortiço x Sobrado Horizontal x Vertical

Pedreira (...)impassível gigante que os contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito

Darwinismo social: João Romão a tal carta de liberade era obra do próprio João Romão (ALFORRIA DE BERTOLEZA) tudo estava no seguro (INCÊNDIO) Dinheiro do velho Libório Dote de Florinda e indenização de Domingos

Ocupação urbana/ Pós- Incêndio Já não eram gente sem gravata e sem meia Uma nova camada social (...)se deixaria arrastar inteira lá para dentro Já lá não admitia assim qualquer pérapado:para entrar era preciso carta de fiança e uma recomendação especial O cortiço aristocratizava-se

Negros procurava homem numa raça superior à sua enegrecendo-lhe a alma pele de moreno quente (..) olhos luxuriosos de macaca negro desgosto comia-a por dentro O SANGUE DA MESTIÇA RECLAMOU OS SEUS DIREITOS DE APURAÇÃO, E RITA PREFERIU NO EUROPEU O MACHO DE RAÇA SUPERIOR (...)daquela preta fedorenta (...)travesseiro sujo em que se enterrava a hedionda carapinha da criola!

BERTOLEZA

FINAL TRÁGICO João Romão fugira até ao canto mais escuro do armazém, tapando o rosto com as mãos. Nesse momento parava à porta da rua uma carruagem. Era uma comissão de abolicionistas que vinha, de casaca! trazer-lhe respeitosamente o diploma de sócio benemérito. Ele mandou que os conduzissem para a sala de visitas.

CUIDADO!!!!!!!!!!! POSTO QUE = EMBORA Posto que (..)os seus negócios não corressem mal, custava-lhe a sofrer a escandalosa fortuna do vendeiro(...) RECRUDESCER= AUMENTAR

Pronomes oblíquos Pede a Rita que TO ensine Pedir a mão da pequena(...)o Barão dá-ma? Tem certeza disso?(...)se não tivesse não LHO diria deste modo

Feitiços= Sargento de Milícias Piedade agarrou-se com a Bruxa para lhe arranjar um remédio que lhe restituísse o seu homem. A cabocla velha fechou-se com ela no quarto, acendeu velas de cera, queimou ervas aromáticas e tirou sorte nas cartas. E depois de um jogo complicado de reis, valetes e damas, que ela dispunha sobre a mesa caprichosamente, a resmungar a cada figura que saia do baralho uma frase cabalística, declarou convicta, muito calma, sem tirar os olhos das suas cartas: (...)

Expressionismo Personagens caricaturais Deformação grotesca da realidade