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2. Ligações com Parafusos 2.1. Tipos de conectores 2.1.1. Rebites São conectores instalados a quente, o produto final possui duas cabeças. São calculados: - Pelos esforços transmitidos por apoio do fuste nas chapas; -e por corte na seção transversal do fuste (d). 1

As ligações rebitadas deixaram de ser utilizadas há anos em razão de: Utilização de mão de obra especializada; Instalação lenta; Pequena capacidade resistente e com grande variabilidade; Dificuldade para inspeção. 2.1.2. Parafusos comuns Os parafusos comuns são forjados em aço-carbono de baixo teor de carbono (ASTM A307). Eles tem numa extremidade uma cabeça quadrada ou sextavada e na outra uma rosca com porca. Calculado através de tensões de apoio e corte. 2

Os parafusos comuns ASTM A307 são empregados em estruturas secundárias onde as cargas são de pequenas intensidades e de natureza estática como em perfis de contraventamentos, em plataformas, em passarelas, em terças e em vigas de tapamento. O emprego de arruela facilita o aperto nas ligações, porém o seu uso não é obrigatório. Resistência à ruptura por tração 3

A instalação é feita com chave manual comum e sem controle de torque; Despreza-se a eventual resistência por atrito entre as chapas conectadas, permitindo-se portanto a movimentação entre elas. 2.1.3. Parafusos de Alta Resistência Os parafusos alta resistência são feitos com aços tratados termicamente. Os tipos mais usuais são o ASTM A325 e o A490, de aço-carbono temperado. Eles possuem cabeça e porca hexagonal, constando na cabeça a sua especificação. 4

Os parafusos de alta resistência são adotados em ligações estruturais sujeitas a cargas moderadas e elevadas, estáticas ou dinâmicas. Para a realização do aperto deve-se usar pelo menos uma arruela sob o elemento que gira (porca), pois isso garantirá o desenvolvimento de um prétracionamento consistente e confiável. No caso dos parafusos ASTM A490, se eles estiverem conectando materiais com um limite de escoamento inferior a 280MPa, é aconselhável usar arruela sob o elemento que não gira, prevenindo o excessivo esmagamento do material base. Considerações sobre parafuso de alta resistência: São empregados nas ligações de maior responsabilidade; O tipo mais utilizado segue a especificação norteamericana ASTM A-325; Por causa da maior resistência utilizam-se menos parafusos por ligação, e consequentementemenores chapas de ligação; Deve ter torque controlado: Após um aperto inicial empregando chave comum, aplica-se o torque, cujo controle pode ser feito por torquímetroou chave pneumática. Alternativamente, o torque pode ser avaliado controlando-se a rotação da porca. O torque aplicado causa uma força normal entre as chapas, permitindo, considerar o atrito entre elas. 5

d>25,4mm d 25,4 mm 6

2.2. Tipos de conexões com parafusos Podem ser de dois tipos: 1º) Ligação do tipo CONTATO: Podem ser utilizados parafusos comuns ou de alta resistência; Os parafusos são instalados sem aperto controlado (protensão). 2º) Ligação do tipo ATRITO: Apenas parafusos de alta resistência; Resistência ao deslizamento diretamente ligada à protensão aplicada aos parafusos. Modos de falhas possíveis: a) Cisalhamento do corpo do parafuso. b) Deformação excessiva da parede do furo (esmagamento). c) Cisalhamento da chapa (rasgamento). d) Ruptura da chapa por tração na seção líquida. 7

2.3. Classificação da ligação ao esforço solicitantedos conectores Uma ligação pode ser identificada pelo tipo de solicitação que impõe aos conectores. 2.3.1. Ligação do tipo apoio (contato): Transfere esforços de tração entre as chapas. Transmissão ocorre por: Apoio das chapas no fuste do parafuso Esforço de corte na seção transversal do parafuso Tensões supostas uniformes para efeito de cálculo Ligação do tipo apoio (contato) Tensão de corte no parafuso: = 2 /4 Área da seção transversal do conector Tensão de apoio do conector na chapa: Diâmetro nominal do conector Esforço transmitido por um conector em um plano de corte = Força transmitida do conector para a chapa Espessura da chapa 8

2.2.2. Ligação do tipo atrito: A força aplicada não causa deslocamentos entre as chapas e, portanto, não há contato entre elas e o parafuso; A ligação por atrito proporciona maior rigidez e impede a movimentação das partes conectadas; São de particular importância em conexões submetidas a esforços alternados. Comportamento força-deslocamento relativo de uma ligação constituída por parafusos de alta resistência protendidos: Fase(a): A força aplicada é menor que a resistência ao deslizamento, ocorrendo apenas deslocamentos provenientes da deformação elástica das chapas. Fase(b): A força aplicada supera a resistência ao deslizamento e há um deslocamento brusco proveniente da acomodação dos parafusos nos respectivos furos. 9

Fase(c): Ocorre deformação do conjunto em fase elástica. Fase(d): Ocorre deformação do conjunto em fase inelásticaculminando com a falha da ligação. A força que vence a resistência ao atritoé bem inferior à força que leva a ligação à ruína, correspondente à solicitação de corte no corpo do parafuso. Por essa razão, uma ligação somente deve ser projetada por atrito se o deslizamento puder causar algum problema inaceitável à estrutura, como deslocamentos inadmissíveis, ou se a mesma estiver sujeita a forças repetitivas com reversão de sinais. 2.2.3. Ligação à tração: Sujeitas aos esforços combinados de tração e força cortante. Os parafusos devem ser compatíveis com os aços dos elementos ligados. Exemplo: Elementos estruturais de aços resistentes à corrosão atmosféricas, utilizar parafusos ASTM A325 Tipo 3com resistência à corrosão atmosférica. 10