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Transcrição:

DECISÃO DIR Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil Nº AI: 001/SAC UL-2/2006 Nº PROC.: 614.295.07-8 NOME DO INTERESSADO: GOL TRANSPORTES AÉREOS ISR PASSAGEIRO: 002/SAC UL/2006 LUCIANA ELIAS BERNARDI RELATOR: Edmilson José de Carvalho INSPAC ANAC nº A-0253 - Mat nrº 1 191498010 RELATÓRIO - Trata de recurso impetrado pela empresa supracitada por multa pecuniária imposta através de processo administrativo por infração aos preceitos da Lei nº 7.565 de 19 de dezembro de 1986 que dispõe sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica CBAer, em sua essência o artigo 289. - Passageira insatisfeita com a execução do contrato de transporte aéreo formaliza seu protesto junto a Fiscalização da ANAC do aeroporto de Uberlândia/MG (SBUL), através do Impresso de Sugestões e/ou Reclamações-I.S.R. nº 002/SAC UL/2006 (fls. 01) registrando primeiramente que o tinha reserva confirmada para o vôo GOL 1947 para o dia 31 de dezembro de 2006 e que o mesmo foi cancelado previamente sem que a empresa aérea informasse a ela ou a agência de turismo que lhe vendeu as passagens. Posteriormente, em 08 de janeiro de 2006 verificou que sua reserva confirmada no vôo GOL 1808, foi cancelada, sem prévia informação; - A Fiscalização ANAC apurou (fls. 06) que a reclamante tinha reserva confirmada para o vôo de ida no GOL 1947 para o trecho SBUL > SBSP (São Paulo/SP) do dia 31 de dezembro de 2005 e no vôo de volta no GOL 1808 para o trecho SBSP > SBUL para o dia 08 de janeiro de 2006, no entanto a empresa cancelou o vôo de ida GOL 1947 sem informar a reclamante, e o sistema de reservas da empresa automaticamente cancelou a reserva do vôo de volta GOL 1808, também sem informar previamente a reclamante. Continua relatando que em contato com o Supervisor local da GOL, este informou que não conseguiu contato com a reclamante para lhe comunicar o cancelamento do vôo GOL 1947, mas que fez á agência de turismo que vendeu as passagens aéreas para a Sra. Luciana. - O presente processo administrativo foi iniciado através da lavratura do Auto de Infração nº 001/SAC UL/2006 (fls. 08) para a empresa acima citada por cancelar, sem aviso prévio, a reserva confirmada para o vôo GOL 1808 no trecho SBSP > SBUL, do dia 08 de janeiro de 2006, e ao remarcar para o mesmo vôo, foi cobrado uma diferença de tarifa; - Empresa apresentou Defesa Prévia (fls. 10), informando que pelo fato da reclamante não ter embarcado na ida, o seu vôo subseqüente foi cancelado, conforme prevê o contato de transporte da empresa aérea, mas que não houve cobrança de diferença tarifária na remarcação do vôo de volta: 2.3 Em caso de não comparecimento para o embarque (no show), será deduzido do valor da tarifa, taxa administrativa referente a quebra de contrato de transporte, sendo os trechos subseqüentes cancelados; - A GGFS Gerência Geral de Fiscalização de Serviços Aéreos (fls. 11) considerou que a empresa acima citada descumpriu o contrato de transporte firmado com o reclamante, sendo imputada uma sanção pecuniária de R$3.400,00(três mil e quatrocentos reais) conforme previsto no CBAer, art. 302, inciso III, alínea u, regulado pelas Resoluções ANAC número 25 de 25 de abril de 2008 e número 58 de 24 de outubro de 2008; Eis o breve relatório. Página 1 de 7

RESUMO DO RECURSO - Transportadora aérea impetra recurso tempestivamente (fls. 14-15) reiterando as informações da Defesa Prévia. - Informa ainda que a diferença tarifaria paga pela passageira para remarcar o vôo de volta, foi devolvida em virtude de no show ter sido causado pela alteração do vôo. PARECER DO RELATOR PRELIMINARMENTE: - O Auto de Infração, que é o ato princípio de um processo administrativo, assim está descrito na Lei nº 7.565 de 19 de dezembro de 1986, que dispõe o sobre o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBAer): Art. 291. Toda vez que se verifique a ocorrência de infração prevista neste Código ou na legislação complementar, a autoridade aeronáutica lavrará o respectivo auto, remetendo-o à autoridade ou ao órgão competente para a apuração, julgamento ou providências administrativa cabível. - Onde foi regulamentado pela Resolução ANAC nº 25 de 25 de Abril de 2008, que complementa: Art. 4º O processo administrativo terá início com a lavratura do Auto de Infração AI. - O auto de infração como principal documento de um processo administrativo traz embutido em si um dispositivo primordial para sua validade, que é o enquadramento, pois é parte inerente do princípio da legalidade, no qual demonstra taxativamente que foi estabelecida uma regra de cumprimento pelo poder regulador, legalmente concedido, vinculado a uma prévia cominação legal. NO MÉRITO: - O CBAer ordena: Art. 230. Em caso de atraso de partida por mais de quatro horas, o transportador providenciará o embarque do passageiro, em vôo que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, se houver, ou restituirá, de imediato, se o passageiro o preferir, o valor do bilhete de passagem. - O presente processo administrativo teve como inicial a lavratura da Auto de Infração (fls. 08) que retrata em seu bojo a ocorrência de descumprimento do contrato de transporte pela empresa aera ao cancelar reserva confirmada sem prévio aviso a passageira contratante, e enquadra a ocorrência no CBAer: Art. 302. A multa será aplicada pela prática das seguintes infrações: III Infrações imputáveis à concessionária ou permissionária de serviços aéreos: u) infringir as Condições Gerais de Transporte, bem como as demais normas que dispõem sobre os serviços aéreos; Grifo meu. - As Condições Gerais de Transporte estão dispostas na Portaria nº 676/GC-5 de 13 de novembro de 2000, que prevê: Página 2 de 7

Art. 1º O transporte aéreo de pessoas, de coisas e de cargas será realizado mediante contrato ente o transportar e usuário. Art. 22. Quando o transportador cancelar o vôo, ou este sofrer atraso, ou, ainda, houver preterição por excesso de passageiros, a empresa aérea deverá acomodar os passageiros com reserva confirmada em outro vôo, próprio ou de congênere, no prazo máximo de 4 (quatro) horas do horário estabelecido no bilhete de passagem aérea. 1o Caso este prazo não possa ser cumprido, o usuário poderá optar entre: viajar em outro vôo, pelo endosso ou reembolso do bilhete de passagem. 2o Caso o usuário concorde em viajar em outro vôo do mesmo dia ou do dia seguinte, a transportadora deverá proporcionar-lhe as facilidades de comunicação, hospedagem e alimentação em locais adequados, bem como o transporte de e para o aeroporto, se for o caso. Grifos meus. - O enquadramento do Auto de Infração pelo CBAer, art. 302, inciso III, alínea u conforme descrito acima imputa como infração o descumprimento do contrato de transporte e a característica fundamental do transporte aéreo é a rapidez, ou seja o cumprimento do horário constitui uma parte essencial do cumprimento do contrato. - Tanto o CBAer no artigo 230 quanto a Portaria nº 676/GC-5 de 13 de novembro de 2000 em seu artigo 22 já transcritos anteriormente estipulam um lapso temporal de 4(quatro) horas, considerado pelos legisladores como período razoável para as empresas transportadoras cumprirem com o contrato de transporte, prazo não observado no caso concreto do presente processo. - Ainda mesmo enquadramento ainda imputa sobre o fato concreto: infringir as demais normas que dispõem sobre os serviços aéreos., o que nos remete a IAC 1224 de 30 de abril de 2000, que trata sobre as normas para alterações em vôos regulares, regula: Os procedimentos a serem seguidos pelas empresas de transporte aéreo para as alterações em vôos regulares, bem como para a realização de vôos não-regulares deverão obedecer ao disposto nesta Instrução de Aviação Civil. 3.9 O cancelamento programado de vôos e/ou escalas, em ocasiões especiais, devido a redução de demanda, poderá ocorrer, após autorizado pelo Subdepartamento de Planejamento (SPL), e desde que nenhum passageiro com reserva confirmada seja prejudicado. Grifo meu. - A solicitação e posterior autorização do órgão competente para que se efetive o cancelamento de um vôo regular, não esgota as responsabilidades da empresa aérea de tomar outras providências, principalmente quanto a informação de alteração de vôo aos passageiros que onerosamente contrataram por um serviço, conforme previsto na IAC 2203 de 16 de março de 1999, que versa sobre Informações aos Usuários do Transporte Aéreo: 3 RESPONSABILIDADES 3.1 - Da Empresa Aérea: Página 3 de 7

3.1.1 - A Empresa Aérea e seus prepostos são os responsáveis em prestar todas as informações aos usuários relativas às Condições Gerais de Transporte, no ato da compra do bilhete. 3.1.2 - No caso de mudanças posteriores dessas condições, a empresa aérea deverá fornecer ao usuário todas as informações necessárias relativas ao transporte. 3.1.3 - Quando essas mudanças resultarem em atrasos nos horários de partida é necessário que a administração aeroportuária seja informada e é recomendável que a empresa aérea envide todos os esforços no sentido de avisar aos usuários, em tempo hábil, de modo a evitar que eles desloquem-se para o aeroporto desnecessariamente. Grifos meus. - Tendo em vista que o presente processo foi incitado pelo protesto de passageiras prejudicadas que não tiveram informações sobre as mudanças de seu vôo previamente contratado, configura-se que não houve cumprimento das legislações complementares descritas acima. - Em apuração a Fiscalização contatou o Supervisor da empresa aérea, representante local da recorrente, que confirma que não conseguiu contato com a reclamante para lhe informar da alteração do vôo, mas que informou a agência de turismo que vendeu as passagens aéreas, e assim disciplina o CBAer: Art. 297. A pessoa jurídica empregadora responderá solidariamente com seus prepostos, agentes, empregados ou intermediários, pelas infrações por eles cometidas no exercício das respectivas funções. - A recorrente alega ainda que apenas cumpriu o previsto no contrato de transporte estipulado entre as partes, que prevê cancelamentos de reserva caso o passageiro não compareça em uma das etapas contratadas, vislumbra-se como intransigente a penalidade aplicada nesta cláusula, visto que o não comparecimento da passageira ocorreu pelo cancelamento do vôo pela própria empresa, e a reclamante além de ter o seu contrato de transporte alterado de forma unilateral ainda teve que pagar tarifa adicional para ser reembarcado em seu próprio vôo, sendo duplamente penalizada por falha de serviço adequado prestado pela concessionária. - Desta forma, configurado o ato infracional descrito o Auto de Infração, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, mantendo, assim, o valor da sanção em decisão prolatada pelo competente órgão decisório de primeira instância administrativa (Junta de Julgamento), considerando que a dosimetria do valor da multa se inicia no patamar médio previsto no Anexo I - correspondente ao enquadramento da inicial do processo administrativo (art. 302, inciso III, alínea u ) - na Resolução ANAC nº 25 de 25 de abril de 2008, graduando-se na observação o previsto no seguinte artigo: Art. 22. Para efeito de aplicação de penalidades serão consideradas circunstâncias atenuantes e agravantes. - Na observação dos itens listados do artigo descrito acima, confrontando com o fato concreto disposto nos autos do presente processo administrativo, verifica-se que não há circunstâncias atenuantes e agravantes a se considerar, e, portanto a sanção pecuniária deveria se situar no patamar médio, porém se encontra abaixo deste parâmetro. - No entanto, devido a aplicabilidade do princípio da razoável duração do processo e por economicidade processual, pela quantidade de processos de mesma natureza, não vislumbro o agravamento da sanção nos ditames da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: Página 4 de 7

Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. e ainda em conformidade com a IN: Art. 13. 1º Na prática dos atos processuais será observado o princípio da celeridade e da economia processual, não se permitindo exigências que não sejam estritamente necessárias à elucidação da matéria. É o voto do Relator. Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2010. EDMILSON JOSÉ DE CARVALHO Membro da Junta Recursal da ANAC INSPAC ANAC nº A-0253 Matricula SIAPE nº 1733575 Página 5 de 7

Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil CERTIDÃO DE JULGAMENTO JR AUTUAÇÃO Nº AI: 001/SAC UL-2/2006 Nº PROC.: 614.295.07-8 NOME DO INTERESSADO: GOL TRANSPORTES AÉREOS ISR PASSAGEIRO: 002/SAC UL/2006 LUCIANA ELIAS BERNARDI RELATOR: Edmilson José de Carvalho INSPAC ANAC nº A-0253 - Mat nrº 1 191498010 PRESIDENTE DA SESSÃO: Alexandra da Silva Amaral ASSUNTO: Cancelamento de reserva confirmada sem aviso prévio. Enquadramento> CBAer, art. 302, inciso III, alínea u CERTIDÃO Certifico que Junta Recursal da AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL ANAC, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Junta, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo a multa aplicada pelo órgão decisório de primeira instância administrativa, no termos do voto do relator. Os Srs. Membros Alexandra da Silva Amaral e Sérgio Luís Pereira Santos votaram com o Relator. Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2010. ALEXANDRA DA SILVA AMARAL PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL Página 6 de 7

DESPACHO JR Agência Nacional de Aviação Civil - Brasil Encaminhe-se a Secretaria da Junta Recursal para as providências de praxe. Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2010. ALEXANDRA DA SILVA AMARAL PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL Página 7 de 7