DECISÃO. Segunda Instância

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1 71v DECISÃO Segunda Instância JR Processo (n o SIGAD): / Crédito de Multa (n o SIGEC): /11-6 AI/NI: 05604/2011 Data Lavratura: 17/10/2011 Interessado: SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Local: SBCY Aeroporto de Cuiabá Data: 01/04/2011 Hora: 20:58 Aeronave: aeronave do fabricante RAYTHEON AIRCRAFT, modelo G36 e com número de série E-3915 (PR-SEV) Matéria: Utilizar aeronave sem matrícula alínea 'a' do inciso I do art. 302 do CBA Relator: Renata de Albuquerque de Azevedo RELATÓRIO Trata-se de recurso interposto por SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA em face da decisão proferida no curso do Processo Administrativo n o / , conforme registrado no Sistema de Gestão Arquivística de Documentos SIGAD desta Agência Nacional de Aviação Civil ANAC da qual restou aplicada pena de multa, consubstanciada essa no crédito registrado no Sistema Integrado de Gestão de Créditos SIGEC sob o número /11-6. O 'Relatório de Fiscalização' n 15/2011/AMI/SAR, de 17/10/2011 (fl. 01/04), informa que a autuada liberou para que fosse utilizada a aeronave PR-SEV nos dias 23/02/2011, 24/02/2011, 06/03/2011, 17/03/2011, 21/03/2011, 24/03/2011, 26/03/2011, 01/04/2011, 05/04/2011, 06/04/2011, 11/04/2011, 12/04/2011 e 21/04/2011, quando a aeronave estava apenas com Reserva de Marcas e que, o operador, após questionado acerca da regularidade da utilização da aeronave sem matrícula (Ofício 17/2011/AMI/SAR), não apresentou documentos aptos a comprovar a regularidade das operações. O Relatório de Fiscalização tem como anexos: (i) Extrato do sistema DCERTA, com as informações relativas aos voos realizados (fls. 02/03); (ii) Extrato do Sistema de Aviação Civil SACI com as informações relativas à data de emissão do CA e do CM (fl. 04); (iii) Cópia do Ofício 17/2011/AMI-SAR-ANAC (fl. 05); (iv) Resposta do Ofício 17/2011/AMI-SAR-ANAC (fls. 06/15) e (vi) Extrato do Banco de Informações de Movimento de Tráfego Aéreo do DECEA, em 17/10/2011 (fl. 16). O Auto de Infração n 05604/2011, que deu origem ao presente processo foi lavrado em 17/10/2011, capitulando a conduta do Interessado na alínea 'a' do inciso I do art. 302 do CBA - Código Brasileiro de Aeronáutica, descrevendo-se o seguinte (fl. 17): Data: 01/04/2011 Hora: 20:58 Local: SBCY Aeroporto de Cuiabá O operador registrado SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA liberou para que fosse utilizada a aeronave do fabricante RAYTHEON AIRCRAFT, modelo G36 e com número de série E-3915 quando a aeronave estava sem matrícula (tinha apenas reserva de marcas). Ressaltam-se as Observações 2 e 3 constantes na Certidão de Reserva de Marcas: 2: A RESERVA DE MARCAS, como medida inicial, tem como único objetivo possibilitar sua 292ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 1/6

2 RELATÓRIO pintura na aeronave, facilitando a vistoria técnica, NÃO GERANDO DIREITOS OU PRERROGATIVAS; 3: A CERTIDÃO DE RESERVA DE MARCAS não permite a operação da aeronave. Para translado, deve-se obter a autorização específica dada pela ANAC. A conduta configura infração à legislação aeronáutica, prevista no Art. 302, inciso I, alínea a do Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA (Lei 7565/86). O Autuado foi notificado da lavratura em 25/10/2011 (fl. 18). Registre-se que a notificação foi recebida no endereço dos procuradores do interessado, conforme solicitado à fl. 11. O Interessado protocolou peça de defesa em 11/11/2011 (fls. 19/41), intitulada DEFESA ADMINISTRATIVA COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO. A autuada apresentou uma única defesa para 25 Autos de Infração (AI 05593/2011; AI 05594/2011, AI 05595/2011, AI 05596/2011, AI 05597/2011, AI 05598/2011, AI 05599/2011, AI 05600/2011, AI 05601/2011, AI 05602/2011, AI 05603/2011, AI 05604/2011, AI 05605/2011, AI 05606/2011, AI 05607/2011, AI 05608/2011, AI 05609/2011, AI 05610/2011, AI 05611/2011, AI 05612/2011, AI 05613/2011, AI 05614/2011, AI 05615/2011, AI 05616/2011 e AI 05617/2011). Em defesa, o Interessado alega inexistência de ato infracional, sustentando que em momento algum ficou desprovida da documentação necessária de comprovação de regularidade do voo descrito no Auto de Infração, afirmando que este ocorreu em data posterior à data de validação de nacionalização da aeronave. Ao final, em defesa requer: a) suspenção da eficácia da infração e das penalidades aplicadas, com a imediata suspensão ou baixa do registro concernente a tal penalidade; c) anulação da sanção, em caso de não julgamento da presente, no prazo de 30 dias, conforme preceitua o 1º do art. 59 da Lei 9.784/99; c) reconhecimento da inexistência da infração ou que, como medida alternativa, seja proferida a conversão da sanção pecuniária em sanção adversativa; e d) encaminhamento das intimações ao endereço indicado à fl. 24v dos autos. O Autuado junta os seguintes documentos à sua defesa: (i) Procuração AD-JUDICIA que confere poderes ao signatário da defesa para representar a autuada perante esta Autarquia; (ii) Cópia dos 25 Autos de Infração emitidos em face da sociedade com base no Relatório de Fiscalização nº 15/2011/AMI/SAR; (iii) Alteração dos atos constitutivos da sociedade representada; (iv) Cópia da Declaração de Regularidade assinada pelo piloto da aeronave; (v) Caderneta de Célula nº 01/PR-SEV/2011 Vistoria Técnica Inicial; (vi) Certidão de Reserva de Marcas e (vii) Autorização de Sobrevoo/Trânsito nº 218/ABV/2010 (fls. 25 a 41). Consta nos autos o Extrato do SIGAD à fl. 42, indicando a data de protocolo do processo de matrícula da aeronave PR-SEV em 18/04/2011. À fl. 43, juntada aos autos a Certidão de Inteiro Teor do Livro de Aeronaves do RAB relativo à aeronave PR-SEV, indicando a data de matrícula da aeronave em 18/04/2011. Em 06/12/2011, a autoridade competente, após apontar a presença de defesa, decidiu pela aplicação, com atenuante (inexistência de penalidade aplicada no último ano) e sem agravante, de multa no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) fls. 44/50. Tendo tomado conhecimento da decisão em 13/12/2011 (fl. 54), o Interessado postou recurso a esta Agência em 22/12/2011 (fls. 55/69), por meio do qual alega a violação do princípio constitucional, ampla defesa e contraditório e reitera sua defesa, alegando inexistência do ato 292ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 2/6

3 72v RELATÓRIO infracional. Ao final, requer: a) deferimento do presente recurso com consequente suspensão da eficácia da infração e penalidades aplicadas; b) anulação das sanções, em caso de não julgamento no prazo de 30 (trinta) dias, conforme preceitua o 1º do art. 59 da Lei nº 9.784/99; c) reconhecimento da inexistência das supostas infrações, alegando não ter cometido as infrações impostas ou, em caso de não atendimento, a conversão da sanção pecuniária em sanção adversativa; d) redução do valor da multa aplicada, mencionando os artigos 58 e 61 da IN ANAC nº 08/2008; e) admissão em provar, além dos documentos juntados, por meio de todos os outros meios em direito admitido, especialmente, provas testemunhais e periciais; e f) encaminhamento das intimações ao endereço indicado à fl. 68 dos autos. Tempestividade do recurso certificada em 29/02/2012 fl. 70. É o relatório. VOTO 1. PRELIMINARMENTE Antes de decidir o feito, há questão prévia que precisa ser decidida por essa Junta Recursal. Diante da infração do processo administrativo em questão, a autuação foi realizada com fundamento na alínea 'a' do inciso I do art. 302 do CBA, Lei n 7.565, de 19/12/1986, que dispõe o seguinte: CBA Art A multa será aplicada pela prática das seguintes infrações: (...) I - infrações referentes ao uso das aeronaves: (...) a) utilizar ou empregar aeronave sem matrícula; Destaca-se que, com base na tabela desta Resolução, o valor da multa referente a este item poderá ser imputado em R$ (grau mínimo), R$ (grau médio) ou R$ (grau máximo). Em decisão de primeira instância, de 06/12/2011 (fls. 44/50), após apontar a presença de defesa, foi confirmado o ato infracional, aplicando, com atenuante e agravante, a multa no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais). Nessa decisão foi considerada a circunstância atenuante para a dosimetria da pena com o fundamento na inexistência de aplicação de penalidades no último ano (inciso III do 1º do art. 22 da Resolução ANAC nº 25/2008). Contudo, conforme consulta ao extrato de lançamento no Sistema Integrado de Gestão de Créditos (SIGEC), em anexo, verifica-se a presença de aplicação de penalidade ao Interessado em outros processos administrativos, conforme dispõe o mesmo extrato. Desta forma, no caso em tela, entende-se não ser cabível considerar a aplicação desta condição atenuante prevista no inciso III do 1º do art. 22 da Resolução ANAC nº 25/2008 e no 292ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 3/6

4 VOTO inciso III do 1º do art. 58 da Instrução Normativa ANAC nº 08/2008 ("inexistência de aplicação de penalidades no último ano"), sendo possível que tal circunstância aplicada pela autoridade competente a decidir em primeira instância seja afastada na decisão final dessa Junta Recursal. Adicionalmente, cumpre mencionar que o art. 64 da Lei n 9.784, admite a possibilidade da reforma para agravar a situação do recorrente. Ocorre, porém, que a mesma norma (art. 64, parágrafo único) condiciona o agravamento à ciência da parte interessada para que formule suas alegações antes da decisão. Lei n Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. Assim, ante a possibilidade de se afastar a circunstância atenuante aduzida na decisão de primeira instância, é possível que a pena do Regulado seja agravada de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para R$ ,00 (catorze mil reais), valor médio previsto na Resolução ANAC n 25, de 25 de abril de Diante do exposto, e ante a possibilidade de se majorar o valor da sanção aplicada no presente processo, em cumprimento com o disposto no parágrafo único do artigo 64 da Lei 9.784/99, entende-se necessário que seja cientificado o Interessado para que venha a formular suas alegações antes da decisão desse Órgão. 2. VOTO Pelo exposto, vota-se para que se notifique o Recorrente ante a possibilidade de agravamento da pena para o valor de R$ ,00 (catorze mil reais), de forma que o mesmo, querendo, venha no prazo de 10 (dez) dias, formular suas alegações, cumprindo, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 64 da Lei 9.784/99. Após a efetivação da medida, deve o expediente retornar a esse Relator, para a conclusão da análise e voto. Rio de Janeiro, 25 de setembro de Renata de Albuquerque de Azevedo Especialista em Regulação de Aviação Civil - SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 626, de 27/04/ ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 4/6

5 73v DESPACHO JR Processo (n o SIGAD): / Crédito de Multa (n o SIGEC): /11-6 AI/NI: 05604/2011 Data Lavratura: 17/10/2011 Interessado: SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Matéria: Utilizar aeronave sem matrícula alínea 'a' do inciso I do art. 302 do CBA Relator: Renata de Albuquerque de Azevedo Presidente da Sessão: Sérgio Luís Pereira Santos Trata-se de recurso interposto por SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA em face da decisão proferida no curso do Processo Administrativo n o / , conforme registrado no Sistema de Gestão Arquivística de Documentos SIGAD/ANAC da qual restou aplicada pena de multa, consubstanciada essa no crédito registrado no Sistema Integrado de Gestão de Créditos SIGEC sob o número /11-6. O Auto de Infração n 05604/2011, que deu origem ao presente processo foi lavrado em 17/10/2011, capitulando a conduta do Interessado na alínea 'a' do inciso I do art. 302 do CBA - Código Brasileiro de Aeronáutica, descrevendo-se o seguinte (fl. 17): Data: 01/04/2011 Hora: 20:58 Local: SBCY Aeroporto de Cuiabá O operador registrado SEVEN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA liberou para que fosse utilizada a aeronave do fabricante RAYTHEON AIRCRAFT, modelo G36 e com número de série E-3915 quando a aeronave estava sem matrícula (tinha apenas reserva de marcas). Ressaltam-se as Observações 2 e 3 constantes na Certidão de Reserva de Marcas: 2: A RESERVA DE MARCAS, como medida inicial, tem como único objetivo possibilitar sua pintura na aeronave, facilitando a vistoria técnica, NÃO GERANDO DIREITOS OU PRERROGATIVAS; 3: A CERTIDÃO DE RESERVA DE MARCAS não permite a operação da aeronave. Para translado, deve-se obter a autorização específica dada pela ANAC. A conduta configura infração à legislação aeronáutica, prevista no Art. 302, inciso I, alínea a do Código Brasileiro de Aeronáutica - CBA (Lei 7565/86). Em decisão de primeira instância, de 06/12/2011 (fls. 44/50), após apontar a presença de defesa, foi confirmado o ato infracional, aplicando, com atenuante e agravante, a multa no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais). Nessa decisão foi considerada a circunstância atenuante para a dosimetria da pena com o fundamento na hipótese prevista no inciso III do 1º do art. 22 da Resolução ANAC nº 25/2008 e inciso III do 1º do art. 58 da Instrução Normativa ANAC nº 08/2008 ("inexistência de aplicação de penalidades no último ano"). Contudo, no presente caso, há a possibilidade de se afastar a circunstância atenuante aduzida na decisão de primeira instância ( inexistência de aplicação de penalidades no último 292ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 5/6

6 ano ) diante da verificação da presença de aplicação de penalidade ao Interessado em outros processos administrativos, conforme consulta, em anexo, ao extrato de lançamento no Sistema Integrado de Gestão de Créditos (SIGEC). Diante do exposto, é possível que a pena do Regulado seja agravada para o valor R$ ,00 (catorze mil reais), que corresponde ao patamar médio previsto na Resolução ANAC n 25, de 25 de abril de Certifico, neste ato que, na Sessão de Julgamento do dia 25 de setembro de 2014, o Relator do feito propôs, e os membros Sérgio Luís Pereira Santos e Julio Cezar Bosco Teixeira Ditta concordaram, que da decisão do recurso interposto pode decorrer gravame à situação do recorrente. Assim sendo, retira-se de pauta este Processo Administrativo SIGAD n / , crédito n /11-6 (n 35 da pauta), com base no inciso XIV do artigo 15 do Anexo à Resolução ANAC n o 136/09, determinando, ainda, que a Secretaria da Junta Recursal notifique o recorrente para que esse possa, no prazo de 10 (dez) dias, formular suas alegações, cumprindo, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 64 da Lei 9.784/99. Rio de Janeiro, 25 de setembro de Sérgio Luís Pereira Santos Presidente da Junta Recursal - SIAPE Portaria ANAC nº 1.833/DIR-P, 17/07/2013 De acordo, Julio Cezar Bosco Teixeira Ditta Analista Administrativo SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 1.137/DIRP, de 06/05/2013 Renata de Albuquerque de Azevedo Especialista em Regulação de Aviação Civil - SIAPE Membro Julgador da Junta Recursal da ANAC Portaria ANAC nº 626, de 27/04/ ª Sessão de Julgamento de 25 de setembro de Página 6/6

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